{"id":8361,"date":"2016-12-07T02:21:40","date_gmt":"2016-12-07T04:21:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=8361"},"modified":"2016-12-13T06:43:48","modified_gmt":"2016-12-13T08:43:48","slug":"capital-do-alcool","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/capital-do-alcool\/","title":{"rendered":"Capital do \u00e1lcool"},"content":{"rendered":"<p>ARI CUNHA <\/p>\n<p>DESDE 1960 \u00bb<\/p>\n<p>aricunha@dabr.com.br<\/p>\n<p>com Circe Cunha e MAMFIL<\/p>\n<p>T\u00e3o acostumados estamos com nosso horizonte imediato e nossas mazelas di\u00e1rias, que muitas vezes n\u00e3o percebemos a progressiva decad\u00eancia que vai tomando conta de nosso mundo ao redor. No caso de nossa cidade, capital do pa\u00eds, o que se apresenta diante de nossos olhos parece ser um a cr\u00f4nica de um colapso social anunciado. Se forem contabilizados entre bares, restaurantes e botecos informais, Bras\u00edlia possui hoje aproximadamente 12 mil estabelecimentos, que empregam um ex\u00e9rcito de mais de 100 mil pessoas. Para uma popula\u00e7\u00e3o de pouco menos de 3 milh\u00f5es de habitantes, o que n\u00e3o faltam s\u00e3o op\u00e7\u00f5es de bares e biroscas onde a oferta de \u00e1lcool variada \u00e9 abundante.<\/p>\n<p>O que poderia parecer um para\u00edso de com\u00e9rcio, com vendedores e consumidores exercitando as saud\u00e1veis leis do mercado, para o bem da economia local, esconde uma realidade devastadora. O que se assiste hoje na capital do pa\u00eds \u00e9 a liberaliza\u00e7\u00e3o total e o est\u00edmulo, sem precedentes, do consumo de bebidas alco\u00f3licas.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o do Plano Piloto, a prolifera\u00e7\u00e3o de bares, botecos e outros estabelecimentos de venda de \u00e1lcool segue acelerada. Mesas e cadeiras v\u00e3o se espraiando por ruas, invadindo as \u00e1reas verdes e chegando cada vez mais pr\u00f3ximas \u00e0s resid\u00eancias. O mais preocupante \u00e9 que o grande p\u00fablico desse tipo de com\u00e9rcio \u00e9 formado por jovens, a maioria ainda estudantes.<\/p>\n<p>Nas cercanias das universidades, o movimento de bares e o consumo de \u00e1lcool s\u00e3o mais acentuados. Algumas quadras, como a SQN 408, o com\u00e9rcio local foi tomado por bares que lucram f\u00e1bulas com os alunos de universidades e escolas da redondeza. Em todas as quadras, o fen\u00f4meno se repete. Os bares \u00e0 noite ficam lotados e as salas de aula vazias. Nunca tantos jovens beberam tanto como agora. Estamos nos transformando na capital do \u00e1lcool. O que poderia ser uma divers\u00e3o espor\u00e1dica, vai se transformando numa constante perigosa.<\/p>\n<p>O que estamos assistindo, sob o olhar complacente das autoridades e principalmente das fam\u00edlias, \u00e9 ao consumo desbragado de \u00e1lcool. Gera\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo entregues ao v\u00edcio silencioso. Trata-se muito mais do que de um problema de sa\u00fade f\u00edsica e mental, que j\u00e1 \u00e9 s\u00e9rio. O que estamos vendo em nossa cidade e arredores \u00e9 a lenta destrui\u00e7\u00e3o de todo um contingente de jovens, desinformados sobre os perigos do alcoolismo.<\/p>\n<p>Sem uma campanha s\u00e9ria e massiva que alerte para esse flagelo que vai se instalando por todo lado, o que teremos num futuro pr\u00f3ximo s\u00e3o hospitais lotados de pessoas acidentadas, v\u00edtimas de cirrose, delegacias cheias de infratores, pres\u00eddios superlotados de delinquentes, cl\u00ednicas e est\u00e2ncias para dependentes, acidentes de trabalho, hospitais psiqui\u00e1tricos repletos de jovens desequilibrados. Os moradores das superquadras sabem bem que o problema existe, est\u00e1 se disseminando com rapidez e j\u00e1 \u00e9 um dos maiores motivos de queixa da atualidade.<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea ganha liberdade quando tem responsabilidade.\u201d<\/p>\n<p>Alison Zigulich<\/p>\n<p>Aids<\/p>\n<p>\u00bb Cresce a cada dia no DF o n\u00famero de infectados pelo v\u00edrus da aids. J\u00e1 s\u00e3o, segundo a Secretaria de Sa\u00fade, 11 mil infectados. Isso sem contar aqueles que ainda n\u00e3o suspeitam ainda da contamina\u00e7\u00e3o, al\u00e9m dos que, simplesmente n\u00e3o fazem a notifica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o procuram os cuidados m\u00e9dicos adequados.<\/p>\n<p>Perfil<\/p>\n<p>\u00bb Preocupa as autoridades o fato de a maioria dos infectados estarem na faixa et\u00e1ria entre 15 e 19 anos, sendo que a propor\u00e7\u00e3o de soropositivos \u00e9 de 46,7 casos masculinos para cada uma mulher infectada.<\/p>\n<p>Propaganda<\/p>\n<p>\u00bb No caso da prolifera\u00e7\u00e3o desenfreada desse v\u00edrus, fatal para o ser humano mesmo com todos os avan\u00e7os da medicina e dos rem\u00e9dios retrovirais existentes hoje, as novas gera\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram sensibilizadas por campanhas massivas como acontecia em d\u00e9cadas passadas.<\/p>\n<p>Carnaval<\/p>\n<p>\u00bb Com a aproxima\u00e7\u00e3o das festas de Momo, dever\u00e1 crescer tamb\u00e9m o n\u00famero de registros de pessoas infectadas num futuro pr\u00f3ximo. Por isso, n\u00e3o se entende como a menos de dois meses para o carnaval ainda n\u00e3o se veem propagandas apelando para o uso de camisinhas e outros protetores.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>No meio da crise, n\u00e3o falta gente esperta. A Imobili\u00e1ria Guanabara Ltda. est\u00e1 vendendo o Jardim Maravilha, em Formosa, e apresenta para o cliente esta atra\u00e7\u00e3o: Recebe do cliente a import\u00e2ncia de 5 mil cruzeiros, e d\u00e1 uma escritura de 40 mil cruzeiros. E tem mais: d\u00e1, ainda, uma ap\u00f3lice de 100 mil cruzeiros, para seguros de acidentes pessoais. (Publicado em 19\/9\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ARI CUNHA DESDE 1960 \u00bb aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha e MAMFIL T\u00e3o acostumados estamos com nosso horizonte imediato e nossas mazelas di\u00e1rias, que muitas vezes n\u00e3o percebemos a progressiva decad\u00eancia que vai tomando conta de nosso mundo ao redor. 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