{"id":8359,"date":"2016-12-06T02:40:37","date_gmt":"2016-12-06T04:40:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=8359"},"modified":"2016-12-13T06:41:26","modified_gmt":"2016-12-13T08:41:26","slug":"gullar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/gullar\/","title":{"rendered":"Gullar"},"content":{"rendered":"<p>ARI CUNHA <\/p>\n<p>DESDE 1960 \u00bb<\/p>\n<p>aricunha@dabr.com.br<\/p>\n<p>com Circe Cunha e MAMFIL<\/p>\n<p>N\u00e3o conheci pessoalmente o poeta Ferreira Gullar. Mas sempre nutri por seu trabalho e por suas posi\u00e7\u00f5es, firmes e claras, forte admira\u00e7\u00e3o. Estive, h\u00e1 muitos anos, no lan\u00e7amento de uma colet\u00e2nea de seus textos, reunidos sob o t\u00edtulo Toda poesia. Fiquei de longe. Havia muita gente na ocasi\u00e3o e resolvi ser um a menos a perturb\u00e1-lo com tietagens e n\u00e3o pedi aut\u00f3grafo. N\u00e3o me arrependo.<\/p>\n<p>A mim, Gullar sempre pareceu ser confi\u00e1vel. Percebi, desde logo, que havia em seus m\u00faltiplos trabalhos como escritor e cr\u00edtico uma coer\u00eancia linear, que faz com que voc\u00ea conhe\u00e7a na intimidade o verdadeiro criador. \u00c9 raro encontrar no vasto mundo das artes talentos que possuam a coragem genu\u00edna de expor com franqueza e sem enfeites sua personalidade. O que se v\u00ea com frequ\u00eancia s\u00e3o artistas deslumbrados com o pr\u00f3prio umbigo, vaidosos e cheios de estere\u00f3tipos sobre o mundo ao redor.<\/p>\n<p>\u00c0 guisa de explica\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso deixar esclarecido que tomar o autor pelo trabalho exposto \u00e9 uma das grandes ilus\u00f5es das plateias mundo afora, principalmente quando se descobre que autor e obra s\u00e3o dois seres ant\u00edpodas. A desilus\u00e3o \u00e9 ainda maior quando se descobre que, por tr\u00e1s de uma obra-prima qualquer, pode estar um ser mesquinho e cheios das mais baixas veleidades humanas. Ou mesmo o oposto: obras c\u00e1usticas com um ser angelical a compondo. Muitos chegam a duvidar que determinada obra seja de um autor, tal a discrep\u00e2ncia entre ambos.<\/p>\n<p>A filosofia distingue bem \u00e9tica de est\u00e9tica. Neste sentido, \u00e9 poss\u00edvel entender por que alguns grandes artistas, criadores de verdadeiras obras-primas, sejam, na intimidade, seres humanos desprez\u00edveis, capazes de atitudes e baixezas impens\u00e1veis. A prud\u00eancia ensina a n\u00e3o confundir criador e criatura.<\/p>\n<p>Ferreira Gullar tinha esse qu\u00ea raro de sinceridade. Seus textos e sua pessoa estavam ali, derramados em tinta preta sobre a folha branca. Talvez venha da\u00ed a sua enorme aceita\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Quando ainda havia a esquerda, como matiz ideol\u00f3gico e pessoal, Gullar se posicionou, n\u00e3o como defensor cego das orienta\u00e7\u00f5es do Partid\u00e3o, mas no sentido de que acreditava, com sinceridade, na reden\u00e7\u00e3o do ser humano e sua liberta\u00e7\u00e3o do capitalismo selvagem e predador.<\/p>\n<p>Por sua viv\u00eancia e liberdade de pensar, desde logo identificou nos governos petistas uma fantasia que levaria o pa\u00eds \u00e0 ru\u00edna moral e econ\u00f4mica. No poema \u201cN\u00e3o h\u00e1 vagas\u201d, de 1963, Ferreira Gullar traz para o lirismo dos versos, a realidade do brasileiro comum desde sempre:<\/p>\n<p>\u201cO pre\u00e7o do feij\u00e3o\/n\u00e3o cabe no poema. O pre\u00e7o do arroz\/n\u00e3o cabe no poema.\/N\u00e3o cabem no poema o g\u00e1s, a luz o telefone, a sonega\u00e7\u00e3o, do leite, da carne, do a\u00e7\u00facar, do p\u00e3o.\/O funcion\u00e1rio p\u00fablico\/n\u00e3o cabe no poema\/com seu sal\u00e1rio de fome\/sua vida fechada\/em arquivos.\/Como n\u00e3o cabe no poema o oper\u00e1rio\/ que esmerila seu dia de a\u00e7o\/e carv\u00e3o\/nas oficinas escuras\/\u2013 porque o poema, senhores,\/est\u00e1 fechado:\/\u201cn\u00e3o h\u00e1 vagas\u201d\/S\u00f3 cabe no poema\/ o homem sem est\u00f4mago\/ a mulher de nuvens\/ a fruta sem pre\u00e7o\/ O poema,\/senhores,\/ n\u00e3o fede\/nem cheira.\u201d<\/p>\n<p>A franqueza de sua prosa afastou-o da maioria dos pol\u00edticos atuais, principalmente os populistas e demagogos. Talvez tenha sido essa a raz\u00e3o  por que muitos deles preferiram ir assistir aos funerais do ditador Castro, na long\u00ednqua Cuba \u2014 um homem a quem \u00e9 debitado milhares de mortes \u2014 do que ver descer a terra um dos maiores poetas da atualidade. Melhor assim para a biografia de Gullar.<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada<\/p>\n<p>\u201cA arte existe porque a vida n\u00e3o basta.\u201d<\/p>\n<p>Ferreira Gullar<\/p>\n<p>Desigualdade<\/p>\n<p>\u00bb De acordo com o Instituto de Estudos Socioecon\u00f4micos (Inesc), Bras\u00edlia registra os maiores \u00edndices de desigualdade econ\u00f4mica e social do Brasil. Nas medi\u00e7\u00f5es feitas pelo desigualt\u00f4metro existem enormes discrep\u00e2ncias na oferta de bens e servi\u00e7os entre os moradores do Plano e das \u00e1reas perif\u00e9ricas. Enquanto no Plano Piloto, 84% da popula\u00e7\u00e3o tem planos de sa\u00fade, a poucos quil\u00f4metros, na Estrutural, esse n\u00famero cai para apenas 5,6%.<\/p>\n<p>CPI<\/p>\n<p>\u00bb Na era das dela\u00e7\u00f5es, feitas diante do pavor da pris\u00e3o iminente, o pa\u00eds vai conhecendo um pouco do submundo dos bastidores pol\u00edticos. Num desses \u00faltimos relatos, nada mais, nada menos, feito  pelo ex-l\u00edder do governo no senado, Delc\u00eddio do Amaral, ficamos sabendo que as Comiss\u00f5es Parlamentares de Inqu\u00e9rito (CPI) vinham sendo usadas apenas para achacar empres\u00e1rios, principalmente em \u00e9poca de elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Deflex\u00e3o<\/p>\n<p>\u00bb Com os desdobramentos da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, nesta nova fase intitulada Deflex\u00e3o, o ex-presidente da C\u00e2mara dos Deputados Marco Maia (PT-RS) e o atual ministro do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) e ex-senador Vital do R\u00eago (PMDB-PB), respectivamente, relator e presidente da CPI da Petrobras, ter\u00e3o de prestar contas \u00e0 Justi\u00e7a sobre den\u00fancias de que teriam recebido R$ 5 milh\u00f5es de um clube de empres\u00e1rios para livr\u00e1-los da convoca\u00e7\u00e3o a fim de prestar depoimentos \u00e0 Comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>Em Goi\u00e2nia, outro dia, nenhum funcion\u00e1rio do Ipase compareceu \u00e0 reparti\u00e7\u00e3o, exceto um servente, que dava a seguinte explica\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas que procuravam a autarquia: \u201cO pessoal est\u00e1 todo doente\u201d. (Publicado em 19\/9\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ARI CUNHA DESDE 1960 \u00bb aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha e MAMFIL N\u00e3o conheci pessoalmente o poeta Ferreira Gullar. Mas sempre nutri por seu trabalho e por suas posi\u00e7\u00f5es, firmes e claras, forte admira\u00e7\u00e3o. Estive, h\u00e1 muitos anos, no lan\u00e7amento de uma colet\u00e2nea de seus textos, reunidos sob o t\u00edtulo Toda poesia. Fiquei de longe. 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