{"id":8321,"date":"2016-11-20T04:46:24","date_gmt":"2016-11-20T06:46:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=8321"},"modified":"2016-11-25T08:48:57","modified_gmt":"2016-11-25T10:48:57","slug":"uma-cidade-que-vai-se-desmanchando-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/uma-cidade-que-vai-se-desmanchando-2\/","title":{"rendered":"Uma cidade que vai se desmanchando"},"content":{"rendered":"<p>DESDE 1960 \u00bb<\/p>\n<p>jornalista_aricunha@outlook.com<\/p>\n<p>com Circe Cunha com MAMFIL<\/p>\n<p>Sem uma fiscaliza\u00e7\u00e3o efetiva e rigorosa, nenhuma cidade tem futuro promissor. Deixada aos caprichos de cada um de seus habitantes, a tend\u00eancia \u00e9 que os espa\u00e7os p\u00fablicos desandem progressivamente para o caos. Uma vez instalada as primeiras desordens, \u00e9 dada a largada para uma sequ\u00eancia desenfreada de m\u00faltiplas irregularidades que v\u00e3o num crescendo de dif\u00edcil retorno.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil identificar uma cidade onde os \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle n\u00e3o funcionam. Elas est\u00e3o espalhadas por todo o Brasil e j\u00e1 fazem parte da nossa triste paisagem. Praticamente nenhuma metr\u00f3pole brasileira ficou imune aos processos de degrada\u00e7\u00e3o paulatina. Sujeira, polui\u00e7\u00e3o visual, cal\u00e7adas irregulares e perigosas, ilumina\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, puxadinhos desengon\u00e7ados por todo lado. Toda essa confus\u00e3o urbana \u00e9 bem conhecida e, de certa forma, estamos nos acostumamos aos desarranjos.<\/p>\n<p>Turistas que v\u00eam de pa\u00edses onde a fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 onipresente veem nossas metr\u00f3poles como retrato acabado do Terceiro Mundo: perigoso e prec\u00e1rio. Bras\u00edlia, principalmente sua \u00e1rea tombada, vai, pouco a pouco, caminhando para se igualar \u00e0s demais cidades de nosso pa\u00eds naquilo que elas tem de pior. Circular pelas avenidas W3 Norte e Sul, duas das principais e mais antigas art\u00e9rias da capital e que a d\u00e9cadas v\u00eam aguardando uma reforma s\u00e9ria e profunda, confirma a tese de que a cidade parece entregue \u00e0 pr\u00f3pria sorte.<\/p>\n<p>Cada comerciante, daqueles que ainda teimam em permanecer nestes espa\u00e7os comerciais, na aus\u00eancia dos fiscais, interferem nos espa\u00e7os p\u00fablicos como querem. Constroem suas pr\u00f3prias cal\u00e7adas, montam seus outdoors na dimens\u00e3o que acham mais vis\u00edvel, montam largos estacionamentos em \u00e1reas verdes, espalham mesas e cadeiras escondidinhas por plantas.<\/p>\n<p>Alguns mais empreendedores constroem coberturas sobre os pr\u00e9dios comerciais e cobrem com generosos telhados coloniais. Tudo na maior boa vontade e longe dos olhos cegos da fiscaliza\u00e7\u00e3o. Na falta de um projeto p\u00fablico consistente, os arquitetos e urbanistas sem diploma v\u00e3o fazendo o que podem, desconstruindo o bairro tijolo a tijolo.<\/p>\n<p>Enquanto a desordem vai brotando aqui e ali, os brasilienses v\u00e3o assistindo a explos\u00e3o do com\u00e9rcio de lata por todo o lado. Em algumas localidades, como nas vizinhan\u00e7as do edif\u00edcio principal da Caixa Econ\u00f4mica no SBS, a multiplica\u00e7\u00e3o dos com\u00e9rcios fixos e fora do padr\u00e3o \u00e9 assustador. N\u00e3o parece Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Em decorr\u00eancia da crise econ\u00f4mica e do desd\u00e9m dos fiscais, a capital do pa\u00eds vai experimentando o modismo dos truck foods. O que parece modernidade esconde um futuro de caos e um grande perigo para a sa\u00fade p\u00fablica. S\u00f3 Deus sabe em quais condi\u00e7\u00f5es os alimentos sobre rodas s\u00e3o conservados e preparados. \u00c9 comum observar nesses trailers a falta de luvas, toucas e outros uniformes de uso obrigat\u00f3rio para quem manipula alimentos. A oferta de \u00e1gua \u00e9 prec\u00e1ria.<\/p>\n<p>Por todo lado \u00e9 vis\u00edvel a presen\u00e7a desses trucks, numa concorr\u00eancia desleal com os comerciantes fixos. Alguns propriet\u00e1rios desses caminh\u00f5es, livres dos olhos da lei, chegam a cercar seu estabelecimento com gambiarras de luzes, onde instalam mesas e cadeiras. Nesses ambientes improvisados, sob a leni\u00eancia do GDF, instalam suas caixas de som e seja o Deus quiser. Aos infelizes moradores das \u00e1reas vizinhas \u00e0s centenas de bares espalhados pelo Plano Piloto, resta implorar pela vinda de algum salvador da ordem p\u00fablica.<\/p>\n<p>A frase que n\u00e3o foi pronunciada<\/p>\n<p>\u201cA arquitetura \u00e9 uma ci\u00eancia, surgindo de muitas outras, e adornada com muitos e variados ensinamentos: pela ajuda dos quais um julgamento \u00e9 formado daqueles trabalhos que s\u00e3o o resultado das outras artes.\u201d<\/p>\n<p>Vitr\u00favio<\/p>\n<p>Flipiri<\/p>\n<p>\u00bb Hoje termina o Festival de Literatura de Piren\u00f3polis. Os homenageados s\u00e3o Ziraldo e Nurit Bensusan, e outros autores, como Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o e Tiago de Melo Andrade. Ilustradores que dar\u00e3o o ar da gra\u00e7a: Geni Alexandria, Elder Rocha Lima, Ziraldo, Roger Melo e Christie Queiroz. A Flipiri \u00e9 promovida pelo Instituto Cultural Casa de Autores e pela Prefeitura Municipal de Piren\u00f3polis. A programa\u00e7\u00e3o completa est\u00e1 dispon\u00edvel no site http:\/\/www.flipiri.com.br\/.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>Acabamento das superquadras. N\u00e3o h\u00e1 superquadra iluminada, e a maioria est\u00e1 sem urbaniza\u00e7\u00e3o. Os canteiros de obras, algumas paralisadas, continuam emperrando o desenvolvimento do servi\u00e7o.<br \/>\n(Publicado em 17\/9\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DESDE 1960 \u00bb jornalista_aricunha@outlook.com com Circe Cunha com MAMFIL Sem uma fiscaliza\u00e7\u00e3o efetiva e rigorosa, nenhuma cidade tem futuro promissor. Deixada aos caprichos de cada um de seus habitantes, a tend\u00eancia \u00e9 que os espa\u00e7os p\u00fablicos desandem progressivamente para o caos. 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