{"id":8311,"date":"2016-11-15T06:54:00","date_gmt":"2016-11-15T08:54:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=8311"},"modified":"2016-11-17T06:54:42","modified_gmt":"2016-11-17T08:54:42","slug":"ensino-publico-nao-e-prioridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/ensino-publico-nao-e-prioridade\/","title":{"rendered":"Ensino p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 prioridade"},"content":{"rendered":"<p>DESDE 1960 \u00bb<\/p>\n<p>aricunha@dabr.com.br<\/p>\n<p>com Circe Cunha e MAMFIL<\/p>\n<p>Com o passar dos anos, um fato vai ficando evidente: o ensino p\u00fablico em nosso pa\u00eds, em todas as s\u00e9ries, incluindo, as universidades, n\u00e3o \u00e9 prioridade de nenhum governo, em tempo algum. N\u00e3o \u00e9 por outro motivo que o Brasil continua patinando num eterno subdesenvolvimento, dependente de outros pa\u00edses quando o assunto \u00e9 ci\u00eancia e progresso tecnol\u00f3gico. Enquanto prosseguimos como exportadores de mat\u00e9rias-primas, vendidas a pre\u00e7os de irris\u00f3rios e que v\u00e3o exaurindo, para sempre, nossos recursos naturais, outros pa\u00edses, menores territorialmente do que muitos estados brasileiros, lucram muito mais apenas com a forma\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es de c\u00e9rebros aptos a trabalhar com pesquisas cient\u00edficas. Os nossos c\u00e9rebros n\u00e3o encontram por aqui vantagens para dedica\u00e7\u00e3o a pesquisas.<\/p>\n<p>A partir principalmente da revolu\u00e7\u00e3o industrial, muitos pa\u00edses come\u00e7aram a enxergar no desenvolvimento das ci\u00eancias o lastro e o caminho mais seguro para o alcance do progresso e da riqueza. Pa\u00edses, como o Jap\u00e3o, a Alemanha, a Coreia do Sul, praticamente transformados em ru\u00ednas pelas guerras e pelas bombas, ergueram-se dos escombros apoiados por um massivo e prolongado programa de educa\u00e7\u00e3o. Basta uma visita \u00e0s escolas no interior das regi\u00f5es mais pobres do Brasil para constatar o grau de precariedade com que esses estabelecimentos funcionam. Algumas escolas nem teto t\u00eam, outras faltam carteiras e material did\u00e1tico b\u00e1sico. Alunos t\u00eam de viajar quil\u00f4metros, as vezes a p\u00e9, para frequentar as aulas. Merenda escolar tamb\u00e9m \u00e9 item de que muitas escolas n\u00e3o disp\u00f5em. H\u00e1 prefeitos com coragem para subtrair a verba do lanche das crian\u00e7as para outra finalidade.<\/p>\n<p>Acesso \u00e0 inform\u00e1tica ainda \u00e9 apenas sonho em muitos grupos escolares pelo interior do pa\u00eds. Em pleno s\u00e9culo 21, nossas escolas p\u00fablicas seguem sendo exatamente como eram em s\u00e9culos passados. Com tal descaso, gera\u00e7\u00f5es, uma ap\u00f3s outra, s\u00e3o obrigadas a permanecer atoladas no atraso e no subdesenvolvimento, ref\u00e9ns da vontade de pol\u00edticos demagogos que usam o analfabetismo como ferramenta para permanecer eternamente explorando a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2015, ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da Prova Brasil, que avalia alunos do ensino b\u00e1sico, constatou-se que quase 70% dos alunos do quinto ano das escolas p\u00fablicas n\u00e3o sabiam, sequer, reconhecer um quadrado, um c\u00edrculo ou um tri\u00e2ngulo. Mais de 60% n\u00e3o conseguiam localizar informa\u00e7\u00f5es colocadas de forma expl\u00edcitas nas historinhas. Cerca de 90% dos alunos do 9\u00ba ano n\u00e3o sabiam converter uma medida dada em metro para cent\u00edmetros. Educadores s\u00e3o un\u00e2nimes em reconhecer que no ritmo atual o Brasil levar\u00e1 d\u00e9cadas para atingir as 20 metas de ensino propostas pelo Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (PNE), a serem cumpridas at\u00e9 2020.<\/p>\n<p>A proposta de destinar 100% dos royalties do petr\u00f3leo e recursos, ditos infind\u00e1veis, do pr\u00e9-sal, que os governos petistas anunciavam como uma panaceia redentora, mostrou-se um engodo, ap\u00f3s as revela\u00e7\u00f5es da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. Destru\u00edda pela corrup\u00e7\u00e3o avassaladora, a Petrobras, que poderia patrocinar esse imenso plano, \u00e9 hoje uma empresa falida, assim como o ensino p\u00fablico deste pa\u00eds.<\/p>\n<p>A frase que n\u00e3o foi pronunciada<\/p>\n<p>\u201cAh, Marechal Deodoro da Fonseca, era por esse tipo de Rep\u00fablica que o senhor esperava?\u201d<\/p>\n<p>Pergunta imagin\u00e1ria de cidad\u00e3os brasileiros que, independentemente da forma de governo, continuam com problemas na sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, e enfrentam o p\u00e9ssimo exemplo dado pelos governantes<\/p>\n<p>Que figura!<\/p>\n<p>\u00bb Simpatia, simplicidade e muito trabalho. Karina Curi Rosso andava com os \u00f3culos despencando do rosto a todo momento. A falta de tempo e a preocupa\u00e7\u00e3o com o volume di\u00e1rio de trabalho estavam sempre tomando o lugar da \u00f3ptica. At\u00e9 que algu\u00e9m fechou a agenda por algumas horas para que Karina cuidasse do apetrecho. Por ela, estaria na sua simplicidade, segurando as lentes at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>Lama atola Jeep. Caiu a rampa do Senado, e a lama foi at\u00e9 a Vila Amaury. Vamos usar o atalho. Que nada, ningu\u00e9m passa. Liga a reduzida! At\u00e9 que enfim&#8230;(Publicado em 15\/9\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DESDE 1960 \u00bb aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha e MAMFIL Com o passar dos anos, um fato vai ficando evidente: o ensino p\u00fablico em nosso pa\u00eds, em todas as s\u00e9ries, incluindo, as universidades, n\u00e3o \u00e9 prioridade de nenhum governo, em tempo algum. 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