{"id":8309,"date":"2016-11-16T04:48:39","date_gmt":"2016-11-16T06:48:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=8309"},"modified":"2016-11-17T06:49:24","modified_gmt":"2016-11-17T08:49:24","slug":"isso-e-o-brasil-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/isso-e-o-brasil-2\/","title":{"rendered":"Isso \u00e9 o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>DESDE 1960 \u00bb<\/p>\n<p>aricunha@dabr.com.br<\/p>\n<p>com Circe Cunha com MAMFIL<\/p>\n<p>Se \u00e9 dif\u00edcil para os estrangeiros entenderem o Brasil, para a popula\u00e7\u00e3o que aqui vive, majoritariamente, composta por trabalhadores de baixa renda, \u00e9 perda de tempo buscar sentido racional para o que acontece no dia a dia, principalmente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escalada dos pre\u00e7os. Mesmo para os padr\u00f5es americanos e europeus, os valores cobrados por di\u00e1rias de hot\u00e9is e restaurantes de padr\u00e3o m\u00e9dio no Brasil s\u00e3o extremamente mais elevados do que os pre\u00e7os desses mesmos servi\u00e7os no exterior. S\u00e3o in\u00fameros os impostos e tributos que incidem sobre todos os bens de consumo. No ciclo fechado dos impostos, o \u00fanico benefici\u00e1rio direto \u00e9 o governo, ou, mais precisamente, a gigantesca m\u00e1quina administrativa do pa\u00eds que absorve o grosso da renda.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o povo brasileiro n\u00e3o exerce a cidadania como outros povos. Associa\u00e7\u00f5es, institutos, at\u00e9 agora, ningu\u00e9m foi capaz de unir a popula\u00e7\u00e3o para cobrar do Estado o cumprimento de suas obriga\u00e7\u00f5es. Na d\u00e9cada de 1960, sem Twitter, Facebook ou WhatsApp, as donas de casa conseguiam se mobilizar propondo boicote instant\u00e2neo aos produtos com pre\u00e7os abusivos ou a estabelecimentos com atendimento a desejar. Hoje, curiosamente, com todo esse aparato tecnol\u00f3gico, o m\u00e1ximo que se v\u00ea s\u00e3o piadas engra\u00e7ad\u00edssimas, mas sem efeito pr\u00e1tico algum.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil explicar em qualquer l\u00edngua que apesar de possuirmos enormes jazidas de petr\u00f3leo e contarmos com uma empresa com grande expertise na explora\u00e7\u00e3o, refino e distribui\u00e7\u00e3o desse mineral, temos o combust\u00edvel mais caro e misturado do planeta. Como fazer entenderem outros povos quando afirmamos ter o maior rebanho de bovinos e frangos do planeta, se, nos supermercados, esses s\u00e3o artigos que s\u00f3 podem ser comprados por uma minoria?<\/p>\n<p>Imposs\u00edvel que os estrangeiros entendam que somos o celeiro do mundo e temos milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados de terra perfeitamente agricult\u00e1veis, exportando gr\u00e3os diversos para todos os cantos do planeta e nas g\u00f4ndolas dos supermercados e nas feiras de rua o quilo do feij\u00e3o, que \u00e9 o alimento b\u00e1sico da popula\u00e7\u00e3o, chega a custar mais de US$ 6?<\/p>\n<p>Qual a explica\u00e7\u00e3o para o fato de possuirmos 7.491 quil\u00f4metros de extens\u00e3o de litoral e 200 milhas n\u00e1uticas de mar territorial e termos uma produ\u00e7\u00e3o e um consumo irris\u00f3rio de pescado e derivados do mar? Como explicar os pre\u00e7os exorbitantes desses produtos para o consumidor? Como pode encontrarmos no mercado peixes vindos da China? Pior. Como um povo que v\u00ea na Constitui\u00e7\u00e3o artigos que lhe garante sa\u00fade, transporte e educa\u00e7\u00e3o e apesar disso ter que buscar plano de sa\u00fade, escolas particulares e usar o pr\u00f3prio carro por falta da mobilidade e esse mesmo povo reage com samba e futebol?<\/p>\n<p>Nossos cientistas precisam deixar o Brasil para poder trabalhar e desenvolver projetos. Quem entende isso? Somos a P\u00e1tria Educadora que n\u00e3o educa; e que permite campanhas, comerciais, novelas e programas totalmente deseducativos. Nada foi feito efetivamente contra as baixarias na televis\u00e3o. Talvez porque baixaria j\u00e1 n\u00e3o seja a mesma coisa. Valores e pre\u00e7os s\u00e3o substantivos que se misturam.<\/p>\n<p>As mesmas interroga\u00e7\u00f5es se repetem para tudo o que produzimos e consumimos. Se repetem tamb\u00e9m para a complac\u00eancia ao saber que h\u00e1 corrup\u00e7\u00e3o no samba, no futebol, na educa\u00e7\u00e3o, na sa\u00fade, no transporte e, mesmo assim, a troca de informa\u00e7\u00f5es nos meios eletr\u00f4nicos se resumem em piadas ou, no m\u00e1ximo, colheres batendo em panelas. Melhor resumir essas quest\u00f5es com a frase enigm\u00e1tica: Isso \u00e9 o Brasil.<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada<\/p>\n<p>\u201cOs estrangeiros, eu sei que eles v\u00e3o gostar, tem o Atl\u00e2ntico, tem vista pro mar. A Amaz\u00f4nia \u00e9 o jardim do quintal e o d\u00f3lar deles paga o nosso mingau.\u201d<\/p>\n<p>Raul Seixas<\/p>\n<p>At\u00e9 quando?<br \/>\nPor falar nisso tudo, a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do DF ainda n\u00e3o adotou nas escolas o livro de Marcelo Capucci e Marcos Linhares, Fa\u00e7o, separo, transformo. Tem gente em Londres que j\u00e1 se interessou. Precisa ser assim? Nunca vamos valorizar os nossos escritores, atores, m\u00fasicos, cientistas, pintores, escultores&#8230;<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>Est\u00e3o falando muito em morat\u00f3ria para o com\u00e9rcio em Bras\u00edlia. Ser\u00e1 um descalabro. Basta que a Novacap pague suas d\u00edvidas, e o com\u00e9rcio de Bras\u00edlia funcionar\u00e1 que \u00e9 uma beleza  (Publicado em 12\/9\/1961)<\/p>\n<p>* Expecionalmente, republicamos a coluna de 9 de agosto de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DESDE 1960 \u00bb aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha com MAMFIL Se \u00e9 dif\u00edcil para os estrangeiros entenderem o Brasil, para a popula\u00e7\u00e3o que aqui vive, majoritariamente, composta por trabalhadores de baixa renda, \u00e9 perda de tempo buscar sentido racional para o que acontece no dia a dia, principalmente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escalada dos pre\u00e7os. 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