{"id":8303,"date":"2016-11-12T06:11:39","date_gmt":"2016-11-12T08:11:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=8303"},"modified":"2016-11-14T06:13:03","modified_gmt":"2016-11-14T08:13:03","slug":"os-fios-das-ariadnes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/os-fios-das-ariadnes\/","title":{"rendered":"Os fios das  Ariadnes"},"content":{"rendered":"<p>DESDE 1960 \u00bb<\/p>\n<p>aricunha@dabr.com.br<\/p>\n<p>com Circe Cunha e MAMFIL<\/p>\n<p>Colocada ao lado da realidade, a fic\u00e7\u00e3o se mostra apenas como uma sombra. No Mito da caverna, de Plat\u00e3o, o que os prisioneiros acorrentados veem e aceitam como fato n\u00e3o passa de fic\u00e7\u00e3o projetada contra o fundo da parede. A realidade, ofertada a poucos, arde l\u00e1 fora. Rec\u00e9m-formada em direito, Ariadne divulgou pela internet o que \u00e9 apresentado aos milhares de navegantes acorrentados: um mundo como ele \u00e9 e que muitos ainda insistem que \u00e9  del\u00edrios oriundos da imagina\u00e7\u00e3o. No texto enxuto, escrito em forma de despedida e que logo ser\u00e1 capturado por algu\u00e9m, como roteiro de um thriller, o que se apresentam s\u00e3o as pegadas meticulosas de um serial assediador.<\/p>\n<p>O uso da posi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica, como arma afiada, da intelig\u00eancia, como armadilha, capaz de encurralar a presa num canto escuro. O ass\u00e9dio moral nas suas infinitas formas e que muitos tribunais n\u00e3o julgam com a rigidez necess\u00e1ria, os projetos de lei sobre o assunto que repousam no Congresso, cheios de lacunas na tipifica\u00e7\u00e3o do crime, e a pr\u00f3pria sociedade continuam torcendo o nariz. Por isso, fazem v\u00edtimas a todo o instante. Os alvos param de agir como se estivessem em uma areia movedi\u00e7a. Gritam, mas no lugar do socorro vem o pedido de sil\u00eancio. Toda a hist\u00f3ria incomoda muito. De um lado a ind\u00fastria do dano moral e de outro o ass\u00e9dio moral mal compreendido, com sequelas psicol\u00f3gicas, como se a vida fosse se desbotando.<\/p>\n<p>Quem vence o epis\u00f3dio de ass\u00e9dio moral carrega sempre uma cicatriz. \u00c9 ineg\u00e1vel. Ariadne n\u00e3o tinha o apoio da fam\u00edlia. Com a autoestima fr\u00e1gil, o desfecho dificilmente seria outro. Para os mais sens\u00edveis e indefesos, o fim do caso pode ser fatal. Quem entende da quest\u00e3o relata que \u00e9 comum, em muitos casos, que a presa passe a se sentir como que atolada numa areia movedi\u00e7a. A cada movimento feito para se libertar, corresponde uma a\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, com a pessoa afundando mais e mais, at\u00e9 ser completamente tragada pela areia. Paralisada , com o encantamento aterrorizante da serpente, a presa n\u00e3o encontra a\u00e7\u00e3o para resistir.<\/p>\n<p>Se o alvo do ass\u00e9dio moral tiver o azar de encontrar psic\u00f3logos ou psiquiatras que tratam da mente, da alma sem o conhecimento necess\u00e1rio para agir corretamente, a\u00ed o desastre \u00e9 certo. Aqueles que agem dentro da \u00e9tica na medida do poss\u00edvel devem ser execrados o mais cedo poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Que for\u00e7as ocultas e inexplic\u00e1veis seriam capazes de fazer uma jovem, rec\u00e9m-formada e com uma longa estrada pela frente, viajar propositadamente dezenas de quil\u00f4metros para se p\u00f4r \u00e0 beira do precip\u00edcio e de l\u00e1 empreender um salto para o vazio? O que temos agora, queimando em nossas m\u00e3os s\u00e3o as linhas de Ariadne. Escritas, como se fossem um novelo de l\u00e3, parecem querer nos conduzir para fora desse labirinto do Minotauro. Ariadne da mitologia teceu a solu\u00e7\u00e3o para a sa\u00edda desse emaranhado de entradas e sa\u00eddas. Ariadne de Bras\u00edlia deixou o fio da meada para tr\u00e1s. Ningu\u00e9m conseguiu ajud\u00e1-la.<\/p>\n<p>O testamento de Ariadne \u00e9 o derradeiro grito dado por uma menina desesperada, que, para al\u00e9m do pavor, ainda encontrou coragem para alertar outros do grande perigo. Agora, o dedo silencioso de um cad\u00e1ver apontando determinada dire\u00e7\u00e3o parece indicar o algoz pr\u00f3ximo. Mais s\u00e3o muitos. Qual deles? O que poder\u00e1 toda intelig\u00eancia humana contra um dedo de cad\u00e1ver apontando em v\u00e1rias dire\u00e7\u00f5es? Muitas Ariadnes por todo o canto experimentam neste exato instante terror psicol\u00f3gico semelhante e n\u00e3o encontram a sa\u00edda do labirinto. O que poder\u00e1 todo o monumental edif\u00edcio do direito contra um dedo rijo e morto que insiste em apontar?<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada<br \/>\n\u201cAss\u00e9dio moral n\u00e3o \u00e9 uma<br \/>\nfoto. \u00c9 um filme.\u201d<\/p>\n<p>Marie-France Hirigoyen<\/p>\n<p>Novidade<br \/>\n\u00bb Uma cartilha foi a solu\u00e7\u00e3o para explicar a pol\u00edticos, congressistas, empres\u00e1rios, jornalistas e outros contatos da Embaixada do Brasil em Washington. O tema \u00e9 a transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica no Brasil. Quais os passos para recuperar a economia e como se deu o impeachment.<br \/>\nSem surpresas<br \/>\n\u00bb A pesquisa do Ibope que o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o encomendou apontou que 70% da popula\u00e7\u00e3o apoia a reforma no ensino m\u00e9dio. Alguma coisa precisa ser feita. Professores universit\u00e1rios s\u00e3o os que mais reclamam do baixo n\u00edvel dos alunos nos \u00faltimos 10 anos.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<br \/>\n\u00c9ramos tr\u00eas: Ant\u00f4nio Hon\u00f3rio, Jairo Valadares e eu. Para um pouco, chega! Vamos ao hotel tomar alguma coisa! A gente enlouquece, nessa nostalgia. Vinham aos s\u00e1bados as visitas. Era o \u00fanico dia de passeio. A gente iria mostrar a cidade. Cuidado, n\u00e3o beba \u00e1gua sem lim\u00e3o. D\u00e1 dor de barriga! (Publicado em 15\/9\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DESDE 1960 \u00bb aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha e MAMFIL Colocada ao lado da realidade, a fic\u00e7\u00e3o se mostra apenas como uma sombra. No Mito da caverna, de Plat\u00e3o, o que os prisioneiros acorrentados veem e aceitam como fato n\u00e3o passa de fic\u00e7\u00e3o projetada contra o fundo da parede. A realidade, ofertada a poucos, arde l\u00e1 fora. 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