{"id":8236,"date":"2016-10-18T04:16:21","date_gmt":"2016-10-18T06:16:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=8236"},"modified":"2016-10-20T06:18:58","modified_gmt":"2016-10-20T08:18:58","slug":"8236-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/8236-2\/","title":{"rendered":"Drogas: autoridades  precisam adotar posi\u00e7\u00e3o clara"},"content":{"rendered":"<p>DESDE 1960<br \/>\narigcunha@ig.com.br<\/p>\n<p>com Circe Cunha e MAMFIL<\/p>\n<p>Um ano antes de decidir deixar a Secretaria de Seguran\u00e7a do Estado do Rio de Janeiro, Jos\u00e9 Mariano Beltrame j\u00e1 admitia, em conversas p\u00fablicas, que o combate ao consumo e com\u00e9rcio das drogas era uma guerra perdida e irracional. Para quem esteve, por quase uma d\u00e9cada, \u00e0 frente de uma das secretarias mais sens\u00edveis e conturbadas do pa\u00eds no enfrentamento ao crime organizado, a constata\u00e7\u00e3o, em tom de desabafo, ganha um sentido de grande gravidade.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia acumulada no decorrer de uma longa carreira como policial, e que culminou com a implanta\u00e7\u00e3o pioneira das Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora (UPP), faz de Beltrame uma autoridade mais do que balizada no assunto. As UPPs representaram nos primeiros anos um projeto revolucion\u00e1rio e que concentrava em si todos os elementos capazes de garantir o fim do insano derramamento de sangue na cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A aceita\u00e7\u00e3o do modelo partia principalmente dos moradores das comunidades atingidas pelo dia a dia violento, acuadas pelos constantes tiroteios, realizados, na maioria das vezes, por indiv\u00edduos sob o efeito de muita coca\u00edna e com o emprego de armamentos de grosso calibre, mais apropriados para a guerra. Durante o seu per\u00edodo de maior exposi\u00e7\u00e3o, o modelo chamou a aten\u00e7\u00e3o de todo o Brasil e de pa\u00edses envoltos com o mesmo problema da viol\u00eancia no tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p>Mesmo contando com todo o prest\u00edgio e resultados comprovados, as UPPs foram recebendo cada vez menos apoio log\u00edstico e financeiro por parte das autoridades, principalmente pelos altos custos do modelo e pela constata\u00e7\u00e3o de que, de fato, o governo estava num processo de enxugar gelo. Uma passada pelas cracol\u00e2ndias de nossas grandes cidades d\u00e3o a imagem real da fal\u00eancia do modelo. As apreens\u00f5es feitas por parte da pol\u00edcia s\u00e3o irris\u00f3rias se comparadas ao volume total em circula\u00e7\u00e3o. As pris\u00f5es de traficantes se sucedem e, no entanto, novos soldados s\u00e3o postos no lugar. N\u00e3o falta quem queira vender pela simples raz\u00e3o de existir sempre quem quer comprar. \u00c9 um mercado que n\u00e3o para, mesmo em pa\u00edses onde h\u00e1 penas de pris\u00e3o perp\u00e9tua ou com condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte. O v\u00edcio \u00e9 uma enfermidade, e n\u00e3o um crime, reconhece agora Jos\u00e9 Beltrame, para quem nessa guerra n\u00e3o existem vitoriosos.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio, que agora deixa o cargo, confessa que uma poss\u00edvel descriminaliza\u00e7\u00e3o, agora em exame pelo Supremo Tribunal Federal, poder\u00e1 trazer um al\u00edvio para as pol\u00edcias e para o Poder Judici\u00e1rio, que poder\u00e3o dedicar-se aos crimes de impacto. \u201cEm Portugal, o assunto drogas n\u00e3o est\u00e1 inserido na pol\u00edcia, mas no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Com a ajuda de ju\u00edzes, procuradores, psic\u00f3logos, m\u00e9dicos e integrantes da sociedade civil. A pol\u00edcia pega o usu\u00e1rio e ele \u00e9 convidado a participar de encontros. S\u00e3o 90 cl\u00ednicas em Portugal, completas com toda a assist\u00eancia, volunt\u00e1rios e visitas. E uma comiss\u00e3o fiscaliza isso. Todos se juntaram para combater essa doen\u00e7a, porque o v\u00edcio \u00e9 uma enfermidade, e n\u00e3o um crime\u201d, avalia o secret\u00e1rio.<\/p>\n<p>Por outro lado, h\u00e1 experi\u00eancias feitas em outros pa\u00edses e que demonstraram a fal\u00e1cia da descriminaliza\u00e7\u00e3o. Um caso t\u00edpico \u00e9 do governo da Holanda, que vem constatar, depois de anos de liberaliza\u00e7\u00e3o, de que foi um erro legalizar a maconha e a prostitui\u00e7\u00e3o. Naquele pa\u00eds, as autoridades descobriram que, nos redutos onde havia a liberdade de consumir e comprar drogas e de livre exerc\u00edcio da prostitui\u00e7\u00e3o, ocorreu um efeito de fal\u00eancia profunda dos bairros em si e das localidades no entorno imediato, com s\u00e9rios preju\u00edzos para a economia da cidade. De todo o modo tem havido por parte das autoridades do pa\u00eds uma coragem de enfrentar o problema sem preconceitos e de forma calculada.<\/p>\n<p>A frase que n\u00e3o foi pronunciada<\/p>\n<p>\u201cA caneta pode ser mais fatal que uma espada.\u201d<\/p>\n<p>Prov\u00e9rbio ingl\u00eas<\/p>\n<p>Honra ao m\u00e9rito<\/p>\n<p>\u00bb General Floriano Peixoto Vieira Neto, respons\u00e1vel pela miss\u00e3o de Paz no Haiti, acaba de ser convidado como professor em\u00e9rito visitante do Kings College.<\/p>\n<p>2016<\/p>\n<p>\u00bb O pa\u00eds aguarda o resultado da Avalia\u00e7\u00e3o Nacional Seriada. Trata-se da prova que os alunos de medicina ter\u00e3o que fazer a cada dois anos enquanto estiverem estudando. A primeira prova ser\u00e1 dia 9 de novembro na pr\u00f3pria universidade onde est\u00e3o matriculados.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>Do M\u00e1rio, de d. Emma, do Pap\u00e1, do restaurante Roma, ao tempo em que era uma ferradura. Era dia de \u201ccomer fora\u201d, ver gente, conversar, rir e voltar triste para casa, com saudade de S. Paulo. (Publicado em 15\/09\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DESDE 1960 arigcunha@ig.com.br com Circe Cunha e MAMFIL Um ano antes de decidir deixar a Secretaria de Seguran\u00e7a do Estado do Rio de Janeiro, Jos\u00e9 Mariano Beltrame j\u00e1 admitia, em conversas p\u00fablicas, que o combate ao consumo e com\u00e9rcio das drogas era uma guerra perdida e irracional. 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