{"id":7983,"date":"2016-07-04T00:55:42","date_gmt":"2016-07-04T03:55:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=7983"},"modified":"2016-07-04T05:57:34","modified_gmt":"2016-07-04T08:57:34","slug":"o-triste-hoje-da-unb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-triste-hoje-da-unb\/","title":{"rendered":"O triste hoje da UnB"},"content":{"rendered":"<p><i>DESDE 1960<\/i><\/p>\n<p>aricunha@dabr.com.br<\/p>\n<p>com Circe Cunha \/\/ circecunha.df@dabr.com.br com MAMFIL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 do mister das universidades se ocuparem da universalidade do conhecimento, em todos os pontos cardeais. Portanto, nada do que \u00e9 humano deve escapar da an\u00e1lise cr\u00edtica desses centros do saber. Pelo menos \u00e9 assim que deveria ser num mundo ideal. No caso das universidades brasileiras, o reconhecimento natural sobre a fun\u00e7\u00e3o de pensar a sociedade vem sendo atropelado por uma esp\u00e9cie de niilismo pol\u00edtico que se imiscuiu entre nossos pensadores, turvando-lhes a vis\u00e3o e a mente.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, a ascend\u00eancia exacerbada dos partidos pol\u00edticos e seus credos sobre o funcionamento material e intelectual de nossa universidade v\u00eam, aos poucos, subtraindo-lhes a primazia do saber, substitu\u00edda por uma esp\u00e9cie de gosma in\u00f3cua, que busca uniformizar uns e alijar outros, pespegando-lhes a tatuagem de golpistas ou coisa que o valha. Infelizmente a UnB, como as demais universidades p\u00fablicas, n\u00e3o escapou desse vendaval, e vem sendo abduzida por esses cantos de sereia. O que, \u00e0 primeira vista, parece tingido pelos matizes da pluralidade, esconde, no seu \u00e2mago, um \u00f3dio ao diferente.<\/p>\n<p>O surrealismo da situa\u00e7\u00e3o atual fez daquele professor que simplesmente quer ministrar suas aulas um corpo estranho nesse turbilh\u00e3o. Cartas de funcion\u00e1rios da UnB recebidas por esta coluna \u2014 que, por motivos \u00f3bvios, pediram sigilo do missivista \u2014 ajudam a elucidar a situa\u00e7\u00e3o vivida em nossas academias. Uma delas explica que o PT adotou a estrat\u00e9gia em outra d\u00e9cada de controlar os sindicatos dos professores e da\u00ed, mediante elei\u00e7\u00e3o, controlar as reitorias. As greves eram 80% pol\u00edticas. Foram bem-sucedidas. Hoje, controlam 90% ou mais das reitorias, diz nosso missivista. Aparelham as administra\u00e7\u00f5es e usam recursos e pol\u00edticas para fortalecer seu partido. Trabalham para destruir poss\u00edveis advers\u00e1rios.<\/p>\n<p>Com a mudan\u00e7a dos ventos, provocada pela Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato e pelo processo de impeachment, houve sens\u00edvel diminui\u00e7\u00e3o no apoio ao PT. O seu lugar foi imediatamente tomado por uma franja do mesmo naipe. O PSol tentou o mesmo caminho e hoje controla a Andes, v\u00e1rios sindicatos e algumas reitorias, com destaque para a UFRJ, a maior universidade federal. Dentro da universidade, quem se atreve a defender o impeachment vira uma esp\u00e9cie de barata kafkiana e tem de se esconder dos demais.<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses desenvolvidos, a liturgia \u00e9 diferente. Conselhos de luminares (scholar) escolhem os dirigentes, com maioria de gente externa. Darcy Ribeiro vislumbrou o mesmo para a UnB. Pelo menos \u00e9 o que est\u00e1 na Lei 3.998\/61 e no Decreto 500, de fevereiro de 1962. Ele foi contra as elei\u00e7\u00f5es gerais. O governo FHC regulamentou o processo eleitoral, reservando 70% do peso aos votos dos docentes. A UnB vem ignorando a lei desde 2008, adotando a paridade de 1\/3 do peso para docentes, t\u00e9cnicos e alunos. \u201cElei\u00e7\u00e3o geral para reitor \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o da esquerda brasileira. N\u00e3o acontece em nenhum pa\u00eds desenvolvido, nem em Cuba, nem na China. As esquerdas latino-americanas s\u00e3o \u00fanicas no mundo que vivem no passado, lutando contra a ditadura at\u00e9 hoje,\u201d descarrega o funcion\u00e1rio.<\/p>\n<p>A rigor, no Brasil, n\u00e3o se tem uma direita, muito menos uma esquerda. O que existe, de fato, s\u00e3o aqueles grupos que est\u00e3o acima (no poder) e o restante, situados abaixo. No meio desses grupos, fica uma grande maioria silenciosa, indiferente e descrente. Em outra carta, um dos professores descrentes desabafa: Tenho v\u00e1rios amigos que lecionam na UnB que desistiram de tudo e passaram a construir a vida ao largo da vida acad\u00eamica. Agem como estrangeiros. V\u00e3o para as aulas, d\u00e3o as aulas e voltam para casa. Se quiserem entrevist\u00e1-los, o \u00faltimo lugar em que v\u00e3o encontr\u00e1-los \u00e9 no Minhoc\u00e3o. Preferem andar quil\u00f4metros a encontrar com colegas.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\n<em>Com isto ficariam satisfeitos os ministros militares, que j\u00e1 se haviam pronunciado abertamente quanto \u00e0 volta do sr. Jo\u00e3o Goulart ao pa\u00eds, como \u201cinconveniente para a seguran\u00e7a nacional\u201d.\u00a0 (Publicado em 9\/9\/1961)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DESDE 1960 aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha \/\/ circecunha.df@dabr.com.br com MAMFIL &nbsp; \u00c9 do mister das universidades se ocuparem da universalidade do conhecimento, em todos os pontos cardeais. Portanto, nada do que \u00e9 humano deve escapar da an\u00e1lise cr\u00edtica desses centros do saber. Pelo menos \u00e9 assim que deveria ser num mundo ideal. 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