{"id":7921,"date":"2016-06-10T03:09:04","date_gmt":"2016-06-10T06:09:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=7921"},"modified":"2016-06-20T06:09:43","modified_gmt":"2016-06-20T09:09:43","slug":"crise-e-reforma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/crise-e-reforma\/","title":{"rendered":"Crise e reforma"},"content":{"rendered":"<p>DESDE 1960<\/p>\n<p>aricunha@dabr.com.br<\/p>\n<p>com Circe Cunha \/\/ circecunha.df@dabr.com.br e\u00a0MAMFIL<\/p>\n<p>No ciclo eterno, que alterna per\u00edodos de bonan\u00e7as e crises, existe um longo espa\u00e7o intermedi\u00e1rio entre ambos que deve ser obrigatoriamente preenchido com reajustes necess\u00e1rios e adequados ao bom funcionamento da gigantesca roda do destino. Na capa da prestigiosa revista inglesa The Economist veio a imagem de um Cristo Redentor transformado em foguete. O fato ilustra bem os dois momentos distintos de nossa breve hist\u00f3ria. Num primeiro momento, Cristo decola rumo ao espa\u00e7o com a manchete \u201cDecolou\u201d(Take off). Era a fase da bonan\u00e7a estampada na revista em 2009. Quatro anos depois (2013), a publica\u00e7\u00e3o mostraria o mesmo Cristo como um foguete que, depois de perder o rumo, se arremete contra o solo. A manchete dessa vez perguntava: \u201cO Brasil estragou tudo?\u201d (Has Brazil blown it?).<\/p>\n<p>Entre a subida ao c\u00e9u e a descida vertiginosa aos vales profundos da terra, houve longo intervalo de quatro anos que, curiosamente, coincide com o primeiro mandato da presidente Dilma. Foi justamente nesse espa\u00e7o intermedi\u00e1rio que n\u00e3o foram tomadas as medidas necess\u00e1rias para evitar o colapso da grande crise que experimentamos hoje.<\/p>\n<p>Com o afastamento do piloto do comando da aeronave Brasil, voltamos ao ponto de origem, ou seja, vamos reconstruindo, parafuso a parafuso, cada pe\u00e7a da aeronave. Pelas contas da nova equipe, necessitaremos de alguns pares de anos apenas para retornar ao ponto de partida. Perdemos tempo e recursos preciosos. Mas, se os ajustes econ\u00f4micos adequados est\u00e3o sendo alinhavados de forma correta por uma equipe de alto n\u00edvel, o mesmo n\u00e3o se pode dizer com rela\u00e7\u00e3o aos consertos e reparos urgentes que precisam ser operados na esfera pol\u00edtica.<\/p>\n<p>\u00c9 un\u00e2nime entre os mais diversos analistas que sem a reforma pol\u00edtica estaremos condenados a retornar eternamente ao ponto de partida. Como no mito de S\u00edsifo, levamos a pedra imensa morro acima, e vemos inertes rolar novamente ladeira abaixo. O chamado presidencialismo de coaliz\u00e3o deu seguidos sinais de esgotamento.<\/p>\n<p>\u201cO parlamento e os partidos ostentam n\u00edveis baix\u00edssimos de confian\u00e7a por parte dos cidad\u00e3os\u201d, diz o cientista pol\u00edtico Nuno Coimbra, ao mencionar a Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato que desnudou a \u201cdistribui\u00e7\u00e3o de recursos n\u00e3o legais para se manter bases de apoio\u201d. Para ele, \u201cmomentos de grandes crises, apesar dos problemas concretos que geram, podem, entretanto, tamb\u00e9m ser ocasi\u00f5es em que agendas cr\u00edticas s\u00e3o avan\u00e7adas, conseguindo romper com restri\u00e7\u00f5es impostas pelos v\u00e1rios interesses contr\u00e1rios envolvidos\u201d.<\/p>\n<p>A Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tamb\u00e9m tem chamado a aten\u00e7\u00e3o para momentos como este que vivemos. \u201c\u00c9 preciso estar atento aos custos das campanhas. O gasto exorbitante, al\u00e9m de afrontar os mais pobres, contradiz o compromisso com a sobriedade e a simplicidade que deveriam ser assumidas por candidatos e partidos,\u201d diz o texto da CNBB, que refor\u00e7a a tese de que \u201ca crise atual evidencia a necessidade de uma aut\u00eantica e profunda reforma pol\u00edtica, que assegure efetiva participa\u00e7\u00e3o popular, favore\u00e7a a autonomia dos Poderes da Rep\u00fablica, restaure a credibilidade das institui\u00e7\u00f5es, assegure a governabilidade e garanta os direitos sociais\u201d.<\/p>\n<p>Claudio Abramo, diretor da ONG Transpar\u00eancia Brasil, refor\u00e7a a tese de que \u201co sistema pol\u00edtico-eleitoral brasileiro inclui distor\u00e7\u00f5es que afetam gravemente a representa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. As camadas populares s\u00e3o subrepresentadas e as oligarquias s\u00e3o super-representadas. Esse \u00e9 o problema central. Qualquer debate que se trave em torno do assunto precisa centrar-se nesse tema e apenas subsidiariamente em outros\u201d.<\/p>\n<p>Para o fil\u00f3sofo e professor da Unicamp Roberto Romano, \u201co primeir\u00edssimo ponto \u00e9 pela a\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica e da popula\u00e7\u00e3o mais politizada, radicalizando o que j\u00e1 tem sido feito, por exemplo, com a Lei de Improbidade Administrativa, com a Lei da Ficha Limpa. Mas \u00e9 urgente democratizar por dentro os partidos pol\u00edticos\u201d. H\u00e1, nas cabe\u00e7as pensantes deste pa\u00eds, uma unanimidade clara quanto \u00e0 reforma pol\u00edtica. O ponto aqui \u00e9, por que ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 levada a cabo de uma vez por todas?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DESDE 1960 aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha \/\/ circecunha.df@dabr.com.br e\u00a0MAMFIL No ciclo eterno, que alterna per\u00edodos de bonan\u00e7as e crises, existe um longo espa\u00e7o intermedi\u00e1rio entre ambos que deve ser obrigatoriamente preenchido com reajustes necess\u00e1rios e adequados ao bom funcionamento da gigantesca roda do destino. 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