{"id":7891,"date":"2016-05-29T12:59:01","date_gmt":"2016-05-29T15:59:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=7891"},"modified":"2016-06-03T10:35:50","modified_gmt":"2016-06-03T13:35:50","slug":"revolucao-pela-tecnologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/revolucao-pela-tecnologia\/","title":{"rendered":"A revolu\u00e7\u00e3o pela tecnologia"},"content":{"rendered":"<p>DESDE 1960 \u00bb<\/p>\n<p>aricunha@dabr.com.br<\/p>\n<p>com Circe Cunha \/\/ circecunha.df@dabr.com.brDesde 1960<\/p>\n<p>Desde que a frota de Cabral aqui aportou em 1500, o Brasil nunca experimentou uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o, no sentido de transforma\u00e7\u00e3o profunda e radical dos costumes. Do ponto de vista dos \u00edndios que habitavam essas paragens, a chegada do branco europeu inaugurou a temporada de invasores que viriam na sequ\u00eancia em grande n\u00famero, pondo fim definitivo ao para\u00edso de Pindorama. Para eles, talvez, tenha havido uma revolu\u00e7\u00e3o, no sentido negativo do termo.<\/p>\n<p>Seguimos assim, meio adormecidos e desanimados durante todo o per\u00edodo colonial. Da mesma forma, continuamos lerdos ao longo da fase de imp\u00e9rio. Novidades, quando havia, chegavam com meses de atraso e n\u00e3o animavam o grosso da popula\u00e7\u00e3o. Prosseguimos, igualmente, deitado eternamente em ber\u00e7o espl\u00eandido ao longo dos per\u00edodo republicano.<\/p>\n<p>Seguimos assim, meio aparvalhados durante a primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo 21, incorporando pequenas mudan\u00e7as, mas sem o \u00edmpeto para sacudir a poeira de 500 anos de hist\u00f3ria. O tamanho territorial do pa\u00eds e a miscigena\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de povos de tr\u00eas continentes conferiram \u00e0 nossa personalidade tra\u00e7os de comportamento que oscilam entre a abulia profunda e os p\u00edncaros da ansiedade. Seguimos assim, meio Pedro Malasartes, meio Macuna\u00edma.<\/p>\n<p>O homem cordial e inzoneiro, propenso a substituir as regras do manual pelo jeitinho f\u00e1cil. N\u00e3o fossem os avan\u00e7os da tecnologia da comunica\u00e7\u00e3o, prosseguir\u00edamos esquecidos e felizes nesta parte do planeta, alheios ao restante da humanidade. Talvez tenha sido justamente essa intera\u00e7\u00e3o com o restante da esp\u00e9cie humana que tenha reacendido nos jovens o desejo de sacudir a poeira. Lampejos dessa inquieta\u00e7\u00e3o repentina foram propiciados pelas gigantescas manifesta\u00e7\u00f5es de rua que varreram um governo que se propunha a permanecer para sempre no poder.<\/p>\n<p>No futuro, quando os pesquisadores se debru\u00e7arem sobre a hist\u00f3ria dos brasileiros, o curto per\u00edodo que marca as recentes manifesta\u00e7\u00f5es de rua merecer\u00e1 detida an\u00e1lise, justamente por marcar um acontecimento sui generis na nossa trajet\u00f3ria como na\u00e7\u00e3o. Nossa revolu\u00e7\u00e3o popular contra a indiferen\u00e7a secular das autoridades foi propiciada pelas facilidades cibern\u00e9ticas e arregimenta\u00e7\u00e3o das pessoas, trazidas pela tecnologia dos celulares e pelas redes sociais interligadas \u00e0 internet, mesmo que a limitem propositadamente.<\/p>\n<p>Sem esses recursos da ci\u00eancia moderna, dificilmente haveria as grandes manifesta\u00e7\u00f5es de ruas. Indiretamente, tamb\u00e9m, o governo Dilma foi apeado do poder pela tecnologia. Deve-se tamb\u00e9m aos avan\u00e7os da tecnologia o n\u00edvel de informa\u00e7\u00e3o factual da atual gera\u00e7\u00e3o, que toma conhecimento dos fatos, em tempo real, diminuindo assim o per\u00edodo de resposta.<\/p>\n<p>A despeito desses avan\u00e7os, nossas escolas permanecem relegadas ao passado de atraso, alheias ao progresso e presas a m\u00e9todos de ensino que j\u00e1 n\u00e3o empolgam e atraem os mais jovens. Os mesmos movimentos de rua que expulsaram Dilma e sua turma do Pal\u00e1cio do Planalto amea\u00e7am agora sacudir as escolas de todo o pa\u00eds com a t\u00e1tica de ocupar esses espa\u00e7os at\u00e9 que autoridades adotem medidas moralizadoras e de transpar\u00eancia na gest\u00e3o dos recursos p\u00fablicos. Os esc\u00e2ndalos refentes aos desvios de recursos da merenda escolar, como ocorridos em S\u00e3o Paulo, poder\u00e3o se alastrar por todo o pa\u00eds a um clique do celular ou do computador.<\/p>\n<p>O que come\u00e7ou como um caso de corrup\u00e7\u00e3o ganhou pauta mais atualizada e mira agora na precariedade f\u00edsica de nossas escolas e na forma atrasada como ainda lidamos com a educa\u00e7\u00e3o de jovens. Passados esses instantes de interinidade do governo Temer, essa poder\u00e1 ser a nossa segunda revolu\u00e7\u00e3o e a que, sem d\u00favidas, trar\u00e1 maiores benef\u00edcios futuros para a na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>Aus\u00eancia marcante: ministros militares. Quando se formava no p\u00e1tio de manobras a guarda de seguran\u00e7a do sr. Jo\u00e3o Goulart, os ministros militares, da Marinha, Ex\u00e9rcito e Aeron\u00e1utica, tomaram um avi\u00e3o da FAB e rumaram para o Rio. (Publicado em 6\/9\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DESDE 1960 \u00bb aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha \/\/ circecunha.df@dabr.com.brDesde 1960 Desde que a frota de Cabral aqui aportou em 1500, o Brasil nunca experimentou uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o, no sentido de transforma\u00e7\u00e3o profunda e radical dos costumes. 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