{"id":7857,"date":"2016-05-14T02:00:24","date_gmt":"2016-05-14T05:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=7857"},"modified":"2016-06-03T09:06:06","modified_gmt":"2016-06-03T12:06:06","slug":"7857-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/7857-2\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea paga o governo"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Texto<\/b><\/p>\n<p><em>DESDE 1960<\/em><\/p>\n<p>aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha \/\/ <a href=\"mailto:circecunha.df@dabr.com.br\">circecunha.df@dabr.com.br<\/a><\/p>\n<p>Governos necessitam ser substitu\u00eddos dentro do salutar rod\u00edzio imposto pela democracia. Isso, obviamente, vale apenas para a equipe escolhida pelos eleitores. Com as obras e realiza\u00e7\u00f5es de cada administra\u00e7\u00e3o, isso n\u00e3o ocorre. Muito pelo contr\u00e1rio. O que o cidad\u00e3o espera \u00e9 que as obras iniciadas, sejam conclu\u00eddas e que as conclu\u00eddas sejam eficientes, bem constru\u00eddas e que durem o m\u00e1ximo poss\u00edvel, fazendo valer cada centavo retirado do suado dinheiro do contribuinte. Obras embasadas por bons projetos e devidamente fiscalizadas pelo contratante costumam ser de qualidade e durabilidade bem superiores.<\/p>\n<p>O dinheiro do contribuinte \u00e9 t\u00e3o sagrado que o cofre contendo esses recursos deveria ser posto num altar e venerado pelos governantes todos os dias. Infelizmente, os tribunais de contas, que deveriam ter a\u00e7\u00e3o mais proativa na defesa dos recursos p\u00fablicos, agem, em muitos casos, tardiamente, provocados pelas repercuss\u00f5es de esc\u00e2ndalos ou por den\u00fancias publicadas na m\u00eddia. No caso do Distrito Federal, ainda causa estranheza em muitos que constru\u00e7\u00f5es car\u00edssimas e suspeitas, como o Est\u00e1dio Man\u00e9 Garrincha, tenham passado livremente pelos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o, em brancas nuvens, sem \u00f3bice algum.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, o contribuinte brasiliense n\u00e3o foi devidamente informado sobre a necessidade e o pre\u00e7o exorbitante pago por aquele monumento ao desperd\u00edcio, que, mesmo fechado ou subutilizado, consome diariamente recursos para sua manuten\u00e7\u00e3o. Enquanto o contribuinte aguarda explica\u00e7\u00e3o clara para o caso espec\u00edfico, outras obras e projetos tamb\u00e9m dispendiosos, anunciados com grande alarido e propaganda, seguem esquecidos ou relegados a segundo plano pelo GDF. Uma dessas obras, deixadas de lado, por mais estranho que pare\u00e7a, foi erguida justamente para abrigar todo o governo local.<\/p>\n<p>O Centro Administrativo do Distrito Federal, chamado Buritinga, consumiu at\u00e9 agora dos cofres p\u00fablicos cerca de R$ 660 milh\u00f5es. Oficialmente pronto e inaugurado desde 2014, permanece vazio e totalmente sem fun\u00e7\u00e3o. Pior \u00e9 que mesmo fechado, necessita de recursos mensais para manuten\u00e7\u00e3o. De acordo com o governo, al\u00e9m dos m\u00f3veis, ainda n\u00e3o foram conclu\u00eddas todas as instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas, de telefonia, de acesso \u00e0 internet e de ar-condicionado.<\/p>\n<p>Enquanto esse fabuloso conjunto com 17 grandes edif\u00edcios \u2014 centros de conven\u00e7\u00f5es e de conviv\u00eancia, estacionamentos, lojas e outras comodidades \u2014 n\u00e3o entra em funcionamento, o GDF continua gastando altas somas de dinheiro com o pagamento de alugu\u00e9is de im\u00f3veis para abrigar parte da administra\u00e7\u00e3o. Para resolver o problema, l\u00f3gico, foi criado um grupo de trabalho para estudar uma solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel para o caso. Obras paradas d\u00e3o preju\u00edzo certo. Projetos suspensos no ar, idem.<\/p>\n<p>No caso do projeto do Trevo de Triagem Norte, de fundamental import\u00e2ncia para a cidade, parado desde 2014, h\u00e1 a promessa do GDF de que a constru\u00e7\u00e3o tenha continuidade t\u00e3o logo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) libere os recursos da ordem de R$ 150 milh\u00f5es. O Trevo de Triagem Norte \u00e9 formado por um conjunto de 12 obras vi\u00e1rias, que inclui a constru\u00e7\u00e3o de uma terceira pista no trecho Torto-Colorado, viadutos, novos trevos e\u00a0 benfeitorias que v\u00e3o favorecer mais de 100 mil motoristas que passam pelo local diariamente e, n\u00e3o raro, enfrentam congestionamentos nas horas de pico. Tamb\u00e9m as obras da Penitenci\u00e1ria Federal de Bras\u00edlia, destinada a abrigar 208 presos de alta periculosidade, est\u00e3o paralisadas desde 2014. Embora com 62% conclu\u00eddos, permanece em ponto de repouso e sem perspectiva de rein\u00edcio dos trabalhos,\u00a0 tendo consumido perto de R$ 20 milh\u00f5es do contribuinte. Existe de fato uma percep\u00e7\u00e3o por parte da popula\u00e7\u00e3o de que Bras\u00edlia parou, literalmente.<\/p>\n<p>Estudos mostram que existem atualmente pelo menos 10 obras de grande import\u00e2ncia para a cidade que est\u00e3o paradas ou em ritmo muito lento. As estimativas d\u00e3o conta de que seriam necess\u00e1rios, ao menos, R$ 1 bilh\u00e3o para reativar essas obras.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s temos o dever de garantir que cada centavo que arrecadamos com a tributa\u00e7\u00e3o seja gasto bem e sabiamente, pois \u00e9 o nosso partido que \u00e9 dedicado \u00e0 boa economia dom\u00e9stica. Proteger a carteira do cidad\u00e3o e proteger os servi\u00e7os p\u00fablicos: essas s\u00e3o as duas maiores tarefas e ambas devem ser conciliadas. Como seria prazeroso gastar mais nisso, gastar mais naquilo. \u00c9 claro que todos n\u00f3s temos causas favoritas. Mas algu\u00e9m tem que fazer as contas. Toda empresa tem que faz\u00ea-lo, toda dona de casa tem que faz\u00ea-lo, todo governo deve faz\u00ea-lo, e este ir\u00e1 faz\u00ea-lo \u201d \u2014 legado deixado ao mundo por Margaret Tatcher.<\/p>\n<p>No caso de grande obras, nestes tempos bicudos, o interessante seria o governo submeter cada uma a consulta p\u00fablica minuciosa, preservando e resguardando o dinheiro, j\u00e1 escasso, do cidad\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cDesde a volta da democracia, s\u00e3o poucos os discursos que se concretizam. Nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es ningu\u00e9m mais vai aguentar tanta mentira. A sa\u00edda vai ser roubar nas urnas. Acabou-se a esperan\u00e7a.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Desabafo de Jorge Silva, na Esplanada<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>Contra a vontade de muita gente, com atraso de v\u00e1rios dias, com a demora de v\u00e1rias horas, com novo sistema de governo, e exaltado delirantemente pelo povo, chegou a Bras\u00edlia o presidente Jo\u00e3o Goulart. (Publicado em 6\/9\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Texto DESDE 1960 aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha \/\/ circecunha.df@dabr.com.br Governos necessitam ser substitu\u00eddos dentro do salutar rod\u00edzio imposto pela democracia. Isso, obviamente, vale apenas para a equipe escolhida pelos eleitores. Com as obras e realiza\u00e7\u00f5es de cada administra\u00e7\u00e3o, isso n\u00e3o ocorre. Muito pelo contr\u00e1rio. 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