{"id":7855,"date":"2016-05-13T03:59:00","date_gmt":"2016-05-13T06:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=7855"},"modified":"2016-06-03T08:59:54","modified_gmt":"2016-06-03T11:59:54","slug":"mudancas-efetivas-ou-lamina-voltara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/mudancas-efetivas-ou-lamina-voltara\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as efetivas ou a l\u00e2mina voltar\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>Desde 1960<\/p>\n<p>aricunha@dabr.com.br<\/p>\n<p>com Circe Cunha \/\/ circecunha.df@dabr.com.br<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Das muitas frases que nestes tempos de impeachment voaram de um lado para outro, aquela que mais sintetiza o quadro de instabilidade pol\u00edtica vivido pelo pa\u00eds foi dita justamente pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Sydney Sanches, que em 1992 liderou o mesmo processo contra o ent\u00e3o presidente Collor de Mello.<\/p>\n<p>Do alto de seus 83 anos, Sydney Sanches confessou sua surpresa com a repeti\u00e7\u00e3o do caso. \u201cAchei que n\u00e3o estaria aqui para ver outro impeachment\u201d, confessou. A frase mostra claramente que o modelo de presidencialismo de coaliz\u00e3o, adotado no pa\u00eds, tem sido, desde sempre, fonte permanente de desequil\u00edbrio pol\u00edtico. Ou as lideran\u00e7as pol\u00edticas do pa\u00eds abandonam a zona de conforto do modelo lucrativo do toma l\u00e1 d\u00e1 c\u00e1, ou seremos obrigados a assistir, daqui a duas d\u00e9cadas, repeti\u00e7\u00e3o de epis\u00f3dios traum\u00e1ticos como este.<\/p>\n<p>Dif\u00edcil saber o que \u00e9 pior para o pa\u00eds. Ou o modelo viciado de coopta\u00e7\u00e3o do Legislativo em troca de apoio, ou a destitui\u00e7\u00e3o continuada do chefe do Executivo a cada crise de desarranjo da base. De qualquer modo, a persistir a atual f\u00f3rmula de governo, \u00e9 certo que a maior perdedora ser\u00e1 sempre a popula\u00e7\u00e3o, ou mais precisamente o futuro dos brasileiros.<\/p>\n<p>A descontinuidade de projetos vitais para o pa\u00eds com mudan\u00e7as abruptas de inquilinos do Pal\u00e1cio do Planalto \u00e9, no entanto, apenas mais um dos muitos pontos que necessitam de reforma urgente. O instituto da reelei\u00e7\u00e3o \u00e9 outro ponto para onde sistematicamente convergem as crises pol\u00edticas. Para alguns cientistas pol\u00edticos, a reelei\u00e7\u00e3o \u00e9 tida como fonte prim\u00e1ria de crise, originando e fortalecendo o ciclo cont\u00ednuo da instabilidade.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de uma mir\u00edade de partidos pulverizados no Congresso, sem compromisso que n\u00e3o o de servir de fonte de renda para seus criadores, \u00e9 outra provid\u00eancia que urge resolver por meio da chamada cl\u00e1usula de barreira. Se a altern\u00e2ncia de poder \u00e9 sempre salutar para a democracia, o mesmo n\u00e3o pode ser afirmado com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma abrupta trazida pelo impeachment.<\/p>\n<p>Muda-se o inquilino \u00e0s pressas, mas a estrutura da casa rachada, que amea\u00e7a ruir, permanece a mesma. Nesse governo que agora se despede, ou \u00e9 despedido, de modo melanc\u00f3lico, quem ,de fato, est\u00e1 sendo posto na rua n\u00e3o \u00e9 Dilma, mas seu criador, o ex-presidente Lula.<\/p>\n<p>Ironia das ironias, quis o destino que o maior cr\u00edtico de todos os governos e que, desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o, trabalhou para o impedimento de todos os presidentes eleitos, venha a experimentar, no pr\u00f3prio couro, as chibatadas que distribu\u00eda sem cerim\u00f4nia a torto e a direito. A exemplo do que ocorreu em 1794, na fase do terror da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, nosso Robespierre de estrela na lapela sentiu no pesco\u00e7o a mesma l\u00e2mina fria que recomendava a muitos.<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada<\/p>\n<p>\u201cA toler\u00e2ncia \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1ria na pol\u00edtica como na religi\u00e3o; s\u00f3 o orgulho \u00e9 que \u00e9 intolerante.\u201d<\/p>\n<p>Voltaire<\/p>\n<p>Missiva<\/p>\n<p>Sergio Lerrer, atuante como gestor de comuni\u00e7\u00e3o, divulga o contraponto que est\u00e1 sendo constru\u00eddo para mudar a estrutura do sindicalismo e coloc\u00e1-la em sintonia com a sociedade. Trata-se da P\u00fablica, Central do Servidor. No DNA, lideran\u00e7as do setor de auditoria, controladoria, Legislativo, Executivo, Judici\u00e1rio. Mas a pe\u00e7a chave e o catalisador dessa nova institui\u00e7\u00e3o \u00e9 funcionalismo insatisfeito com os sindicatos tradicionais.<\/p>\n<p>P\u00fablica<\/p>\n<p>A busca est\u00e1 em fugir do partidarismo, prioridades ideol\u00f3gicas, nebulosidades no uso dos recursos p\u00fablicos e do distanciamento das bases reais. Lerrer escreve que a pedra fundamental da P\u00fablica \u00e9 a \u00e9tica, transpar\u00eancia e pluralidade. A P\u00fablica tem por base a constru\u00e7\u00e3o de uma representatividade republicana e multipartid\u00e1ria voltada para os servidores p\u00fablicos, afirma.<\/p>\n<p>Nova<\/p>\n<p>Desafio adiante ser\u00e1 reconstruir a prioridade de um Estado eficiente, capacitado e com bons profissionais. Ser capaz de entregar os servi\u00e7os p\u00fablicos, justi\u00e7a e retorno social aspirado pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pensamento<\/p>\n<p>Lerrer finaliza a missiva atestando que, por pior que o cen\u00e1rio nacional muitas vezes se apresente, vemos como uma restaura\u00e7\u00e3o e revigoramento dos processos e valores, acreditando que, mesmo no fundo do po\u00e7o, nem a fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica deve ser demonizada, assim como tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o da representatividade e suas organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pr\u00e1xis<\/p>\n<p>Utilizemos a expertise que as estruturas est\u00e1veis possuem e podem colocar a servi\u00e7o do estado, longevas para que os agentes pol\u00edticos, escolhidos pelos cidad\u00e3os encontrem condi\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas para implementar as pol\u00edticas de governo, prop\u00f5e Lerrer.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>\u00c9 vis\u00edvel a m\u00e1-f\u00e9, procurando chamar de comunista o movimento legalista iniciado no Rio Grande do Sul. Lamentamos que companheiros de profiss\u00e3o se sujeitem a essas condi\u00e7\u00f5es para sobreviv\u00eancia de um emprego p\u00fablico. (Publicado em 5\/9\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1960 aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha \/\/ circecunha.df@dabr.com.br &nbsp; Das muitas frases que nestes tempos de impeachment voaram de um lado para outro, aquela que mais sintetiza o quadro de instabilidade pol\u00edtica vivido pelo pa\u00eds foi dita justamente pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Sydney Sanches, que em 1992 liderou o mesmo processo contra o ent\u00e3o presidente Collor de Mello. 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