{"id":7646,"date":"2016-03-29T03:27:32","date_gmt":"2016-03-29T06:27:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=7646"},"modified":"2016-04-15T07:29:21","modified_gmt":"2016-04-15T10:29:21","slug":"brasilia-na-mira-dos-destruidores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/brasilia-na-mira-dos-destruidores\/","title":{"rendered":"Bras\u00edlia na mira dos destruidores"},"content":{"rendered":"<p>DESDE 1960<\/p>\n<p>aricunha@dabr.com.br<\/p>\n<p>com Circe Cunha \/\/ circecunha.df@dabr.com.br<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma cidade \u00e9, antes de tudo, um organismo vivo. \u00c9 gerada a partir de um complexo planejamento t\u00e3o ou mais sofisticado do que a pr\u00f3pria vida org\u00e2nica. Uma cidade nasce, cresce, se expande e, n\u00e3o raro, entra em decad\u00eancia e morre. Dessa forma, pode-se considerar que a constru\u00e7\u00e3o de uma cidade \u00e9 processo cont\u00ednuo e que, praticamente, jamais se completa ou tem ponto final. No caso de cidade ou s\u00edtios tombados, essa mec\u00e2nica segue modelo ou protocolo diferente. A \u00e1rea tombada pela Unesco em Bras\u00edlia em 1987, abrangendo seu aspecto volum\u00e9trico, est\u00e1 restrita ao per\u00edmetro urbano do Plano Piloto. O que deveria ser comemorado como motivo de orgulho para toda a popula\u00e7\u00e3o, vem sendo, desde a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da capital, em 1988, alvo de todo tipo de ataque.<\/p>\n<p>De um lado, a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, impulsionada pelo incha\u00e7o populacional da cidade, levou a press\u00f5es variadas \u2014 algumas, inclusive, criminosas \u2014 para alterar ou simplesmente desprezar o tombamento. Os argumentos para os ataques s\u00e3o, obviamente, falsos. Dizer que o tombamento engessa o crescimento da cidade e impede seu desenvolvimento n\u00e3o passa de ret\u00f3rica de gente que tem no horizonte apenas motivos financeiros pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>O pior nesta pol\u00eamica toda \u00e9 que aqueles que deveriam, at\u00e9 por fun\u00e7\u00e3o, proteger e lutar para a preserva\u00e7\u00e3o do Plano Piloto no Livro do tombo da Unesco, s\u00e3o os primeiros a buscar a desfigura\u00e7\u00e3o do projeto original de Lucio Costa. A C\u00e2mara Legislativa, por diversas vezes, por incr\u00edvel que isso possa parecer, tem voltado sua artilharia contra o tombamento da capital.<\/p>\n<p>As raz\u00f5es para este comportamento contradit\u00f3rio, j\u00e1 tratado neste espa\u00e7o, se resume ao bin\u00f4mio um lote, um voto. De um lado, os corruptos, e, de outro, os corruptores loucos para efetivar o ganho. O verdadeiro festival de puxadinhos e remendos improvisados v\u00e3o, pouco a pouco, tomando conta da cidade, n\u00e3o respeitando as \u00e1reas verdes, o com\u00e9rcio nem mesmo as resid\u00eancias.<\/p>\n<p>Todas essas modifica\u00e7\u00f5es e improvisos s\u00e3o apoiados e incentivados por nossos representantes. A profus\u00e3o paulatina de modifica\u00e7\u00f5es ao projeto de Lucio Costa, em pouco tempo, tornar\u00e1 irrevers\u00edvel a ideia original, contaminando tamb\u00e9m a perman\u00eancia da capital como patrim\u00f4nio cultural da humanidade. Os arremedos de arquitetura v\u00eam acontecendo numa sequ\u00eancia tal que, em poucos anos, Bras\u00edlia ter\u00e1 o mesmo aspecto desarrumado comum \u00e0 maioria das cidades brasileiras, onde o desrespeito \u00e0 arquitetura e ao urbanismo \u00e9 norma e segue a sanha de pol\u00edticos de passagem.<\/p>\n<p>A diretora-presidente da Agefis, Bruna Pinheiro, anuncia que, at\u00e9 julho, amplo levantamento de interven\u00e7\u00f5es irregulares ser\u00e1 seguido de campanhas educativas no Plano Piloto. A partir dessa data, o \u00f3rg\u00e3o promete remover as constru\u00e7\u00f5es irregulares que ferem o tombamento. Fechamentos de pilotis, grades e cercas n\u00e3o ser\u00e3o aceitos e\u00a0 eles v\u00e3o ser devidamente arrancadas, promete o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o poder\u00e1 prevalecer a paz na Terra enquanto existir o aborto. Porque \u00e9 uma guerra contra as crian\u00e7as. Se aceitarmos que uma m\u00e3e mate seu filho no pr\u00f3prio ventre, como podemos dizer para outras pessoas que n\u00e3o matem uns aos outros?\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Madre Teresa de Calcut\u00e1<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Carta do leitor I<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel para o bom senso entender a raz\u00e3o da diminui\u00e7\u00e3o da velocidade de 80km\/h para 60 km\/h em pequeno trecho da Avenida das Na\u00e7\u00f5es Norte em frente ao Iate Clube. A Avenida das Na\u00e7\u00f5es \u00e9 uma via de velocidade constante onde o motorista crava os 80km\/h e consegue fazer seu deslocamento sem problemas.<\/p>\n<p>II<\/p>\n<p>Tecnicamente, nada justifica dois pardais distantes a menos de 300m um do outro nessa localidade. A n\u00e3o ser o furor arrecadat\u00f3rio. O leitor deve ter reparado que me referi a \u00f3rg\u00e3o de tr\u00e2nsito. Isso porque n\u00e3o consigo entender que quem multa na L4 deve ser o DNER e, na L2, o Detran. Provavelmente, os diretores e chefes s\u00e3o duplicados nos dois \u00f3rg\u00e3os. N\u00e3o h\u00e1 bom senso; nem consigo entender por que no eixinho quem multa \u00e9 o Detran e no Eix\u00e3o o faturamento \u00e9 do DER.<\/p>\n<p>III<\/p>\n<p>Nossos governantes e todos os escal\u00f5es inferiores precisam perceber que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 com a paci\u00eancia atingindo o limite quando o assunto trata de m\u00e1 gest\u00e3o e de desrespeito aos direitos do cidad\u00e3o contribuinte. \u00c9 justo pagar multa quando se desvia da legalidade do tr\u00e2nsito. Mas \u00e9 insuport\u00e1vel para a paci\u00eancia do contribuinte perceber armadilhas (dois pardais e redu\u00e7\u00e3o maluca de velocidade) que visam apenas o faturamento dos \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>IV<\/p>\n<p>Sr. governador, perceba o descontentamento do cidad\u00e3o e exija que os \u00f3rg\u00e3os, para os quais o senhor nomeia os diretores e chefes, respeitem o direito do contribuinte. \u00c9 dif\u00edcil pagar enormidades em impostos e multas e trafegar em vias esburacadas, remendadas e cheias de armadilhas inseguras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>Na hora de defender a pele, de tentar salvar o seu prest\u00edgio, o sr. Carlos Lacerda esqueceu todos os seus dotes democr\u00e1ticos. Mandou apreender jornais, arrolhar jornalistas e distribuir, pelo Pal\u00e1cio, not\u00edcias tendenciosas e desprovidas de verdade.(Publicado em 2\/9\/1961)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DESDE 1960 aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha \/\/ circecunha.df@dabr.com.br &nbsp; Uma cidade \u00e9, antes de tudo, um organismo vivo. \u00c9 gerada a partir de um complexo planejamento t\u00e3o ou mais sofisticado do que a pr\u00f3pria vida org\u00e2nica. Uma cidade nasce, cresce, se expande e, n\u00e3o raro, entra em decad\u00eancia e morre. 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