{"id":28967,"date":"2026-10-16T00:43:00","date_gmt":"2026-10-16T03:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=28967"},"modified":"2026-10-27T09:44:42","modified_gmt":"2026-10-27T12:44:42","slug":"ler-o-mundo-com-os-dedos-e-com-o-coracao-no-ensino-inclusivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/ler-o-mundo-com-os-dedos-e-com-o-coracao-no-ensino-inclusivo\/","title":{"rendered":"Ler o mundo com os dedos e com o cora\u00e7\u00e3o no ensino inclusivo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/10\/juiz-ricardo-tadeu-da-fonseca.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"672\" height=\"526\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/10\/juiz-ricardo-tadeu-da-fonseca.png\" alt=\"Juiz Ricardo Tadeu da Fonseca\" class=\"wp-image-28990\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/10\/juiz-ricardo-tadeu-da-fonseca.png 672w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/10\/juiz-ricardo-tadeu-da-fonseca-300x235.png 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/10\/juiz-ricardo-tadeu-da-fonseca-550x431.png 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/10\/juiz-ricardo-tadeu-da-fonseca-230x180.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 672px) 100vw, 672px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Juiz Ricardo Tadeu da Fonseca<\/h6>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 coincid\u00eancias que o calend\u00e1rio produz por acaso e que a consci\u00eancia transforma em sentido. O dia 15 de outubro \u00e9 uma delas. No Brasil, celebra-se o Dia do Professor. No plano internacional, a data \u00e9 dedicada \u00e0 bengala branca. Esse objeto simboliza a autonomia das pessoas cegas e com baixa vis\u00e3o. Nenhum decreto uniu as duas celebra\u00e7\u00f5es. Contudo, a vida aproximou ambas de forma natural. De um lado, est\u00e1 quem ensina a ler o mundo. Do outro, quem aprende a <strong>ler o mundo com os dedos<\/strong> e de outras maneiras. Entre os dois universos, surge uma pergunta que precisamos fazer com calma: o que significa, afinal, enxergar?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-code\"><code>VISTO, LIDO E OUVIDO\nColuna criada em 1960 por Ari Cunha\n(In memoriam) no Correio Braziliense\n\nHoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade\njornalistacircecunha@gmail.com\ninstagram.com\/vistolidoeouvido\nfacebook.com\/vistolidoeouvido\n<\/code><\/pre>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Inven\u00e7\u00e3o do Braille e a transforma\u00e7\u00e3o da escrita t\u00e1til<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta come\u00e7a na hist\u00f3Ler o mundo com os dedos e com o cora\u00e7\u00e3o no ensino inclusivo<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 coincid\u00eancias que o calend\u00e1rio produz por acaso e que a consci\u00eancia transforma em sentido. O dia 15 de outubro \u00e9 uma delas. No Brasil, celebra-se o Dia do Professor. No plano internacional, a data \u00e9 dedicada \u00e0 bengala branca. Esse objeto simboliza a autonomia das pessoas cegas e com baixa vis\u00e3o. Nenhum decreto uniu as duas celebra\u00e7\u00f5es. Contudo, a vida aproximou ambas de forma natural. De um lado, est\u00e1 quem ensina a ler o mundo. Do outro, quem aprende a <strong>ler o mundo com os dedos<\/strong> e de outras maneiras. Entre os dois universos, surge uma pergunta que precisamos fazer com calma: o que significa, afinal, enxergar?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Inven\u00e7\u00e3o do Braille e a arte de ler o mundo com os dedos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resposta come\u00e7a na hist\u00f3ria do sistema Braille. Em 1824, um adolescente de quinze anos, Louis Braille, cego desde a inf\u00e2ncia, reduziu o alfabeto a seis pontos em relevo. Dessa forma, abriu uma porta que s\u00e9culos de exclus\u00e3o mantiveram fechada. O gesto re\u00fane aspectos cient\u00edficos, art\u00edsticos e pedag\u00f3gicos. Exigiu rigor cient\u00edfico na cria\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo. Ademais, demonstrou arte ao transformar o toque em escrita e os dedos em olhos. Do mesmo modo, revelou dimens\u00e3o pedag\u00f3gica. Braille n\u00e3o guardou a inven\u00e7\u00e3o para si. O jovem tornou-se professor na mesma institui\u00e7\u00e3o que o formara, ajudando outros a <strong>ler o mundo com os dedos<\/strong> e a atravessar a ponte que constru\u00edra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, essa travessia ganhou rosto institucional no <a target=\"_blank\" rel=\"noopener\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/ibc\/pt-br\">Instituto Benjamin Constant<\/a>, fundado no Rio de Janeiro em 1854. Ali, gera\u00e7\u00f5es de estudantes aprenderam que a cegueira n\u00e3o significa aus\u00eancia de intelig\u00eancia, de imagina\u00e7\u00e3o ou de futuro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Papel fundamental do professor na constru\u00e7\u00e3o de significados<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse ponto, as duas datas se tocam profundamente. Ensinar nunca significou apenas transmitir conte\u00fado est\u00e1tico. Pelo contr\u00e1rio, exige criar pontes entre quem sabe e quem ainda vai compreender. O professor trabalha constantemente com o invis\u00edvel. Ele enxerga a d\u00favida n\u00e3o dita, o talento oculto e o sentido que surge ap\u00f3s anos. Como abordamos em nossa an\u00e1lise sobre <a target=\"_blank\" rel=\"noopener\" href=\"https:\/\/www.google.com\/search?q=https:\/\/vistolidoeouvido.com.br\/o-que-as-escolas-deixaram-de-ensinar\">o que as escolas deixaram de ensinar<\/a>, a forma\u00e7\u00e3o humana deve prevalecer sobre qualquer projeto ideol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por sua vez, o leitor que busca <strong>ler o mundo com os dedos<\/strong> trabalha com o que os olhos n\u00e3o alcan\u00e7am. Ele descobre que a leitura representa, antes de tudo, atribui\u00e7\u00e3o de significado. Ler n\u00e3o \u00e9 apenas reconhecer formas. Trata-se de construir compreens\u00e3o. Nesse sentido, todo bom mestre ensina a tatear, a desconfiar das apar\u00eancias e a buscar o essencial por tr\u00e1s da superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Exemplo hist\u00f3rico de Anne Sullivan e Helen Keller<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria de Anne Sullivan e Helen Keller traz uma li\u00e7\u00e3o inesquec\u00edvel. Helen aprendeu a reconhecer a palavra \u00e1gua quando a professora soletrou a palavra em sua m\u00e3o sob o jorro de uma bomba. Essa cena permanece como a mais conhecida dessa pedagogia do toque.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O epis\u00f3dio permitiu que um v\u00ednculo humano profundo florescesse al\u00e9m da t\u00e9cnica. Havia algu\u00e9m do outro lado insistindo em compreender o mundo. Essa experi\u00eancia demonstra que o m\u00e9todo importa, mas a presen\u00e7a faz ainda mais diferen\u00e7a. Antes de ensinar conte\u00fados, o professor ensina ao aluno que ele merece aten\u00e7\u00e3o, seja lendo com os olhos, com os dedos ou com os ouvidos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sensibilidade art\u00edstica e a amplia\u00e7\u00e3o dos sentidos na educa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A arte conhece bem esse territ\u00f3rio de percep\u00e7\u00f5es. As m\u00e3os podem compreender perfeitamente uma escultura. Uma melodia desenha paisagens sem utilizar uma \u00fanica imagem. Da mesma forma, um poema acende cenas que retina nenhuma registrou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Museus com r\u00e9plicas t\u00e1teis, teatros com audiodescri\u00e7\u00e3o e livros acess\u00edveis mostram que a sensibilidade n\u00e3o depende de um \u00fanico sentido. A educa\u00e7\u00e3o verdadeiramente humana faz o mesmo. Ela forma o olhar, a escuta, o tato, a mem\u00f3ria e o afeto. Existe uma leitura do mundo feita com o cora\u00e7\u00e3o. Essa sensibilidade impede que o conhecimento se torne frio e desumano. Como lembrou Antoine de Saint-Exup\u00e9ry, o essencial exige ser sentido al\u00e9m da vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O essencial \u00e9 invis\u00edvel aos olhos; s\u00f3 se v\u00ea bem com o cora\u00e7\u00e3o.&#8221; \u2014 <strong>Antoine de Saint-Exup\u00e9ry<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Percep\u00e7\u00e3o da invisibilidade e a capacidade de ler o mundo com os dedos<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe tamb\u00e9m uma cegueira que nada tem a ver com a vis\u00e3o f\u00edsica. Trata-se da atitude de quem olha, mas n\u00e3o percebe o entorno. Em toda escola existem alunos invis\u00edveis que n\u00e3o perguntam e se escondem no fundo da sala. Nas cidades, muitas pessoas passam despercebidas por n\u00e3o caberem nos padr\u00f5es urbanos tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A grande li\u00e7\u00e3o do Dia dos Cegos indica que ver n\u00e3o garante perceber. Por sua vez, o Dia do Professor lembra que educar significa aprender a enxergar quem ainda n\u00e3o recebeu aten\u00e7\u00e3o. O verdadeiro mestre v\u00ea pessoas reais diante de si, em vez de encarar apenas uma fileira de rostos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Avan\u00e7o tecnol\u00f3gico e os desafios da acessibilidade digital<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vivemos um tempo de transforma\u00e7\u00f5es profundas no qual essas datas ganham urg\u00eancia. Recursos de intelig\u00eancia artificial que descrevem imagens, leitores de tela e impressoras Braille ampliaram possibilidades antes impens\u00e1veis. No entanto, o mundo atual est\u00e1 saturado de telas e interfaces pensadas apenas para quem enxerga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tecnologia pode derrubar barreiras ou criar novos obst\u00e1culos silenciosos. Uma plataforma digital sem acessibilidade funciona como uma escada sem rampa. Ferramenta alguma substitui o que s\u00f3 a rela\u00e7\u00e3o humana oferece: a paci\u00eancia, a adapta\u00e7\u00e3o do caminho e a confian\u00e7a na capacidade de quem aprende.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Substitui\u00e7\u00e3o do professor e os limites \u00e9ticos da intelig\u00eancia artificial<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Olhar para o futuro exige afastar a ingenuidade. A intelig\u00eancia artificial j\u00e1 escreve, traduz e descreve imagens com precis\u00e3o. Diante disso, surge a d\u00favida se ainda haver\u00e1 lugar para o professor nas salas de aula. A resposta reside naquilo que as m\u00e1quinas n\u00e3o possuem: a viv\u00eancia do corpo, o risco da rela\u00e7\u00e3o e a responsabilidade pelo que se ensina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sistemas avan\u00e7ados podem descrever uma fotografia para uma pessoa cega, o que representa um avan\u00e7o not\u00e1vel. Contudo, decidir o que \u00e9 importante dizer, a quem e com qual delicadeza continua sendo uma escolha \u00e9tica, e n\u00e3o t\u00e9cnica. Quanto mais sofisticadas forem as ferramentas, mais valiosa ser\u00e1 a forma\u00e7\u00e3o humana de quem as orienta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Inclus\u00e3o na pr\u00e1tica e a import\u00e2ncia de ler o mundo com os dedos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Falar de inclus\u00e3o exige falar sobre a valoriza\u00e7\u00e3o dos professores. Segundo as diretrizes da <a target=\"_blank\" rel=\"noopener\" href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13146.htm\">Lei Brasileira de Inclus\u00e3o<\/a>, assegura-se o direito a um sistema educacional inclusivo em todos os n\u00edveis. No entanto, direitos escritos s\u00f3 se realizam quando traduzidos na pr\u00e1tica di\u00e1ria da sala de aula.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso exige forma\u00e7\u00e3o continuada, materiais adequados, tempo de planejamento e remunera\u00e7\u00e3o justa. Ningu\u00e9m constr\u00f3i uma escola acolhedora com profissionais exaustos e desamparados. As homenagens aos professores precisam se traduzir em condi\u00e7\u00f5es dignas de trabalho. Da mesma forma, a celebra\u00e7\u00e3o da bengala branca deve resultar em cal\u00e7adas acess\u00edveis, sinaliza\u00e7\u00e3o sonora e oportunidades reais no mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Autonomia representada pela bengala e pelo giz<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe uma semelhan\u00e7a marcante entre esses instrumentos de orienta\u00e7\u00e3o. A bengala e o giz \u2014 ou o teclado e a tela \u2014 ajudam a guiar o indiv\u00edduo. A bengala explora o ch\u00e3o antes do passo e devolve a liberdade de caminhar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor faz o mesmo ao sondar o terreno do conhecimento junto com o estudante, preparando o aluno para andar de forma independente. Em ambos os casos, o objetivo final busca a autonomia. Esta nasce do v\u00ednculo com o outro, pois ningu\u00e9m aprende ou atravessa a rua completamente sozinho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Import\u00e2ncia do tempo no aprendizado para ler o mundo com os dedos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 tamb\u00e9m uma li\u00e7\u00e3o sobre a gest\u00e3o do tempo. O sistema Braille exige leitura pausada, palavra por palavra, linha por linha. Essa lentid\u00e3o n\u00e3o representa um defeito, mas um modo elevado de aten\u00e7\u00e3o para <strong>ler o mundo com os dedos<\/strong>. Em um cotidiano regido pela pressa e pelo excesso de est\u00edmulos, o aprendizado do toque lembra que compreender exige tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O bom mestre entende essa necessidade. Ele protege o direito de pensar sem pressa, de errar sem humilha\u00e7\u00e3o e de revisar o conte\u00fado quantas vezes for necess\u00e1rio. Resistir \u00e0 velocidade em nome da profundidade \u00e9 uma das tarefas mais urgentes da educa\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Beleza do conhecimento e a m\u00e9trica humana da escola<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa aten\u00e7\u00e3o ao outro revela uma forma genu\u00edna de beleza. Quando uma crian\u00e7a cega reconhece o relevo de um mapa do seu pr\u00f3prio bairro, testemunha-se a alegria do conhecimento em estado puro. Cenas assim n\u00e3o aparecem em rankings ou avalia\u00e7\u00f5es em larga escala, mas justificam a exist\u00eancia da escola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Reconhecer que o trabalho do professor produz efeitos imensur\u00e1veis representa a homenagem mais justa. Trata-se de uma transforma\u00e7\u00e3o interior que o aluno carrega pela vida inteira.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Met\u00e1foras da linguagem e a supera\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o como \u00fanico sentido<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nossa pr\u00f3pria l\u00edngua reflete essa busca por sentido. Dizemos que enxergamos uma sa\u00edda, que vemos o sentido de algo ou que precisamos de luz para entender. Falamos em esclarecer, iluminar e lan\u00e7ar um olhar. Quase todo o vocabul\u00e1rio do saber veio da met\u00e1fora da vis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, a escrita t\u00e1til demonstra que o conhecimento nunca esteve preso aos olhos. A educa\u00e7\u00e3o devolve \u00e0s palavras o seu alcance maior: compreender \u00e9 uma experi\u00eancia de todo o ser humano, e n\u00e3o o privil\u00e9gio de um \u00fanico \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Protagonismo das pessoas com defici\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o de saberes<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lembremos que a inclus\u00e3o n\u00e3o se faz para as pessoas, mas com elas. O lema do movimento das pessoas com defici\u00eancia afirma: &#8220;nada sobre n\u00f3s sem n\u00f3s&#8221;. Essa m\u00e1xima vale para a escola e para a cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estudantes, professores, pesquisadores e artistas cegos n\u00e3o s\u00e3o receptores passivos de pol\u00edticas p\u00fablicas. Eles atuam como autores de conhecimento. Ouvir esses protagonistas \u00e9 a forma mais elementar de respeito. Uma sociedade que escuta quem percebe o mundo de outro modo torna-se mais atenta, criativa e justa para todos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Convite \u00e0 reflex\u00e3o sobre as diferentes formas de conhecer<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A coexist\u00eancia dessas duas datas no calend\u00e1rio traz uma oportunidade valiosa. Em um mundo acelerado que confunde ver com compreender, lembrar o Braille e os professores recorda a exist\u00eancia de outras formas de conhecer. A grandeza humana n\u00e3o cabe em um \u00fanico sentido, e a intelig\u00eancia assume muitas linguagens. A educa\u00e7\u00e3o acolhe essa diversidade como riqueza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Que o 15 de outubro seja um convite permanente. Aos professores, para continuarem ensinando com a alma al\u00e9m do olhar. \u00c0s escolas e governos, para que a acessibilidade seja regra. E a cada um de n\u00f3s, para aprendermos a <strong>ler o mundo com os dedos<\/strong> e com o cora\u00e7\u00e3o, pois a humanidade nos espera nesse espa\u00e7o. H\u00e1 ainda a pedagogia por meio da L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras), mas esse tema ficar\u00e1 para outra oportunidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juiz Ricardo Tadeu da Fonseca<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":28990,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[],"class_list":["post-28967","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28967","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28967"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28967\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28995,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28967\/revisions\/28995"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28990"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28967"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28967"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28967"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}