{"id":28152,"date":"2026-09-03T15:13:13","date_gmt":"2026-09-03T18:13:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=28152"},"modified":"2026-09-03T15:32:05","modified_gmt":"2026-09-03T18:32:05","slug":"a-corte-que-se-tornou-parte-do-problema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-corte-que-se-tornou-parte-do-problema\/","title":{"rendered":"A Corte que se tornou parte do problema"},"content":{"rendered":"\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">VISTO, LIDO E OUVIDO<br>Coluna criada em 1960 por Ari Cunha (In memoriam) <br>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade <br><br>jornalistacircecunha@gmail.com <br><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/vistolidoeouvid\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido\"><em>facebook.com\/vistolidoeouvido<\/em><\/a><\/pre>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/09\/Captura-de-tela-2026-09-03-100112.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"715\" height=\"419\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/09\/Captura-de-tela-2026-09-03-100112.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-28153\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/09\/Captura-de-tela-2026-09-03-100112.png 715w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/09\/Captura-de-tela-2026-09-03-100112-300x176.png 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/09\/Captura-de-tela-2026-09-03-100112-550x322.png 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/09\/Captura-de-tela-2026-09-03-100112-230x135.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 715px) 100vw, 715px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><sub>Imagem gerada pela IA<\/sub><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num pa\u00eds como o nosso, em que a liberdade de imprensa j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a mesma que assegurava a antiga Constitui\u00e7\u00e3o de 88, falar sobre as perip\u00e9cias da Corte Suprema tornou-se h\u00e1 tempos o mesmo que cutucar com vara curta um vespeiro de abelhas africanas pe\u00e7onhentas. Todo o imposs\u00edvel tornou-se poss\u00edvel quando freios e contrapesos foram lan\u00e7ados ao mar e, sobretudo, quando personagens individuais, com CPF e tudo, passaram a ser mais importantes do que a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o. O perigo de confundir pessoas com institui\u00e7\u00f5es \u00e9 que h\u00e1 sempre o risco de que o efeito da ma\u00e7\u00e3 podre. a apodrecer tudo em volta. se torne real. E \u00e9 exatamente o que ocorre hoje. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Celular<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos dias, o notici\u00e1rio jur\u00eddico e pol\u00edtico do pa\u00eds foi tomado por um cap\u00edtulo que poucos ousariam imaginar h\u00e1 um ano: mensagens extra\u00eddas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do falido Banco Master, indicam contato direto e recorrente entre ele e o ministro Alexandre de Moraes. Os di\u00e1logos, segundo o que vazou do relat\u00f3rio da Pol\u00edcia Federal, mostram o banqueiro cobrando aten\u00e7\u00e3o especial para o pagamento de um contrato de cerca de R$ 131 milh\u00f5es firmado entre o Banco Master e o escrit\u00f3rio de advocacia comandado por Viviane Barci de Moraes&nbsp; a pr\u00f3pria esposa do ministro. H\u00e1 ainda men\u00e7\u00f5es a cart\u00f5es de cr\u00e9dito emitidos pelo banco em nome de filhos do magistrado. Parte das conversas foi apagada por Vorcaro, que usava mensagens de autodestrui\u00e7\u00e3o e anota\u00e7\u00f5es vol\u00e1teis&nbsp; um detalhe que, por si s\u00f3, deveria acender todos os alarmes poss\u00edveis num pa\u00eds que ainda se orgulha de chamar sua Justi\u00e7a de Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Corte ou clube<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rea\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Corte j\u00e1 \u00e9, em si, um retrato eloquente do tamanho do problema. O procurador-geral da Rep\u00fablica, Paulo Gonet, apressou-se a pedir a nulidade da investiga\u00e7\u00e3o, sob o argumento de que o relator do caso, ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, teria avan\u00e7ado sobre um colega de plen\u00e1rio sem autoriza\u00e7\u00e3o coletiva. Ministros ouvidos sob reserva j\u00e1 cogitam anular as provas contra Moraes por v\u00edcio de forma. E o presidente do STF, Edson Fachin, limitou-se a prometer que &#8220;medidas cab\u00edveis e necess\u00e1rias&#8221; ser\u00e3o anunciadas &#8220;no tempo devido&#8221;&nbsp; a mesma linguagem protocolar, vaga e dilat\u00f3ria que o pa\u00eds j\u00e1 aprendeu a reconhecer como sin\u00f4nimo de que nada de substantivo deve ser esperado t\u00e3o cedo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ilibados<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 a primeira vez, nem ser\u00e1 a \u00faltima, que o nome de um ministro do Supremo aparece emaranhado nos tent\u00e1culos do esc\u00e2ndalo Master. Antes de Moraes, foi Dias Toffoli quem avocou para si o inqu\u00e9rito, restringiu o acesso \u00e0s provas, chegou a escolher nominalmente os peritos da Pol\u00edcia Federal autorizados a mexer no material apreendido&nbsp; um procedimento que a pr\u00f3pria comunidade jur\u00eddica classificou como incomum&nbsp; e ainda embarcou, na noite em que foi sorteado relator, num jato particular cedido por um empres\u00e1rio ligado ao caso. Reportagens t\u00eam apontado empresas de parentes do pr\u00f3prio Toffoli como s\u00f3cias de fundos vinculados ao esquema fraudulento do banco. Ou seja: n\u00e3o se trata de um escorreg\u00e3o isolado, de um ministro se explicando sobre um mal-entendido pontual. Trata-se de um padr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Combust\u00edvel da crise<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um tribunal que deveria fiscalizar o sistema financeiro, processar os respons\u00e1veis por uma fraude bilion\u00e1ria e proteger milhares de investidores lesados descobre-se, ele mesmo, no centro da rede de rela\u00e7\u00f5es que a investiga\u00e7\u00e3o deveria dissecar. Quando o relator de um processo tem v\u00ednculos pessoais, familiares ou financeiros com o investigado, n\u00e3o h\u00e1 flexibiliza\u00e7\u00e3o de rito ou linguagem protocolar de gabinete que resolva o problema de fundo: a Justi\u00e7a deixou de ser cega para se tornar, na percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica, mais uma engrenagem de prote\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre poderosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Desenhando<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o sistema d\u00e1 a um indiv\u00edduo poder suficiente para que sua conduta pessoal se torne, automaticamente, um problema de todos torna-se o efeito da ma\u00e7\u00e3 podre: n\u00e3o \u00e9 que os onze ministros do STF sejam desonestos&nbsp; longe disso, e seria t\u00e3o injusto quanto simplista dizer o contr\u00e1rio. \u00c9 que a arquitetura atual de poder concentrado nas m\u00e3os de relatores individuais transforma qualquer suspeita sobre um deles em suspeita sobre a Corte inteira, porque n\u00e3o existem, hoje, freios internos robustos o bastante para isolar o problema antes que ele contamine a legitimidade do conjunto.Num ano eleitoral, o risco \u00e9 duplo. De um lado, a tenta\u00e7\u00e3o de transformar o caso Master em muni\u00e7\u00e3o de campanha, esvaziando sua gravidade jur\u00eddica ao reduzi-la a bandeira partid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>M\u00ednimo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que se exige, com urg\u00eancia que j\u00e1 deveria ter sido atendida ontem, \u00e9 que o pr\u00f3prio Supremo reconhe\u00e7a que resolver o caso Master n\u00e3o \u00e9 apenas processar Vorcaro e seus s\u00f3cios&nbsp; \u00e9 demonstrar, com atos concretos e n\u00e3o com notas de gabinete, que a institui\u00e7\u00e3o \u00e9 maior do que qualquer um de seus onze integrantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o tenho parentes que exer\u00e7am ou que tenham exercido atividades, p\u00fablicas ou privadas, vinculadas \u00e0 minha atividade profissional.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ministro Alexandre de Moraes na CCJ , em 21.02.1917,durante a sabatina que o levou ao STF<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A C\u00e2mara dos Deputados perdeu 75 minutos discutindo o projeto revogando a proibi\u00e7\u00e3o contra lutas de galos. Pois bem. Depois disto, em 45 minutos aprovou 17 outros projetos, muitos dos quais de grande import\u00e2ncia.(Publicada em 26.05.1962)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDOColuna criada em 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com instagram.com\/vistolidoeouvidofacebook.com\/vistolidoeouvido Imagem gerada pela IA Num pa\u00eds como o nosso, em que a liberdade de imprensa j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a mesma que assegurava a antiga Constitui\u00e7\u00e3o de 88, falar sobre as perip\u00e9cias da Corte Suprema tornou-se h\u00e1 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-28152","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-integra-integra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28152"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28152\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28157,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28152\/revisions\/28157"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28152"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}