{"id":28072,"date":"2026-08-30T12:11:19","date_gmt":"2026-08-30T15:11:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=28072"},"modified":"2026-08-30T12:11:20","modified_gmt":"2026-08-30T15:11:20","slug":"falencia-da-oi-2026-2027-a-vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/falencia-da-oi-2026-2027-a-vista\/","title":{"rendered":"Fal\u00eancia da Oi 2026 &#8211; 2027\u00a0\u00e0 vista"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/08\/OI-FALENCIA.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"871\" height=\"487\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/08\/OI-FALENCIA.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-28076\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/08\/OI-FALENCIA.png 871w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/08\/OI-FALENCIA-300x168.png 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/08\/OI-FALENCIA-768x429.png 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/08\/OI-FALENCIA-800x447.png 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/08\/OI-FALENCIA-550x308.png 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/08\/OI-FALENCIA-230x129.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 871px) 100vw, 871px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">VISTO, LIDO E OUVIDO<\/h2>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) <br>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade <br>jornalistacircecunha@gmail.com <br><a href=\"http:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido\">instagram.com\/vistolidoeouvido <\/a><br><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido\">facebook.com\/vistolidoeouvido&nbsp;<\/a><\/pre>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A confirma\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia da Oi, em 25 de agosto de 2026, \u00e9 um s\u00edmbolo al\u00e9m do desfecho de uma novela corporativa que j\u00e1 dura mais de uma d\u00e9cada. Tratamos aqui do maior caso empresarial do per\u00edodo recente no Brasil: um grupo que chegou a acumular cerca de 164 mil credores e um patrim\u00f4nio l\u00edquido negativo superior a R$ 22 bilh\u00f5es, depois de ter voltado \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial em 2023 com d\u00edvidas que j\u00e1 ultrapassavam R$ 43 bilh\u00f5es. Entre a primeira decreta\u00e7\u00e3o de fal\u00eancia, em 2025, a suspens\u00e3o por recursos e a confirma\u00e7\u00e3o definitiva, um ano e meio se passou, tempo suficiente para que a estrutura da empresa se deteriorasse ainda mais, para que credores perdessem qualquer esperan\u00e7a de recupera\u00e7\u00e3o integral e para que o pa\u00eds inteiro assistisse, em c\u00e2mera lenta, ao fim de uma das maiores companhias de telecomunica\u00e7\u00f5es que j\u00e1 existiram por aqui. O problema \u00e9 que a Oi est\u00e1 longe de ser um caso isolado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A fal\u00eancia \u00e9 o fim<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao reunir os processos mais relevantes de fal\u00eancia e recupera\u00e7\u00e3o judicial iniciados desde 2023, um padr\u00e3o preocupante se desenha: setores inteiros da economia brasileira varejo, t\u00eaxtil, metalurgia, avia\u00e7\u00e3o, papelaria, brinquedos, log\u00edstica &nbsp;v\u00eam sendo empurrados para dentro dos tribunais em busca de prote\u00e7\u00e3o contra seus pr\u00f3prios credores. Saraiva, s\u00edmbolo do livro e da cultura de varejo no pa\u00eds, teve a fal\u00eancia decretada em 2023 ap\u00f3s descumprir seu plano de recupera\u00e7\u00e3o, com uma d\u00edvida pr\u00f3xima de R$ 675 milh\u00f5es. A Itapemirim Transportes A\u00e9reos viveu um processo t\u00e3o conturbado que teve a fal\u00eancia decretada e, na sequ\u00eancia, anulada pela Justi\u00e7a, um vaiv\u00e9m que por si s\u00f3 denuncia a fragilidade dos mecanismos de recupera\u00e7\u00e3o empresarial no pa\u00eds.  Fal\u00eancia e recupera\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o s\u00e3o sin\u00f4nimos. A fal\u00eancia \u00e9 o fim: a liquida\u00e7\u00e3o dos ativos, o encerramento da atividade. A recupera\u00e7\u00e3o judicial, ao contr\u00e1rio, \u00e9 uma tentativa de sobreviv\u00eancia, um pedido de socorro protegido por lei para renegociar d\u00edvidas sem fechar as portas. Confundir as duas coisas, como tantas vezes acontece nas redes sociais, infla n\u00fameros e distorce o diagn\u00f3stico. Mas a ressalva n\u00e3o deve servir de conforto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O problema<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, o reconhecimento formal de que uma empresa n\u00e3o consegue mais honrar seus compromissos sem a prote\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a. E o que os n\u00fameros mostram \u00e9 que esse reconhecimento est\u00e1 se tornando cada vez mais comum. Basta olhar a lista de empresas que recorreram \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial nos \u00faltimos anos para perceber que n\u00e3o se trata de casos pontuais de m\u00e1 gest\u00e3o. Bombril, s\u00edmbolo dom\u00e9stico h\u00e1 d\u00e9cadas. A 2W Ecobank. A Cia. de Tecidos Santanense e a Teka, dois nomes hist\u00f3ricos da ind\u00fastria t\u00eaxtil nacional. A Paranapanema, ap\u00f3s uma longa crise no setor de metais. A Rossi Residencial, arrastando dificuldades do mercado imobili\u00e1rio. E, j\u00e1 em 2026, um conjunto de marcas que fazem parte do dia a dia de milh\u00f5es de brasileiros: as Casas Bahia, o rec\u00e9m-formado Grupo Toky &nbsp;que re\u00fane Tok&amp;Stok e Mobly , a rede de m\u00f3veis Marabraz e a centen\u00e1ria fabricante de brinquedos Estrela, que apresentou plano para reestruturar uma d\u00edvida superior a R$ 109 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Consequ\u00eancias<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 tamb\u00e9m um efeito cascata que raramente entra nas manchetes: cada empresa em recupera\u00e7\u00e3o judicial carrega consigo uma rede de fornecedores, prestadores de servi\u00e7o e credores menores que dependem daqueles pagamentos para sustentar seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios. Os 164 mil credores da Oi n\u00e3o s\u00e3o uma abstra\u00e7\u00e3o estat\u00edstica &nbsp;s\u00e3o empresas e pessoas que, em algum grau, tamb\u00e9m ter\u00e3o seus planos financeiros afetados pela demora e pelo desfecho do processo. Multiplicar esse efeito pelas dezenas de empresas hoje em recupera\u00e7\u00e3o judicial d\u00e1 uma ideia do tamanho da onda de segunda ordem que ainda est\u00e1 por vir, mesmo que nenhum novo pedido seja protocolado a partir de hoje. O Brasil tem instrumentos legais razoavelmente sofisticados para lidar com empresas em dificuldade &nbsp;a pr\u00f3pria exist\u00eancia da recupera\u00e7\u00e3o judicial como alternativa \u00e0 fal\u00eancia \u00e9 prova disso. O problema \u00e9 o uso recorrente dessas ferramentas como \u00faltimo recurso em um ambiente de juros altos, burocracia tribut\u00e1ria pesada e instabilidade regulat\u00f3ria que segue penalizando desproporcionalmente quem mais precisa de previsibilidade para planejar investimentos de longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Futuro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entrar em 2027 com esse quadro ainda em aberto sem sinais claros de redu\u00e7\u00e3o estrutural do custo de cr\u00e9dito, sem simplifica\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria efetivamente implementada e sem um ambiente de neg\u00f3cios mais previs\u00edvel \u00a0 parece apostar que os pr\u00f3ximos nomes na lista n\u00e3o sejam mais companhias de m\u00e9dio porte, mas grupos ainda maiores, com efeitos ainda mais amplos sobre emprego, arrecada\u00e7\u00e3o e confian\u00e7a do mercado.  Pior do que entrar 2027 com esse conjunto de problemas \u00e9 querer arrastar e anistiar para o pr\u00f3ximo ano os personagens que tornaram essa calamidade poss\u00edvel.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAo optar por trocar princ\u00edpios preciosos por impulsos in\u00fateis, muitas vezes arruinei minha alma para financiar meu ego.\u201d<br><strong>Craig D. Lounsbrough<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi a\u00ed que a reuni\u00e3o transformou-se numa solenidade, usando da palavra o advogado da defesa Newton Antunes, e, a seguir, o promotor Sebasti\u00e3o Barbosa. Foi uma solenidade de grande civismo .(Publicada em 25.05.1961)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com instagram.com\/vistolidoeouvido facebook.com\/vistolidoeouvido&nbsp; A confirma\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia da Oi, em 25 de agosto de 2026, \u00e9 um s\u00edmbolo al\u00e9m do desfecho de uma novela corporativa que j\u00e1 dura mais de uma d\u00e9cada. 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