{"id":27649,"date":"2026-07-29T02:50:15","date_gmt":"2026-07-29T05:50:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27649"},"modified":"2026-07-29T13:37:17","modified_gmt":"2026-07-29T16:37:17","slug":"palanques-nao-enchem-panelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/palanques-nao-enchem-panelas\/","title":{"rendered":"Palanques n\u00e3o enchem panelas"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27652\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/alimento.png\" alt=\"\" width=\"642\" height=\"487\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/alimento.png 642w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/alimento-300x228.png 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/alimento-550x417.png 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/alimento-230x174.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 642px) 100vw, 642px\" \/><\/p>\n<p>imagem: GPT<\/p>\n<p>VISTO, LIDO E OUVIDO<br \/>\n*Criada por Ari Cunha DESDE 1960<\/p>\n<p>hoje<\/p>\n<p>Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Existe uma diferen\u00e7a fundamental entre quem estuda economia e quem administra uma economia. O primeiro trabalha, em grande medida, com modelos, proje\u00e7\u00f5es e hip\u00f3teses. O segundo convive diariamente com os efeitos concretos das decis\u00f5es tomadas. Basta uma medida equivocada para alterar juros, infla\u00e7\u00e3o, c\u00e2mbio, cr\u00e9dito, investimento e emprego. Por isso, quando ex-presidentes do Banco Central, economistas que j\u00e1 enfrentaram crises reais, fazem alertas sobre o rumo do pa\u00eds, suas opini\u00f5es merecem aten\u00e7\u00e3o, ainda que possam ser objeto de diverg\u00eancias.<br \/>\nFoi exatamente isso que ocorreu recentemente quando Arm\u00ednio Fraga, presidente do Banco Central entre 1999 e 2003, afirmou que o Brasil atravessa uma crise estrutural grave e alertou para um risco concreto de recess\u00e3o em 2027. Em entrevista publicada pela revista Veja, Fraga afirmou que a situa\u00e7\u00e3o fiscal &#8220;n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel&#8221;, descreveu o quadro geral como &#8220;desastroso&#8221; e aconselhou empresas e fam\u00edlias a preservarem caixa e evitarem novas d\u00edvidas diante dos sinais emitidos pelo mercado de cr\u00e9dito. Arm\u00ednio Fraga participou diretamente da estabiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica brasileira no in\u00edcio dos anos 2000, per\u00edodo em que o pa\u00eds enfrentava fortes press\u00f5es cambiais, infla\u00e7\u00e3o elevada e profunda desconfian\u00e7a internacional.<br \/>\nDiscursos podem convencer durante algum tempo mas os n\u00fameros acabam impondo seus pr\u00f3prios limites, principalmente quando a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 percebida antes nas prateleiras dos supermercados do que nas estat\u00edsticas oficiais. Antes de fechar definitivamente as portas as empresas reduzem estoques, cortam investimentos, suspendem contrata\u00e7\u00f5es, substituem funcion\u00e1rios, renegociam d\u00edvidas e simplificam linhas de produtos. O resultado vai aparecer nas ruas. Em praticamente todas as grandes cidades brasileiras multiplicam-se im\u00f3veis comerciais vazios, lojas fechadas e placas de aluguel em regi\u00f5es que at\u00e9 poucos anos atr\u00e1s concentravam intenso movimento econ\u00f4mico. Cada porta definitivamente fechada representa menos arrecada\u00e7\u00e3o, menos empregos e menor circula\u00e7\u00e3o de renda. \u00c9 a chamada \u201cvenezueliza\u00e7\u00e3o\u201d, neologismo que entende a destrui\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de um pa\u00eds como resultado de pol\u00edticas econ\u00f4micas montadas n\u00e3o em f\u00f3rmulas e n\u00fameros, mas em ditames do tipo ideol\u00f3gico.<br \/>\nNas \u00faltimas d\u00e9cadas, o Brasil perdeu participa\u00e7\u00e3o relativa na produ\u00e7\u00e3o manufatureira mundial. Diversos segmentos passaram a produzir menos ou deslocaram investimentos para pa\u00edses com ambiente tribut\u00e1rio, regulat\u00f3rio ou log\u00edstico considerado mais competitivo. Esse processo a ganhar corpo a duas d\u00e9cadas passadas e permanece como um dos principais desafios estruturais da economia brasileira.<br \/>\nEdmar Bacha, um dos formuladores do Plano Real, destaca a necessidade de controlar o crescimento do gasto p\u00fablico e elevar a produtividade. Gustavo Franco, tamb\u00e9m ex-presidente do Banco Central, tem insistido na import\u00e2ncia da estabilidade institucional e da previsibilidade econ\u00f4mica para estimular investimentos privados. P\u00e9rsio Arida ressalta h\u00e1 anos a necessidade de reformas capazes de ampliar o potencial de crescimento do pa\u00eds. Ainda que divirjam em diversos aspectos, esses economistas convergem na avalia\u00e7\u00e3o de que desequil\u00edbrios fiscais persistentes tendem a pressionar juros, reduzir investimentos e limitar o crescimento de longo prazo.<br \/>\nO governo, por sua vez, sustenta e insiste em leitura diferente. Argumenta que a amplia\u00e7\u00e3o do gasto p\u00fablico, programas sociais e investimentos estatais fortalecem a demanda, reduzem desigualdades e estimulam a atividade econ\u00f4mica. O que na pr\u00e1tica tem demonstrado ser um desastre. O que ocorre \u00e9 que os indicadores maquiados do mercado de trabalho, com crescimento do PIB em determinados per\u00edodos e expans\u00e3o de programas de cr\u00e9dito est\u00e3o distantes da realidade.<br \/>\nA diverg\u00eancia entre maior interven\u00e7\u00e3o estatal e maior disciplina fiscal acompanha praticamente toda a hist\u00f3ria econ\u00f4mica brasileira desde meados do s\u00e9culo XX. E se intensificou a partir de 2003 com os velhos novos pensamentos. O problema surge quando a realidade crua passa a emitir sinais totalmente contradit\u00f3rios em rela\u00e7\u00e3o ao discurso oficial. A manuten\u00e7\u00e3o de taxas elevadas de juros, o aumento do endividamento p\u00fablico, dificuldades no mercado de cr\u00e9dito e a persist\u00eancia de incertezas fiscais formam um conjunto de fatores observado atentamente por investidores nacionais e estrangeiros. S\u00e3o justamente esses elementos que Arm\u00ednio Fraga identifica como pren\u00fancios de um cen\u00e1rio recessivo caso n\u00e3o haja mudan\u00e7as de rumo. Na verdade, mesmo que mudan\u00e7as totalmente contr\u00e1rias sejam adotadas agora, o rumo descendente de nossa economia j\u00e1 est\u00e1 precificado. Ao mesmo tempo, \u00e9 vis\u00edvel que o ambiente externo tornou-se ainda mais complexo. As recentes tens\u00f5es comerciais entre Brasil e Estados Unidos, incluindo novas tarifas anunciadas por Washington sobre produtos brasileiros, acrescentaram um forte componente adicional de incerteza \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es nacionais. O governo brasileiro tem levado essa situa\u00e7\u00e3o para o palanque e desprezado, o quanto pode, as negocia\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica com o seria natural. As autoridades americanas nunca esconderam o jogo e justificam essas medidas com base em interesses comerciais e estrat\u00e9gicos, o que tamb\u00e9m \u00e9 natural.<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada:<br \/>\n\u201cO maior problema da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 a ilus\u00e3o de que ela aconteceu.\u201d<br \/>\nGeorge Bernard Shaw<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<br \/>\nDe ac\u00f4rdo com a lei italiana, que consagra o princ\u00edpio do &#8220;jus sanguinis&#8221;, o filho adquire, necessariamente, a nacionalidade dos genitores. Assim, aqueles dois jogadores, para o Brasil s\u00e3o brasileiros (porque aqui nasceram \u2014 &#8220;jus loci&#8221;) e para a It\u00e1lia s\u00e3o italianos (porque filhos ou descendentes de italianos). (Publicada em 25.05.1962)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>imagem: GPT VISTO, LIDO E OUVIDO *Criada por Ari Cunha DESDE 1960 hoje Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Existe uma diferen\u00e7a fundamental entre quem estuda economia e quem administra uma economia. O primeiro trabalha, em grande medida, com modelos, proje\u00e7\u00f5es e hip\u00f3teses. O segundo convive diariamente com os efeitos concretos das decis\u00f5es tomadas. Basta uma medida [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-27649","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-integra-integra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27649","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27649"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27649\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27657,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27649\/revisions\/27657"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27649"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27649"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27649"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}