{"id":27647,"date":"2026-07-30T10:31:43","date_gmt":"2026-07-30T13:31:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27647"},"modified":"2026-07-30T10:31:43","modified_gmt":"2026-07-30T13:31:43","slug":"firmeza-diplomatica-nao-exclui-prudencia-estrategica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/firmeza-diplomatica-nao-exclui-prudencia-estrategica\/","title":{"rendered":"\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Firmeza diplom\u00e1tica n\u00e3o exclui prud\u00eancia estrat\u00e9gica"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO<br \/>\n*Criada por Ari Cunha DESDE 1960<\/p>\n<p>hoje<\/p>\n<p>Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Publicada no Di\u00e1rio Oficial americano (Federal Register) a prorroga\u00e7\u00e3o por mais um ano da chamada declara\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia nacional em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, a medida estava valendo desde 2025. Em sua justificativa o presidente Trump afirma que \u201cpol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es do governo brasileiro ainda representam uma amea\u00e7a incomum e extraordin\u00e1ria \u00e0 seguran\u00e7a nacional, \u00e0 pol\u00edtica externa e \u00e0 economia dos Estados Unidos\u201d. Al\u00e9m desses argumentos o governo americano diz que h\u00e1 no Brasil restri\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade de express\u00e3o, viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ao ex-presidente Bolsonaro. Afirma ainda o presidente americano que o Supremo age da mesma forma perseguindo opositores e violando direitos humanos. Trata-se de medida nunca antes implementada na hist\u00f3ria das rela\u00e7\u00f5es Brasil x EUA em mais de 200 anos. Essas medidas\u00a0\u00a0 somam-se ainda a outras como a decreta\u00e7\u00e3o de tarifas de 25% sobre diversos produtos e outra de 12,5% sobre produtos fabricados com o uso de trabalho for\u00e7ado.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o resultado de seguidos atos de desprezo nas negocia\u00e7\u00f5es bilaterais e de in\u00fameros improp\u00e9rios ditos pelo presidente brasileiro em palanques contra Trump. Deixar mais de 2 s\u00e9culos de amizade irem para o ralo tem suas consequ\u00eancias e s\u00f3 serve para manter um grau de tens\u00e3o prejudicial ao Brasil e aos brasileiros. Diverg\u00eancias que antes permaneciam restritas aos canais diplom\u00e1ticos passaram a ocupar discursos p\u00fablicos, entrevistas, pronunciamentos oficiais e decis\u00f5es de elevado impacto econ\u00f4mico. O resultado deixou de ser apenas pol\u00edtico. Come\u00e7a a atingir empresas, exportadores, investidores e trabalhadores brasileiros.<\/p>\n<p>Lembramos que os Estados Unidos continuam entre os principais investidores estrangeiros no Brasil e representam um dos mercados mais importantes para produtos brasileiros de maior valor agregado. Empresas dos setores industrial, aeron\u00e1utico, sider\u00fargico, qu\u00edmico e agr\u00edcola dependem, em maior ou menor grau, da estabilidade dessa rela\u00e7\u00e3o. Outro fato \u00e9 que quando tarifas adicionais passam a incidir sobre exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, quem paga a conta n\u00e3o \u00e9 o governo ou seu partido, mas toda a popula\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso pagam empresas que deixam de vender, trabalhadores que podem perder empregos e consumidores que enfrentam ambiente econ\u00f4mico ainda mais incerto do que o atual.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que o atual governo brasileiro, desde que tomou posse, tem assumido posi\u00e7\u00f5es p\u00fablicas bastante cr\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o a Donald Trump e \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o internacional de sua administra\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, Trump respondeu com cr\u00edticas severas ao governo brasileiro e ao Supremo Tribunal Federal, elevando o tom das diverg\u00eancias entre os dois pa\u00edses. Embora seja at\u00e9 natural que governos democraticamente eleitos possuam vis\u00f5es diferentes sobre com\u00e9rcio internacional, meio ambiente, organismos multilaterais ou pol\u00edtica externa. O que n\u00e3o se pode \u00e9 deixar que diferen\u00e7as ideol\u00f3gicas passem a dominar uma rela\u00e7\u00e3o que historicamente sempre foi constru\u00edda sobre interesses permanentes de Estado. O Itamaraty tamb\u00e9m possui sua parte de culpa no enfraquecimento dessas rela\u00e7\u00f5es internacionais, ao deixar os ensinamentos da escola de Rio Branco, substituindo-o por ideias vagas de um terceiro mundismo retr\u00f3grado. Lembrando aqui que a pol\u00edtica externa brasileira sempre cultivou certa tradi\u00e7\u00e3o de pragmatismo. E mesmo durante per\u00edodos de intensas diverg\u00eancias internacionais, sempre procurou preservar canais de di\u00e1logo com governos de diferentes orienta\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas. Essa postura permitiu ao pa\u00eds ampliar mercados, atrair investimentos e exercer papel relevante em negocia\u00e7\u00f5es multilaterais.<\/p>\n<p>Enquanto isso, investidores observam estabilidade institucional, previsibilidade jur\u00eddica e qualidade das rela\u00e7\u00f5es internacionais antes de decidir onde aplicar bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Empresas multinacionais avaliam riscos pol\u00edticos da mesma maneira que avaliam custos tribut\u00e1rios, infraestrutura ou disponibilidade de m\u00e3o de obra. Isso significa que quanto maior a percep\u00e7\u00e3o de conflito diplom\u00e1tico, maior tende a ser a cautela dos investidores. A quest\u00e3o toda \u00e9 que ser\u00e1 que o atual governo ouve e segue as orienta\u00e7\u00f5es vindas do Itamaraty? A resposta \u00e9 n\u00e3o. A experi\u00eancia internacional demonstra que grandes pot\u00eancias frequentemente se criticam em p\u00fablico enquanto negociam intensamente nos bastidores, mostrando que a pol\u00edtica externa eficaz costuma sempre privilegiar resultados concretos em vez de vit\u00f3rias ret\u00f3ricas. Em per\u00edodos de desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mundial, juros elevados e crescente competi\u00e7\u00e3o entre mercados emergentes, preservar rela\u00e7\u00f5es comerciais s\u00f3lidas deixa de ser apenas uma quest\u00e3o diplom\u00e1tica e passa a integrar a pr\u00f3pria estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia e de crescimento econ\u00f4mico. O Brasil enfrenta desafios suficientemente complexos em sua economia dom\u00e9stica para acrescentar novos focos de incerteza no cen\u00e1rio internacional quanto pelos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>O relacionamento bilateral tornou-se progressivamente mais personalista e menos pragm\u00e1tico, com diverg\u00eancias entre chefes de governo passando a ocupar espa\u00e7o que anteriormente era reservado apenas \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas conduzidas por profissionais do Itamaraty. O problema \u00e9 que mercados n\u00e3o reagem a discursos.<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada:<\/p>\n<p>\u201cPara Roosevelt, se uma na\u00e7\u00e3o fosse incapaz ou n\u00e3o estivesse disposta a agir para defender seus pr\u00f3prios interesses, n\u00e3o poderia esperar que os outros a respeitassem. Inevitavelmente, isso aconteceria.\u201d<\/p>\n<p>Henry Kissinger, Ordem Mundial<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>Mas jogar futebol por outro pa\u00eds pode ser causa de perda da nacionalidade brasileira? Um assunto t\u00e3o s\u00e9rio como \u00easse pode ser misturado com futebol e acarretar t\u00e3o graves consequ\u00eancias? (Publicada em 25.05.1962)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO *Criada por Ari Cunha DESDE 1960 hoje Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com &nbsp; Publicada no Di\u00e1rio Oficial americano (Federal Register) a prorroga\u00e7\u00e3o por mais um ano da chamada declara\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia nacional em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil, a medida estava valendo desde 2025. 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