{"id":27606,"date":"2026-07-18T10:20:27","date_gmt":"2026-07-18T13:20:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27606"},"modified":"2026-07-19T10:23:20","modified_gmt":"2026-07-19T13:23:20","slug":"universalisidades-esquecidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/universalisidades-esquecidas\/","title":{"rendered":"Univer(sali)sidades esquecidas"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO<br \/>\n*Criada por Ari Cunha DESDE 1960<\/p>\n<p>hoje<\/p>\n<p>Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27605\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/uu.png\" alt=\"\" width=\"755\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/uu.png 755w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/uu-300x99.png 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/uu-550x182.png 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/uu-230x76.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 755px) 100vw, 755px\" \/><\/p>\n<p>*Gemini<\/p>\n<p>Poucas imagens conseguem sintetizar t\u00e3o bem uma crise institucional quanto aquela oferecida por parte dos campi de universidades p\u00fablicas brasileiras. Em diversas institui\u00e7\u00f5es espalhadas pelo pa\u00eds, o visitante encontra pr\u00e9dios envelhecidos, fachadas cobertas por picha\u00e7\u00f5es, corredores ocupados por cartazes acumulados ao longo dos anos, laborat\u00f3rios necessitando de moderniza\u00e7\u00e3o, equipamentos defasados e sinais evidentes de falta de manuten\u00e7\u00e3o. Independentemente da posi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica de quem observa esse cen\u00e1rio, uma conclus\u00e3o parece inevit\u00e1vel: boa parte do patrim\u00f4nio p\u00fablico brasileiro destinado ao ensino superior vem sofrendo um processo prolongado de deteriora\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNaturalmente, esse diagn\u00f3stico n\u00e3o se aplica da mesma forma a todas as universidades. O Brasil possui institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que continuam produzindo pesquisa de alto n\u00edvel, formando profissionais altamente qualificados e ocupando posi\u00e7\u00f5es relevantes em diferentes \u00e1reas do conhecimento. Universidades como USP, Unicamp, UFMG e outras permanecem respons\u00e1veis por parcela expressiva da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nacional. Ainda assim, a realidade de muitos campi revela dificuldades que deixaram de ser epis\u00f3dicas para se tornar estruturais. A crise come\u00e7a pela infraestrutura. O resultado aparece em salas superlotadas, dificuldades administrativas e crescente press\u00e3o sobre professores e t\u00e9cnicos.<br \/>\nOutro aspecto frequentemente debatido diz respeito ao ambiente universit\u00e1rio. Universidades s\u00e3o, por defini\u00e7\u00e3o, espa\u00e7os de liberdade intelectual. Devem acolher diferentes correntes de pensamento, estimular o confronto de ideias e formar cidad\u00e3os capazes de questionar consensos. Quando esse ambiente plural \u00e9 substitu\u00eddo por intoler\u00e2ncia ao dissenso, perde-se uma das caracter\u00edsticas fundamentais da vida acad\u00eamica. Estudos sobre o Perfil do Funcionalismo P\u00fablico e Elites Intelectuais (Ipea \/ Universidades Federais, An\u00e1lises de Produ\u00e7\u00e3o Acad\u00eamica nas Ci\u00eancias Humanas e Pesquisas de Opini\u00e3o em Per\u00edodos Eleitorais (Simula\u00e7\u00f5es e Enquetes por Categorias mostram que a maioria dos docentes das universidades brasileiras tende a posicionar-se mais \u00e0 esquerda no espectro pol\u00edtico.<br \/>\nPesquisadores vinculados a \u00e1reas como a Ci\u00eancia Pol\u00edtica e a Sociologia t\u00eam investigado o ambiente universit\u00e1rio. Um dos argumentos centrais dessas an\u00e1lises \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o da Teoria da Espiral do Sil\u00eancio (de Elisabeth Noelle-Neumann): estudantes que percebem suas opini\u00f5es (sejam liberais na economia, conservadoras nos costumes ou cr\u00edticas a correntes te\u00f3ricas hegem\u00f4nicas) como minorit\u00e1rias no grupo tendem a se calar por medo do isolamento social ou de retalia\u00e7\u00e3o acad\u00eamica (como avalia\u00e7\u00f5es subjetivas de trabalhos e bancas).Outros pesquisadores contestam essa percep\u00e7\u00e3o e sustentam que faltam evid\u00eancias sistem\u00e1ticas de doutrina\u00e7\u00e3o institucionalizada. O tema permanece objeto de intenso debate.<br \/>\nH\u00e1 ainda quest\u00f5es relacionadas \u00e0 conviv\u00eancia cotidiana nos campi. \u00c9 comum encontrar relatos sobre consumo de \u00e1lcool e, em alguns locais, uso ostensivo de drogas il\u00edcitas em \u00e1reas abertas das universidades. Embora essa realidade varie significativamente entre institui\u00e7\u00f5es e n\u00e3o caracterize a totalidade dos campi, ela alimenta cr\u00edticas sobre a dificuldade de garantir seguran\u00e7a, preservar o patrim\u00f4nio p\u00fablico e assegurar um ambiente adequado ao ensino e \u00e0 pesquisa. Enquanto isso, os desafios acad\u00eamicos tornam-se cada vez maiores.<br \/>\nA competi\u00e7\u00e3o internacional por produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e forma\u00e7\u00e3o de pesquisadores intensificou-se nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Pa\u00edses asi\u00e1ticos ampliaram maci\u00e7amente seus investimentos em universidades. Estados Unidos e Europa continuam concentrando boa parte dos centros de excel\u00eancia. A China transformou o ensino superior em prioridade estrat\u00e9gica nacional. O Brasil, por sua vez, enfrenta dificuldades para acompanhar esse ritmo. Nos principais rankings internacionais, poucas universidades brasileiras conseguem manter posi\u00e7\u00f5es de destaque. Embora continuem figurando entre as melhores da Am\u00e9rica Latina, ainda enfrentam limita\u00e7\u00f5es significativas quando comparadas aos grandes centros mundiais de pesquisa. Al\u00e9m disso, indicadores de inova\u00e7\u00e3o, transfer\u00eancia tecnol\u00f3gica e registro de patentes permanecem aqu\u00e9m do potencial cient\u00edfico do pa\u00eds. Essa realidade n\u00e3o pode ser atribu\u00edda exclusivamente \u00e0 falta de recursos. Gest\u00e3o eficiente, planejamento estrat\u00e9gico, avalia\u00e7\u00e3o permanente de desempenho, internacionaliza\u00e7\u00e3o, aproxima\u00e7\u00e3o com o setor produtivo e autonomia administrativa tamb\u00e9m desempenham papel decisivo na qualidade universit\u00e1ria. Os sistemas mais bem-sucedidos combinam financiamento adequado com mecanismos transparentes de cobran\u00e7a por resultados.<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada:<br \/>\n&#8220;A universidade precisa estar aberta \u00e0 realidade inteira do seu tempo, precisa imergir no espa\u00e7o p\u00fablico&#8230; Quando ela se fecha em dogmas ou se isola em si mesma, ela deserta de sua miss\u00e3o universal e torna-se um casar\u00e3o de espectros.&#8221; Jos\u00e9 Ortega y Gasset<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<br \/>\nUm amigo nosso saiu de Fortaleza porque o povo vivia em muitas dificuldades, e a cidade tinha clubes demais. Veio para Bras\u00edlia, ouviu o que dizem os comerciantes, os gerentes de bancos, recebeu, no mesmo dia, proposta para comprar 15 a\u00e7\u00f5es de clubes diferentes, fechou a mala, marcou a passagem e foi embora. (Publicada em 24.05.1962)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO *Criada por Ari Cunha DESDE 1960 hoje Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com *Gemini Poucas imagens conseguem sintetizar t\u00e3o bem uma crise institucional quanto aquela oferecida por parte dos campi de universidades p\u00fablicas brasileiras. 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