{"id":27593,"date":"2026-07-10T08:26:40","date_gmt":"2026-07-10T11:26:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27593"},"modified":"2026-07-16T08:27:56","modified_gmt":"2026-07-16T11:27:56","slug":"a-economia-e-o-que-se-ve-a-olho-nu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-economia-e-o-que-se-ve-a-olho-nu\/","title":{"rendered":"A economia \u00e9 o que se v\u00ea a olho nu"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO<br \/>\n*Criada por Ari Cunha DESDE 1960<\/p>\n<p>Hoje com Circe Cunha e Manoel de Andrade &#8211; MAMFIL<\/p>\n<p>De acordo com o Cadastro \u00danico (Cad\u00danico) e do Observat\u00f3rio Brasileiro de Pol\u00edticas P\u00fablicas com Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua (OBPopRua\/UFMG) em junho desse ano (2026) 392.400 pessoas viviam em situa\u00e7\u00e3o de rua em todo o pa\u00eds. Esse n\u00famero \u00e9 quase o dobro de dezembro de 2022, quando o registro era de 198.700. Ou seja, houve um aumento de 97,4%. Na verdade. n\u00e3o \u00e9 preciso consultar organismos oficiais para verificar que o n\u00famero de mendigos e moradores de rua tem aumentado exponencialmente em todas as cidades brasileiras. N\u00e3o h\u00e1 uma pra\u00e7a sequer ou \u00e1rea verde que n\u00e3o estejam tomadas por fam\u00edlias inteiras, vivendo ao relento, em marquises, pontes ao\u00a0 em debaixo de lonas de pl\u00e1stico. Observe que esses s\u00e3o n\u00fameros oficiais. Na realidade esses n\u00fameros s\u00e3o significativamente maiores do que os divulgados e h\u00e1 quem diga que existem hoje mais de meio milh\u00e3o de pessoas vivendo nas ruas do pa\u00eds, sem quaisquer direitos ou obriga\u00e7\u00f5es civis. Apesar de declara\u00e7\u00f5es garantirem que esses n\u00fameros s\u00e3o bem menores, n\u00e3o h\u00e1 como esconder essa imensa popula\u00e7\u00e3o desamparada dos olhos da popula\u00e7\u00e3o.\u00a0 Poucas estat\u00edsticas conseguem retratar com tanta for\u00e7a o estado real de um pa\u00eds quanto o n\u00famero de pessoas que vivem nas ruas.<br \/>\nMesmo que o Produto Interno Bruto possa crescer, a arrecada\u00e7\u00e3o aumentar, bolsas de valores podem atingir recordes e governos podem anunciar sucessivos programas sociais. Independentemente das discuss\u00f5es metodol\u00f3gicas sobre os levantamentos, h\u00e1 um fato que dispensa qualquer planilha estat\u00edstica. Basta caminhar pelas cidades brasileiras. Pra\u00e7as antes ocupadas por crian\u00e7as brincando transformaram-se em acampamentos improvisados. Viadutos converteram-se em dormit\u00f3rios permanentes. Canteiros centrais passaram a servir de resid\u00eancia. \u00c1reas verdes, parques urbanos e terrenos p\u00fablicos foram ocupados por barracas, colch\u00f5es e lonas pl\u00e1sticas. A pobreza deixou de ser um dado estat\u00edstico. Passou a fazer parte da paisagem urbana. As grandes capitais concentram a maior parte dessa popula\u00e7\u00e3o, mas o fen\u00f4meno j\u00e1 alcan\u00e7a cidades m\u00e9dias e at\u00e9 pequenos munic\u00edpios. O que antes parecia restrito aos grandes centros tornou-se uma realidade nacional.<br \/>\n\u00c9 verdade que per\u00edodos prolongados de baixo crescimento econ\u00f4mico costumam ampliar a vulnerabilidade social. Economias que geram poucos empregos formais oferecem menos oportunidades para fam\u00edlias que j\u00e1 vivem em situa\u00e7\u00e3o de fragilidade. O debate p\u00fablico, entretanto, frequentemente transforma uma quest\u00e3o humana em disputa pol\u00edtica.<br \/>\nA realidade possui uma caracter\u00edstica inconveniente. Ela n\u00e3o desaparece porque algu\u00e9m decide ignor\u00e1-la. Esse crescimento de desamparados tamb\u00e9m imp\u00f5e novos desafios \u00e0s cidades. Servi\u00e7os de sa\u00fade enfrentam maior demanda. Redes de assist\u00eancia social tornam-se insuficientes. A seguran\u00e7a p\u00fablica convive com situa\u00e7\u00f5es cada vez mais complexas. Comerciantes, moradores e usu\u00e1rios dos espa\u00e7os urbanos passam a disputar \u00e1reas que deveriam cumprir fun\u00e7\u00f5es coletivas. A consequ\u00eancia \u00e9 uma deteriora\u00e7\u00e3o gradual da conviv\u00eancia urbana. Ao mesmo tempo, cresce o risco de naturaliza\u00e7\u00e3o do problema. Uma sociedade acostuma-se lentamente com aquilo que deveria consider\u00e1-lo intoler\u00e1vel. Esse talvez seja o aspecto mais preocupante. A pobreza extrema deixa de ser percebida como emerg\u00eancia e transforma-se em cen\u00e1rio permanente.<br \/>\nNosso pa\u00eds ocupa posi\u00e7\u00e3o relevante entre as maiores economias do planeta. Possui uma das maiores produ\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas do mundo, amplo parque industrial, sistema financeiro sofisticado e enorme capacidade produtiva. Ainda assim, convive com um contingente expressivo de cidad\u00e3os privados das condi\u00e7\u00f5es mais elementares de exist\u00eancia. Essa contradi\u00e7\u00e3o merece reflex\u00e3o. O \u00cdndice de Desenvolvimento Humano n\u00e3o mede apenas renda. Considera tamb\u00e9m educa\u00e7\u00e3o e expectativa de vida. Mais do que isso, procura avaliar o interesse de um governo em oferecer oportunidades concretas para que seus cidad\u00e3os desenvolvam plenamente suas potencialidades. N\u00e3o basta produzir riqueza. \u00c9 necess\u00e1rio criar condi\u00e7\u00f5es para que essa riqueza se traduza em melhoria efetiva da qualidade de vida. O desafio n\u00e3o ser\u00e1 resolvido por um \u00fanico programa governamental nem por solu\u00e7\u00f5es simplistas. Exige que parte da sociedade exija crescimento econ\u00f4mico sustentado, pol\u00edticas p\u00fablicas eficientes, aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade mental, combate \u00e0s depend\u00eancias qu\u00edmicas, qualifica\u00e7\u00e3o profissional, amplia\u00e7\u00e3o da oferta habitacional e melhor coordena\u00e7\u00e3o entre Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios.<br \/>\nMais do que um problema estat\u00edstico, a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua tornou-se um dos retratos mais vis\u00edveis das dificuldades de gest\u00e3o do governo brasileiro. O verdadeiro desenvolvimento n\u00e3o se mede apenas pela expans\u00e3o da economia ou pelo volume de investimentos anunciados. Mede-se tamb\u00e9m pela capacidade de reduzir a vulnerabilidade humana e de assegurar que a dignidade deixe de ser privil\u00e9gio de alguns para tornar-se uma condi\u00e7\u00e3o acess\u00edvel ao conjunto da popula\u00e7\u00e3o. Enquanto centenas de milhares de brasileiros continuarem vivendo sem moradia est\u00e1vel, sem escolas que preparem para o futuro, sem acesso regular a pol\u00edticas de emprego que valorizem a pr\u00f3pria for\u00e7a e sem perspectivas concretas de reintegra\u00e7\u00e3o social, permanecer\u00e1 aberta uma dist\u00e2ncia significativa entre o discurso e a pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada:<br \/>\n\u201cH\u00e1 o suficiente no mundo para as necessidades de todos, mas n\u00e3o o suficiente para a gan\u00e2ncia de todos.\u201d<br \/>\nFrank Buchman<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<br \/>\nO padre Jos\u00e9 Bertoldo \u00e9 o unico do mundo que tem 64 igrejas. \u00c9 que \u00eale \u00e9 p\u00e1roco da Asa Norte e celebra nos pilotis dos 64 blocos residenciais daquela Asa. (Publicada em 24.05.1962)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO *Criada por Ari Cunha DESDE 1960 Hoje com Circe Cunha e Manoel de Andrade &#8211; MAMFIL De acordo com o Cadastro \u00danico (Cad\u00danico) e do Observat\u00f3rio Brasileiro de Pol\u00edticas P\u00fablicas com Popula\u00e7\u00e3o em Situa\u00e7\u00e3o de Rua (OBPopRua\/UFMG) em junho desse ano (2026) 392.400 pessoas viviam em situa\u00e7\u00e3o de rua em todo o pa\u00eds. Esse n\u00famero \u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-27593","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-integra-integra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27593","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27593"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27593\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27594,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27593\/revisions\/27594"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27593"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27593"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27593"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}