{"id":27584,"date":"2026-07-16T08:24:01","date_gmt":"2026-07-16T11:24:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27584"},"modified":"2026-07-16T08:35:12","modified_gmt":"2026-07-16T11:35:12","slug":"a-razao-de-estado-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-razao-de-estado-2\/","title":{"rendered":"A Igreja diante da possibilidade de um novo cisma"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO<br \/>\n*Criada por Ari Cunha DESDE 1960<\/p>\n<p>hoje<\/p>\n<p>Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade<\/p>\n<p>Ao longo de seus dois mil anos de hist\u00f3ria, poucas amea\u00e7as mostraram-se t\u00e3o perigosas para a Igreja Cat\u00f3lica quanto aquelas que nasceram dentro de seus pr\u00f3prios muros. Persegui\u00e7\u00f5es externas, imp\u00e9rios hostis, revolu\u00e7\u00f5es anticrist\u00e3s e regimes totalit\u00e1rios jamais conseguiram destruir a Igreja. As maiores crises surgiram quando parte de sua pr\u00f3pria hierarquia passou a divergir sobre quest\u00f5es doutrin\u00e1rias, disciplinares ou pastorais. Foi assim no Grande Cisma do Oriente, em 1054. Foi assim durante a Reforma Protestante do s\u00e9culo XVI. Em todos esses momentos, o problema n\u00e3o estava apenas nas for\u00e7as que pressionavam a Igreja de fora para dentro, mas tamb\u00e9m na incapacidade de preservar a unidade em torno daquilo que sempre foi considerado imut\u00e1vel.<br \/>\n\u00c9 nesse contexto que chamam aten\u00e7\u00e3o as recentes declara\u00e7\u00f5es do bispo Jan Pawe\u0142 Lenga, bispo em\u00e9rito de Karaganda, no Cazaquist\u00e3o. Em um texto que circulou amplamente entre grupos cat\u00f3licos tradicionalistas, ele afirma que &#8220;cargos-chave est\u00e3o sendo cada vez mais ocupados por pessoas completamente corrompidas pelo mundo&#8221; e sustenta que determinados cardeais e bispos &#8220;j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam absolutamente nada em comum com a Igreja de Cristo&#8221;. Para Lenga, aqueles que acusam outros de provocar divis\u00f5es seriam justamente os respons\u00e1veis por um cisma silencioso em curso. Trata-se de uma acusa\u00e7\u00e3o grav\u00edssima. Mais do que uma cr\u00edtica administrativa ou disciplinar, ela atinge o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o da autoridade eclesi\u00e1stica. O termo &#8220;cisma&#8221;, na tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, significa a ruptura da comunh\u00e3o com a autoridade leg\u00edtima da Igreja. Historicamente, essa palavra nunca foi utilizada de forma leviana. Seu emprego sempre esteve associado a acontecimentos capazes de alterar profundamente o destino do cristianismo. \u00c9 evidente que essa n\u00e3o \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o oficial da Igreja Cat\u00f3lica. A Santa S\u00e9 continua afirmando que o Conc\u00edlio Vaticano II deve ser interpretado em continuidade com toda a tradi\u00e7\u00e3o anterior, e n\u00e3o como uma ruptura.<br \/>\nDiversos te\u00f3logos sustentam que as reformas lit\u00fargicas e pastorais buscaram responder aos desafios do mundo contempor\u00e2neo sem modificar os dogmas fundamentais da f\u00e9. Em outras palavras, os dogmas fundamentais permanecem os mesmos, enquanto a liturgia, a linguagem, os m\u00e9todos pastorais e o relacionamento da Igreja com a sociedade podem ser renovados para responder \u00e0s necessidades de cada \u00e9poca.<\/p>\n<p>Essa interpreta\u00e7\u00e3o tornou-se especialmente influente ap\u00f3s a formula\u00e7\u00e3o da &#8220;hermen\u00eautica da continuidade&#8221; por Bento XVI, que procurou mostrar que as reformas conciliares devem ser lidas como um desenvolvimento org\u00e2nico da tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, e n\u00e3o como uma ruptura com ela. Entretanto, seria igualmente um erro ignorar que existe hoje um debate interno de grandes propor\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEm diferentes pa\u00edses, bispos, cardeais, sacerdotes e intelectuais cat\u00f3licos manifestam preocupa\u00e7\u00e3o com temas que v\u00e3o desde a liturgia at\u00e9 quest\u00f5es morais envolvendo casamento, sexualidade, comunh\u00e3o, ecumenismo e sinodalidade. N\u00e3o se trata de uma discuss\u00e3o perif\u00e9rica, mas de um confronto entre diferentes compreens\u00f5es sobre a miss\u00e3o da Igreja no s\u00e9culo XXI. Nomes como o cardeal Raymond Burke, o cardeal Gerhard Ludwig M\u00fcller, o bispo Athanasius Schneider e o pr\u00f3prio arcebispo Carlo Maria Vigan\u00f2 t\u00eam expressado cr\u00edticas contundentes a diversos rumos adotados nos \u00faltimos anos, ainda que cada um o fa\u00e7a em graus e fundamentos distintos. Alguns falam em crise doutrin\u00e1ria. Outros preferem falar em crise pastoral. H\u00e1 ainda aqueles que enxergam uma crescente influ\u00eancia da cultura secular sobre decis\u00f5es e documentos eclesiais.<br \/>\nO temor manifestado por esses setores \u00e9 o de que, na tentativa de dialogar com o mundo contempor\u00e2neo, a Igreja acabe assimilando categorias culturais incompat\u00edveis com sua tradi\u00e7\u00e3o bimilenar. Para esses cr\u00edticos, a preocupa\u00e7\u00e3o excessiva com adapta\u00e7\u00e3o social poderia levar ao enfraquecimento da identidade cat\u00f3lica. Por outro lado, muitos bispos e te\u00f3logos argumentam exatamente o contr\u00e1rio. Sustentam que a evangeliza\u00e7\u00e3o exige novas linguagens e novas formas de presen\u00e7a pastoral, sem que isso implique abandono da doutrina. Segundo essa perspectiva, a Igreja sempre passou por processos de desenvolvimento e atualiza\u00e7\u00e3o ao longo da hist\u00f3ria, preservando o dep\u00f3sito da f\u00e9 enquanto adaptava sua a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria \u00e0s circunst\u00e2ncias de cada \u00e9poca. O fato \u00e9 que a tens\u00e3o existe e dificilmente pode ser ignorada. A pr\u00f3pria hist\u00f3ria demonstra que grandes divis\u00f5es nunca surgem de um dia para o outro. Elas costumam ser precedidas por anos de debates, incompreens\u00f5es, acusa\u00e7\u00f5es m\u00fatuas e perda gradual da confian\u00e7a entre diferentes setores da mesma comunidade. Tamb\u00e9m merece reflex\u00e3o o uso recorrente da imagem b\u00edblica do &#8220;lobo entre as ovelhas&#8221;. A met\u00e1fora aparece nos Evangelhos como advert\u00eancia contra falsos mestres e falsos profetas.<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada:<br \/>\n&#8220;O maior entre v\u00f3s seja como o mais jovem, e aquele que governa como quem serve.&#8221;<br \/>\nJesus Cristo<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<br \/>\nDona Elba Sette C\u00e2mara foi ao Hospital Distrital, solicitou uma rela\u00e7\u00e3o de material, levou para as crian\u00e7as, socorreu-as, e, embora tenha provocado uma crise administrativa, salvou muitas crian\u00e7as e adultos. (Publicada em 24.05.1962)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO *Criada por Ari Cunha DESDE 1960 hoje Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade Ao longo de seus dois mil anos de hist\u00f3ria, poucas amea\u00e7as mostraram-se t\u00e3o perigosas para a Igreja Cat\u00f3lica quanto aquelas que nasceram dentro de seus pr\u00f3prios muros. Persegui\u00e7\u00f5es externas, imp\u00e9rios hostis, revolu\u00e7\u00f5es anticrist\u00e3s e regimes totalit\u00e1rios jamais conseguiram destruir a Igreja. 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