{"id":27582,"date":"2026-07-09T08:31:36","date_gmt":"2026-07-09T11:31:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27582"},"modified":"2026-07-16T08:32:24","modified_gmt":"2026-07-16T11:32:24","slug":"27582-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/27582-2\/","title":{"rendered":"O fim do pesadelo e a volta a realidade"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO<br \/>\n*Criada por Ari Cunha DESDE 1960<\/p>\n<p>hoje<\/p>\n<p>Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade<\/p>\n<div><\/div>\n<div>Com a queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989, encerrava-se\u00a0 um dos cap\u00edtulos mais dram\u00e1ticos da hist\u00f3ria contempor\u00e2nea. N\u00e3o foi apenas o colapso de um muro de concreto. Foi o desmoronamento de uma vis\u00e3o de mundo que durante d\u00e9cadas prometera igualdade, prosperidade e justi\u00e7a social, mas que entregou escassez, repress\u00e3o pol\u00edtica, economia estagnada e milh\u00f5es de vidas destru\u00eddas. Finalmente a Europa Oriental despertava de um longo pesadelo. Quem percorreu aqueles pa\u00edses nos primeiros anos ap\u00f3s o desaparecimento da Cortina de Ferro encontrou um cen\u00e1rio dif\u00edcil de esquecer. Ruas deterioradas, f\u00e1bricas obsoletas, edif\u00edcios cinzentos, infraestrutura envelhecida e uma popula\u00e7\u00e3o que, embora finalmente livre para escolher seus governantes, ainda carregava no rosto as marcas de quase meio s\u00e9culo de planejamento centralizado. Era como visitar uma parte da Europa que havia permanecido congelada no tempo, atrasada e arruinada. Pol\u00f4nia, Hungria, Rom\u00eania, Bulg\u00e1ria, Tchecoslov\u00e1quia, Alemanha Oriental e os pa\u00edses b\u00e1lticos iniciavam praticamente do zero uma reconstru\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, institucional e cultural. O desafio era gigantesco. N\u00e3o bastava substituir bandeiras, derrubar est\u00e1tuas de Lenin ou realizar elei\u00e7\u00f5es livres. Era necess\u00e1rio reconstruir h\u00e1bitos, mentalidades e institui\u00e7\u00f5es moldadas durante gera\u00e7\u00f5es por um regime em que o Estado decidia praticamente tudo. Economias planejadas n\u00e3o produzem empres\u00e1rios. Produzem sim, administradores de escassez.<\/div>\n<div>D\u00e9cadas de aus\u00eancia de concorr\u00eancia haviam eliminado a cultura da efici\u00eancia. A qualidade dos produtos importava pouco quando n\u00e3o existia competi\u00e7\u00e3o. O consumidor n\u00e3o escolhia. Aceitava aquilo que havia nas prateleiras. Quando o capitalismo finalmente chegou, muitos imaginaram que sua ess\u00eancia consistia simplesmente em cobrar o maior pre\u00e7o poss\u00edvel. Em diversas cidades da antiga Europa comunista, turistas estrangeiros eram frequentemente vistos como oportunidade \u00fanica para compensar anos de priva\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Hot\u00e9is, t\u00e1xis, restaurantes e pequenos com\u00e9rcios praticavam pre\u00e7os muitas vezes incompat\u00edveis com a qualidade oferecida. N\u00e3o era exatamente capitalismo. Era sobreviv\u00eancia. O mercado livre exige algo muito mais complexo do que liberdade de pre\u00e7os. Exige seguran\u00e7a jur\u00eddica, concorr\u00eancia, investimento, inova\u00e7\u00e3o, produtividade, confian\u00e7a institucional e respeito aos contratos.<\/div>\n<div>Apesar das enormes dificuldades, muitos desses pa\u00edses conseguiram avan\u00e7ar. Pol\u00f4nia, Rep\u00fablica Tcheca, Est\u00f4nia e outros integrantes do antigo bloco sovi\u00e9tico transformaram-se em economias competitivas, atra\u00edram investimentos, ampliaram exporta\u00e7\u00f5es e elevaram significativamente sua renda per capita. A mem\u00f3ria do comunismo permaneceu viva. Talvez exatamente por isso, grande parte dessas sociedades desenvolveu profunda desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a qualquer projeto pol\u00edtico que implique excessiva concentra\u00e7\u00e3o de poder nas estruturas estatais ou supranacionais. \u00c9 nesse ponto que emerge um novo debate. Para alguns analistas, a integra\u00e7\u00e3o europeia representa um extraordin\u00e1rio projeto de paz, coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e fortalecimento institucional ap\u00f3s s\u00e9culos de guerras. Para outros, determinadas tend\u00eancias recentes da Uni\u00e3o Europeia caminham para uma crescente centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e regulat\u00f3ria, reduzindo a autonomia dos Estados nacionais e enfraquecendo tradi\u00e7\u00f5es culturais locais. Essa segunda interpreta\u00e7\u00e3o costuma utilizar o termo &#8220;globalismo&#8221; para descrever esse processo. Seus cr\u00edticos sustentam que, sob o argumento da harmoniza\u00e7\u00e3o internacional, amplia-se progressivamente o poder de burocracias supranacionais sobre pol\u00edticas migrat\u00f3rias, ambientais, econ\u00f4micas e culturais que antes pertenciam aos parlamentos nacionais. Seus defensores respondem que muitos dos grandes desafios contempor\u00e2neos como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com\u00e9rcio internacional, terrorismo, migra\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a energ\u00e9tica\u00a0 exigem justamente maior coopera\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses.<\/div>\n<div>A hist\u00f3ria europeia do s\u00e9culo XX demonstra como sociedades altamente civilizadas podem, em poucos anos, entregar parcela significativa de sua autonomia em troca de promessas grandiosas de seguran\u00e7a, igualdade ou prosperidade. Nenhum regime autorit\u00e1rio come\u00e7a anunciando que restringir\u00e1 liberdades. Todos prometem resolver problemas. A Europa Oriental conheceu essa experi\u00eancia de forma particularmente dolorosa. Milh\u00f5es viveram sob censura, pol\u00edcia pol\u00edtica, economia dirigida e aus\u00eancia de elei\u00e7\u00f5es livres. A reconstru\u00e7\u00e3o iniciada em 1989 demonstrou que recuperar institui\u00e7\u00f5es \u00e9 muito mais dif\u00edcil do que as destruir. Essa talvez seja a principal heran\u00e7a daquele per\u00edodo.<\/div>\n<div>A hist\u00f3ria raramente se repete da mesma forma. Mas frequentemente apresenta dilemas semelhantes sob novas roupagens. A experi\u00eancia do s\u00e9culo XX permanece como um convite permanente \u00e0 prud\u00eancia diante de projetos pol\u00edticos que concentrem poder, reduzam espa\u00e7os de dissenso ou proponham solu\u00e7\u00f5es simples para problemas complexos. \u00c9 justamente por isso que a queda do Muro de Berlim continua sendo um dos acontecimentos mais importantes da hist\u00f3ria contempor\u00e2nea. N\u00e3o apenas porque encerrou uma ordem geopol\u00edtica, mas porque lembrou ao mundo que liberdade, prosperidade e democracia dependem menos de promessas ideol\u00f3gicas do que da solidez das institui\u00e7\u00f5es e da capacidade das sociedades de preservar, gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o, o espa\u00e7o da cr\u00edtica, da pluralidade e da responsabilidade pol\u00edtica.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A frase que foi pronunciada: \u201cA solu\u00e7\u00e3o do problema alem\u00e3o depender\u00e1 de decis\u00f5es em n\u00edvel pol\u00edtico internacional. Mas h\u00e1 muito a ser feito dentro da Alemanha em prol da Europa, da democracia e da paz. Existem for\u00e7as positivas dentro do povo alem\u00e3o que poder\u00e3o deixar sua marca nos acontecimentos futuros.\u201d<\/div>\n<div>Willy Brandt, em novembro de 1957<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/div>\n<div>De t\u00f4das as \u00e1rvores plantadas na W-3, as mais bonitas s\u00e3o as magn\u00f3lias, em frente \u00e0s casas da ECEL, que come\u00e7ar\u00e3o a florir dentro em pouco.(Publicada em 26.05.1962)<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO *Criada por Ari Cunha DESDE 1960 hoje Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade Com a queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989, encerrava-se\u00a0 um dos cap\u00edtulos mais dram\u00e1ticos da hist\u00f3ria contempor\u00e2nea. N\u00e3o foi apenas o colapso de um muro de concreto. 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