{"id":27579,"date":"2026-07-19T10:10:10","date_gmt":"2026-07-19T13:10:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27579"},"modified":"2026-07-19T10:44:29","modified_gmt":"2026-07-19T13:44:29","slug":"as-universalidades-esquecidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/as-universalidades-esquecidas\/","title":{"rendered":"Entre Z\u00e9 Carioca e Tio Sam"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>VISTO, LIDO E OUVIDO<br \/>\n*Criada por Ari Cunha DESDE 1960<\/p>\n<p>hoje<\/p>\n<p>Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Criado por Walt Disney em 1942, durante a Pol\u00edtica da Boa Vizinhan\u00e7a, Z\u00e9 Carioca nasceu como um s\u00edmbolo da aproxima\u00e7\u00e3o entre Brasil e Estados Unidos. Elegante, simp\u00e1tico, dono de conversa f\u00e1cil e de um talento quase sobrenatural para escapar das dificuldades, o papagaio brasileiro tornou-se um dos personagens mais conhecidos dos quadrinhos mundiais. Representava um Brasil cordial, criativo, improvisador e profundamente confiante na for\u00e7a da pr\u00f3pria l\u00e1bia. Passadas mais de oito d\u00e9cadas, o personagem continua servindo como met\u00e1fora \u00fatil para compreender certos momentos da vida pol\u00edtica nacional.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-27612\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/tioze.png\" alt=\"\" width=\"475\" height=\"259\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/tioze.png 475w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/tioze-300x164.png 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/tioze-230x125.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 475px) 100vw, 475px\" \/><\/p>\n<p>(Gemini)<\/p>\n<p>Na diplomacia, como na vida, existe uma diferen\u00e7a fundamental entre simpatia e poder. A boa conversa pode abrir portas. N\u00e3o substitui interesses nacionais. A habilidade ret\u00f3rica pode aliviar tens\u00f5es. N\u00e3o altera a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre pa\u00edses. Grandes pot\u00eancias negociam com base em interesses estrat\u00e9gicos permanentes, muito mais do que em afinidades pessoais entre governantes. Foi justamente essa li\u00e7\u00e3o que a hist\u00f3ria da diplomacia ensina repetidas vezes. Os Estados Unidos mantiveram rela\u00e7\u00f5es estreitas com governos democr\u00e1ticos e autorit\u00e1rios, conservadores e progressistas, republicanos e socialistas, sempre que seus interesses nacionais assim recomendaram. A China faz exatamente o mesmo. R\u00fassia, \u00cdndia e Uni\u00e3o Europeia seguem l\u00f3gica semelhante.<br \/>\nNa pol\u00edtica internacional, amizades s\u00e3o circunstanciais. Interesses costumam ser permanentes. Por isso, encontros entre chefes de Estado raramente podem ser avaliados apenas pelas imagens produzidas para a imprensa. Um aperto de m\u00e3o n\u00e3o significa converg\u00eancia estrat\u00e9gica. Um sorriso diante das c\u00e2meras n\u00e3o elimina diverg\u00eancias comerciais, tecnol\u00f3gicas ou geopol\u00edticas. O Brasil ocupa posi\u00e7\u00e3o singular nesse tabuleiro. \u00c9 a maior economia da Am\u00e9rica Latina, possui enormes reservas minerais, enorme produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, matriz energ\u00e9tica relativamente limpa e import\u00e2ncia crescente na seguran\u00e7a alimentar mundial. Justamente por isso desperta o interesse simult\u00e2neo de Washington, Pequim, Bruxelas e Moscou. Essa condi\u00e7\u00e3o exige uma diplomacia extremamente cuidadosa. Qualquer percep\u00e7\u00e3o de alinhamento autom\u00e1tico ou de antagonismo permanente tende a reduzir a margem de manobra brasileira.<br \/>\nA tradi\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica constru\u00edda pelo Itamaraty ao longo de d\u00e9cadas sempre buscou preservar autonomia, previsibilidade e capacidade de di\u00e1logo com diferentes polos internacionais. Nos \u00faltimos anos, entretanto, a pol\u00edtica externa brasileira tornou-se mais polarizada internamente. Decis\u00f5es diplom\u00e1ticas passaram a ser interpretadas tamb\u00e9m sob a \u00f3tica da disputa pol\u00edtica dom\u00e9stica. Isso elevou o custo de cada gesto e aumentou a repercuss\u00e3o de cada declara\u00e7\u00e3o presidencial. Nesse ambiente, a met\u00e1fora de Z\u00e9 Carioca volta a fazer sentido. O personagem acreditava que intelig\u00eancia improvisada bastava para resolver praticamente qualquer situa\u00e7\u00e3o. Muitas vezes conseguia. Outras tantas descobria que havia interlocutores igualmente experientes, conhecedores das regras do jogo e pouco suscet\u00edveis ao charme do improviso. A pol\u00edtica internacional raramente recompensa improvisa\u00e7\u00f5es, corpo a corpo ou conex\u00e3o descontra\u00edda e despreparada. Negocia\u00e7\u00f5es entre pa\u00edses envolvem cadeias produtivas, investimentos bilion\u00e1rios, seguran\u00e7a nacional, tecnologia, com\u00e9rcio exterior e alian\u00e7as militares.<br \/>\nQuando uma governante aposta na informalidade e na quebra de protocolos, o argumento de seus defensores \u00e9 que isso humaniza a lideran\u00e7a, abre canais diretos de di\u00e1logo e projeta um soft power aut\u00eantico no exterior. No entanto, o contra-argumento que ganha muita for\u00e7a em momentos de crise econ\u00f4mica ou de impasses diplom\u00e1ticos s\u00e9rios \u00e9 o de que a liturgia do cargo n\u00e3o \u00e9 mero capricho est\u00e9tico. Ela serve para blindar a imagem do pa\u00eds e garantir que as negocia\u00e7\u00f5es de alto n\u00edvel sejam tratadas com a gravidade que os interesses nacionais exigem. Ao longo da hist\u00f3ria, pa\u00edses que confundiram ret\u00f3rica com estrat\u00e9gia acabaram reduzindo sua influ\u00eancia internacional. Os que preservaram institui\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas profissionais conseguiram atravessar mudan\u00e7as de governo mantendo credibilidade perante diferentes parceiros. O verdadeiro patrim\u00f4nio de uma pol\u00edtica externa n\u00e3o \u00e9 o brilho moment\u00e2neo de uma fotografia nem o impacto de uma declara\u00e7\u00e3o. \u00c9 a confian\u00e7a acumulada durante d\u00e9cadas de comportamento previs\u00edvel. Z\u00e9 Carioca permanece um personagem fascinante justamente porque simboliza um tra\u00e7o conhecido da cultura brasileira: a cren\u00e7a de que criatividade e improvisa\u00e7\u00e3o sempre encontrar\u00e3o uma sa\u00edda. Na vida cotidiana, isso pode at\u00e9 funcionar. Na geopol\u00edtica, entretanto, costuma prevalecer uma m\u00e1xima muito mais antiga: nem sempre quem parece ing\u00eanuo realmente o \u00e9, e quase nunca as grandes pot\u00eancias entram numa negocia\u00e7\u00e3o sem conhecer, com anteced\u00eancia, todos os interesses que pretendem defender. Entre a simpatia do papagaio e o pragmatismo das rela\u00e7\u00f5es internacionais existe uma dist\u00e2ncia que nenhuma boa conversa consegue eliminar. \u00c9 nessa dist\u00e2ncia que se decide o espa\u00e7o de um pa\u00eds no cen\u00e1rio mundial.<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada:<br \/>\n&#8220;Lula \u00e9 o presidente que o Brasil merece\u201d<br \/>\nCelso Amorim<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<br \/>\nA primeira disputa pela presid\u00eancia da Novacap partiu do PTB de Goi\u00e1s. Fala-se na f\u00f4r\u00e7a que os pol\u00edticos est\u00e3o fazendo para substituir o dr. Afr\u00e2nio Barbosa pelo deputado Haroldo Duarte, vice-presidente da Assembl\u00e9ia Legislativa de Goi\u00e1s. (Publicada em 24.05.1962)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; VISTO, LIDO E OUVIDO *Criada por Ari Cunha DESDE 1960 hoje Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Criado por Walt Disney em 1942, durante a Pol\u00edtica da Boa Vizinhan\u00e7a, Z\u00e9 Carioca nasceu como um s\u00edmbolo da aproxima\u00e7\u00e3o entre Brasil e Estados Unidos. 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