{"id":27572,"date":"2026-07-27T10:38:18","date_gmt":"2026-07-27T13:38:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27572"},"modified":"2026-07-27T10:35:04","modified_gmt":"2026-07-27T13:35:04","slug":"planejamento-central-na-educacao-sem-sucesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/planejamento-central-na-educacao-sem-sucesso\/","title":{"rendered":"\u00a0\u00a0\u00a0 Planejamento central na educa\u00e7\u00e3o sem sucesso"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO<br \/>\n*Criada por Ari Cunha DESDE 1960<\/p>\n<p>hoje<\/p>\n<p>Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Poucas experi\u00eancias hist\u00f3ricas fracassaram tanto quanto a tentativa de substituir milh\u00f5es de decis\u00f5es individuais pela vontade de um pequeno grupo de planejadores. Sempre que governos imaginaram ser capazes de decidir, de cima para baixo, o que uma sociedade inteira deveria produzir, consumir, pensar ou aprender, os resultados foram semelhantes: desperd\u00edcio, burocracia, estagna\u00e7\u00e3o e perda de qualidade. Na economia esse fen\u00f4meno ficou conhecido como o problema do c\u00e1lculo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Ludwig von Mises demonstrou, ainda na d\u00e9cada de 1920, que nenhum planejador consegue reunir todas as informa\u00e7\u00f5es espalhadas por uma sociedade para tomar decis\u00f5es melhores do que aquelas produzidas espontaneamente por milh\u00f5es de indiv\u00edduos. Ou seja, pelo mercado. Friedrich Hayek aprofundou essa an\u00e1lise ao mostrar que o conhecimento est\u00e1 disperso entre pessoas, fam\u00edlias, empresas e comunidades, tornando imposs\u00edvel sua concentra\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os do Estado.<\/p>\n<p>Como dizia o fil\u00f3sofo de Mondubim, a verdade est\u00e1 espalhada no ar. Na educa\u00e7\u00e3o brasileira parece ocorrer exatamente o mesmo fen\u00f4meno. Bras\u00edlia insiste em acreditar que conhece as necessidades de quase cinquenta milh\u00f5es de estudantes distribu\u00eddos por um pa\u00eds continental. A cada novo Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, Base Nacional Comum Curricular ou diretriz ministerial, aumenta a quantidade de normas, compet\u00eancias, habilidades, indicadores e metas burocr\u00e1ticas. Diminui, entretanto, aquilo que realmente interessa: ensinar portugu\u00eas, matem\u00e1tica, ci\u00eancias, hist\u00f3ria e desenvolver pensamento cr\u00edtico.<\/p>\n<p>Enquanto o governo central produz milhares de p\u00e1ginas de regulamenta\u00e7\u00f5es, os resultados permanecem praticamente inalterados. Os indicadores internacionais mostram uma realidade preocupante. O Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes (PISA), coordenado pela OCDE, coloca sistematicamente o Brasil entre os \u00faltimos colocados em leitura, matem\u00e1tica e ci\u00eancias entre as economias participantes. Em matem\u00e1tica, mais de dois ter\u00e7os dos estudantes brasileiros n\u00e3o atingem sequer o n\u00edvel considerado b\u00e1sico. Em leitura, parcela significativa termina o ensino m\u00e9dio sem compreender plenamente textos relativamente simples. Os problemas, obviamente, aparecem ainda antes. Avalia\u00e7\u00f5es nacionais mostram elevados \u00edndices de analfabetismo funcional. Milh\u00f5es de estudantes conseguem decifrar palavras, mas n\u00e3o interpretar corretamente o significado de um texto, resolver problemas matem\u00e1ticos elementares ou elaborar argumentos consistentes. Essa realidade n\u00e3o decorre da falta de planejamento. Talvez de um excesso sem p\u00e9 na realidade e mais ligado \u00e0 uma burocracia estatal e cada vez mais estatizante.<\/p>\n<p>Mesmo com planos decenais, planos estaduais, planos municipais, par\u00e2metros curriculares, diretrizes nacionais, compet\u00eancias gerais, compet\u00eancias espec\u00edficas, habilidades, metas quantitativas e in\u00fameros instrumentos administrativos o desenvolvimento \u00e9 mirrado e impercept\u00edvel nos rankings.<\/p>\n<p>Pa\u00edses que alcan\u00e7aram elevados padr\u00f5es de ensino seguiram caminho bastante diferente. A Finl\u00e2ndia tornou-se refer\u00eancia internacional justamente por conceder elevada autonomia \u00e0s escolas e aos professores. Singapura trabalha com curr\u00edculo objetivo, rigoroso e fortemente baseado em dom\u00ednio de conte\u00fado. A Est\u00f4nia, hoje uma das maiores surpresas da educa\u00e7\u00e3o mundial, investiu pesadamente na forma\u00e7\u00e3o docente, na tecnologia e na autonomia escolar. A Coreia do Sul apostou na valoriza\u00e7\u00e3o social do professor, na disciplina acad\u00eamica e em avalia\u00e7\u00f5es permanentes. O fato \u00e9 que nenhum desses pa\u00edses resolveu seus problemas multiplicando burocracias. Os esfor\u00e7os foram concentrados em ensinar melhor.<\/p>\n<p>Enquanto isso, conte\u00fados fundamentais v\u00e3o perdendo espa\u00e7o. Em muitos casos, disciplinas essenciais cedem lugar a projetos transversais cuja efetividade jamais foi comprovada por avalia\u00e7\u00f5es independentes. Institui\u00e7\u00f5es de ensino superior gastam cada vez mais tempo oferecendo disciplinas de nivelamento para alunos que chegam incapazes de escrever corretamente, interpretar textos complexos ou realizar opera\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas b\u00e1sicas. O problema j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 apenas no ensino fundamental. Ele percorre toda a cadeia educacional. A centraliza\u00e7\u00e3o excessiva acaba produzindo um curr\u00edculo que atende parcialmente a todos e plenamente a ningu\u00e9m. Outro equ\u00edvoco recorrente consiste em imaginar que aumentar gastos p\u00fablicos resolve automaticamente problemas educacionais. O Brasil j\u00e1 investe percentual significativo do Produto Interno Bruto em educa\u00e7\u00e3o quando comparado a diversos pa\u00edses desenvolvidos. O desafio principal encontra-se menos no volume de recursos e muito mais na qualidade da gest\u00e3o, na efici\u00eancia do gasto e na aprendizagem efetiva dos estudantes. Recursos s\u00e3o indispens\u00e1veis. Mas n\u00e3o substituem boa administra\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m n\u00e3o substituem professores capacitados. Nem escolas organizadas. Nem fam\u00edlias presentes. Nem lideran\u00e7a pedag\u00f3gica. Talvez seja justamente nesse ponto que o debate precise amadurecer. Educa\u00e7\u00e3o de qualidade n\u00e3o nasce de decretos. Tamb\u00e9m n\u00e3o surge da multiplica\u00e7\u00e3o de planos nacionais. Quando um sistema educacional passa a acreditar que alguns especialistas conseguem decidir, sozinhos, o que milh\u00f5es de estudantes devem aprender, corre exatamente o mesmo risco identificado por Mises e Hayek na economia: substituir a riqueza produzida pela diversidade de experi\u00eancias humanas pela pobreza intelectual gerada pela uniformiza\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada:<\/p>\n<p>&#8220;Os melhores professores s\u00e3o aqueles que mostram onde olhar, mas n\u00e3o dizem o que ver.&#8221;<\/p>\n<p>Alexandra K. Trenfor<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>Descobrindo a polvora, o deputado explica por que a Exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 completa, e diz coisas que aprendeu no nosso regime, principalmente. As faltas da Exposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o, inclusive, algumas hist\u00f3rias escritas com patriotismo por um povo. (Publicada em 24.05.1962)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO *Criada por Ari Cunha DESDE 1960 hoje Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Poucas experi\u00eancias hist\u00f3ricas fracassaram tanto quanto a tentativa de substituir milh\u00f5es de decis\u00f5es individuais pela vontade de um pequeno grupo de planejadores. 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