{"id":27566,"date":"2026-08-09T02:36:18","date_gmt":"2026-08-09T05:36:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27566"},"modified":"2026-08-14T20:45:44","modified_gmt":"2026-08-14T23:45:44","slug":"o-retrato-em-preto-e-branco-da-educacao-no-distrito-federal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/o-retrato-em-preto-e-branco-da-educacao-no-distrito-federal\/","title":{"rendered":"O retrato em preto e branco da educa\u00e7\u00e3o no Distrito Federal"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO<br \/>\n*Criada por Ari Cunha DESDE 1960<\/p>\n<p>hoje<\/p>\n<p>Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, Bras\u00edlia construiu a imagem de possuir uma das melhores redes p\u00fablicas de ensino do pa\u00eds. Capital da Rep\u00fablica, sede dos principais \u00f3rg\u00e3os federais e uma das unidades da Federa\u00e7\u00e3o com maior renda per capita, o Distrito Federal sempre foi visto como um lugar naturalmente vocacionado para oferecer educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de excel\u00eancia. Contudo os n\u00fameros mais recentes divulgados pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, sugerem que essa realidade mudou para pior ao longo dos anos e hoje se apresenta bem diferente daqueles discursos oficiais que insistem mostrar que tudo vai bem. O resultado do \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Ideb) referente a 2025 revelou que o ensino m\u00e9dio p\u00fablico do Distrito Federal alcan\u00e7ou nota 4,1, inferior \u00e0 m\u00e9dia nacional de 4,5. Mais preocupante ainda \u00e9 constatar que a rede p\u00fablica do DF recuou em rela\u00e7\u00e3o ao levantamento anterior, quando havia registrado 4,2 em 2023. Enquanto o pa\u00eds, ainda que lentamente, procura recuperar as perdas educacionais provocadas pela pandemia, Bras\u00edlia caminha na dire\u00e7\u00e3o oposta.<br \/>\n]O desempenho tamb\u00e9m ficou muito distante da meta de 5,2 estabelecida pelo pr\u00f3prio MEC para essa etapa de ensino. O Ideb combina dois fatores fundamentais para medir a qualidade da educa\u00e7\u00e3o: o desempenho dos estudantes nas avalia\u00e7\u00f5es nacionais do Saeb, especialmente em l\u00edngua portuguesa e matem\u00e1tica, e as taxas de aprova\u00e7\u00e3o escolar. O \u00edndice procura medir, simultaneamente, aprendizagem e efici\u00eancia do sistema educacional. Parece que h\u00e1 um descaso progressivo a envolver n\u00e3o s\u00f3 os alunos, seus familiares, o corpo docente e todos os diretores de ensino dentro e fora das escolas, pr\u00f3pria sociedade tem parte nessa cad\u00eancia na qualidade das escolas p\u00fablicas. E notem que no Distrito Federal, a participa\u00e7\u00e3o dos estudantes foi suficientemente ampla para conferir credibilidade estat\u00edstica ao levantamento. Participaram da avalia\u00e7\u00e3o 91,3% dos alunos do 5\u00ba ano, 87,2% do 9\u00ba ano e 80,3% dos estudantes da 3\u00aa s\u00e9rie do ensino m\u00e9dio. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para atribuir os resultados a uma eventual baixa ades\u00e3o das escolas ao exame. O aspecto mais preocupante talvez seja o contraste entre os recursos dispon\u00edveis e os resultados alcan\u00e7ados.<br \/>\nEntre as unidades da Federa\u00e7\u00e3o, o Distrito Federal figura historicamente om maior arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria por habitante, maior remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos professores da rede p\u00fablica e maior capacidade de investimento em infraestrutura escolar. A pr\u00f3pria Uni\u00e3o banca o ensino. Em tese, esses fatores deveriam produzir indicadores superiores aos da m\u00e9dia brasileira. O que se observa, por\u00e9m, \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio. A queda de apenas um d\u00e9cimo pode parecer pequena para quem observa apenas a tabela de resultados. Na educa\u00e7\u00e3o, entretanto, oscila\u00e7\u00f5es dessa natureza costumam representar milhares de estudantes deixando a escola sem dom\u00ednio adequado da leitura, da interpreta\u00e7\u00e3o de texto e da matem\u00e1tica b\u00e1sica. Trata-se de uma gera\u00e7\u00e3o inteira que chega ao mercado de trabalho ou ao ensino superior carregando defici\u00eancias acumuladas ao longo de toda a forma\u00e7\u00e3o escolar.<br \/>\nO planejamento educacional do governo federal previa uma trajet\u00f3ria gradual de crescimento do Ideb do ensino m\u00e9dio, chegando ao patamar de 5,2. Permanecer estacionado em torno de 4 pontos significa que o sistema deixou de avan\u00e7ar no ritmo esperado, ampliando a dist\u00e2ncia entre o desempenho desejado e o efetivamente alcan\u00e7ado. H\u00e1 dificuldades relacionadas \u00e0 aprendizagem em portugu\u00eas e matem\u00e1tica, elevadas taxas de evas\u00e3o no ensino m\u00e9dio, defici\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o continuada dos professores, problemas de gest\u00e3o escolar e uma crescente dificuldade em manter os alunos motivados dentro das salas de aula. Al\u00e9m disso a disciplina, elemento fundamental para o processo ensino-aprendizagem vai de mal a pior. Outro aspecto \u00e9 a excessiva instabilidade das pol\u00edticas educacionais, que mudam a cada governo, quando surgem novos programas, novas metodologias e novas prioridades administrativas, todas desligadas entre si. Projetos s\u00e3o interrompidos antes de amadurecerem, enquanto reformas curriculares sucedem-se sem que seus resultados possam ser devidamente avaliados. A educa\u00e7\u00e3o exige continuidade e planejamento de longo prazo mas acaba submetida ao calend\u00e1rio pol\u00edtico. Enquanto isso, pa\u00edses que lideram os principais indicadores internacionais de educa\u00e7\u00e3o seguem caminho oposto. Sistemas como os da Finl\u00e2ndia, Est\u00f4nia, Coreia do Sul, Singapura e Canad\u00e1 mant\u00eam pol\u00edticas est\u00e1veis durante d\u00e9cadas, investem fortemente na forma\u00e7\u00e3o de professores, valorizam o ensino das disciplinas fundamentais e utilizam avalia\u00e7\u00f5es permanentes para corrigir defici\u00eancias antes que elas se consolidem.<br \/>\nQuando uma rede p\u00fablica come\u00e7a a perder desempenho justamente na capital da Rep\u00fablica, onde recursos financeiros e capital humano s\u00e3o relativamente mais abundantes, torna-se inevit\u00e1vel perguntar o que est\u00e1 acontecendo com o modelo educacional adotado aqui no DF. Seria o ideal que o resultado divulgado nesta semana n\u00e3o alimentasse disputas partid\u00e1rias nem servisse de muni\u00e7\u00e3o para governos ou opositores. O que os pagadores de impostos esperam \u00e9 um chamado geral para recolocar a qualidade da aprendizagem no centro das prioridades da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Distrito Federal.<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada:<br \/>\n\u201cOs governos nunca aprendem. S\u00f3 as pessoas aprendem.\u201d<br \/>\nMilton Friedman<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/p>\n<p>Mazzola e Sormani somente poder\u00e3o jogar pela It\u00e1lia se forem italianos e \u00e9 nessa qualidade, de ac\u00f4rdo com as leis italianas, que v\u00e3o participar da Copa do Mundo (mesmo porque, se se declararem brasileiros n\u00e3o poder\u00e3o integrar a sele\u00e7\u00e3o de nenhum outro pa\u00eds, a n\u00e3o ser a do Brasil). (Publicada em 25.05.1962)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO *Criada por Ari Cunha DESDE 1960 hoje Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Durante d\u00e9cadas, Bras\u00edlia construiu a imagem de possuir uma das melhores redes p\u00fablicas de ensino do pa\u00eds. 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