{"id":27552,"date":"2026-07-15T14:04:47","date_gmt":"2026-07-15T17:04:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27552"},"modified":"2026-07-15T18:44:56","modified_gmt":"2026-07-15T21:44:56","slug":"27552-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/27552-2\/","title":{"rendered":"A p\u00e1tria sem chuteiras"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO<br \/>\n*Criada por Ari Cunha DESDE 1960<\/p>\n<p>hoje<br \/>\nCom Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade<\/p>\n<p>Depois do apito final do jogo entre Brasil e Noruega, comentaristas de todas as \u00e1reas, n\u00e3o somente do futebol, mas de todas as \u00e1reas correram para apresentar explica\u00e7\u00f5es e vis\u00f5es dessa derrota ao grande p\u00fablico. O que sabemos desde h\u00e1 muito, \u00e9 que a Sele\u00e7\u00e3o, como o nome indica como reuni\u00e3o dos melhores, \u00e9, antes de tudo a \u201cp\u00e1tria de chuteiras\u201d. Somos n\u00f3s mesmos em campo, com toda a nossa bagagem cultural e nossas idiossincrasias e nossos complexos. Apesar das mazelas que o pa\u00eds parece experenciar desde 1500, sempre acreditamos ser uma pot\u00eancia de primeiro mundo, quando o assunto \u00e9 futebol. Perdendo essa que seria a nossa \u00fanica qualidade perante o mundo, o que nos resta? Nesse caso antes mesmo de reformular o modelo e a arquitetura de nosso futebol profissional, sufocado pelos descaminhos da cartolagem e das contas mal explicadas de cada federa\u00e7\u00e3o e mesmo da CBF, envolta agora em esc\u00e2ndalos de toda a ordem, \u00e9 preciso \u00e9 mais a fundo e analisar essa derrota como um todo. Com isso fica patente que estamos em meio a uma crise n\u00e3o s\u00f3 no futebol mas em todas as \u00e1reas da vida nacional. A come\u00e7ar pelo Estado, pela Rep\u00fablica, pelos Poderes e por a\u00ed vai.<br \/>\nexpress\u00f5es definiram t\u00e3o bem o Brasil quanto a c\u00e9lebre imagem criada por Nelson Rodrigues da &#8220;p\u00e1tria de chuteiras&#8221;. O futebol nunca foi apenas um esporte entre n\u00f3s. Foi uma forma de identidade nacional, uma linguagem comum entre ricos e pobres, uma rara ocasi\u00e3o em que o pa\u00eds parecia esquecer suas diferen\u00e7as para reconhecer-se como na\u00e7\u00e3o. Durante d\u00e9cadas, a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira representou algo muito maior do que onze jogadores em campo. Ela simbolizava a ideia de que, apesar de todas as dificuldades econ\u00f4micas, pol\u00edticas e sociais, havia pelo menos um territ\u00f3rio onde o Brasil permanecia soberano. Hoje essa certeza j\u00e1 n\u00e3o existe. A derrota para a Noruega, por si s\u00f3, n\u00e3o representa uma trag\u00e9dia esportiva. No futebol, perder faz parte do jogo. O que desperta inquieta\u00e7\u00e3o \u00e9 o contexto em que ela ocorre.<br \/>\nA Sele\u00e7\u00e3o parece ter perdido aquilo que durante d\u00e9cadas foi sua maior virtude: personalidade. N\u00e3o faltam atletas talentosos. O Brasil continua exportando jogadores para os principais campeonatos do mundo. Os clubes europeus seguem disputando nossos jovens talentos antes mesmo que completem uma temporada no futebol profissional. O problema, portanto, n\u00e3o parece residir na mat\u00e9ria-prima. Talvez esteja naquilo que acontece antes que esses jogadores entrem em campo. O futebol brasileiro passou a refletir, de maneira quase perfeita, as virtudes e os defeitos da pr\u00f3pria sociedade. A desorganiza\u00e7\u00e3o administrativa, a instabilidade institucional, a falta de planejamento de longo prazo, o excesso de personalismo, a dificuldade de prestar contas e a permanente sucess\u00e3o de disputas pelo poder tamb\u00e9m encontraram espa\u00e7o dentro das estruturas esportivas. A Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol tornou-se, nos \u00faltimos anos, protagonista de sucessivas crises administrativas, disputas judiciais, mudan\u00e7as de comando e questionamentos sobre sua governan\u00e7a. Em diversas federa\u00e7\u00f5es estaduais, dirigentes permanecem d\u00e9cadas no poder, frequentemente protegidos por estruturas pouco transparentes e sistemas eleitorais que dificultam a renova\u00e7\u00e3o. O torcedor acompanha resultados dentro de campo, mas raramente conhece o funcionamento das institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis por administrar o esporte mais popular do pa\u00eds. Nenhuma organiza\u00e7\u00e3o produz excel\u00eancia esportiva quando sua administra\u00e7\u00e3o convive permanentemente com incertezas<br \/>\nQuando a criatividade florescia na economia, na cultura e na vida p\u00fablica, ela tamb\u00e9m aparecia nos gramados. Quando predominavam organiza\u00e7\u00e3o, disciplina e objetivos claros, essas qualidades igualmente se refletiam na camisa amarela. Hoje o espelho parece devolver outra imagem. Vivemos um per\u00edodo marcado por intensa polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, crescente desconfian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es, dificuldades econ\u00f4micas persistentes, baixo crescimento da produtividade, defici\u00eancias educacionais, viol\u00eancia urbana e sucessivos esc\u00e2ndalos envolvendo diferentes setores da vida p\u00fablica. Independentemente das interpreta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que cada cidad\u00e3o fa\u00e7a desse cen\u00e1rio, h\u00e1 um dado dif\u00edcil de contestar: a confian\u00e7a coletiva encontra-se profundamente abalada.<br \/>\nDurante d\u00e9cadas, o sucesso da Sele\u00e7\u00e3o serviu, em alguma medida, como elemento de compensa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica. Em meio \u00e0s crises nacionais, permanecia a convic\u00e7\u00e3o de que ainda \u00e9ramos refer\u00eancia mundial em pelo menos uma atividade. O futebol funcionava como uma esp\u00e9cie de patrim\u00f4nio emocional da Rep\u00fablica. Essa fun\u00e7\u00e3o parece estar desaparecendo. A camisa amarela j\u00e1 n\u00e3o desperta unanimidade. A Sele\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o intimida advers\u00e1rios. O chamado &#8220;futebol-arte&#8221;, que encantou o mundo, tornou-se lembran\u00e7a hist\u00f3rica mais do que realidade contempor\u00e2nea.<br \/>\nO futebol tornou-se uma atividade altamente profissionalizada, baseada em ci\u00eancia esportiva, planejamento estrat\u00e9gico, an\u00e1lise de desempenho, gest\u00e3o financeira e forma\u00e7\u00e3o continuada. A improvisa\u00e7\u00e3o perdeu espa\u00e7o. Outros pa\u00edses aprenderam. A derrota diante da Noruega, portanto, talvez n\u00e3o seja apenas um resultado esportivo. Ela funciona como met\u00e1fora de um pa\u00eds que parece ter perdido parte de sua capacidade de transformar talento em excel\u00eancia, potencial em realiza\u00e7\u00e3o e tradi\u00e7\u00e3o em lideran\u00e7a. A Sele\u00e7\u00e3o permanece sendo a p\u00e1tria de chuteiras. Se ela hoje parece jogar abaixo de sua hist\u00f3ria, talvez seja porque reflete, com fidelidade desconfort\u00e1vel, as dificuldades, as incertezas e as contradi\u00e7\u00f5es de um Brasil que ainda procura reencontrar seu pr\u00f3prio rumo em pleno s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>ROGACIANO<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-27560 alignleft\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-13-at-14.00.12-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"121\" height=\"171\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-13-at-14.00.12-1.jpeg 905w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-13-at-14.00.12-1-212x300.jpeg 212w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-13-at-14.00.12-1-768x1086.jpeg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-13-at-14.00.12-1-724x1024.jpeg 724w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-13-at-14.00.12-1-800x1131.jpeg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-13-at-14.00.12-1-550x778.jpeg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/07\/WhatsApp-Image-2026-07-13-at-14.00.12-1-230x325.jpeg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 121px) 100vw, 121px\" \/><\/p>\n<p>Ser\u00e1 inaugurada em Fortaleza, no pr\u00f3ximo dia 23, a partir das 19h, a exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Rogaciano Leite e os Congressos de Cantadores&#8221;<br \/>\nA mostra ser\u00e1 realizada no Espa\u00e7o Cultural da Ceg\u00e1s, no bairro Jos\u00e9 de Alencar, e vai at\u00e9 o dia 28 de agosto.<br \/>\nRogaciano Leite (1920 -1969) foi jornalista, compositor e poeta.<br \/>\n\u00c9 autor de &#8220;Carne e Alma&#8221;, obra po\u00e9tica aplaudida pela critica nacional.<br \/>\nO jornalista e poeta Nonato Freitas, amigo de Rogaciano Leite, do qual foi colega de jornal, em Fortaleza, escreveu um cordel sobre o not\u00e1vel bardo.<br \/>\nA obra escrita por Nonato Freitas far\u00e1 parte da exposi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nHelena Roraima Leite, filha de Rogaciano, \u00e9 uma das organizadoras do evento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada:<br \/>\nNo futebol, a pior cegueira \u00e9 s\u00f3 enxergar a bola.&#8221;<br \/>\nNelson Falc\u00e3o Rodrigues<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<br \/>\nAs crian\u00e7as no Hospital de Sobradinho viveram momentos horr\u00edveis nestas noites de frio. Dormiam em caixotes de madeira com serragem, por falta de cobertores. (Publicada em 24.05.1962)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO *Criada por Ari Cunha DESDE 1960 hoje Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade Depois do apito final do jogo entre Brasil e Noruega, comentaristas de todas as \u00e1reas, n\u00e3o somente do futebol, mas de todas as \u00e1reas correram para apresentar explica\u00e7\u00f5es e vis\u00f5es dessa derrota ao grande p\u00fablico. 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