{"id":27530,"date":"2026-07-08T04:51:57","date_gmt":"2026-07-08T07:51:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27530"},"modified":"2026-07-09T20:38:36","modified_gmt":"2026-07-09T23:38:36","slug":"a-sombra-do-crime-sobre-o-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-sombra-do-crime-sobre-o-futebol\/","title":{"rendered":"A sombra do crime sobre o futebol"},"content":{"rendered":"<p>Criada em 1960 por Ari Cunha<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, o futebol brasileiro foi visto como muito mais que um esporte. Foi elemento de identidade nacional, instrumento de integra\u00e7\u00e3o social e um dos poucos espa\u00e7os onde ricos e pobres dividiam a mesma paix\u00e3o. Nas arquibancadas, nos campos de v\u00e1rzea e nos grandes est\u00e1dios, consolidou-se uma das mais importantes manifesta\u00e7\u00f5es culturais do pa\u00eds. Hoje, por\u00e9m, essa tradi\u00e7\u00e3o enfrenta um advers\u00e1rio muito mais perigoso do que qualquer rival dentro das quatro linhas: a expans\u00e3o silenciosa do crime organizado sobre a economia do futebol.<br \/>\nRecentes investiga\u00e7\u00f5es conduzidas por autoridades brasileiras e estrangeiras mostram que organiza\u00e7\u00f5es criminosas passaram a enxergar o futebol n\u00e3o apenas como entretenimento, mas como um ambiente extremamente atraente para movimenta\u00e7\u00e3o de recursos financeiros, lavagem de dinheiro, manipula\u00e7\u00e3o de resultados e amplia\u00e7\u00e3o de influ\u00eancia econ\u00f4mica. Trata-se de um fen\u00f4meno que j\u00e1 havia sido observado em diversas partes do mundo e que agora desperta crescente preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no Brasil.<br \/>\nRelat\u00f3rios de \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica, investiga\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal e estudos de organismos internacionais apontam que essas organiza\u00e7\u00f5es diversificaram suas fontes de receita, passando a atuar em setores como minera\u00e7\u00e3o ilegal, contrabando de combust\u00edveis, com\u00e9rcio clandestino de cigarros, grilagem de terras, transporte, log\u00edstica, mercado imobili\u00e1rio, fintechs clandestinas, empresas de fachada e esquemas de lavagem de dinheiro. Al\u00e9m disso afirmam investigadores que nos \u00faltimos anos, o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e outras organiza\u00e7\u00f5es ampliaram significativamente sua atua\u00e7\u00e3o para al\u00e9m do tr\u00e1fico de drogas. Essa diversifica\u00e7\u00e3o segue uma l\u00f3gica empresarial. Bruno Paes Manso, do N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade de S\u00e3o Paulo, j\u00e1 afirmou que o tr\u00e1fico continua extremamente lucrativo, mas tamb\u00e9m se tornou mais arriscado diante da coopera\u00e7\u00e3o internacional entre ag\u00eancias de combate ao narcotr\u00e1fico.<br \/>\nPara reduzir riscos e ampliar receitas, essas organiza\u00e7\u00f5es passaram a investir em atividades que ofere\u00e7am apar\u00eancia de legalidade. Infelizmente o futebol tornou-se um desses ambientes. O setor re\u00fane algumas caracter\u00edsticas particularmente vulner\u00e1veis. A circula\u00e7\u00e3o de grandes volumes financeiros, as negocia\u00e7\u00f5es internacionais de atletas, a valoriza\u00e7\u00e3o subjetiva dos direitos econ\u00f4micos, os contratos de publicidade, o patroc\u00ednio privado e a enorme quantidade de empresas intermedi\u00e1rias que criam oportunidades que podem ser exploradas para oculta\u00e7\u00e3o da origem il\u00edcita de recursos.<br \/>\nN\u00e3o se trata de um problema exclusivamente brasileiro. Na Europa, diferentes opera\u00e7\u00f5es policiais j\u00e1 identificaram grupos mafiosos infiltrados em clubes, torcidas organizadas, casas de apostas e esquemas de manipula\u00e7\u00e3o de partidas. A Interpol, a Europol e organismos ligados \u00e0 FIFA v\u00eam alertando h\u00e1 anos para o crescimento das chamadas redes internacionais de manipula\u00e7\u00e3o esportiva. A \u00c1sia tornou-se um dos maiores mercados clandestinos de apostas do planeta. Na It\u00e1lia, investiga\u00e7\u00f5es envolvendo a m\u00e1fia demonstraram, em diferentes momentos, tentativas de utiliza\u00e7\u00e3o de clubes para lavagem de capitais. Na B\u00e9lgica, Espanha, Gr\u00e9cia e outros pa\u00edses europeus tamb\u00e9m surgiram opera\u00e7\u00f5es policiais relacionadas \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o de resultados. O Brasil passou a integrar esse mapa de preocupa\u00e7\u00e3o. A explos\u00e3o das plataformas de apostas esportivas acelerou ainda mais esse cen\u00e1rio. A regulamenta\u00e7\u00e3o do setor buscou criar regras para um mercado que j\u00e1 existia informalmente, mas especialistas em preven\u00e7\u00e3o \u00e0 lavagem de dinheiro alertam que a fiscaliza\u00e7\u00e3o precisa acompanhar a velocidade da expans\u00e3o dessas empresas.<br \/>\nAtualmente as apostas esportivas movimentam atualmente centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano em todo o mundo. Grande parte desse volume circula por empresas sediadas em diferentes jurisdi\u00e7\u00f5es, dificultando o rastreamento financeiro. No Brasil, o crescimento foi extraordin\u00e1rio. Patroc\u00ednios de empresas de apostas passaram a ocupar praticamente todas as camisas dos clubes das principais divis\u00f5es. Est\u00e1dios receberam nomes comerciais vinculados \u00e0s plataformas. Programas esportivos, transmiss\u00f5es televisivas e redes sociais passaram a incorporar publicidade permanente dessas empresas. Esse novo modelo econ\u00f4mico trouxe receitas importantes para clubes que enfrentavam graves dificuldades financeiras. Ao mesmo tempo, aumentou o desafio regulat\u00f3rio. A manipula\u00e7\u00e3o de resultados tornou-se uma preocupa\u00e7\u00e3o constante.<br \/>\nOpera\u00e7\u00f5es conduzidas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico e pelas pol\u00edcias estaduais identificaram esquemas envolvendo atletas, intermedi\u00e1rios e apostadores interessados em eventos espec\u00edficos das partidas, como cart\u00f5es amarelos, escanteios e faltas, sem necessidade de alterar necessariamente o placar final. Essa modalidade de fraude tornou-se sofisticada exatamente porque movimenta enormes volumes financeiros em mercados pouco percept\u00edveis ao torcedor comum. \u00c9 importante distinguir fen\u00f4menos diferentes. A grande maioria dos clubes, atletas, dirigentes e empresas do setor atua dentro da legalidade. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 base para afirmar que plataformas de apostas regularmente autorizadas participem de atividades criminosas apenas por integrarem esse mercado. Essencialmente, o problema reside na utiliza\u00e7\u00e3o desse ecossistema por indiv\u00edduos ou organiza\u00e7\u00f5es que buscam explorar suas vulnerabilidades. \u00c9 justamente por isso que fiscaliza\u00e7\u00e3o eficiente se torna indispens\u00e1vel.<\/p>\n<p>A frase que foi pronunciada:<br \/>\n\u201c\u00c9 s\u00f3 o come\u00e7o\u201d<br \/>\nCarlo Ancelotti<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<br \/>\nA exposi\u00e7\u00e3o de arte popular do aeroporto abriu, inaugurou, fechou e nunca mais abriu. (Publicada em 22.05.1962)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Criada em 1960 por Ari Cunha Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido Durante d\u00e9cadas, o futebol brasileiro foi visto como muito mais que um esporte. 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