{"id":27490,"date":"2026-06-27T12:25:01","date_gmt":"2026-06-27T15:25:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27490"},"modified":"2026-06-27T12:50:11","modified_gmt":"2026-06-27T15:50:11","slug":"terremotos-e-governos-qual-desastre-deixa-cicatrizes-mais-profundas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/terremotos-e-governos-qual-desastre-deixa-cicatrizes-mais-profundas\/","title":{"rendered":"Terremotos e governos: qual desastre deixa cicatrizes mais profundas?"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/facebook.com\/vistolidoeouvido\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-27491 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/17299618760120372517.png\" alt=\"Cidade destru\u00edda por terremoto na Venezuela com bandeira ao fundo\" width=\"598\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/17299618760120372517.png 1408w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/17299618760120372517-300x164.png 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/17299618760120372517-768x419.png 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/17299618760120372517-1024x559.png 1024w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/17299618760120372517-800x436.png 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/17299618760120372517-550x300.png 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/17299618760120372517-230x125.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 598px) 100vw, 598px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Poucas imagens s\u00e3o t\u00e3o devastadoras quanto a de uma cidade destru\u00edda por um terremoto. Em poucos segundos, inocentes morrem, pr\u00e9dios desaparecem, estradas racham, hospitais entram em colapso e os milhares de sobreviventes t\u00eam a vida alterada para sempre. Foi exatamente esse cen\u00e1rio que voltou a assombrar a Venezuela ap\u00f3s os fortes terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o pa\u00eds nesta semana, provocando mortes, centenas de feridos e danos extensos \u00e0 infraestrutura. Autoridades venezuelanas decretaram estado de emerg\u00eancia diante da magnitude da trag\u00e9dia. Mas o que causa mais danos a uma na\u00e7\u00e3o, uma cat\u00e1strofe natural ou um governo incapaz, corrupto ou destrutivo? Terremotos matam depressa. Maus governos costumam matar devagar. A natureza \u00e9 indiferente \u00e0s ideologias. Quando as placas tect\u00f4nicas se movem, n\u00e3o perguntam quem est\u00e1 no poder. N\u00e3o distinguem ricos de pobres, governistas de oposicionistas. Simplesmente liberam for\u00e7as acumuladas durante s\u00e9culos. Em poucos minutos, o trabalho de gera\u00e7\u00f5es pode ser reduzido a escombros.<\/p>\n<p>Governos ruins operam de forma diferente. Seus efeitos s\u00e3o graduais. Quase impercept\u00edveis no in\u00edcio. Primeiro surgem pequenos sinais de deteriora\u00e7\u00e3o institucional. Depois aparecem a infla\u00e7\u00e3o, a fuga de capitais, a perda de confian\u00e7a dos investidores, o enfraquecimento dos servi\u00e7os p\u00fablicos, a corrup\u00e7\u00e3o crescente e o aumento da pobreza. Quando a popula\u00e7\u00e3o percebe a dimens\u00e3o do estrago, grande parte do dano j\u00e1 foi produzida. A hist\u00f3ria oferece in\u00fameros exemplos. O terremoto de Lisboa, em 1755, destruiu boa parte da capital portuguesa e matou dezenas de milhares de pessoas. Mesmo assim, Portugal conseguiu reconstruir sua principal cidade em poucas d\u00e9cadas. A Alemanha saiu arrasada da Segunda Guerra Mundial. Suas cidades estavam em ru\u00ednas. Sua infraestrutura havia desaparecido. Poucos anos depois iniciava uma das mais impressionantes recupera\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas da hist\u00f3ria moderna. O Jap\u00e3o sofreu terremotos, tsunamis e duas bombas at\u00f4micas. Ainda assim transformou-se em uma das maiores economias do planeta.<\/p>\n<p>Cat\u00e1strofes naturais podem destruir patrim\u00f4nio. Institui\u00e7\u00f5es s\u00f3lidas permitem reconstru\u00ed-lo. O problema surge quando o desastre natural encontra um Estado enfraquecido. Nesse caso, o terremoto deixa de ser apenas um fen\u00f4meno geol\u00f3gico. Passa a funcionar como um teste brutal da qualidade das institui\u00e7\u00f5es nacionais. Hospitais n\u00e3o funcionam; os servi\u00e7os de emerg\u00eancia n\u00e3o respondem; as estradas n\u00e3o resistem; as constru\u00e7\u00f5es n\u00e3o obedecem normas t\u00e9cnicas; os recursos destinados \u00e0 preven\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegam ao destino correto. \u00c9 \u00f3bvio que cada uma dessas quest\u00f5es remete menos \u00e0 geologia e mais \u00e0 pol\u00edtica. Pa\u00edses bem administrados tamb\u00e9m sofrem terremotos. A diferen\u00e7a \u00e9 que costumam sofrer menos mortes.<br \/>\nAno caso da Venezuela a trag\u00e9dia chega carregando d\u00e9cadas de problemas econ\u00f4micos, institucionais e sociais. Antes mesmo dos tremores, milh\u00f5es de venezuelanos haviam deixado o pa\u00eds em uma das maiores crises migrat\u00f3rias da hist\u00f3ria recente da Am\u00e9rica Latina. A produ\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera caiu drasticamente ao longo dos \u00faltimos anos. Servi\u00e7os p\u00fablicos enfrentaram dificuldades recorrentes. A infraestrutura envelheceu. Tudo isso amplia a vulnerabilidade diante de qualquer desastre natural. O terremoto n\u00e3o criou esses problemas. Apenas os exp\u00f4s de forma dram\u00e1tica. H\u00e1 uma diferen\u00e7a importante entre um fen\u00f4meno natural e um fen\u00f4meno pol\u00edtico. Nenhum cidad\u00e3o pode impedir um terremoto. J\u00e1 os erros humanos s\u00e3o, em teoria, evit\u00e1veis. Corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 for\u00e7a da natureza. M\u00e1 gest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fen\u00f4meno geol\u00f3gico. Desvios de recursos p\u00fablicos n\u00e3o s\u00e3o inevit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Arist\u00f3teles observava que a finalidade da pol\u00edtica \u00e9 criar condi\u00e7\u00f5es para uma vida boa em comunidade. S\u00e9culos depois, Winston Churchill resumiria o mesmo princ\u00edpio ao afirmar que o pre\u00e7o da grandeza \u00e9 a responsabilidade. Governos existem justamente para preparar a sociedade para enfrentar o imprevis\u00edvel. Ningu\u00e9m espera que um governante impe\u00e7a terremotos. Espera-se, por\u00e9m, que reduza seus efeitos. Por isso talvez seja in\u00fatil tentar estabelecer uma competi\u00e7\u00e3o entre trag\u00e9dias naturais e trag\u00e9dias pol\u00edticas. Cada uma destr\u00f3i de maneira diferente. Os erros pol\u00edticos podem destruir durante d\u00e9cadas. O caso venezuelano mostra que as duas formas de desastre podem acabar se encontrando no mesmo lugar. Quando isso ocorre, o resultado costuma ser especialmente cruel para a popula\u00e7\u00e3o comum, que perde duas vezes: primeiro para a natureza, depois para as falhas humanas.<br \/>\nEnquanto equipes de resgate procuram sobreviventes entre os escombros e o pa\u00eds tenta medir a extens\u00e3o dos danos, permanece uma li\u00e7\u00e3o que atravessa s\u00e9culos e continentes. Uma boa escolha no momento do voto frequentemente determina quantos sobreviver\u00e3o quando a terra voltar a tremer.<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n&#8220;Precisamos de um terremoto pol\u00edtico, n\u00e3o de um terremoto geol\u00f3gico.&#8221;<\/p>\n<p>Davan Yahya Khalil<br \/>\nNingu\u00e9m pode negar a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria coletiva, da constru\u00e7\u00e3o da identidade de um povo, o est\u00edmulo ao pensamento cr\u00edtico, a coes\u00e3o social, a forma\u00e7\u00e3o educacional da popula\u00e7\u00e3o. A n\u00e3o ser a autoridade que permite uma obra durar mais de 10 anos para entregar aos contribuintes a sala Villa Lobos, do Teatro Nacional. Essa, autoridade n\u00e3o se preocupa.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nO Setor de Resid\u00eancias Econ\u00f4micas ser\u00e1 um dos mais belos bairros de Bras\u00edlia. Est\u00e3o ampliando t\u00f4das as casas, e j\u00e1 come\u00e7aram o trabalho de urbaniza\u00e7\u00e3o, com o asfaltamento de ruas internas. <strong>(Publicada em 22.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Poucas imagens s\u00e3o t\u00e3o devastadoras quanto a de uma cidade destru\u00edda por um terremoto. Em poucos segundos, inocentes morrem, pr\u00e9dios desaparecem, estradas racham, hospitais entram em colapso e os milhares de sobreviventes t\u00eam a vida alterada para sempre. 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