{"id":27452,"date":"2026-06-21T01:00:52","date_gmt":"2026-06-21T04:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27452"},"modified":"2026-06-23T15:01:09","modified_gmt":"2026-06-23T18:01:09","slug":"rebeldes-e-cientistas-no-mesmo-quadrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/rebeldes-e-cientistas-no-mesmo-quadrado\/","title":{"rendered":"Rebeldes e cientistas no mesmo quadrado"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27457\" aria-describedby=\"caption-attachment-27457\" style=\"width: 593px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27457\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/USP-1.jpg\" alt=\"\" width=\"593\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/USP-1.jpg 1157w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/USP-1-300x168.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/USP-1-768x429.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/USP-1-1024x572.jpg 1024w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/USP-1-800x447.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/USP-1-550x307.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/USP-1-230x128.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 593px) 100vw, 593px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27457\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/USP<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>Na ponta da velha balan\u00e7a, nos dois extremos, pesa o debate sobre o ensino superior brasileiro, assunto que costuma oscilar. De um lado, a percep\u00e7\u00e3o de que as universidades p\u00fablicas atravessam uma crise permanente. Drogas, festas e muita bebida alc\u00f3olica. De outro, a narrativa segundo a qual o pa\u00eds teria constru\u00eddo um sistema universit\u00e1rio capaz de competir em igualdade de condi\u00e7\u00f5es com os principais centros acad\u00eamicos do mundo. Os n\u00fameros mais recentes sugerem uma realidade mais complexa, marcada por avan\u00e7os significativos, mas tamb\u00e9m por limita\u00e7\u00f5es estruturais que continuam a afastar o Brasil das na\u00e7\u00f5es l\u00edderes em ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Segundo o Leiden Ranking 2025, a Universidade de S\u00e3o Paulo, principal institui\u00e7\u00e3o de pesquisa do pa\u00eds, aparece na 17\u00aa coloca\u00e7\u00e3o mundial em volume de produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, levantamento elaborado pelo Centro de Estudos em Ci\u00eancia e Tecnologia da Universidade de Leiden, na Holanda. Entre 2020 e 2023, a USP produziu mais de 20 mil artigos cient\u00edficos indexados na base Web of Science, consolidando-se como a \u00fanica universidade ibero-americana entre as cem maiores produtoras de conhecimento cient\u00edfico do planeta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Uma universidade brasileira ao lado de institui\u00e7\u00f5es tradicionalmente associadas \u00e0 lideran\u00e7a cient\u00edfica mundial realmente chama aten\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio ranking destaca que 42,5% dos artigos publicados pela USP situam-se entre os 50% mais citados em suas respectivas \u00e1reas de conhecimento. Em nota oficial, a institui\u00e7\u00e3o ressaltou sua posi\u00e7\u00e3o como &#8220;a universidade brasileira que mais produz pesquisa no mundo&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Curiosamente, nos rankings globais mais abrangentes a relev\u00e2ncia da pesquisa nacional n\u00e3o se reflete integralmente. Em junho de 2026, o levantamento do Center for World University Rankings revelou que 45 das 52 universidades brasileiras avaliadas perderam posi\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. A USP permaneceu como a institui\u00e7\u00e3o mais bem colocada do pa\u00eds, mas recuou para a 119\u00aa posi\u00e7\u00e3o mundial. Segundo o relat\u00f3rio, o desempenho em pesquisa foi justamente o indicador que apresentou maior deteriora\u00e7\u00e3o entre as universidades brasileiras.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O contraste entre os dois resultados ajuda a compreender uma das principais caracter\u00edsticas do ensino superior nacional. O Brasil produz ci\u00eancia em quantidade consider\u00e1vel, mas encontra dificuldades para ampliar seu impacto internacional, sua capacidade de inova\u00e7\u00e3o e sua inser\u00e7\u00e3o em redes globais de pesquisa. Enquanto alguns rankings privilegiam o volume de publica\u00e7\u00f5es, outros incorporam indicadores como reputa\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, internacionaliza\u00e7\u00e3o, influ\u00eancia das pesquisas, empregabilidade dos egressos e transfer\u00eancia de conhecimento para a sociedade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A compara\u00e7\u00e3o internacional revela a dimens\u00e3o do desafio. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), 48% dos jovens adultos dos pa\u00edses membros possuem forma\u00e7\u00e3o superior. Em v\u00e1rias economias avan\u00e7adas, a expans\u00e3o do acesso ao ensino superior foi acompanhada por elevados investimentos em pesquisa, inova\u00e7\u00e3o e coopera\u00e7\u00e3o internacional.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No Brasil, embora o n\u00famero de estudantes universit\u00e1rios tenha crescido expressivamente nas \u00faltimas d\u00e9cadas, persistem obst\u00e1culos relacionados ao financiamento, \u00e0 perman\u00eancia estudantil e \u00e0 internacionaliza\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es. Dados da OCDE mostram que apenas 0,2% dos estudantes do ensino superior no pa\u00eds s\u00e3o estrangeiros, \u00edndice muito inferior \u00e0 m\u00e9dia observada nas na\u00e7\u00f5es desenvolvidas. O mesmo relat\u00f3rio aponta que o gasto anual por estudante permanece entre os mais baixos do grupo analisado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As universidades federais e estaduais continuam concentrando a maior parte da pesquisa cient\u00edfica nacional. Institui\u00e7\u00f5es como USP, Unicamp, UFRJ, UFMG, UFRGS e UnB respondem por parcela expressiva dos artigos, teses, disserta\u00e7\u00f5es e projetos de pesquisa produzidos no pa\u00eds. No ranking CWUR de 2026, essas universidades permanecem entre as mais bem posicionadas do Brasil, embora praticamente todas tenham enfrentado perda relativa de posi\u00e7\u00f5es diante do crescimento acelerado de concorrentes internacionais, especialmente da \u00c1sia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O cen\u00e1rio evidencia uma realidade paradoxal. O Brasil construiu um sistema universit\u00e1rio capaz de gerar conhecimento em escala global e de formar pesquisadores reconhecidos internacionalmente. Ao mesmo tempo, os indicadores mostram que o pa\u00eds ainda ocupa posi\u00e7\u00e3o distante daquela observada nas principais pot\u00eancias cient\u00edficas. A produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica brasileira continua relevante, mas sua transforma\u00e7\u00e3o em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, patentes, produtos e ganhos de competitividade econ\u00f4mica ocorre em ritmo inferior ao observado em pa\u00edses que hoje lideram a economia do conhecimento.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A discuss\u00e3o sobre o futuro das universidades brasileiras n\u00e3o se limita, portanto, ao n\u00famero de artigos publicados ou \u00e0 posi\u00e7\u00e3o em rankings internacionais. Ela envolve a capacidade de um pa\u00eds transformar conhecimento em desenvolvimento. Os dados dispon\u00edveis mostram que o Brasil j\u00e1 possui uma base universit\u00e1ria robusta e consolidada. Mostram tamb\u00e9m que, diante das exig\u00eancias de uma economia cada vez mais dependente da ci\u00eancia e da tecnologia, ainda permanece consideravelmente aqu\u00e9m do patamar alcan\u00e7ado pelas na\u00e7\u00f5es que ocupam os primeiros lugares na produ\u00e7\u00e3o e no aproveitamento estrat\u00e9gico do conhecimento.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/div>\n<div><em>&#8220;A educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 prepara\u00e7\u00e3o para a vida; a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria vida.&#8221;<\/em><\/div>\n<div>John Dewey<\/div>\n<div>\n<figure id=\"attachment_27460\" aria-describedby=\"caption-attachment-27460\" style=\"width: 402px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27460\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/john-1.jpg\" alt=\"\" width=\"402\" height=\"435\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/john-1.jpg 637w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/john-1-277x300.jpg 277w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/john-1-550x595.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/john-1-230x249.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 402px) 100vw, 402px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27460\" class=\"wp-caption-text\">John Dewey. Foto: gettyimages.com<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia\u00a0\u00a0<\/strong><\/div>\n<div>Volta. assim, \u00e0s manchetes, o nome do major Lameir\u00e3o, tristemente celebre pelos acontecimentos de Jacareacanga e Aragar\u00e7as. E o povo pergunta desesperado o que ser\u00e1 feito do homem que por pouco n\u00e3o provocou o maior desastre dos nossos tempos. <strong>(Publicada em 22.05.1962)<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Na ponta da velha balan\u00e7a, nos dois extremos, pesa o debate sobre o ensino superior brasileiro, assunto que costuma oscilar. De um lado, a percep\u00e7\u00e3o de que as universidades p\u00fablicas atravessam uma crise permanente. Drogas, festas e muita bebida alc\u00f3olica. 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