{"id":27445,"date":"2026-06-20T01:00:38","date_gmt":"2026-06-20T04:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27445"},"modified":"2026-06-19T15:52:16","modified_gmt":"2026-06-19T18:52:16","slug":"pandemia-silenciosa-da-mente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/pandemia-silenciosa-da-mente\/","title":{"rendered":"Pandemia silenciosa da mente"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_11552\" aria-describedby=\"caption-attachment-11552\" style=\"width: 514px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-11552\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/depress\u00e3o-capa.jpg\" alt=\"\" width=\"514\" height=\"270\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/depress\u00e3o-capa.jpg 700w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/depress\u00e3o-capa-300x158.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/depress\u00e3o-capa-350x184.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/depress\u00e3o-capa-550x289.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/depress\u00e3o-capa-230x121.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 514px) 100vw, 514px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11552\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: criatives.com.br<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Poucas vezes na hist\u00f3ria moderna uma crise de sa\u00fade p\u00fablica avan\u00e7ou de forma t\u00e3o r\u00e1pida, t\u00e3o abrangente e t\u00e3o silenciosa quanto a crise global da sa\u00fade mental. N\u00e3o se trata de uma impress\u00e3o subjetiva. Os n\u00fameros confirmam que algo profundo est\u00e1 acontecendo com a popula\u00e7\u00e3o mundial. Ansiedade, depress\u00e3o, transtornos de humor, s\u00edndromes relacionadas ao estresse, dist\u00farbios do sono e outros problemas ps\u00edquicos avan\u00e7am em praticamente todos os continentes, atingindo crian\u00e7as, jovens, adultos e idosos. Segundo dados recentes compilados pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, mais de 1 bilh\u00e3o de pessoas convivem atualmente com algum transtorno mental. Isso significa que aproximadamente uma em cada sete pessoas no planeta enfrenta algum tipo de problema relacionado \u00e0 sa\u00fade da mente.<\/p>\n<p>Trata-se de uma realidade que desafia governos, sistemas de sa\u00fade e especialistas. Tamb\u00e9m levanta uma quest\u00e3o inevit\u00e1vel: o que aconteceu com a sociedade contempor\u00e2nea para produzir tamanha expans\u00e3o dos dist\u00farbios mentais? Durante s\u00e9culos, doen\u00e7as infecciosas foram consideradas as grandes amea\u00e7as \u00e0 humanidade. Hoje, embora continuem existindo, observa-se o crescimento acelerado das chamadas doen\u00e7as da mente. A depress\u00e3o tornou-se uma das principais causas de incapacidade no mundo. Transtornos de ansiedade avan\u00e7am em ritmo semelhante. A pr\u00f3pria OMS considera a sa\u00fade mental uma das maiores prioridades sanit\u00e1rias do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica envolvendo mais de 75 mil participantes estimou que aproximadamente 4% da popula\u00e7\u00e3o brasileira utiliza antidepressivos, com preval\u00eancia crescente entre mulheres e idosos. O dado talvez pare\u00e7a pequeno \u00e0 primeira vista. N\u00e3o \u00e9. Considerando uma popula\u00e7\u00e3o superior a 200 milh\u00f5es de habitantes, estamos falando de milh\u00f5es de brasileiros utilizando medicamentos para lidar com sofrimento ps\u00edquico. Al\u00e9m disso, os n\u00fameros oficiais normalmente capturam apenas os casos diagnosticados e tratados, deixando de fora uma vasta popula\u00e7\u00e3o que convive com sintomas sem procurar assist\u00eancia m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Nenhuma gera\u00e7\u00e3o anterior viveu submetida a tamanha quantidade de est\u00edmulos informacionais. Redes sociais, notifica\u00e7\u00f5es permanentes, excesso de telas, compara\u00e7\u00e3o social constante e hiperconectividade alteraram profundamente os h\u00e1bitos humanos. O c\u00e9rebro, moldado durante milhares de anos para lidar com ambientes relativamente est\u00e1veis, passou a receber uma avalanche cont\u00ednua de informa\u00e7\u00f5es. Somam-se a isso fatores econ\u00f4micos. Inseguran\u00e7a profissional, endividamento crescente, encarecimento do custo de vida, dificuldade de acesso \u00e0 moradia e perspectivas incertas para o futuro criam um ambiente permanente de tens\u00e3o psicol\u00f3gica. Outro elemento importante est\u00e1 relacionado ao enfraquecimento de estruturas tradicionais de conviv\u00eancia. Fam\u00edlias menores, relacionamentos mais fr\u00e1geis, isolamento social crescente e redu\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos comunit\u00e1rios produziram uma sociedade mais conectada digitalmente e, paradoxalmente, mais solit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rias economias desenvolvidas, m\u00e9dicos e especialistas apontam que muitos quadros de sofrimento emocional refletem n\u00e3o apenas problemas individuais, mas condi\u00e7\u00f5es sociais deterioradas, marcadas por estresse cr\u00f4nico, jornadas de trabalho desgastantes e inseguran\u00e7a cotidiana. Outro aspecto relevante envolve a pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o dos diagn\u00f3sticos.<br \/>\nEstudos internacionais apontam aumentos expressivos especialmente em casos de ansiedade e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse contexto surge outro fen\u00f4meno digno de reflex\u00e3o: a explos\u00e3o do mercado farmac\u00eautico ligado \u00e0 sa\u00fade mental. Antidepressivos, ansiol\u00edticos, estabilizadores de humor e medicamentos para transtornos do sono movimentam bilh\u00f5es de d\u00f3lares todos os anos. Em muitos pa\u00edses, o consumo desses produtos alcan\u00e7ou n\u00edveis sem precedentes. Pesquisas internacionais, como a realizada pela OCDE: Health at a Glance (Um olhar sobre a sa\u00fade) mostram que antidepressivos figuram entre os medicamentos mais prescritos do mundo. Para milh\u00f5es de pessoas representam tratamento fundamental e, muitas vezes, salvador. O problema surge quando toda uma quest\u00e3o social complexa passa a ser tratada exclusivamente sob uma perspectiva farmacol\u00f3gica. Nenhum comprimido \u00e9 capaz de substituir rela\u00e7\u00f5es humanas saud\u00e1veis. Nenhum medicamento elimina sozinho os efeitos da solid\u00e3o, da inseguran\u00e7a econ\u00f4mica ou da fragmenta\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m merece aten\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es. Crian\u00e7as e adolescentes cresceram em um ambiente radicalmente diferente daquele conhecido por seus pais e av\u00f3s. Exposi\u00e7\u00e3o precoce \u00e0s redes sociais, redu\u00e7\u00e3o das intera\u00e7\u00f5es presenciais, press\u00e3o por desempenho e excesso de est\u00edmulos digitais criaram desafios in\u00e9ditos para o desenvolvimento emocional. Tudo indica que a humanidade entrou em uma nova fase de sua hist\u00f3ria. Durante muito tempo o principal desafio foi vencer doen\u00e7as que atacavam o corpo. Agora surge um desafio igualmente complexo: preservar a sa\u00fade da mente em um mundo cada vez mais acelerado, competitivo e tecnologicamente invasivo. Nenhuma sociedade pode considerar normal que centenas de milh\u00f5es de pessoas convivam permanentemente com ansiedade, depress\u00e3o ou sofrimento emocional incapacitante. Talvez a grande pergunta do nosso tempo seja: quanto custa a sua paz?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cDeprimido com o aquecimento global? Nem tanto quanto os ursos bipolares.\u201d<\/em><br \/>\nM\u00eddias sociais<\/p>\n<figure id=\"attachment_27449\" aria-describedby=\"caption-attachment-27449\" style=\"width: 456px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27449\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/mente.jpg\" alt=\"\" width=\"456\" height=\"302\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/mente.jpg 1074w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/mente-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/mente-768x509.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/mente-1024x679.jpg 1024w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/mente-800x530.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/mente-550x365.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/mente-230x152.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27449\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o: reprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nQuase se consumava um dos maiores atentados da hist\u00f3ria terrorista da humanidade. Um oficial reformado da FAB, celebre pelo furto de avi\u00e3o \u00e0 guisa de revolu\u00e7\u00e3o, confessou haver colocado uma bomba rel\u00f3gio na Exposi\u00e7\u00e3o russa, que, se explodisse, seria cat\u00e1strofe maior que a do circo de Niter\u00f3i. <strong>(Publicada em 22.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Poucas vezes na hist\u00f3ria moderna uma crise de sa\u00fade p\u00fablica avan\u00e7ou de forma t\u00e3o r\u00e1pida, t\u00e3o abrangente e t\u00e3o silenciosa quanto a crise global da sa\u00fade mental. N\u00e3o se trata de uma impress\u00e3o subjetiva. 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