{"id":27439,"date":"2026-06-19T01:00:56","date_gmt":"2026-06-19T04:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27439"},"modified":"2026-06-19T15:03:45","modified_gmt":"2026-06-19T18:03:45","slug":"uma-praca-para-chamar-de-sua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/uma-praca-para-chamar-de-sua\/","title":{"rendered":"Uma Pra\u00e7a para Chamar de Sua"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27443\" aria-describedby=\"caption-attachment-27443\" style=\"width: 542px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-27443\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/lago.jpg\" alt=\"\" width=\"542\" height=\"371\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/lago.jpg 542w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/lago-300x205.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/lago-230x157.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 542px) 100vw, 542px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27443\" class=\"wp-caption-text\">Foto: luzcont.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 regi\u00f5es que crescem apenas em n\u00famero de moradores. Outras crescem em renda, infraestrutura e valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. O Lago Norte, em Bras\u00edlia, cresceu em tudo isso. Mas h\u00e1 algo essencial que ficou para tr\u00e1s: a cria\u00e7\u00e3o de um grande espa\u00e7o de conviv\u00eancia comunit\u00e1ria capaz de reunir seus moradores em torno da vida social, cultural e recreativa da \u00e1rea.<\/p>\n<p>Hoje, o Lago Norte abriga uma popula\u00e7\u00e3o superior a 40 mil habitantes. Trata-se de uma das regi\u00f5es administrativas com elevados \u00edndices de escolaridade e renda do Distrito Federal. Levantamentos recentes apontam renda domiciliar m\u00e9dia superior a R$ 15 mil mensais e mais de 70% dos adultos com ensino superior completo. A popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m apresenta forte presen\u00e7a de idosos, ao lado de milhares de crian\u00e7as e jovens que vivem nas diversas quadras, condom\u00ednios e setores habitacionais da regi\u00e3o. S\u00e3o n\u00fameros que revelam uma comunidade consolidada, madura e economicamente relevante para o Distrito Federal. Uma popula\u00e7\u00e3o que paga elevados impostos, contribui para a arrecada\u00e7\u00e3o p\u00fablica e ajuda a sustentar boa parte da economia local.<\/p>\n<p>Mas basta observar a rotina do bairro para perceber um paradoxo. Apesar de toda sua pujan\u00e7a econ\u00f4mica, o Lago Norte n\u00e3o possui um verdadeiro centro de conviv\u00eancia comunit\u00e1ria. N\u00e3o h\u00e1 um local amplo, p\u00fablico e permanente onde moradores possam encontrar amigos, participar de atividades culturais, assistir a apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, frequentar cursos, praticar esportes, caminhar em seguran\u00e7a ou simplesmente conviver. Os encontros acabam migrando para os shopping centers, restaurantes e bares. S\u00e3o op\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas, mas que dependem do consumo como condi\u00e7\u00e3o de perman\u00eancia. Quem deseja apenas passear, conversar ou participar da vida comunit\u00e1ria encontra poucas alternativas. O resultado \u00e9 uma esp\u00e9cie de isolamento social silencioso. As pessoas moram pr\u00f3ximas, mas convivem pouco. Conhecem os vizinhos de vista, mas raramente compartilham experi\u00eancias coletivas.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o chama ainda mais aten\u00e7\u00e3o porque o Lago Norte possui caracter\u00edsticas \u00fanicas dentro de Bras\u00edlia. Poucas regi\u00f5es disp\u00f5em de tanta \u00e1rea verde, proximidade com o Lago Parano\u00e1, qualidade urban\u00edstica e potencial paisag\u00edstico. Em teoria, poderia ser um dos melhores lugares da capital para desenvolver um modelo moderno de conviv\u00eancia urbana, capaz de integrar diferentes gera\u00e7\u00f5es em torno de atividades culturais, esportivas e recreativas. \u00c9 justamente nesse contexto que ressurge a discuss\u00e3o sobre o futuro do antigo Clube do Congresso.<\/p>\n<p>Localizado em uma \u00e1rea privilegiada e pertencente \u00e0 Uni\u00e3o, o espa\u00e7o possui dimens\u00f5es, estrutura e localiza\u00e7\u00e3o capazes de transform\u00e1-lo em algo muito maior do que um clube tradicional. Sua voca\u00e7\u00e3o natural talvez j\u00e1 n\u00e3o seja servir a um grupo restrito de associados, mas tornar-se um equipamento p\u00fablico voltado para toda a comunidade. A ideia de transform\u00e1-lo em um Clube de Unidade de Vizinhan\u00e7a merece ser debatida com seriedade. O conceito n\u00e3o \u00e9 novo. Diversas cidades ao redor do mundo investiram em centros comunit\u00e1rios multifuncionais que re\u00fanem bibliotecas, audit\u00f3rios, espa\u00e7os esportivos, \u00e1reas para idosos, atividades infantis, cursos profissionalizantes e programa\u00e7\u00e3o cultural permanente. S\u00e3o locais onde a popula\u00e7\u00e3o encontra n\u00e3o apenas lazer, mas tamb\u00e9m pertencimento.<\/p>\n<p>Num bairro onde vivem milhares de aposentados, profissionais liberais, servidores p\u00fablicos, estudantes e fam\u00edlias jovens, um equipamento dessa natureza teria enorme potencial de utiliza\u00e7\u00e3o. Os idosos encontrariam espa\u00e7os adequados para atividades f\u00edsicas, conviv\u00eancia e preven\u00e7\u00e3o do isolamento social. As crian\u00e7as teriam acesso a atividades educativas e esportivas. Os jovens poderiam participar de oficinas culturais, eventos e programas de forma\u00e7\u00e3o. As fam\u00edlias ganhariam um ponto permanente de encontro. Mais do que isso, o pr\u00f3prio Lago Norte passaria a possuir uma identidade comunit\u00e1ria mais forte.<\/p>\n<p>Bras\u00edlia nasceu sob a inspira\u00e7\u00e3o das chamadas Unidades de Vizinhan\u00e7a, conceito urban\u00edstico que previa escolas, com\u00e9rcio, \u00e1reas verdes e equipamentos p\u00fablicos capazes de fortalecer os la\u00e7os sociais. Em muitos aspectos, esse ideal perdeu for\u00e7a ao longo das d\u00e9cadas. Recuper\u00e1-lo seria, de certa forma, resgatar uma das ideias mais interessantes presentes no projeto original da capital. A proximidade das elei\u00e7\u00f5es distritais oferece uma oportunidade rara para colocar essa discuss\u00e3o na agenda p\u00fablica. Os candidatos costumam falar de tr\u00e2nsito, seguran\u00e7a e obras vi\u00e1rias. S\u00e3o temas importantes. Mas a qualidade de vida tamb\u00e9m depende da exist\u00eancia de espa\u00e7os que permitam \u00e0s pessoas viver a cidade para al\u00e9m do deslocamento entre casa e trabalho.<\/p>\n<p>Em tempos onde as rela\u00e7\u00f5es humanas se tornam cada vez mais virtuais e fragmentadas, investir em espa\u00e7os reais de conviv\u00eancia pode ser uma das pol\u00edticas p\u00fablicas mais inteligentes que uma cidade pode adotar. Falta apenas vontade pol\u00edtica para transformar esse potencial em realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cMais de uma d\u00e9cada de rezoneamentos em toda a cidade, especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e guerras de lances corporativos por espa\u00e7os comerciais dispon\u00edveis criaram um habitat darwiniano onde o varejo corporativo prolifera e onde os pequenos com\u00e9rcios familiares se tornaram uma esp\u00e9cie em extin\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><br \/>\nAlessandro Bus\u00e0<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LAGO NORTE #MINHABRAS\u00cdLIA ENTRE ASAS E EIXOS\" width=\"1440\" height=\"810\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QBF7oCRarO4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nAgora as not\u00edcias: o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o autorizou o Tesouro a liberar 610 milh\u00f5es para serem utilizados pela Funda\u00e7\u00e3o Educacional. <strong>(Publicado em 20.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; H\u00e1 regi\u00f5es que crescem apenas em n\u00famero de moradores. 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