{"id":27431,"date":"2026-06-14T01:00:23","date_gmt":"2026-06-14T04:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27431"},"modified":"2026-06-15T11:09:11","modified_gmt":"2026-06-15T14:09:11","slug":"a-sanha-arrecadatoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-sanha-arrecadatoria\/","title":{"rendered":"A sanha arrecadat\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_10734\" aria-describedby=\"caption-attachment-10734\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10734\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/05\/img_impostos_brasileiros-desigualdade_verbo-charge.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/05\/img_impostos_brasileiros-desigualdade_verbo-charge.jpg 450w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/05\/img_impostos_brasileiros-desigualdade_verbo-charge-300x167.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/05\/img_impostos_brasileiros-desigualdade_verbo-charge-350x194.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/05\/img_impostos_brasileiros-desigualdade_verbo-charge-230x128.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-10734\" class=\"wp-caption-text\">Charge: novoeste.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>H\u00e1 uma distopia em constru\u00e7\u00e3o no Brasil. Ela n\u00e3o chegou de repente, com tanques nas ruas ou decretos autorit\u00e1rios. Chegou silenciosamente, protocolar, embrulhada em resolu\u00e7\u00f5es normativas, rubricas or\u00e7ament\u00e1rias e jarg\u00f5es t\u00e9cnicos. Chegou pela via dos tributos que se multiplicam sem correspond\u00eancia em servi\u00e7os, pelas emendas parlamentares que sangram o Tesouro para alimentar currais eleitorais, pela corrup\u00e7\u00e3o que corr\u00f3i cada real arrecadado antes mesmo que chegue ao destino declarado e pelo crime organizado que ocupa os espa\u00e7os abandonados pelo Estado.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 um pa\u00eds que tributa como na\u00e7\u00e3o desenvolvida e entrega como na\u00e7\u00e3o falida. Manchetes estampam &#8220;O Brasil atingiu em 2025 a maior carga tribut\u00e1ria da s\u00e9rie hist\u00f3rica: 32,4% do PIB. Nenhum servi\u00e7o p\u00fablico correspondente foi entregue&#8221;. Cada esfera governa os pr\u00f3prios instrumentos de coleta: na Uni\u00e3o, o Imposto de Renda, a Cofins, o PIS e as contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias; nos estados, o ICMS, o IPVA e o ITCMD; nos munic\u00edpios, o ISS, o IPTU e o ITBI. O contribuinte \u00e9 o mesmo em todos os balc\u00f5es. O Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributa\u00e7\u00e3o (IBPT) calculou que, em 2024, o trabalhador brasileiro precisou trabalhar at\u00e9 28 de maio \u2014 149 dias \u2014 apenas para quitar suas obriga\u00e7\u00f5es com o Estado. Trata-se de quase metade do ano consumida em tributos antes que um \u00fanico real reste para o indiv\u00edduo construir patrim\u00f4nio, investir, poupar ou simplesmente viver com dignidade.<\/p>\n<p>A carga tribut\u00e1ria de 2025 foi de 32,40% do PIB maior da s\u00e9rie hist\u00f3rica (Tesouro Nacional). A de 2023, 30,26% do PIB \u2014 ou seja, alta de 2,14 pontos percentuais em dois anos. Os dias trabalhados para pagar tributos em 2024 foram 49. A posi\u00e7\u00e3o no ranking mundial, 14\u00aa maior carga entre os pa\u00edses da OCDE \u2014 pior retorno em bem-estar. A perversidade do modelo est\u00e1, contudo, menos no volume e mais na estrutura. Enquanto os pa\u00edses da OCDE concentram sua arrecada\u00e7\u00e3o predominantemente em tributos sobre renda e patrim\u00f4nio, o que tende a ser mais progressivo, o Brasil arrecada principalmente sobre consumo e folha de pagamento. Em 2025, os impostos sobre bens e servi\u00e7os representaram 13,78% do PIB.<\/p>\n<p>O que isso significa, na pr\u00e1tica, \u00e9 que o faxineiro e o executivo pagam o mesmo ICMS ao comprar arroz no supermercado. \u00c9 a regressividade institucionalizada. O chamado Custo Brasil, resultante dessa estrutura que pune produ\u00e7\u00e3o e consumo, encarece sistematicamente os produtos nacionais e torna as empresas brasileiras n\u00e3o competitivas no mercado global. Cada ponto percentual de carga tribut\u00e1ria sobre o consumo \u00e9 um imposto oculto cobrado na boca do caixa de quem tem menos. Outra constata\u00e7\u00e3o nas p\u00e1ginas eletr\u00f4nicas:&#8221;O trabalhador brasileiro \u00e9 tributado como su\u00ed\u00e7o, mas atendido como cidad\u00e3o de quinto mundo\u201d. Essa \u00e9 a ess\u00eancia do pacto perverso que governa o pa\u00eds. A teoria econ\u00f4mica, j\u00e1 h\u00e1 d\u00e9cadas, advertiu sobre os limites da tributa\u00e7\u00e3o. A Curva de Laffer demonstra que, acima de determinado ponto, o aumento de al\u00edquotas n\u00e3o gera mais receita \u2014 ao contr\u00e1rio, destr\u00f3i a base produtiva, estimula a evas\u00e3o fiscal, a informalidade e a desindustrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Brasil cruzou essa fronteira. O mercado informal responde por cerca de 40% do PIB, segundo estimativas do IBGE. A fuga da formalidade n\u00e3o \u00e9 desonestidade cultural, \u00e9 resposta racional ao custo insuport\u00e1vel de existir legalmente. A desindustrializa\u00e7\u00e3o avan\u00e7a h\u00e1 duas d\u00e9cadas. A participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o no PIB caiu de cerca de 22% nos anos 1980 para menos de 11% no per\u00edodo recente.<\/p>\n<p>Pequenas e m\u00e9dias empresas, espinha dorsal do emprego formal, morrem n\u00e3o pela falta de mercado, mas pela impossibilidade de pagar tributos, sal\u00e1rios com encargos e, ainda, competir com importados livres de toda a mesma burocracia. O IPVA cobrado sobre ve\u00edculos, o IPTU sobre im\u00f3veis urbanos, as taxas de licenciamento, as contribui\u00e7\u00f5es sindicais compuls\u00f3rias que sobreviveram \u00e0 reforma trabalhista, s\u00e3o camadas sobre camadas de extra\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se comunicam com a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos. A cobran\u00e7a existe; a contrapartida, n\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 no Brasil mais de 90 tributos distintos, entre impostos, taxas, contribui\u00e7\u00f5es, contribui\u00e7\u00f5es de melhoria e contribui\u00e7\u00f5es especiais. Muitos incidem em cascata sobre os mesmos fatos geradores. A bitributa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 acidente: \u00e9 design. O cidad\u00e3o paga o ICMS embutido na conta de energia el\u00e9trica e, depois, paga o PIS\/Cofins sobre o mesmo produto. O empres\u00e1rio paga o IRPJ sobre o lucro e, ao distribuir dividendos, o acionista paga novamente. A complexidade \u00e9 o produto, n\u00e3o o subproduto.<\/p>\n<p>Na lente da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp), h\u00e1 o c\u00e1lculo que apenas as licita\u00e7\u00f5es viciadas custam ao pa\u00eds R$ 20 bilh\u00f5es anuais. Os n\u00fameros mais recentes confirmam a gravidade. Em 2025, a Controladoria-Geral da Uni\u00e3o (CGU), em articula\u00e7\u00e3o com a Pol\u00edcia Federal, realizou 76 opera\u00e7\u00f5es especiais \u2014 crescimento de 46% em rela\u00e7\u00e3o a 2024 \u2014 identificando R$ 13,6 bilh\u00f5es em preju\u00edzos potenciais. O valor m\u00e9dio por opera\u00e7\u00e3o pulou de R$ 5,4 milh\u00f5es em 2022 para R$ 188,6 milh\u00f5es em 2025. A escala do crime cresceu na mesma propor\u00e7\u00e3o que a capacidade de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cO diabo \u00e9 que a nossa infla\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em><em>n\u00e3o \u00e9 de demanda ou de custo. \u00c9\u00a0<\/em><em>infla\u00e7\u00e3o de chuchu mesmo.\u201d<\/em><br \/>\nM\u00e1rio Henrique Simonsen<\/p>\n<figure id=\"attachment_25005\" aria-describedby=\"caption-attachment-25005\" style=\"width: 477px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-25005\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/mario.png\" alt=\"\" width=\"477\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/mario.png 477w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/mario-300x188.png 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2024\/10\/mario-230x144.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 477px) 100vw, 477px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25005\" class=\"wp-caption-text\">M\u00e1rio Henrique Simonsen. Foto: istoedinheiro.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nEssa opera\u00e7\u00e3o traria as seguintes vantagens: entrega a curto prazo de 2.400 apartamentos; canaliza\u00e7\u00e3o, para Bras\u00edlia, de 50% do custo, ou sejam 5 bilh\u00f5es de cruzeiros da iniciativa privada.\u00a0<strong>(Publicado em 20\/5\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; H\u00e1 uma distopia em constru\u00e7\u00e3o no Brasil. Ela n\u00e3o chegou de repente, com tanques nas ruas ou decretos autorit\u00e1rios. Chegou silenciosamente, protocolar, embrulhada em resolu\u00e7\u00f5es normativas, rubricas or\u00e7ament\u00e1rias e jarg\u00f5es t\u00e9cnicos. 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