{"id":27393,"date":"2026-06-10T01:00:08","date_gmt":"2026-06-10T04:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27393"},"modified":"2026-06-11T20:20:53","modified_gmt":"2026-06-11T23:20:53","slug":"crepusculo-da-razao-e-a-tentacao-da-servidao-voluntaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/crepusculo-da-razao-e-a-tentacao-da-servidao-voluntaria\/","title":{"rendered":"Crep\u00fasculo da Raz\u00e3o e a Tenta\u00e7\u00e3o da Servid\u00e3o Volunt\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27411\" aria-describedby=\"caption-attachment-27411\" style=\"width: 785px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-27411\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/ilu.jpg\" alt=\"\" width=\"785\" height=\"588\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/ilu.jpg 785w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/ilu-300x225.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/ilu-768x575.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/ilu-550x412.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/ilu-230x172.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 785px) 100vw, 785px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27411\" class=\"wp-caption-text\">Uma li\u00e7\u00e3o no gabinete de hist\u00f3ria natural; ilustra\u00e7\u00e3o de &#8220;Elementary Work&#8221;, de Basedow, por Daniel Chodowiecki.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>(Carta imagin\u00e1ria de Immanuel Kant para o Brasil em 2026)<\/strong><\/p>\n<p>Se me fosse permitido observar o estado presente da humanidade, ap\u00f3s mais de dois s\u00e9culos de minha passagem pelo mundo, encontraria uma civiliza\u00e7\u00e3o dotada de recursos materiais e capacidades t\u00e9cnicas que ultrapassariam qualquer expectativa conceb\u00edvel no s\u00e9culo XVIII. O homem atravessa oceanos em horas, comunica-se instantaneamente atrav\u00e9s dos continentes e disp\u00f5e de instrumentos capazes de armazenar e processar mais informa\u00e7\u00f5es do que todas as bibliotecas conhecidas de meu tempo. Mas a quest\u00e3o fundamental permanece inalterada: tornou-se o homem mais livre? A resposta, infelizmente, n\u00e3o parece t\u00e3o evidente quanto os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos poderiam sugerir.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, a humanidade acreditou que o progresso material seria acompanhado pelo aperfei\u00e7oamento moral. Supunha-se que a expans\u00e3o do conhecimento conduziria naturalmente ao esclarecimento, que denominei Aufkl\u00e4rung, a sa\u00edda do homem de sua menoridade autoimposta. Esperava-se que cidad\u00e3os instru\u00eddos fossem menos suscet\u00edveis ao medo, \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o e \u00e0 tutela dos poderosos. Os acontecimentos recentes parecem desafiar tal esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Uma epidemia de alcance global revelou n\u00e3o apenas a fragilidade dos corpos, mas tamb\u00e9m a vulnerabilidade dos esp\u00edritos. O medo, esse antigo instrumento de governo, reapareceu com extraordin\u00e1ria efic\u00e1cia. Em muitas na\u00e7\u00f5es, homens e mulheres acostumados a proclamar sua independ\u00eancia aceitaram restri\u00e7\u00f5es antes impens\u00e1veis sem questionamento significativo. N\u00e3o cabe aqui discutir a necessidade ou n\u00e3o de medidas espec\u00edficas. O ponto filos\u00f3fico \u00e9 outro. A verdadeira preocupa\u00e7\u00e3o surge quando a obedi\u00eancia deixa de ser resultado da convic\u00e7\u00e3o racional e passa a ser produto da simples conformidade. O esclarecimento exige coragem. Exige a disposi\u00e7\u00e3o de perguntar, de duvidar, de examinar. Quando a d\u00favida passa a ser considerada suspeita e o questionamento converte-se em transgress\u00e3o moral, algo essencial \u00e0 liberdade humana encontra-se amea\u00e7ado.<\/p>\n<p>A divis\u00e3o crescente das sociedades contempor\u00e2neas constitui outro fen\u00f4meno digno de aten\u00e7\u00e3o. Em vez de cidad\u00e3os empenhados na busca comum da verdade, observam-se tribos ideol\u00f3gicas empenhadas na confirma\u00e7\u00e3o de suas certezas. Os indiv\u00edduos n\u00e3o procuram argumentos para testar suas cren\u00e7as; procuram argumentos para proteg\u00ea-las. A raz\u00e3o, criada para servir ao conhecimento, converte-se em advogada das paix\u00f5es. Cada grupo considera-se portador exclusivo da virtude. Cada fac\u00e7\u00e3o v\u00ea na outra n\u00e3o um advers\u00e1rio a ser persuadido, mas um inimigo a ser derrotado. O resultado inevit\u00e1vel \u00e9 a deteriora\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico. O di\u00e1logo transforma-se em disputa, a disputa transforma-se em hostilidade e a hostilidade prepara o terreno para novas formas de autoritarismo. Nenhum governo precisa impor censura severa quando os pr\u00f3prios cidad\u00e3os aprendem a censurar uns aos outros. Entretanto, seria equivocado atribuir toda responsabilidade aos governantes. A servid\u00e3o raramente se sustenta apenas pela for\u00e7a. Ela frequentemente depende da colabora\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios submetidos. Muitos indiv\u00edduos preferem a seguran\u00e7a da orienta\u00e7\u00e3o externa ao peso da responsabilidade moral. Desejam que algu\u00e9m lhes diga o que pensar, o que sentir, o que aprovar e o que condenar. A liberdade exige esfor\u00e7o. A depend\u00eancia oferece conforto.<\/p>\n<p>Outro aspecto preocupante consiste na crescente subordina\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios aos interesses. Observa-se, em diversos campos da vida p\u00fablica, uma tend\u00eancia a avaliar a moralidade das a\u00e7\u00f5es n\u00e3o por sua conformidade com o dever, mas por sua utilidade imediata. O que gera lucro torna-se virtuoso. O que produz vantagem pol\u00edtica torna-se justific\u00e1vel. O que fortalece determinado grupo passa a ser considerado leg\u00edtimo. Entretanto, uma sociedade incapaz de distinguir entre conveni\u00eancia e dever encontra-se em processo de eros\u00e3o moral.<\/p>\n<p>O imperativo categ\u00f3rico permanece simples em sua formula\u00e7\u00e3o e exigente em suas consequ\u00eancias. Antes de agir, cada indiv\u00edduo deveria perguntar a si mesmo se aceitaria que a m\u00e1xima de sua conduta se transformasse em lei universal. A resposta a essa pergunta eliminaria grande parte das hipocrisias contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>Muitos defendem para si direitos que negam aos outros. Muitos exigem toler\u00e2ncia para suas opini\u00f5es enquanto recusam toler\u00e2ncia \u00e0s opini\u00f5es divergentes. Muitos denunciam abusos quando s\u00e3o v\u00edtimas deles, mas permanecem silenciosos quando os abusos favorecem suas causas. Nenhuma dessas atitudes resiste ao teste da universaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda assim, n\u00e3o conv\u00e9m concluir este ensaio em tom de desespero. A hist\u00f3ria humana jamais foi uma marcha linear em dire\u00e7\u00e3o ao aperfei\u00e7oamento. O progresso moral sempre ocorreu por meio de avan\u00e7os e retrocessos. A liberdade frequentemente parece enfraquecida antes de recuperar sua for\u00e7a. Permanece v\u00e1lido, portanto, o ideal do esclarecimento.<\/p>\n<p>O destino da civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 decidido pelas m\u00e1quinas, pelos mercados ou pelos governos, mas pela capacidade dos indiv\u00edduos de exercerem sua autonomia moral. O maior perigo continua sendo a ren\u00fancia volunt\u00e1ria ao uso da pr\u00f3pria raz\u00e3o. Enquanto existirem homens e mulheres dispostos a pensar por si mesmos, a examinar criticamente as autoridades, a submeter suas pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es ao escrut\u00ednio da raz\u00e3o e a tratar os demais como fins em si mesmos, a esperan\u00e7a n\u00e3o estar\u00e1 perdida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>\u201cN\u00e3o somos ricos pelo que possu\u00edmos, mas pelo que podemos dispensar.\u201d<\/em><br \/>\nImmanuel Kant<\/p>\n<figure id=\"attachment_14233\" aria-describedby=\"caption-attachment-14233\" style=\"width: 293px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-14233\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/kant.jpg\" alt=\"\" width=\"293\" height=\"415\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/kant.jpg 267w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/kant-212x300.jpg 212w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/kant-247x350.jpg 247w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/06\/kant-230x326.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 293px) 100vw, 293px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14233\" class=\"wp-caption-text\">Immanuel Kant. Imagem: reprodu\u00e7\u00e3o \/ internet<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nO Minist\u00e9rio da Saude, por sua vez, autorizou a libera\u00e7\u00e3o de uma verba de 574 milh\u00f5es de cruzeiros para a Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar. Esta verba ir\u00e1 para o Rio, onde passar\u00e1 pela Divis\u00e3o de Or\u00e7amento. Em seguida, ser\u00e1 registrada no Tribunal de Contas, para pronta utiliza\u00e7\u00e3o. <strong>(Publicado em 20.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; (Carta imagin\u00e1ria de Immanuel Kant para o Brasil em 2026) Se me fosse permitido observar o estado presente da humanidade, ap\u00f3s mais de dois s\u00e9culos de minha passagem pelo mundo, encontraria uma civiliza\u00e7\u00e3o dotada de recursos materiais e capacidades t\u00e9cnicas que ultrapassariam qualquer expectativa conceb\u00edvel [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":27411,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[1443,114,4218,4219,3793,68,2,69,16],"class_list":["post-27393","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-evolucaohumana","tag-historiadebrasilia","tag-iluminismo","tag-immanuelkant","tag-moral","tag-aricunha","tag-brasilia","tag-circecunha","tag-mamfil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27393","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27393"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27393\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27412,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27393\/revisions\/27412"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27411"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}