{"id":27388,"date":"2026-06-12T01:00:22","date_gmt":"2026-06-12T04:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27388"},"modified":"2026-06-12T11:55:36","modified_gmt":"2026-06-12T14:55:36","slug":"df-sem-herdeiros-politicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/df-sem-herdeiros-politicos\/","title":{"rendered":"DF sem herdeiros pol\u00edticos"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27422\" aria-describedby=\"caption-attachment-27422\" style=\"width: 634px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27422\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/banco.jpg\" alt=\"\" width=\"634\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/banco.jpg 796w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/banco-300x228.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/banco-768x583.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/banco-550x417.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/banco-230x175.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 634px) 100vw, 634px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27422\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Cazo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia foi concebida como s\u00edmbolo de um Brasil novo, racional e capaz de planejar seu pr\u00f3prio destino. Sete d\u00e9cadas ap\u00f3s sua funda\u00e7\u00e3o, a capital da Rep\u00fablica assiste, perplexa, ao esfacelamento daquele ideal diante de uma crise que \u00e9, ao mesmo tempo, financeira, pol\u00edtica e moral. A emancipa\u00e7\u00e3o representativa do Distrito Federal, vendida \u00e0 popula\u00e7\u00e3o como conquista democr\u00e1tica, revelou, com o tempo, sua face mais sombria: a de um arranjo que servia, antes de tudo, \u00e0s lideran\u00e7as locais e ao poder do capital.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a democracia tornou-se fachada. O que se instalou nos corredores do Buriti foi uma gest\u00e3o que misturou interesses p\u00fablicos e privados com uma naturalidade que deveria nos alarmar h\u00e1 muito. Hoje, o desfecho do caso Banco Master tem o poder de arrastar para a vala comum boa parte das lideran\u00e7as pol\u00edticas do DF e todos aqueles que assinaram, sem qualquer escr\u00fapulo aparente, a documenta\u00e7\u00e3o que atrelava o futuro do BRB, banco p\u00fablico, patrim\u00f4nio do cidad\u00e3o brasiliense \u00e0s perip\u00e9cias financeiras do grupo de Vorcaro.<\/p>\n<p>Assinaturas que comprometeram o dinheiro p\u00fablico n\u00e3o podem ficar impunes. A responsabilidade dolosa precisa ter endere\u00e7o certo. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ignorar o risco, j\u00e1 evidente, de que manobras nas altas c\u00fapulas do poder transformem todo o caso Master num labirinto jur\u00eddico inconcluso. Seria uma trag\u00e9dia anunciada: mais um mega esc\u00e2ndalo do sistema financeiro nacional engolido pelo aparelho do Estado que deveria combat\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Vale lembrar, que o sistema financeiro brasileiro \u00e9 um ser extraordinariamente resiliente, sobretudo, na sua capacidade de prosperar independentemente de quem governa. Entra governo, sai governo: os lucros astron\u00f4micos permanecem. E quando a conta chega, ela \u00e9 invariavelmente depositada no colo da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 incomum ouvir, nos meios pol\u00edticos e financeiros, a defesa de que crises do porte do caso Master exigem uma nova reforma do sistema financeiro nacional. \u00c9 poss\u00edvel que algum iluminado, ali \u00e0 frente, se conven\u00e7a disso. Mas a hist\u00f3ria nos ensina a desconfiar: reformas gestadas no seio das mesmas elites que produziram o problema raramente mudam o essencial.<\/p>\n<p>As pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es para o governo do Distrito Federal se aproximam marcadas por um elemento in\u00e9dito: a possibilidade real de que nomes centrais da pol\u00edtica local sejam, neste momento, alvos de investiga\u00e7\u00f5es sobre sua cumplicidade no caso Master. O espectro da responsabiliza\u00e7\u00e3o paira sobre o campo pol\u00edtico como nunca antes. Nenhum nome consolidado ocupa, com conforto, o espa\u00e7o de favorito. Os partidos que controlam o Buriti e a C\u00e2mara Legislativa do DF carregam o peso de explica\u00e7\u00f5es que ainda n\u00e3o deram. E a oposi\u00e7\u00e3o, fragmentada e sem lideran\u00e7a clara, tem dificuldade de transformar o esc\u00e2ndalo em projeto. O campo pol\u00edtico do DF enfrenta sua maior crise de legitimidade desde a funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma li\u00e7\u00e3o que este e tantos outros esc\u00e2ndalos tentam, sem sucesso, ensinar \u00e0s institui\u00e7\u00f5es brasileiras: os estragos causados por m\u00e1s gest\u00f5es pol\u00edticas e financeiras n\u00e3o podem, em hip\u00f3tese alguma, ser debitados nas costas da popula\u00e7\u00e3o. A conta deve ser cobrada exclusivamente de quem agiu dolosamente. Mas tudo indica, mais uma vez, que ser\u00e1 o cidad\u00e3o comum a arcar com as consequ\u00eancias. Seja por meio da deteriora\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos que deveriam ser financiados pelo BRB, seja pelo custo oculto de uma crise de credibilidade que afasta investimentos e encarece o cr\u00e9dito para quem mais precisa.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, \u00e9 preciso ir al\u00e9m dos diagn\u00f3sticos j\u00e1 conhecidos. Surge a tese de que o acesso direto de pol\u00edticos aos recursos p\u00fablicos precisa ser estruturalmente vedado. N\u00e3o se trata de ceticismo antipol\u00edtica, mas de realismo institucional: dadas as caracter\u00edsticas demonstradas por nossas lideran\u00e7as ao longo de d\u00e9cadas, controles mais r\u00edgidos, acesso de informa\u00e7\u00f5es de emendas pelos contribuintes para acompanhamento de todo o tr\u00e2mite, auditoria independente e separa\u00e7\u00e3o efetiva entre o pol\u00edtico e o financeiro n\u00e3o s\u00e3o luxo s\u00e3o condi\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Bras\u00edlia merece mais do que os gestores que tem tido. Merece mais do que um sistema financeiro capturado por interesses privados. Merece mais do que elei\u00e7\u00f5es decididas pela amn\u00e9sia coletiva ou pela aus\u00eancia de alternativas. O caso Master n\u00e3o \u00e9 apenas um esc\u00e2ndalo banc\u00e1rio. \u00c9 um espelho. E o que ele reflete \u00e9 desconfort\u00e1vel demais para ser ignorado nas urnas. O cidad\u00e3o brasiliense ter\u00e1, nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, uma oportunidade rara: a de exigir responsabilidade antes, e n\u00e3o apenas lamentar a aus\u00eancia dela depois. Primeiro, passa a capital a limpo. Depois pensar em elei\u00e7\u00f5es. \u00c9 o futuro da popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 em jogo e isso \u00e9 o que mais importa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><br \/>\n<em>&#8220;Obrigar um homem a subsidiar com seus impostos a propaga\u00e7\u00e3o de ideias nas quais ele n\u00e3o acredita e que abomina \u00e9 pecaminoso e tir\u00e2nico.&#8221;<\/em><br \/>\nThomas Jefferson<\/p>\n<figure id=\"attachment_17790\" aria-describedby=\"caption-attachment-17790\" style=\"width: 405px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17790\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/tj.jpg\" alt=\"\" width=\"405\" height=\"524\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/tj.jpg 405w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/tj-232x300.jpg 232w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/tj-230x298.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 405px) 100vw, 405px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-17790\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Rembrandt Peale &#8211; Thomas Jefferson &#8211; Google Art Project.jpg<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><br \/>\nO Rotary Club de Bras\u00edlia realizou um grande trabalho de colabora\u00e7\u00e3o aos planos do presidente da Republica. Endere\u00e7ou ao sr. Jo\u00e3o Goulart, por interm\u00e9dio de seu porta voz deputado Milton Reis uma s\u00e9rie de sugest\u00f5es em benef\u00edcio de Bras\u00edlia.<br \/>\nSugeriu colocar \u00e0 venda, pela Novacap, os terrenos para a edifica\u00e7\u00e3o dos 50 blocos residenciais previstos na ultima concorr\u00eancia, para constru\u00e7\u00e3o, financiada, pela Iniciativa Privada. <strong>(Publicado em 20.05.1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Bras\u00edlia foi concebida como s\u00edmbolo de um Brasil novo, racional e capaz de planejar seu pr\u00f3prio destino. Sete d\u00e9cadas ap\u00f3s sua funda\u00e7\u00e3o, a capital da Rep\u00fablica assiste, perplexa, ao esfacelamento daquele ideal diante de uma crise que \u00e9, ao mesmo tempo, financeira, pol\u00edtica e moral. 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