{"id":27372,"date":"2026-06-03T01:00:36","date_gmt":"2026-06-03T04:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=27372"},"modified":"2026-06-03T11:23:03","modified_gmt":"2026-06-03T14:23:03","slug":"a-troca-da-inteligencia-artificial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-troca-da-inteligencia-artificial\/","title":{"rendered":"A troca da intelig\u00eancia artificial"},"content":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p><a href=\"mailto:jornalistacircecunha@gmail.com\">jornalistacircecunha@gmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/vistolidoeouvido?mibextid=ZbWKwL\">facebook.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/instagram.com\/vistolidoeouvido?igshid=YTQwZjQ0NmI0OA==\">instagram.com\/vistolidoeouvido<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_27375\" aria-describedby=\"caption-attachment-27375\" style=\"width: 678px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-27375\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/papa.jpg\" alt=\"\" width=\"678\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/papa.jpg 772w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/papa-300x179.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/papa-768x459.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/papa-550x328.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2026\/06\/papa-230x137.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-27375\" class=\"wp-caption-text\">Papa Le\u00e3o XIV. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Vatican News<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Numa segunda-feira de maio, enquanto os mercados globais de tecnologia somavam mais um trilh\u00e3o em capitaliza\u00e7\u00e3o, um homem de h\u00e1bito branco sentou-se diante de cardeais e engenheiros de intelig\u00eancia artificial (IA) no Vaticano. Nunca antes um papa havia estado presente na Sala Sinodal para apresentar ao p\u00fablico um documento magisterial pr\u00f3prio. O gesto era, em si, uma declara\u00e7\u00e3o. E o documento que trazia nas m\u00e3os, a enc\u00edclica Magnifica humanitas, pode ser a mais importante provoca\u00e7\u00e3o \u00e9tica do ano. Existe uma tradi\u00e7\u00e3o dentro da Igreja Cat\u00f3lica de responder \u00e0s grandes revolu\u00e7\u00f5es do capitalismo com documentos sociais.<\/p>\n<p>Em 1891, o papa Le\u00e3o XIII publicou a Rerum novarum, enfrentando de frente os horrores da industrializa\u00e7\u00e3o, o trabalho infantil, a mis\u00e9ria oper\u00e1ria, o ac\u00famulo obsceno de riqueza numa era de m\u00e1quinas a vapor e chamin\u00e9s negras. Cento e trinta e cinco anos depois, e n\u00e3o por acaso nessa data exata, o papa Le\u00e3o XIV assina a Magnifica humanitas, sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da IA. O nome escolhido para o pontificado n\u00e3o foi acidente: \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de continuidade hist\u00f3rica. A nova revolu\u00e7\u00e3o industrial chegou, e a Igreja pretende ter algo a dizer sobre ela.<\/p>\n<p>A enc\u00edclica, dividida em cinco cap\u00edtulos e com mais de 230 p\u00e1ginas, parte de uma premissa que parece singela, mas \u00e9 radicalmente subversiva dentro do esp\u00edrito da \u00e9poca: a tecnologia n\u00e3o \u00e9 neutra. Numa era em que Silicon Valley vendeu ao mundo a ideia de que o c\u00f3digo \u00e9 pura ferramenta, um martelo n\u00e3o tem moral, argumentam os tecnoentusiastas, Le\u00e3o XIV diz o contr\u00e1rio com precis\u00e3o teol\u00f3gica e filos\u00f3fica.<\/p>\n<p>A IA n\u00e3o \u00e9 m\u00e1 em si mesma, reconhece o documento, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 inocente. Toda tecnologia carrega consigo os valores, as estruturas de poder e os interesses econ\u00f4micos de quem a projeta e de quem financia seu desenvolvimento. Fingir o contr\u00e1rio \u00e9 uma mentira confort\u00e1vel e lucrativa.<\/p>\n<p>Segundo a enc\u00edclica, o desafio \u00e9 &#8220;construir uma nova Torre de Babel ou edificar a cidade na qual Deus e a humanidade habitem juntos&#8221;. A met\u00e1fora da Torre de Babel, usada pelo pr\u00f3prio papa na abertura do documento, \u00e9 mais do que ret\u00f3rica b\u00edblica. \u00c9 um diagn\u00f3stico preciso da arquitetura atual do poder tecnol\u00f3gico: uma constru\u00e7\u00e3o monumental financiada por um punhado de corpora\u00e7\u00f5es, edificada sobre a ilus\u00e3o de que a tecnologia nos tornar\u00e1 onipotentes, capaz de conectar tudo e a todos e, ao mesmo tempo, profundamente destrutiva da linguagem comum, da confian\u00e7a m\u00fatua e do sentido coletivo.<\/p>\n<p>A Babel digital n\u00e3o derruba as torres; ela destr\u00f3i os la\u00e7os. E o papa parece ter enxergado isso. A enc\u00edclica n\u00e3o \u00e9 um documento reacion\u00e1rio. Le\u00e3o XIV n\u00e3o pede que se apague o c\u00f3digo. Pelo contr\u00e1rio: reconhece que a IA pode ser instrumento de liberta\u00e7\u00e3o, de diagn\u00f3stico m\u00e9dico, de democratiza\u00e7\u00e3o do conhecimento. O que o documento questiona, e aqui est\u00e1 sua for\u00e7a provocadora, \u00e9 quem decide como, a servi\u00e7o de quem e com qual velocidade essa tecnologia \u00e9 implantada. Pede prud\u00eancia. Pede sobriedade. Pede, em linguagem papal, algo que os conselhos de administra\u00e7\u00e3o das grandes techs tratam como blasf\u00eamia: desacelera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O papa chama isso de &#8220;desarmar a IA&#8221;. A express\u00e3o \u00e9 feliz e inc\u00f4moda ao mesmo tempo. Desarmar n\u00e3o significa destruir, significa retirar da tecnologia a pretens\u00e3o de ser neutra, inevit\u00e1vel, impar\u00e1vel. Significa questionar a ideia, hoje dominante nos corredores do poder t\u00e9cnico-financeiro, de que quem tem o poder computacional tem automaticamente o direito de governar.<\/p>\n<p>Como as &#8220;novas formas de escravatura&#8221;, a enc\u00edclica denuncia a economia digital: trabalhadores prec\u00e1rios que treinam modelos de linguagem por sal\u00e1rios miser\u00e1veis, crian\u00e7as em regi\u00f5es pobres que trituram terras raras com as pr\u00f3prias m\u00e3os para que os chips existam, comunidades inteiras cujos dados s\u00e3o extra\u00eddos como mat\u00e9ria-prima sem consentimento real. \u00c9 um retrato que os relat\u00f3rios anuais das grandes corpora\u00e7\u00f5es de tecnologia sistematicamente omitem. Que a imprensa econ\u00f4mica raramente coloca em manchete. Que os governos, seduzidos pela promessa de crescimento e pela press\u00e3o dos lobbies, evitam regulamentar com seriedade. A Igreja, sem acionistas a satisfazer, sem anunciantes a proteger e sem elei\u00e7\u00f5es a vencer, pode dizer o que muita gente sabe e poucos t\u00eam coragem de gritar.<\/p>\n<p>Vivemos um momento de singular fragilidade coletiva. As democracias ocidentais enfrentam crises de legitimidade agravadas por algoritmos que amplificam raiva e desinforma\u00e7\u00e3o. As guerras, e h\u00e1 mais de uma em curso, utilizam drones aut\u00f4nomos, vigil\u00e2ncia por IA e sistemas de decis\u00e3o que retiram o julgamento humano do campo de batalha. O aquecimento global acelera, enquanto os servidores que sustentam os grandes modelos de linguagem consomem quantidades crescentes de energia e \u00e1gua. A concentra\u00e7\u00e3o de riqueza aumenta, e parte significativa desse aumento se deve \u00e0 vantagem acumulada por quem controla os dados e as infraestruturas de IA. Nesse contexto, uma enc\u00edclica papal pode parecer um anacronismo para quem vive dentro da bolha secular do tecnocentrismo. Seria um equ\u00edvoco grave pensar assim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;A intelig\u00eancia artificial exige agora ser desarmada, libertada das l\u00f3gicas que a transformam em instrumento de domina\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o e morte&#8221;.<\/em><br \/>\nPapa Le\u00e3o XIV<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia<\/strong><\/p>\n<p>As not\u00edcias para Bras\u00edlia s\u00e3o as melhores poss\u00edveis. O ministro da Fazenda n\u00e3o fez, no dia anunciado, o esquema de verbas para Bras\u00edlia porque n\u00e3o veio ao DF na quarta-feira, como estava anunciado.\u00a0<strong>(Publicado em 20\/5\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Numa segunda-feira de maio, enquanto os mercados globais de tecnologia somavam mais um trilh\u00e3o em capitaliza\u00e7\u00e3o, um homem de h\u00e1bito branco sentou-se diante de cardeais e engenheiros de intelig\u00eancia artificial (IA) no Vaticano. 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