{"id":23181,"date":"2026-08-26T01:00:00","date_gmt":"2026-08-26T04:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=23181"},"modified":"2026-08-26T10:57:39","modified_gmt":"2026-08-26T13:57:39","slug":"a-onu-de-guardia-da-paz-a-palanque-ideologico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-onu-de-guardia-da-paz-a-palanque-ideologico\/","title":{"rendered":"A ONU de guardi\u00e3 da paz a palanque ideol\u00f3gico"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando as pot\u00eancias vencedoras da Segunda Guerra Mundial se reuniram em S\u00e3o Francisco, em 1945, para fundar a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, o mundo sa\u00eda de duas experi\u00eancias traum\u00e1ticas: a carnificina do conflito mais mort\u00edfero da hist\u00f3ria e o fracasso retumbante da Liga das Na\u00e7\u00f5es, incapaz de conter o expansionismo totalit\u00e1rio que levou \u00e0 guerra. A promessa era clara e sedutora: nunca mais permitir que rivalidades entre Estados degenerassem em barb\u00e1rie generalizada, e criar um foro onde a diplomacia, e n\u00e3o as armas, resolvesse as disputas entre na\u00e7\u00f5es. Oitenta anos depois, \u00e9 preciso perguntar, sem meias palavras, se essa promessa n\u00e3o se converteu, mais uma vez, em uma f\u00e1bula distante da realidade que a organiza\u00e7\u00e3o produz hoje, diante de um mundo cada vez mais belicoso. A ONU que conhecemos em 2026 pouco se parece com aquela concebida por Roosevelt, Churchill e seus contempor\u00e2neos. O organismo, que deveria pairar acima das disputas ideol\u00f3gicas para atuar como \u00e1rbitro neutro, tornou-se, quem haveria de prever,&nbsp; para uma parcela crescente de governos e opini\u00e3o p\u00fablica ao redor do mundo, um instrumento capturado por pautas identit\u00e1rias, por uma burocracia internacional simp\u00e1tica a regimes autorit\u00e1rios e por maiorias autom\u00e1ticas que usam a Assembleia Geral para condenar repetidamente uma \u00fanica democracia do Oriente M\u00e9dio, Israel, enquanto tratam com passividade e certa&nbsp; cumplicidade silenciosa,&nbsp; regimes que patrocinam abertamente o terrorismo, reprimem minorias \u00e9tnicas e religiosas ou mant\u00eam campos de reeduca\u00e7\u00e3o em pleno s\u00e9culo XXI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 exagero notar que, ano ap\u00f3s ano, resolu\u00e7\u00f5es contra Israel se acumulam no Conselho de Direitos Humanos e na Assembleia Geral em n\u00famero desproporcional a qualquer outro conflito do planeta, incluindo guerras civis com centenas de milhares de mortos. Coordenadores especiais da ONU produzem relat\u00f3rios que, aos olhos de muitos observadores, abandonam qualquer pretens\u00e3o de equil\u00edbrio e se aproximam do vocabul\u00e1rio usado por organiza\u00e7\u00f5es abertamente hostis ao Estado judeu. Enquanto isso, grupos armados classificados como organiza\u00e7\u00f5es terroristas por dezenas de pa\u00edses encontram, em determinados f\u00f3runs e ag\u00eancias da ONU, um espa\u00e7o de legitima\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que jamais deveriam ter obtido de um organismo que se apresenta como guardi\u00e3o da lei internacional. Essa distor\u00e7\u00e3o nasceu como fruto de d\u00e9cadas de captura institucional por uma agenda que muitos cr\u00edticos, sobretudo nos Estados Unidos e em outras democracias ocidentais, descrevem como &#8220;globalismo&#8221;: a ideia de que estruturas supranacionais devem se sobrepor \u00e0 soberania das na\u00e7\u00f5es, ditando normas culturais, sociais e econ\u00f4micas a governos eleitos democraticamente. A isso se soma a infiltra\u00e7\u00e3o de pautas identit\u00e1rias, como o chamado &#8220;wokismo&#8221; em ag\u00eancias t\u00e9cnicas que deveriam se ocupar de sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o ou desenvolvimento, e que hoje dedicam parte crescente de seus recursos e de sua ret\u00f3rica a temas de g\u00eanero, identidade e ativismo cultural, muitas vezes \u00e0 revelia das prioridades e dos valores de boa parte dos pa\u00edses-membros que financiam a institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Washington, historicamente o maior financiador do sistema ONU, tem manifestado de forma cada vez mais aberta sua irrita\u00e7\u00e3o com o que passou a enxergar como um foro sequestrado pela esquerda internacional. Cortes expressivos de verbas, a sa\u00edda de ag\u00eancias espec\u00edficas e o boicote a determinados relat\u00f3rios e confer\u00eancias s\u00e3o sintomas de uma desconfian\u00e7a que deixou de ser marginal e se tornou pol\u00edtica de Estado, atravessando diferentes administra\u00e7\u00f5es. Quando a maior pot\u00eancia do mundo, respons\u00e1vel por parcela substancial do or\u00e7amento da organiza\u00e7\u00e3o, decide que n\u00e3o vale mais a pena sustentar integralmente uma estrutura que julga ter perdido a b\u00fassola traz como informa\u00e7\u00e3o um sintoma de crise terminal de credibilidade. Os defensores da ONU argumentam que o organismo ainda cumpre algumas fun\u00e7\u00f5es insubstitu\u00edveis: coordena respostas a emerg\u00eancias, distribui ajuda humanit\u00e1ria em zonas de guerra, monitora acordos de n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o nuclear e oferece, ainda que de forma imperfeita, um espa\u00e7o onde advers\u00e1rios geopol\u00edticos conseguem ao menos conversar sem recorrer \u00e0s armas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 verdade tamb\u00e9m que a Assembleia Geral reflete hoje a vontade da maioria de seus 193 membros, e que boa parte do mundo em desenvolvimento v\u00ea nas cr\u00edticas americanas e ocidentais um esfor\u00e7o de recoloniza\u00e7\u00e3o discursiva, uma tentativa de calar vozes do Sul Global que finalmente encontraram um microfone. Esses contrapontos merecem ser registrados, porque um debate honesto n\u00e3o pode se resumir a acusa\u00e7\u00f5es unilaterais. Mas eles n\u00e3o dissolvem o problema central: uma institui\u00e7\u00e3o concebida para ser imparcial n\u00e3o pode se dar ao luxo de parecer, para metade do mundo, uma extens\u00e3o de determinada corrente ideol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Se as Na\u00e7\u00f5es Unidas admitirem que as disputas internacionais podem ser resolvidas pelo uso da for\u00e7a, teremos destru\u00eddo o fundamento da organiza\u00e7\u00e3o e nossa melhor esperan\u00e7a de estabelecer uma ordem mundial.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dwight D. Eisenhower<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Hist\u00f3ria de Bras\u00edlia:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, Mazzola e Sormani, considerados italianos pelas leis do pa\u00eds amigo e integrando a sele\u00e7\u00e3o peninsular no Campeonato do Mundo, da qual n\u00e3o poder\u00e3o participar a n\u00e3o ser como cidad\u00e3os italianos, preferiram outra nacionalidade, adquiriram outra nacionalidade por \u201cnaturaliza\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria\u201d, pois essa express\u00e3o, como se viu, abrange a liga\u00e7\u00e3o posterior, volunt\u00e1ria, qualquer que seja, a outro Estado. <strong>(Publicada em 25.05.1962)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada desde 1960 por Ari Cunha (In memoriam) Hoje, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com facebook.com\/vistolidoeouvido Quando as pot\u00eancias vencedoras da Segunda Guerra Mundial se reuniram em S\u00e3o Francisco, em 1945, para fundar a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, o mundo sa\u00eda de duas experi\u00eancias traum\u00e1ticas: a carnificina do conflito mais mort\u00edfero da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2337,2338,2339,114,2340],"class_list":["post-23181","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-integra","tag-aricunha-2","tag-brasilia-2","tag-circecunha-2","tag-historiadebrasilia","tag-mamfil-2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23181"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23181\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27769,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23181\/revisions\/27769"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}