{"id":17997,"date":"2020-11-19T01:00:26","date_gmt":"2020-11-19T04:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=17997"},"modified":"2020-11-18T20:21:05","modified_gmt":"2020-11-18T23:21:05","slug":"somos-tao-ricos-e-tao-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/somos-tao-ricos-e-tao-pobres\/","title":{"rendered":"Somos t\u00e3o ricos e t\u00e3o pobres"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_17999\" aria-describedby=\"caption-attachment-17999\" style=\"width: 695px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-17999\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/a\u00e7a\u00ed.jpg\" alt=\"\" width=\"695\" height=\"462\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/a\u00e7a\u00ed.jpg 752w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/a\u00e7a\u00ed-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/a\u00e7a\u00ed-550x366.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/11\/a\u00e7a\u00ed-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 695px) 100vw, 695px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-17999\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Embrapa\/Ronaldo Rosa<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma nova economia tropical \u00e9 poss\u00edvel para o pleno desenvolvimento do pa\u00eds. Para tanto, basta que o Brasil invista fundo no conhecimento de sua rica biodiversidade. Pouco foi feito nesse sentido. Um novo modelo de economia tropical deve ser baseado na ci\u00eancia, na tecnologia e na inova\u00e7\u00e3o aplicada ao que os cientistas chamam de \u201cativos biol\u00f3gicos\u201d naturais de nossas florestas. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 na Amaz\u00f4nia, que \u00e9 a principal deposit\u00e1ria dessa biodiversidade, mas em outros biomas tamb\u00e9m como a Mata Atl\u00e2ntica, e o Cerrado, onde essa diversidade biol\u00f3gica \u00e9 enorme e em boa parte ainda desconhecida dos brasileiros.<\/p>\n<p>Plantas e animais, toda essa diversidade \u00e9 resultado de centenas de milh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica da nossa natureza, e deve ser, por isso mesmo, considerada a nossa maior riqueza, nosso maior potencial. \u00c0 medida em que avan\u00e7armos nas pesquisas sobre essa biologia complexa, descobriremos um potencial jamais imaginado que est\u00e1 ali, h\u00e1 s\u00e9culos, bem debaixo de nosso nariz.<\/p>\n<p>Sinal mais claro de que seria bom um programa nacional para conhecimento da diversidade biol\u00f3gica \u00e9 o interesse estrangeiro. N\u00e3o podemos proteger o que n\u00e3o \u00e9 do nosso conhecimento. Somos o \u00fanico pa\u00eds no mundo com essa diversidade biol\u00f3gica e isso vale muito mais do que qualquer gado, soja ou explora\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios. Durante o per\u00edodo militar, houve uma certa preocupa\u00e7\u00e3o em tornar o Brasil um pa\u00eds economicamente independente n\u00e3o apenas na \u00e1rea energ\u00e9tica, mas em outros setores. Naquela ocasi\u00e3o, foram constru\u00eddas algumas hidrel\u00e9tricas importantes, investiu-se no biodiesel, no etanol, com destaque tamb\u00e9m para a gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica em usinas nucleares.<\/p>\n<p>Para o pesquisador Carlos Nobre, se naquela mesma \u00e9poca tiv\u00e9ssemos criado tamb\u00e9m a Embrabio, empresa brasileira de aproveitamento econ\u00f4mico da biodiversidade, o Brasil teria uma outra economia. \u201cNesse s\u00e9culo XXI, o maior valor econ\u00f4mico n\u00e3o est\u00e1 mais centrado em bens materiais, nem energia, nem minerais, hoje o referencial de riqueza de uma na\u00e7\u00e3o \u00e9 o conhecimento, afirma o cientista.<\/p>\n<p>Ao insistir na import\u00e2ncia do estudo de nossa biodiversidade, como ela interage e como a natureza resolveu alguns problemas, o cientista acredita que poderemos encontrar uma via que ir\u00e1 nos conduzir a uma nova economia, ou mais precisamente no que chama de bioeconomia. Os pa\u00edses desenvolvidos, alerta, j\u00e1 sabem que a bioeconomia ser\u00e1 muito poderosa num futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>A partir de 2030, a Alemanha j\u00e1 projeta que 25% de toda a sua economia estar\u00e1 centrada na bioeconomia, retirando, da biologia mais profunda, novas e inusitadas riquezas. Infelizmente, n\u00f3s que temos a maior biodiversidade do mundo ainda n\u00e3o percebemos, de forma clara, todo esse potencial \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Numa an\u00e1lise simples, \u00e9 poss\u00edvel verificar que o potencial da biodiversidade de uma regi\u00e3o como a Amaz\u00f4nica \u00e9 infinitamente maior do que a cria\u00e7\u00e3o de gado, a minera\u00e7\u00e3o e outros. Para se ter uma ideia, o Guaran\u00e1, a Castanha do Par\u00e1, a Andiroba, a Copa\u00edba e outros produtos, que antes tinham pequeno valor econ\u00f4mico, hoje s\u00e3o bem cotados dentro e, principalmente, fora do pa\u00eds. O caso do A\u00e7a\u00ed \u00e9 exemplar. Hoje essa fruta tem uma produ\u00e7\u00e3o de 250 milh\u00f5es de toneladas e \u00e9 consumida em todo o mundo, gerando riqueza e mantendo a floresta em p\u00e9.<\/p>\n<p>Apenas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 esse \u00fanico produto, j\u00e1 se sabe agora que a semente e o palmito do A\u00e7a\u00ed possuem tamb\u00e9m m\u00faltiplos e fant\u00e1sticos usos, o que pode aumentar, ainda mais, o valor desse produto nos mercados internos e externos. Essa fruta, at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo desconhecida da maioria dos brasileiros de outras regi\u00f5es, gera em divisa para a Amaz\u00f4nia US$ 1,8 bilh\u00e3o ao ano. Na ind\u00fastria mundial, esse valor \u00e9 dez vezes maior. E esse \u00e9 apenas um produto. Portanto, \u00e9 preciso entender essa diversidade biol\u00f3gica a partir do biomimetismo, ou seja, entendendo como a natureza resolveu certos problemas.<\/p>\n<p>Nesse ponto, Carlos Nobre cita o exemplo de uma cientista da Amaz\u00f4nia, que atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o da garra da formiga cortadeira daquela regi\u00e3o, desenvolveu uma pin\u00e7a cir\u00fargica muito mais eficiente e que hoje est\u00e1 sendo muito usada em outras partes do mundo. A Amaz\u00f4nia ser\u00e1 o grande celeiro de conhecimento da bioeconomia. Para esse respeitado pesquisador, temos que ter um certo orgulho nacional de criar um modelo de desenvolvimento e sermos o primeiro pa\u00eds tropical a vir a ser desenvolvido, gra\u00e7as \u00e0 nossa pr\u00f3pria biotecnologia.<\/p>\n<p>Temos, ainda, que aprender e respeitar o valor, com reparti\u00e7\u00e3o de benef\u00edcio, do conhecimento tradicional, sobretudo, das comunidades ind\u00edgenas que possuem um grande conhecimento da riqueza dessa nossa biodiversidade. Temos que ser descobridores da nossa biodiversidade e n\u00e3o copiar outros pa\u00edses. Para tanto, teremos que fortalecer muito a nossa capacidade cient\u00edfica. O caminho \u00e9 longo. Temos que ter essa autonomia, essa vontade, preparar o pa\u00eds, refor\u00e7ando nossas pesquisas cient\u00edficas internas. Para Carlos Nobre, a pesquisa em nosso pa\u00eds, nos \u00faltimos anos, tem ido totalmente na contram\u00e3o do que vem sendo em outros pa\u00edses. Nossas pesquisas, diz, est\u00e3o sendo abaladas, desprestigiadas, e mesmo massacradas, o que prova que a ci\u00eancia brasileira continua a n\u00e3o ser vista estrategicamente por aqueles que est\u00e3o no comando do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para ele, \u00e0 medida em que as pesquisas cient\u00edficas em nosso pa\u00eds n\u00e3o s\u00e3o vistas como elemento central de desenvolvimento, o que teremos pela frente \u00e9 o caminho do retrocesso muito mais perigoso, a longo prazo, do que as pr\u00f3prias crises pol\u00edticas que agora experimentamos com a descoberta dessa avalanche de casos de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desprestigiar a nossa ci\u00eancia, avalia, amputa a capacidade de o Brasil crescer a longo prazo. \u00c9 preciso, ainda, deixar claro que a biotecnologia e a bioeconomia s\u00e3o ci\u00eancias interdisciplinares, at\u00e9 mesmo transdisciplinar, e que envolvem, n\u00e3o apenas bi\u00f3logos, mas bioqu\u00edmicos, engenheiros de biotecnologia, f\u00edsicos, qu\u00edmicos e todo o amplo conjunto de t\u00e9cnicos, que v\u00e3o transformar toda essa riqueza biol\u00f3gica em bem- estar social para os brasileiros.<\/p>\n<p>Temos, portanto, como miss\u00e3o, daqui para frente, pensar um modelo brasileiro e tropical de desenvolvimento com base em nosso principal ativo, que \u00e9 a nossa riqu\u00edssima biodiversidade que teremos que proteger contra as investidas cegas de outros setores da economia, como vem sendo feita, por exemplo, pelo agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>HIST\u00d3RIA DE BRAS\u00cdLIA<\/strong><\/p>\n<p>A Novacap est\u00e1 disposta a reaver as granjas distribu\u00eddas a pessoas que n\u00e3o residem em Bras\u00edlia, nem nunca tomaram posse da terra que lhes foi cedida. H\u00e1 muita gente importante na primeira rela\u00e7\u00e3o. <strong>(Publicado em 15\/12\/1961)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Uma nova economia tropical \u00e9 poss\u00edvel para o pleno desenvolvimento do pa\u00eds. Para tanto, basta que o Brasil invista fundo no conhecimento de sua rica biodiversidade. Pouco foi feito nesse sentido. 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