{"id":17706,"date":"2020-10-08T01:00:58","date_gmt":"2020-10-08T04:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=17706"},"modified":"2020-10-08T18:27:31","modified_gmt":"2020-10-08T21:27:31","slug":"rios-de-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/rios-de-dinheiro\/","title":{"rendered":"Rios de dinheiro"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_17708\" aria-describedby=\"caption-attachment-17708\" style=\"width: 695px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17708\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/iranildo.jpg\" alt=\"\" width=\"695\" height=\"416\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/iranildo.jpg 695w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/iranildo-300x180.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/iranildo-550x329.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/10\/iranildo-230x138.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 695px) 100vw, 695px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-17708\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Iranildo Moura (2017)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desde tempos imemoriais, e por raz\u00f5es \u00f3bvias, a humanidade buscou estabelecer e desenvolver suas cidades ao longo dos cursos de \u00e1gua pot\u00e1vel. Dessas civiliza\u00e7\u00f5es antigas, fundadas \u00e0s margens dos rios, os destaque s\u00e3o os eg\u00edpcios, ligados ao Rio Nilo, os mesopot\u00e2micos, fixados\u00a0 no vale f\u00e9rtil entre os rio Eufrates e Tigre, e os Indus, assentados ao longo do sagrado Rio Ganges. Aqui no Brasil, o grosso das na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas tamb\u00e9m ergueu suas aldeias pr\u00f3ximas aos grandes cursos de agua doce. Essa\u00a0rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia\u00a0da \u00e1gua era reconhecida e, por isso mesmo, os rios eram adorados como verdadeiras divindades, fertilizando e irrigando as terra, tornando-as prop\u00edcias para a pr\u00e1tica da agricultura, para a pesca, para os transportes, para a fabrica\u00e7\u00e3o da cer\u00e2mica, entre outras d\u00e1divas de\u00a0vida trazidas pelas corredeiras d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>\u00c9 sabido\u00a0ainda que algumas culturas simplesmente desapareceram devido \u00e0s secas prolongadas e, consequente, extin\u00e7\u00e3o dos cursos d\u2019\u00e1gua, como parece ser o caso de Ankor, na \u00c1sia, um complexo urbano erguido no\u00a0 s\u00e9culo VIII, com uma \u00e1rea que se estendia por aproximadamente 650 Km e onde viviam mais de 750 mil habitantes. Milhares de anos depois, a humanidade continua dependendo desses mesmos recursos naturais, mas com uma diferen\u00e7a significativa e preocupante: o aumento da popula\u00e7\u00e3o e o consequente aumento da produ\u00e7\u00e3o de bens t\u00eam levado n\u00e3o s\u00f3 ao esgotamento acelerado desses recursos, como tamb\u00e9m t\u00eam provocado uma crescente polui\u00e7\u00e3o dessas \u00e1guas, tornando-as impr\u00f3prias para o consumo humano.<\/p>\n<p>O descaso com importantes rios se repete Brasil afora, inclusive j\u00e1 afetando o maior rio do planeta em volume d\u2019\u00e1gua, o Rio Amazonas. O Nordeste convive hoje com a maior seca dos \u00faltimos trinta anos. Calcula-se que mais de cem importantes cidades nordestinas est\u00e3o enfrentando um s\u00e9rio colapso no abastecimento de \u00e1gua. A escassez de \u00e1gua tem prejudicado a agricultura e a gera\u00e7\u00e3o de energia. &#8220;As ru\u00ednas de v\u00e1rias cidades afundadas com a constru\u00e7\u00e3o das hidroel\u00e9tricas no rio S\u00e3o Francisco reapareceram. Minha Bem Bom, minha hist\u00f3ria e dos meus antepassados est\u00e3o aqui neste local&#8221;, conta Iranildo, artista pl\u00e1stico que reencontrou seu passado no ch\u00e3o rachado pela seca. &#8220;\u00c9 dif\u00edcil compreender. Agora, a natureza anda cobrando a gan\u00e2ncia dos homens do poder&#8221;, diz o morador do povoado de Bem Bom, na Bahia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Sobradinho, por S\u00e1 e Guarabyra\" width=\"1440\" height=\"810\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/naxgLThFCsc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Projetos importantes,\u00a0como a produ\u00e7\u00e3o de frutas variadas ao longo do Rio\u00a0 S\u00e3o Francisco, est\u00e3o sendo reorganizados ou simplesmente abandonados, tragados pela seca incomum. Cerca de 50 milh\u00f5es de brasileiros nas regi\u00f5es Sudeste e Nordeste est\u00e3o com o fornecimento de \u00e1gua e luz comprometidos ao extremo. Trata-se de uma situa\u00e7\u00e3o que tende a aumentar. Para um pa\u00eds que, at\u00e9 a pouco tempo, gabava-se da quantidade e variedade de suas bacias hidrogr\u00e1ficas, a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 literalmente no vermelho. O pior \u00e9 que tanto o governo quanto a popula\u00e7\u00e3o ainda parecem indiferentes com a atual situa\u00e7\u00e3o e seguem ou com pol\u00edticas insuficientes para o problema, ou, no caso da popula\u00e7\u00e3o, consumindo nos mesmos n\u00edveis anteriores.<\/p>\n<p>Um quinto dos brasileiros convivem hoje com os efeitos da estiagem prolongada e insuficiente de chuvas. A maioria das bacias hidrogr\u00e1ficas da regi\u00e3o Nordeste e Sudeste est\u00e3o sob s\u00e9ria amea\u00e7a de exist\u00eancia, com os n\u00edveis dos reservat\u00f3rios abaixo do normal. Trata-se da menor m\u00e9dia hist\u00f3rica na quantidade de chuvas. Importantes \u00e1reas urbanas j\u00e1 convivem com o acionamento no fornecimento de \u00e1gua.<\/p>\n<p>O comprometimento para a produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica tem estendido seus efeitos para a produ\u00e7\u00e3o industrial e agr\u00edcola, ocasionando preju\u00edzos ainda n\u00e3o calculados para a economia dos estados afetados. No ano passado, 1.280 munic\u00edpios de treze estados do Sudeste e do Nordeste decretaram situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia pela falta de \u00e1gua. Neste ano, o n\u00famero se repete. A Secretaria Nacional de Prote\u00e7\u00e3o e Defesa Civil est\u00e1 literalmente inundada com os\u00a0pedidos de socorro e emerg\u00eancia, vindos de toda parte\u00a0e ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas de pesca e a navega\u00e7\u00e3o no Velho Chico est\u00e3o, hoje, seriamente comprometidas, trazendo ainda mais problemas para a sofrida popula\u00e7\u00e3o ribeirinha. O desabastecimento entrou para o vocabul\u00e1rio das autoridades e da popula\u00e7\u00e3o e, em alguns casos, este fato \u00e9 in\u00e9dito. A capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua nos chamados reservat\u00f3rios de volume morto est\u00e1 sendo utilizada, em alguns lugares, pela primeira vez.<\/p>\n<p>O\u00a0acidente ocorrido no Munic\u00edpio de Mariana em Minas Gerais, considerado como o maior na \u00e1rea de minera\u00e7\u00e3o do Brasil e um dos grandes mundialmente,\u00a0 agora junta for\u00e7as para tentar reanimar o Rio Doce, agonizando com a perda de esp\u00e9cies animal e vegetal e ainda prejudicando a agricultura e a ind\u00fastria localizadas ao longo desse rio. Autoridades ligadas ao meio ambiente alertam ainda que as 27 barragens espalhadas pela regi\u00e3o comportam ainda 27 bilh\u00f5es de toneladas de rejeitos industriais carregados de produtos venenosos que, por falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o adequada, podem simplesmente\u00a0 inviabilizar a perman\u00eancia de popula\u00e7\u00e3o nestas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Aos poucos, o governo federal desenha o futuro da minera\u00e7\u00e3o para o pr\u00f3ximo tri\u00eanio. Foi lan\u00e7ado, pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, o Programa de Minera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento (PMD), que\u00a0inclui 110 metas com foco na economia mineral, sustentabilidade, conhecimento geol\u00f3gico, investimentos, financiamentos para o setor mineral e explora\u00e7\u00e3o em novas \u00e1reas. Uma das metas do PMD \u00e9 a regulariza\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o em \u00e1reas ind\u00edgenas, o que ser\u00e1 resolvido pelo Congresso.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia em Minas Gerais fez acender o alerta sobre o Marco Regulat\u00f3rio da Minera\u00e7\u00e3o e mesmo reaver o estatuto que regulamenta a extra\u00e7\u00e3o de minerais, excessivamente permissivas \u00e0s grandes e riqu\u00edssimas empresas mineradoras, cujo o lobby \u00e9 poderoso e bastante operante em Bras\u00edlia. Todo cuidado \u00e9 pouco!<\/p>\n<p>https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=NGfs1TIwY7w<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cDinheiro \u00e9 como \u00e1gua do mar: quanto mais se toma, maior \u00e9 a sede.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Arthur Schopenhauer, fil\u00f3sofo alem\u00e3o do s\u00e9culo XIX<\/p>\n<figure id=\"attachment_14453\" aria-describedby=\"caption-attachment-14453\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14453\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/07\/Arthur-Schopenhauer.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"358\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/07\/Arthur-Schopenhauer.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/07\/Arthur-Schopenhauer-251x300.jpg 251w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/07\/Arthur-Schopenhauer-293x350.jpg 293w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/07\/Arthur-Schopenhauer-230x274.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14453\" class=\"wp-caption-text\">Arthur Schopenhauer. Pintura de Jules Luntesch\u00fctz, 1855.<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>HIST\u00d3RIA DE BRAS\u00cdLIA<\/strong><\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 do Servi\u00e7o Social: n\u00e3o d\u00ea dinheiro para ningu\u00e9m comprar rem\u00e9dio. \u00c9 explora\u00e7\u00e3o, porque para isso existe o SS no Hospital Distrital. <strong>(Publicado em 18\/01\/1962)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil \u2013 Manoel de Andrade jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Desde tempos imemoriais, e por raz\u00f5es \u00f3bvias, a humanidade buscou estabelecer e desenvolver suas cidades ao longo dos cursos de \u00e1gua pot\u00e1vel. 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