{"id":16917,"date":"2020-06-25T01:00:04","date_gmt":"2020-06-25T04:00:04","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=16917"},"modified":"2020-06-25T01:00:04","modified_gmt":"2020-06-25T04:00:04","slug":"a-fenix-da-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/a-fenix-da-musica\/","title":{"rendered":"A F\u00eanix da m\u00fasica"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_16922\" aria-describedby=\"caption-attachment-16922\" style=\"width: 677px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-16922\" src=\"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/06\/4acb0abffd2a3668bb22609a79e52823.jpg\" alt=\"\" width=\"677\" height=\"451\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/06\/4acb0abffd2a3668bb22609a79e52823.jpg 500w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/06\/4acb0abffd2a3668bb22609a79e52823-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/06\/4acb0abffd2a3668bb22609a79e52823-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 677px) 100vw, 677px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-16922\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Hmenon Oliveira \/ Arquivo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fundada em mar\u00e7o de 1974 pelo maestro Levino Alc\u00e2ntara, depois de uma longa batalha contra a burocracia\u00a0 kafkiana local, e em pleno regime militar, numa \u00e9poca em que os incentivos p\u00fablicos estavam, predominantemente e segundo a ideologia de ent\u00e3o, mais direcionados \u00e0s diversas modalidades de ensino t\u00e9cnico,\u00a0a Escola de M\u00fasica de Bras\u00edlia (EMB) mostrou a que veio,\u00a0 transformando-se, em poucos anos, na mais espetacular f\u00e1brica de talentos art\u00edsticos da capital e orgulho dos brasilienses que lotavam suas depend\u00eancias.<\/p>\n<p>Consolidada como centro das artes musicais, a EMB ganhou fama, n\u00e3o apenas em Bras\u00edlia e no Centro Oeste, onde era reverenciada, mas em todo o\u00a0 Brasil, sendo reconhecida, inclusive, na Am\u00e9rica Latina e em outros pa\u00edses fora do continente, como um centro de excel\u00eancia na forma\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos.\u00a0Durante o tempo em que o maestro Levino esteve \u00e0 frente, na condu\u00e7\u00e3o da entidade, boa parte dos acontecimentos musicais, sen\u00e3o a mais interessante por\u00e7\u00e3o das apresenta\u00e7\u00f5es musicais\u00a0\u00a0 da capital, desenrolavam-se em torno da escola, quer na apresenta\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios grupos, quer pela grande rotatividade de espet\u00e1culos que aconteciam no bem equipado audit\u00f3rio, sempre lotado,\u00a0 com atra\u00e7\u00f5es locais, nacionais e internacionais, oferecidos gratuitamente ao p\u00fablico.<\/p>\n<p>O gosto pela escola era tanto que n\u00e3o seria demais considerar que a EMB formava uma grande comunidade familiar, reunindo pessoas diversas, mas com o mesmo amor pela m\u00fasica. Tamb\u00e9m o carisma do maestro fazia a diferen\u00e7a. N\u00e3o foram poucos os m\u00fasicos que chegaram, gra\u00e7as \u00e0 generosidade de seu diretor, a morar na pr\u00f3pria escola. Outros tantos encontraram seus pares, constitu\u00edram fam\u00edlia e seguiram formando gera\u00e7\u00f5es de alunos que passavam a maior parte do dia dentro da escola.\u00a0O mesmo agito e empolga\u00e7\u00e3o se verificavam nos famosos e concorridos Cursos Internacionais de Ver\u00e3o, promovidos a cada ano pela dire\u00e7\u00e3o da EMB, com a flu\u00eancia de m\u00fasicos e professores de todas as partes do mundo.<\/p>\n<p>Nesses per\u00edodos, a escola se transformava em territ\u00f3rio internacional, abrigando talentos vindos dos quatro cantos do mundo.\u00a0Gra\u00e7as a esse ambiente descontra\u00eddo, profissional, amador da m\u00fasica e acolhedor, onde\u00a0melodias eram ouvidas em cada cantinho, espalhando-se pelos jardins em volta,\u00a0 muitos reconhecem hoje que a EMB parecia viver como numa festa sem fim, alheia e absorta \u00e0s muitas agruras pol\u00edticas e econ\u00f4micas daquela ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi numa escola com esse perfil humanizador que incont\u00e1veis m\u00fasicos de grande talento, e que hoje brilham nos palcos do Brasil e do exterior, foram surgindo e se aperfei\u00e7oando sob os cuidados e carinho de uma equipe devotada de professores. Em\u00edlio de C\u00e9sar, Guerra Vicente, Reinaldo Coelho, Hugo Lanterjung, Ludmila Vinecka, Joel Bello Soares, Cec\u00edlia Guida, Nicolas Claude Marcel Merat, Paul Sch\u00f6er, Juan Sarudianski, Shigeru Tachiki, Christopher Bockmann e Eduardo B\u00e9rtola entre tantos outros.<\/p>\n<p>O maestro Levino era conhecido n\u00e3o apenas por seu talento em buscar o que melhor existia em recursos humanos e materiais para escola, mas tamb\u00e9m por agir como verdadeiro mecenas e produtor, promovendo diretamente aqueles alunos\u00a0 nos quais pressentia\u00a0 alguma\u00a0 chama precoce de talento. De fato, n\u00e3o h\u00e1 como falar em EMB dissociada da imagem do maestro Levino. Ambos formavam uma s\u00f3 pessoa, uma s\u00f3 entidade.\u00a0N\u00e3o \u00e9 de se entranhar, portanto, que, com o afastamento do maestro da dire\u00e7\u00e3o da EMB, o que parecia uma grande e prazerosa festa de confraterniza\u00e7\u00e3o\u00a0dos amantes da m\u00fasica, come\u00e7ou lentamente\u00a0 a chegar ao fim.<\/p>\n<p>Quis o que chamamos de destino que o afastamento do maestro viesse a coincidir com a\u00a0lenta e gradual decad\u00eancia\u00a0 que foi tomando\u00a0 conta\u00a0 da maioria das escolas p\u00fablicas, principalmente \u00e0quelas\u00a0 voltadas ao ensino das artes, consideradas pelos burocratas da educa\u00e7\u00e3o como sup\u00e9rfluas ou coisa do g\u00eanero, sem que se deem conta de que a arte, como bem disse o g\u00eanio Leonardo Da Vinci,\u00a0\u201ca\u00a0arte diz o indiz\u00edvel; exprime o inexprim\u00edvel, traduz o intraduz\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>O antigo e prof\u00edcuo brilho do passado cedeu lugar a um estabelecimento de ensino de m\u00fasica, dentro dos moldes e na esteira do que ocorre hoje com a imensa parte das escolas p\u00fablicas na capital e no restante do pa\u00eds.\u00a0A falta de interesse de seguidos governos, principalmente daqueles que vieram ap\u00f3s a malfadada e trai\u00e7oeira \u201cmaioridade pol\u00edtica da capital\u201d, ajudaram a reduzir, ainda mais, o brilho e a import\u00e2ncia daquela que j\u00e1 foi a mais interessante obra erguida no planalto central, para o desenvolvimento e a promo\u00e7\u00e3o da arte musical.<\/p>\n<p>No entanto, para aqueles que ainda acreditam no poder de transforma\u00e7\u00e3o e aprimoramento do esp\u00edrito humano pelas artes,\u00a0 um renascimento, ao estilo F\u00eanix, pode muito bem acontecer, provocando, quem sabe, um novo e revigorante ciclo para a EMB. Para tanto, seria necess\u00e1rio, al\u00e9m de um apoio efetivo do governo, o que ainda \u00e9 um sonho distante, uma certa ades\u00e3o entusiasmada por parte da comunidade.<\/p>\n<p>Para essa miss\u00e3o, \u00e9 primordial uma reorienta\u00e7\u00e3o nos rumos dessa entidade, preparando-a, quem sabe, para os novos tempos p\u00f3s-pandemia. De in\u00edcio, seria necess\u00e1ria uma reformula\u00e7\u00e3o profunda no curr\u00edculo dessa escola, desvinculando-a da tradicional orienta\u00e7\u00e3o\u00a0burocr\u00e1tica e pedag\u00f3gica da secretaria de educa\u00e7\u00e3o local, afastando-a da did\u00e1tica modorrenta\u00a0 e enfadonha imposta por burocratas do ensino, que nivelam,\u00a0pela menor m\u00e9dia,\u00a0todos estabelecimentos de educa\u00e7\u00e3o do Distrito Federal, principalmente aqueles devotados ao ensino das artes.<\/p>\n<p>\u00c9 sabido que a diminui\u00e7\u00e3o e mesmo a erradica\u00e7\u00e3o dos curr\u00edculos escolares das disciplinas de arte ocorrem, apesar do que prev\u00ea a Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o.\u00a0A falta de arte no ensino produziu, como resultado nefasto e esperado, o aumento assustador da viol\u00eancia nas escolas e principalmente contra os professores. O poder humanizador das artes, ao ser desprezado como fator fundamental de educa\u00e7\u00e3o, gerou o que temos hoje na maioria dos nossos estabelecimentos de ensino: a transforma\u00e7\u00e3o de escolas em centros correcionais ao molde de entidades como a Febem e correlatas. A perda do prazer em ensinar e aprender \u00e9 fruto da aboli\u00e7\u00e3o das artes dentro das escolas.<\/p>\n<p>Para esses \u201cnov\u00edssimos\u201d dirigentes da educa\u00e7\u00e3o, as grades curriculares de artes representam mais do que um estorvo, um verdadeiro e perigoso ninho donde advir\u00e3o pessoas c\u00f4nscias de sua pr\u00f3pria dignidade e, ao que parece, isso n\u00e3o pode acontecer. Nessa nova escola de m\u00fasica, sonhada para os tempos atuais, al\u00e9m de uma infinidade de modelos de reconhecida efetividade, uma gama imensa de atividades voltadas para fazer, mais uma vez, dessa escola de artes musicais um modelo a ser seguido por todos.<\/p>\n<p>As op\u00e7\u00f5es e os caminhos existem, n\u00e3o para uma retomada do passado \u00e1ureo da EMB, que isso \u00e9 imposs\u00edvel, mas para dar continuidade a um projeto simples na sua formula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o do ensino da m\u00fasica para todos aqueles que querem se aproximar dessa arte e fazer dela n\u00e3o apenas um meio de vida, mas um meio de aproxima\u00e7\u00e3o de apaziguamento do esp\u00edrito humano, esse sim fundamental em todo o tempo e lugar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cBras\u00edlia espirra m\u00fasica para todo o mundo. A Escola de M\u00fasica de Bras\u00edlia tem grande responsabilidade nisso.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Paulo Tavares, m\u00fasico, amigo de Levino<\/p>\n<figure id=\"attachment_16920\" aria-describedby=\"caption-attachment-16920\" style=\"width: 549px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-16920\" src=\"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/06\/emb.jpg\" alt=\"\" width=\"549\" height=\"362\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/06\/emb.jpg 727w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/06\/emb-300x198.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/06\/emb-550x362.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/06\/emb-230x152.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 549px) 100vw, 549px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-16920\" class=\"wp-caption-text\">Inaugurada em 1974, Escola de M\u00fasica de Bras\u00edlia (EMB) come\u00e7ou ensinado o cl\u00e1ssico e, depois, incluiu o popular | Foto: Arquivo \/ EMB<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>HIST\u00d3RIA DE BRAS\u00cdLIA<\/strong><\/p>\n<p>Um advogado j\u00e1 impetrou mandado de seguran\u00e7a em favor do sr. Jantoro, respons\u00e1vel pelo roubo de carne no Supermercado. A Justi\u00e7a deve ajudar a cidade a ficar livre dos desonestos. <strong>(Publicado em 10\/01\/1962)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Fundada em mar\u00e7o de 1974 pelo maestro Levino Alc\u00e2ntara, depois de uma longa batalha contra a burocracia\u00a0 kafkiana local, e em pleno regime militar, numa \u00e9poca em que os incentivos p\u00fablicos estavam, predominantemente e segundo a ideologia de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":16922,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2285,2286,782,114,2287,2288,68,2,69,16],"class_list":["post-16917","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-artenaescola","tag-emb","tag-escolademusicadebrasilia","tag-historiadebrasilia","tag-leidediretrizesebasesdaeducacao","tag-musicanodistritofederal","tag-aricunha","tag-brasilia","tag-circecunha","tag-mamfil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16917","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16917"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16917\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16922"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16917"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16917"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16917"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}