{"id":15889,"date":"2020-02-08T01:00:42","date_gmt":"2020-02-08T04:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=15889"},"modified":"2020-02-07T16:17:28","modified_gmt":"2020-02-07T19:17:28","slug":"ufanismo-versus-complexo-de-vira-lata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/ufanismo-versus-complexo-de-vira-lata\/","title":{"rendered":"Ufanismo versus complexo de vira-lata"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15893\" aria-describedby=\"caption-attachment-15893\" style=\"width: 678px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-15893\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/nelson-rodrigues-complexo-de-vira-lata.jpg\" alt=\"\" width=\"678\" height=\"376\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/nelson-rodrigues-complexo-de-vira-lata.jpg 512w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/nelson-rodrigues-complexo-de-vira-lata-300x166.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/nelson-rodrigues-complexo-de-vira-lata-350x194.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/nelson-rodrigues-complexo-de-vira-lata-230x128.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15893\" class=\"wp-caption-text\">Charge: nanihumor.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diferentemente do que muitos possam pensar, a dist\u00e2ncia a separar o ufanismo, que seria segundo os dicion\u00e1rios, uma esp\u00e9cie de orgulho exagerado pelo pa\u00eds de origem, e o chamado vira-latismo, que seria seu oposto, ou seja, um complexo de inferioridade sentida pelos brasileiros com rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses, sobretudo os mais desenvolvidos, \u00e9 m\u00ednima, quase fronteiri\u00e7a.<\/p>\n<p>Ambos s\u00e3o descritos pela Psicologia como complexos, ou seja, ligados ao inconsciente humano e possuem o mesmo ponto de partida que s\u00e3o os sentimentos de inferioridade. Enquanto o ufanista projeta seus sentimentos de inferioridade em outrem, criando para si uma posi\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria de superioridade, o portador do chamado complexo de inferioridade busca se tornar superior ao outro pela busca de compensa\u00e7\u00f5es ou comportamento antissocial e exc\u00eantrico.<\/p>\n<p>Tanto o ufanista como o portador do complexo de vira-lata comungam uma esp\u00e9cie de inferioridade cultural. O dramaturgo, jornalista e escritor Nelson Rodrigues (1912- 1980) foi o criador da express\u00e3o \u201cComplexo de vira-lata\u201d. Ao observar em artigo publicado naquela ocasi\u00e3o que a derrota da Sele\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol para o Uruguai em 1950, em pleno Maracan\u00e3, provocara uma esp\u00e9cie de desalento traum\u00e1tico e de catarse de tal ordem na popula\u00e7\u00e3o, que tal fato teria se convertido numa esp\u00e9cie de vira-latismo coletivo, com os cidad\u00e3os reclamando n\u00e3o apenas contra a ilus\u00e3o do futebol, mas principalmente associando essa derrota com as prec\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es de vida, social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica dos brasileiros em geral.<\/p>\n<p>Em sua defini\u00e7\u00e3o, tal fen\u00f4meno tinha uma explica\u00e7\u00e3o: \u201cPor &#8220;complexo de vira-lata&#8221; entendo eu, a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro \u00e9 um narciso \u00e0s avessas, que cospe na pr\u00f3pria imagem. Eis a verdade: n\u00e3o encontramos pretextos pessoais ou hist\u00f3ricos para a autoestima.\u201d Nesses setenta anos que nos separam daquele momento raro de introspec\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e coletiva, com rela\u00e7\u00e3o a esses tipos espec\u00edficos de complexos, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que pouca coisa mudou desde ent\u00e3o no subconsciente do brasileiro. Apenas o futebol deixou de ser a p\u00e1tria de chuteiras, passando a ser uma ind\u00fastria semelhante ao Show Business, com os jogadores suando a camisa ou despencando campo adentro apenas por dinheiro.<\/p>\n<p>No campo social, pol\u00edtico e econ\u00f4mico, o pa\u00eds permanece o mesmo, com as desigualdades hist\u00f3ricas de sempre, com os pol\u00edticos mais caros e mais corruptos do planeta e com um cen\u00e1rio econ\u00f4mico onde as melhorias alcan\u00e7adas em muitos setores, resultam em enriquecimento e maiores concentra\u00e7\u00f5es de renda para poucos. O complexo de inferioridade ou de vira-lata ainda persiste como uma caracter\u00edstica cultural marcante, devido justamente a essa aus\u00eancia de pretextos ou de esteios hist\u00f3ricos que induzam a na\u00e7\u00e3o \u00e0 autoestima.<\/p>\n<p>O uso do futebol como instrumento de \u201cufaniza\u00e7\u00e3o\u201d, como feito por muitos governos, j\u00e1 n\u00e3o funciona como antes. H\u00e1 at\u00e9 quem argumente que a derrota de 7 x 1 para a Alemanha na Copa de 2014 marcaria, de forma sombria, o in\u00edcio da derrocada do governo de esquerda, prenunciando o que viria a ser, do ponto de vista pol\u00edtico, e principalmente no aspecto financeiro, um per\u00edodo marcado pela maior e mais devastadora depress\u00e3o econ\u00f4mica da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Perto da catarse coletiva de 50, que levou Nelson Rodrigues a cunhar a express\u00e3o de \u201ccomplexo de vira-lata\u201d, a derrota da sele\u00e7\u00e3o, sessenta e quatro anos depois, no est\u00e1dio do Mineir\u00e3o, por um placar humilhante, serviu n\u00e3o apenas para reafirmar a tese do dramaturgo, ainda n\u00e3o integrada aos comp\u00eandios da Psicologia, como desmascarou e p\u00f4s abaixo todo um cen\u00e1rio armado ardilosamente pela elite pol\u00edtica para esconder o Brasil real sob o tapete de grama dos campos de futebol.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cA primeira riqueza natural, sendo mais nobre e vantajosa, torna a popula\u00e7\u00e3o descuidada, orgulhosa e dada a excessos; ao passo que a segunda riqueza, a adquirida pelo trabalho, desenvolve a vigil\u00e2ncia, a literatura, as artes e as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Thomas Mun (1571-1641), escritor ingl\u00eas de economia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_15892\" aria-describedby=\"caption-attachment-15892\" style=\"width: 286px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-15892\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/mun.jpg\" alt=\"\" width=\"286\" height=\"359\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15892\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: beforeeconomics.wordpress.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Bom para o BR<\/strong><\/p>\n<p>Ser\u00e1 lan\u00e7ado, ainda esse ano, pela editora RIBA, o livro de Edward Barsley, Retrofitting for Flood Resilience: A Guide to Building &amp; Community Design, voltado para construtores, financiadores, arquitetos e engenheiros. Veja, no link <a href=\"https:\/\/www.cam.ac.uk\/stories\/building-a-flood-resilient-future\">Building a flood resilient future<\/a>, que trabalho espetacular para defender a comunidade acostumada com enchentes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-15891 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Livro.jpg\" alt=\"\" width=\"549\" height=\"436\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Livro.jpg 626w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Livro-300x238.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Livro-350x278.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Livro-550x437.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Livro-230x183.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 549px) 100vw, 549px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15890 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Inunda\u00e7\u00e3o.jpg\" alt=\"\" width=\"551\" height=\"286\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Inunda\u00e7\u00e3o.jpg 957w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Inunda\u00e7\u00e3o-300x156.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Inunda\u00e7\u00e3o-768x399.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Inunda\u00e7\u00e3o-350x182.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Inunda\u00e7\u00e3o-550x286.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/02\/Inunda\u00e7\u00e3o-230x119.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 551px) 100vw, 551px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em paz<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os envolvidos nesse projeto para que tudo d\u00ea certo, mas dois nomes se destacam: Larissa Polejack e Ileno Iz\u00eddio. Trata-se de um trabalho da UnB que refor\u00e7a a\u00e7\u00f5es para uma qualidade de vida melhor voltada tanto para a comunidade quanto para os funcion\u00e1rios da pr\u00f3pria universidade, tanto da sa\u00fade f\u00edsica quanto mental. A UnB faz parte da Rede Brasileira de Universidades Promotoras de Sa\u00fade (Rebraups). Veja a mat\u00e9ria completa de Serena Veloso a seguir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>HIST\u00d3RIA DE BRAS\u00cdLIA<\/strong><\/p>\n<p>O servi\u00e7o telef\u00f4nico de Bras\u00edlia, contra o qual n\u00f3s sempre reclamamos, j\u00e1 \u00e9 um dos melhores do Brasil, e, embora n\u00e3o autorizado a publicar, n\u00e3o se surpreendam, voc\u00eas, se em breve as liga\u00e7\u00f5es para o Rio forem feitas pelo pr\u00f3prio assinante, com a liga\u00e7\u00e3o de um n\u00famero a mais para o circuito com a Guanabara. <strong>(Publicado em 15\/12\/1961)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Diferentemente do que muitos possam pensar, a dist\u00e2ncia a separar o ufanismo, que seria segundo os dicion\u00e1rios, uma esp\u00e9cie de orgulho exagerado pelo pa\u00eds de origem, e o chamado vira-latismo, que seria seu oposto, ou seja, um complexo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":15893,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[2077,1373,114,2079,2080,2078,68,2,69,16],"class_list":["post-15889","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-complexodevira-lata","tag-desigualdadenobrasil","tag-historiadebrasilia","tag-patriotismo","tag-ufanismo","tag-ufanizacao","tag-aricunha","tag-brasilia","tag-circecunha","tag-mamfil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15889","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15889"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15889\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15894,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15889\/revisions\/15894"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15893"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15889"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15889"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15889"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}