{"id":15811,"date":"2020-01-29T01:00:59","date_gmt":"2020-01-29T04:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=15811"},"modified":"2020-01-29T11:51:56","modified_gmt":"2020-01-29T14:51:56","slug":"por-uma-estatal-do-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/por-uma-estatal-do-livro\/","title":{"rendered":"Por uma estatal do livro"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15815\" aria-describedby=\"caption-attachment-15815\" style=\"width: 383px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-15815\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/manifesto_futurismo.jpg\" alt=\"\" width=\"383\" height=\"511\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/manifesto_futurismo.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/manifesto_futurismo-225x300.jpg 225w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/manifesto_futurismo-262x350.jpg 262w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/manifesto_futurismo-230x307.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 383px) 100vw, 383px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15815\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: reprodu\u00e7\u00e3o da internet<\/figcaption><\/figure>\n<p>Houve um tempo, talvez numa \u00e9poca de inoc\u00eancia, em que acredit\u00e1vamos ser poss\u00edvel construir uma na\u00e7\u00e3o com base no conhecimento. Isso foi ali, mais precisamente, no alvorecer do s\u00e9culo XX. Naquela ocasi\u00e3o, talvez pelo fato de o mundo Ocidental adentrar para o t\u00e3o esperado segundo mil\u00eanio, quando todas as ci\u00eancias inventadas pelo g\u00eanio humano finalmente iriam erigir uma nova civiliza\u00e7\u00e3o, baseada sobretudo nos avan\u00e7os da tecnologia, levava a crer que um deus surgido das m\u00e1quinas, esp\u00e9cie de &#8220;Deus ex machina&#8221; resgataria o para\u00edso perdido, revolucionando, como nunca, a hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p>Futuristas, chamados assim, tanto na Europa, como no Brasil, nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, pregavam a supera\u00e7\u00e3o total do passado pelo despertar das m\u00e1quinas e pela velocidade. Num trecho do manifesto Futurista do ativista e artista italiano Marinetti, publicado no jornal &#8220;Le Figaro&#8221; em 1909, pregava, entre outras palavras de ordem: &#8220;N\u00f3s cantaremos as grandes multid\u00f5es excitadas pelo trabalho, pelo prazer, e pelo tumulto; n\u00f3s cantaremos a can\u00e7\u00e3o das mar\u00e9s de revolu\u00e7\u00e3o, multicoloridas e polif\u00f4nicas nas modernas capitais; n\u00f3s cantaremos o vibrante fervor noturno de arsenais e estaleiros em chamas com violentas luas el\u00e9tricas; esta\u00e7\u00f5es de trem cobi\u00e7osas que devoram serpentes emplumadas de fuma\u00e7a; f\u00e1bricas pendem em nuvens por linhas tortas de suas fuma\u00e7as; pontes que transp\u00f5em rios, como ginastas gigantes, lampejando no sol com um brilho de facas; navios a vapor aventureiros que fungam o horizonte; locomotivas de peito largo cujas rodas atravessam os trilhos como o casco de enormes cavalos de a\u00e7o freados por tubula\u00e7\u00f5es; e o voo macio de avi\u00f5es cujos propulsores tagarelam no vento como faixas e parecem aplaudir como um p\u00fablico entusiasmado.&#8221;<\/p>\n<p>Para esses adoradores das m\u00e1quinas, a pr\u00f3pria guerra serviria como uma oportunidade de limpeza e aniquila\u00e7\u00e3o do passado, que desejavam morto e sepultado para sempre. No Brasil, como todo os movimentos de vanguarda do mundo moderno, chegavam na bagagem daqueles poucos privilegiados que foram estudar ou aprimorar suas t\u00e9cnicas no exterior, principalmente na Europa. De l\u00e1, desde 1500, vinham os novos ventos da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Com o ef\u00eamero movimento futurista n\u00e3o foi diferente. A Semana de 1922, que serviu como uma esp\u00e9cie de marco introdut\u00f3rio do modernismo na cultura brasileira, embarcou nesse ide\u00e1rio de mudan\u00e7as que o velho continente anunciava, passou a pregar tamb\u00e9m a necessidade de o pa\u00eds se desvencilhar de seu passado colonial.<\/p>\n<p>S\u00e3o desse per\u00edodo, os primeiros movimentos visando valorizar, de fato, a arte e a cultura nacional, criando o que viria a ser o embri\u00e3o do nacionalismo cultural, por meio da busca pelo regionalismo e pelas ra\u00edzes de nosso saber.<\/p>\n<p>Para despertar e fazer acontecer todo esse interesse pela riqueza cultural genuinamente nacional, o maior empecilho e talvez o mais intranspon\u00edvel era superar o hist\u00f3rico analfabetismo que dominava o pa\u00eds, desde o descobrimento. Como pode uma na\u00e7\u00e3o produzir e registrar sua riqueza cultural para outras gera\u00e7\u00f5es, sendo majoritariamente composta por indiv\u00edduos iletrados?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cMetade do mundo \u00e9 composta por pessoas que t\u00eam algo a dizer e n\u00e3o podem, e a outra metade que n\u00e3o tem nada a dizer e continua dizendo isso.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Robert Frost, poeta dos Estados Unidos<\/p>\n<figure id=\"attachment_15813\" aria-describedby=\"caption-attachment-15813\" style=\"width: 405px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-15813\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/robert.jpg\" alt=\"\" width=\"405\" height=\"427\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/robert.jpg 328w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/robert-284x300.jpg 284w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/robert-230x243.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 405px) 100vw, 405px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15813\" class=\"wp-caption-text\">Foto: britannica.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mobilidade<\/strong><\/p>\n<p>Bras\u00edlia tem uma estrada de ferro que levava passageiros para S\u00e3o Paulo e poderia servir de transporte para os moradores do entorno sul. Como quem ganha com isso \u00e9 principalmente o cidad\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 interesse em reativ\u00e1-la.<\/p>\n<figure id=\"attachment_15812\" aria-describedby=\"caption-attachment-15812\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-15812\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/trem.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"272\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/trem.jpg 761w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/trem-300x149.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/trem-350x173.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/trem-550x272.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/trem-230x114.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15812\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;A ferrovia chega a Bras\u00edlia: 22 de abril de 1968, fotografia, p\/b, Arquivo Nacional, Fundo Correio da Manh\u00e3, Rio de Janeiro&#8221;. Cf. Brasil, Bras\u00edlia e os brasileiros. Composi\u00e7\u00e3o de a\u00e7o inox da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro, possivelmente na curva da Vila Nova Divin\u00e9ia, no N\u00facleo Bandeirante.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>BUS<\/strong><\/p>\n<p>Por falar nisso, houve \u00e9poca em que se discutia o bilhete \u00fanico para passagens em Bras\u00edlia. A pr\u00e1tica j\u00e1 \u00e9 adotada em v\u00e1rios estados brasileiros. O problema \u00e9 que as dist\u00e2ncias em Bras\u00edlia s\u00e3o longas, poucos \u00f4nibus para os hor\u00e1rios de pico e para os fins de semana e falta de pontualidade. Curtas dist\u00e2ncias com o mesmo pre\u00e7o de longos percursos n\u00e3o \u00e9 justo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_11483\" aria-describedby=\"caption-attachment-11483\" style=\"width: 462px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-11483\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/cid-frente-300x193.jpg\" alt=\"\" width=\"462\" height=\"297\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/cid-frente-300x193.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/cid-frente-300x193-230x148.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 462px) 100vw, 462px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11483\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: bilheteunicodebrasilia.df.gov.br<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Faz falta<\/strong><\/p>\n<p>Vendo as filas em hospitais p\u00fablicos \u00e9 poss\u00edvel perceber como faz falta o programa Sa\u00fade em Casa, criado pelo ex-governador Cristovam Buarque. Idosos que eram poupados da dif\u00edcil locomo\u00e7\u00e3o, crian\u00e7as que recebiam no\u00e7\u00f5es de higiene ou eram atendidas sem o sacrif\u00edcio de longas esperas ou adultos que recebiam dicas de preven\u00e7\u00e3o contra doen\u00e7as.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10893\" aria-describedby=\"caption-attachment-10893\" style=\"width: 351px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-10893\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/05\/CRISTOVAM-BUARQUE-charge.jpg\" alt=\"\" width=\"351\" height=\"493\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/05\/CRISTOVAM-BUARQUE-charge.jpg 228w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/05\/CRISTOVAM-BUARQUE-charge-214x300.jpg 214w\" sizes=\"auto, (max-width: 351px) 100vw, 351px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-10893\" class=\"wp-caption-text\">Caricatura: carlossam.blogspot.com.br<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Experi\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Tantas viagens para o exterior dos nossos governantes precisam servir como exemplo de trato da coisa p\u00fablica. O dinheiro dos impostos aplicados para o bem dos cidad\u00e3os.<\/p>\n<figure id=\"attachment_15814\" aria-describedby=\"caption-attachment-15814\" style=\"width: 521px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-15814\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/img_passagem_aerea_deputadosfederais.jpg\" alt=\"\" width=\"521\" height=\"489\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/img_passagem_aerea_deputadosfederais.jpg 450w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/img_passagem_aerea_deputadosfederais-300x281.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/img_passagem_aerea_deputadosfederais-350x328.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/img_passagem_aerea_deputadosfederais-230x216.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 521px) 100vw, 521px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15814\" class=\"wp-caption-text\">Charge do Bruno (chargesbruno.blogspot.com)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>HIST\u00d3RIA DE BRAS\u00cdLIA<\/strong><\/p>\n<p>Temos not\u00edcia de que o mesmo ocorre na escola da superquadra 106, e \u00e9 uma pena que isto ocorra em preju\u00edzo de um pr\u00e9dio t\u00e3o bonito e t\u00e3o bem planejado. <strong>(Publicado em 15\/12\/1961)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; Houve um tempo, talvez numa \u00e9poca de inoc\u00eancia, em que acredit\u00e1vamos ser poss\u00edvel construir uma na\u00e7\u00e3o com base no conhecimento. 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