{"id":15765,"date":"2020-01-22T01:00:40","date_gmt":"2020-01-22T04:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=15765"},"modified":"2020-01-21T16:19:11","modified_gmt":"2020-01-21T19:19:11","slug":"inocentes-ou-culpados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/inocentes-ou-culpados\/","title":{"rendered":"Inocentes ou culpados"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_15771\" aria-describedby=\"caption-attachment-15771\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-15771\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/40321052_533359083780620_5567795916619907072_n.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"424\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/40321052_533359083780620_5567795916619907072_n.jpg 399w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/40321052_533359083780620_5567795916619907072_n-300x195.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/40321052_533359083780620_5567795916619907072_n-350x228.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/40321052_533359083780620_5567795916619907072_n-230x150.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15771\" class=\"wp-caption-text\">Nos jornais de Fortaleza, os redatores aprendiam tamb\u00e9m pagina\u00e7\u00e3o na oficina. Geraldo (centro) chefe da pagina\u00e7\u00e3o do O Estado, Ari Cunha (direita) e um jovem aprendiz (esquerda). Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitas li\u00e7\u00f5es profissionais, se n\u00e3o a maioria delas, n\u00e3o \u00e9 ensinada nas escolas, mas no ambiente de trabalho. \u00c9 no labor di\u00e1rio e na prova dos nove, fora entre erros e acertos, que o profissional se aprimora. Por mais complexas que sejam as tarefas executadas, o bom desempenho s\u00f3 \u00e9 atingido pela experi\u00eancia pr\u00e1tica cotidiana. E isso vale para quase tudo.<\/p>\n<p>Em jornalismo \u00e9 essencial. Antigamente, antes do advento dos computadores ligados \u00e0s redes sociais, o telefone era o instrumento mais utilizado pelos profissionais da not\u00edcia. Praticamente toda a vida profissional dos rep\u00f3rteres dependia desse aparelho. N\u00e3o por outro motivo, as reda\u00e7\u00f5es de jornalismos eram abarrotadas de telefones fixos, no quais, em cada linha dispon\u00edvel, jornalistas ficavam dependurados, com suas agendas ma\u00e7udas, checando e correndo atr\u00e1s dos fatos di\u00e1rios.<\/p>\n<p>Nesses ambientes o ouvido parecia trabalhar mais que a vis\u00e3o. Os raros e escassos flagrantes superavam em velocidade \u00e0s m\u00e1quinas fotogr\u00e1ficas anal\u00f3gicas e aos gravadores que dependiam de fitas e pilhas a postos. Nos chamados Comit\u00eas de Imprensa, espalhados por toda a estrutura federal, havia um frenesi constante de pessoas \u00e0 espera de um furo e de uma not\u00edcia de monta que viesse pela linha do telefone ou que adentrasse pela sala de espera, trazido pelos porta-vozes diretamente dos gabinetes.<\/p>\n<p>Eram tempos diferentes, onde a palavra democracia e abertura pareciam existir apenas entre os jornalistas. As not\u00edcias eram filtradas e peneiradas desde a fonte para n\u00e3o melindrar os homens de fardas. O ne\u00f3fito que adentrasse nessa profiss\u00e3o aprenderia rapidamente a diferen\u00e7a entre o que presenciava e o que era disponibilizado no dia seguinte nos notici\u00e1rios da r\u00e1dio e dos jornais.<\/p>\n<p>Talvez por isso mesmo, na grade de produtos oferecida pelas grandes redes de comunica\u00e7\u00e3o aos leitores e ouvintes, o jornalismo ocupava um pequeno e pouco espa\u00e7o. Muitas atra\u00e7\u00f5es e outras distra\u00e7\u00f5es eram inseridas na programa\u00e7\u00e3o e mesmo nos espa\u00e7os dos jornais para preencher lacunas. De fato, o p\u00fablico brasileiro, por sua pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o cultural, d\u00e9bil e incompleta, pouco se interessava por not\u00edcias que tratassem de problemas econ\u00f4micos ou pol\u00edticos<\/p>\n<p>Muito mais interesse havia nos esc\u00e2ndalos. Fofocas e um jornal especial para viol\u00eancia valiam mais a pena do que os assuntos relativos ao funcionamento da m\u00e1quina do Estado. Viv\u00edamos o que parecia ser uma l\u00facida aliena\u00e7\u00e3o. O stress e o ambiente enlouquecedor ficavam restritos \u00e0s reda\u00e7\u00f5es, principalmente nas horas que antecediam o fechamento das edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Carnaval e futebol ocupavam destaque. Para aliviar o ambiente em constante ebuli\u00e7\u00e3o, que existia apenas na fronteira entre o poder e a not\u00edcia, os rep\u00f3rteres corriam no fim da noite para os bares mais pr\u00f3ximos, onde o \u00e1lcool e intrigas de bastidores corriam soltas. Essa era a chamada terceira reda\u00e7\u00e3o, onde a not\u00edcia tinha seu prolongamento, talvez, mais verdadeiro e direto. Representava tamb\u00e9m o prolongamento do aprendizado dos novos profissionais.<\/p>\n<p>De fato, o alcoolismo, assim como as verdades oficiais, n\u00e3o era noticiado. Havia uma cumplicidade t\u00e1cita. Havia, obviamente, uma ressaca do poder, representada tanto fisicamente, como pelo esgotamento de um modelo de democracia que parecia longe de existir. Eram outros tempos, estranhos tempos, sem inocentes e sem culpados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>&#8220;O dinheiro \u00e9 a grande for\u00e7a hoje. Os homens vendem suas almas por isso. As mulheres vendem seus corpos por isso. Outros o adoram. O poder do dinheiro cresceu tanto que a quest\u00e3o de todas as quest\u00f5es \u00e9 se a corpora\u00e7\u00e3o governar\u00e1 este pa\u00eds ou se o pa\u00eds governar\u00e1 novamente as corpora\u00e7\u00f5es.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Joseph Pulitzer, jornalista e editor h\u00fangaro.<\/p>\n<figure id=\"attachment_15768\" aria-describedby=\"caption-attachment-15768\" style=\"width: 420px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-15768\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/jo.jpg\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"513\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/jo.jpg 420w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/jo-246x300.jpg 246w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/jo-287x350.jpg 287w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/jo-230x281.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 420px) 100vw, 420px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15768\" class=\"wp-caption-text\">Foto: wikipedia.org<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sem planejamento<\/strong><\/p>\n<p>Podem anotar. T\u00e3o logo comecem as aulas e a correria no tr\u00e2nsito, as obras das tesourinhas nas Asas Norte e Sul voltar\u00e3o a todo vapor. Enquanto todos est\u00e3o de f\u00e9rias e as ruas vazias, n\u00e3o interessa colocar m\u00e1quinas funcionando. O neg\u00f3cio \u00e9 atrapalhar.<\/p>\n<figure id=\"attachment_15769\" aria-describedby=\"caption-attachment-15769\" style=\"width: 549px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-15769\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/20191121231825676210o.jpg\" alt=\"\" width=\"549\" height=\"367\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/20191121231825676210o.jpg 820w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/20191121231825676210o-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/20191121231825676210o-768x512.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/20191121231825676210o-350x233.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/20191121231825676210o-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/20191121231825676210o-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 549px) 100vw, 549px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15769\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Novacap<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Convidada especial<\/strong><\/p>\n<p>Com um lugar para o Brasil reservado no cora\u00e7\u00e3o, a engenheira qu\u00edmica Frances Arnold foi convidada para uma palestra na Embrapa. Ela \u00e9 pioneira em m\u00e9todos de evolu\u00e7\u00e3o dirigida para criar sistemas biol\u00f3gicos \u00fateis, incluindo enzimas, vias metab\u00f3licas, circuitos reguladores gen\u00e9ticos e organismos, o que lhe rendeu o pr\u00eamio Nobel de Qu\u00edmica. Muito amiga do professor e f\u00edsico Jos\u00e9 Goldemberg, ela morou no Brasil tempos atr\u00e1s. Frances Arnold \u00e9 fundadora da Provivi, al\u00e9m de ser a quinta mulher a ganhar o pr\u00eamio Nobel de Qu\u00edmica.<\/p>\n<figure id=\"attachment_15770\" aria-describedby=\"caption-attachment-15770\" style=\"width: 549px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-15770\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/article.jpg\" alt=\"\" width=\"549\" height=\"309\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/article.jpg 1280w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/article-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/article-768x432.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/article-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/article-350x197.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/article-550x309.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2020\/01\/article-230x129.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 549px) 100vw, 549px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-15770\" class=\"wp-caption-text\">Foto: embrapa.br<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>HIST\u00d3RIA DE BRAS\u00cdLIA<\/strong><\/p>\n<p>Os HP-3 mais bem localizados s\u00e3o os dos senhores Helv\u00e9cio Bastos e Waldomiro Slaviero. Quando chove as duas casas ficam cercadas por um belo lago vermelho, habita\u00e7\u00e3o ideal para mosquitos. <strong>(Publicado em 14\/12\/1961)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Muitas li\u00e7\u00f5es profissionais, se n\u00e3o a maioria delas, n\u00e3o \u00e9 ensinada nas escolas, mas no ambiente de trabalho. \u00c9 no labor di\u00e1rio e na prova dos nove, fora entre erros e acertos, que o profissional se aprimora. 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