{"id":14738,"date":"2019-08-21T01:00:18","date_gmt":"2019-08-21T04:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=14738"},"modified":"2019-08-21T14:02:57","modified_gmt":"2019-08-21T17:02:57","slug":"ilusao-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/ilusao-infantil\/","title":{"rendered":"Ilus\u00e3o infantil"},"content":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)<\/p>\n<p>Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil<\/p>\n<p>jornalistacircecunha@gmail.com<\/p>\n<p>Facebook.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>Instagram.com\/vistolidoeouvido<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_14741\" aria-describedby=\"caption-attachment-14741\" style=\"width: 680px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14741\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/08\/ven.jpg\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"454\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/08\/ven.jpg 680w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/08\/ven-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/08\/ven-350x234.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/08\/ven-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/08\/ven-230x154.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14741\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Roman Camacho\/SOPA Images\/LightRocket\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos idos da d\u00e9cada de setenta, havia, na faculdade de Filosofia e Hist\u00f3ria, do ent\u00e3o CEUB, um professor romeno que lecionava hist\u00f3ria econ\u00f4mica, disciplina que mostrava as movimenta\u00e7\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es humanas ao longo dos s\u00e9culos com base nas rela\u00e7\u00f5es materiais e nos referenciais de riqueza, explora\u00e7\u00e3o, trabalho e outros dados e estat\u00edsticas matem\u00e1ticas mensur\u00e1veis. Dizia ele, que o homem era o \u00fanico animal que se movia exclusivamente por interesse e esse era um dos motivos que explicava porque ao longo da hist\u00f3ria havia tantos conflitos.<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o exclusivamente materialista da hist\u00f3ria humana exclu\u00eda, por raz\u00f5es \u00f3bvias, outras caracter\u00edsticas da personalidade dos primos dos macacos como inveja, ambi\u00e7\u00e3o, cobi\u00e7a e outras facetas. Naquele tempo, ainda era forte o antagonismo entre os jovens contra a interven\u00e7\u00e3o militar de 1964. Por essa raz\u00e3o, era comum entre os alunos o discurso de que somente os partidos de esquerda que pregavam o socialismo e o comunismo, nas suas vers\u00f5es mais extremadas, teriam uma resposta para livrar o Pa\u00eds do que consideravam ser uma opress\u00e3o ditatorial.<\/p>\n<p>Nessa fase, curiosamente, o Brasil vivia, talvez, seu melhor momento econ\u00f4mico, com um crescimento compar\u00e1vel ao da China dos dias de hoje. A adrenalina e os horm\u00f4nios da juventude em favor da implanta\u00e7\u00e3o de um regime similar \u00e0 da ent\u00e3o Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, ou mesmo nos moldes em que era praticado em Cuba, dominava a Faculdade. O velho mestre, que viera de um pa\u00eds submetido aos rigores da cortina de ferro, naqueles tempos de polariza\u00e7\u00e3o do mundo, na sua timidez esbo\u00e7ava um sorriso em que dizia, por detr\u00e1s dos l\u00e1bios, \u201csanta ingenuidade desses meninos\u201d.<\/p>\n<p>Um dia, visivelmente incomodado com os protestos que interrompiam suas aulas, achou que era o momento de injetar, nos jovens sonhadores, alguma realidade, colhida pela amarga experi\u00eancia vivida em seu pa\u00eds natal. Com isso, come\u00e7ou a descrever o que se passava por detr\u00e1s daquela cortina espessa que dividia o mundo em dois polos. Falou sobre a nomenclatura, em que apenas as pessoas pr\u00f3ximas ao poder desfrutavam dos confortos capitalistas. Descreveu seu des\u00e2nimo ao descobrir que seus esfor\u00e7os para se formar numa universidade, \u00e0s custas do sofrimento de sua fam\u00edlia, de nada garantiram uma posi\u00e7\u00e3o melhor dentro sociedade, j\u00e1 que teria que disputar um estreito espa\u00e7o com os indicados pelo partido no poder.<\/p>\n<p>Contou sobre os antepassados de sua fam\u00edlia, que viviam confortavelmente, antes da implanta\u00e7\u00e3o do comunismo. Foram despossu\u00eddos de seus bens e hoje se amontoavam entre centenas de outras fam\u00edlias em edif\u00edcios gigantescos, onde as divis\u00f3rias entre umas e outras casas eram feitos com len\u00e7\u00f3is e cobertores. Os banheiros eram de uso coletivo, assim como certas cozinhas.<\/p>\n<p>Para comprar os mantimentos do dia a dia, era preciso o uso de carn\u00eas, distribu\u00eddos pelo partido mensalmente. Naqueles muquifos, os roubos de comida e de outros g\u00eaneros de primeira necessidade eram constantes. Eram comuns ainda a vigil\u00e2ncia cerrada feitas pelos pr\u00f3prios vizinhos. Inclusive, esse sistema de denuncia\u00e7\u00e3o generalizada, \u00e0s vezes, era praticado entre membros consangu\u00edneos, o que garantia simpatia dentro do partido e podia assegurar alguma vantagem como uma cota extra de cigarro, um par de cal\u00e7a jeans do ocidente, entre outros benef\u00edcios.<\/p>\n<p>As pessoas, dizia com a voz embargada, sob o dom\u00ednio do comunismo, haviam se transformado em animais predadores, sem la\u00e7os afetivos. A repress\u00e3o da pol\u00edcia do Estado era constante e injusta, inclusive contra os mais idosos. A imagem dos santos e do pr\u00f3prio Deus haviam desaparecido dos altares, nas muitas igrejas profanadas. Em seu lugar, brilhavam agora os retratos de Marx, Lenin, colocados ao lado dos chefes de partidos locais.<\/p>\n<p>A religi\u00e3o era o comunismo e quem n\u00e3o professasse com os dogmas do novo catecismo era acusado de traidor, o que poderia custar puni\u00e7\u00e3o severa n\u00e3o apenas ao indiv\u00edduo, mas a todos os membros de sua fam\u00edlia e de toda a sua gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A desconfian\u00e7a entre todos era generalizada e todo o pa\u00eds vivia uma esp\u00e9cie de pesadelo sem fim. Obviamente que essa prega\u00e7\u00e3o, aos ouvidos da juventude, naquela \u00e9poca, soou como algo reacion\u00e1rio e sem sentido. Hoje, olhando, em retrospectiva, aqueles dias de ilus\u00e3o juvenil e depois da triste experi\u00eancia que nos proporcionou a chegada do Partido Dos Trabalhadores no comando do nosso pa\u00eds e de outras experi\u00eancias amargas experimentadas em pa\u00edses vizinhos como Venezuela, \u00e9 poss\u00edvel entender melhor o sorriso de desalento do velho mestre com nossas ilus\u00f5es infantis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cO sequestrador de Niter\u00f3i n\u00e3o foi abatido pela pol\u00edcia. A Pol\u00edcia, com base na lei, lan\u00e7ou m\u00e3o da Leg\u00edtima Defesa de Terceiros e agiu no estrito cumprimento do dever legal! Ou algu\u00e9m entende que o certo seria deixar explodir os ref\u00e9ns?\u201d<\/em><\/p>\n<p>Jana\u00edna Pascoal, advogada e deputada<\/p>\n<figure id=\"attachment_12985\" aria-describedby=\"caption-attachment-12985\" style=\"width: 546px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-12985\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/12\/1_janaina-6925369.jpg\" alt=\"\" width=\"546\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/12\/1_janaina-6925369.jpg 700w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/12\/1_janaina-6925369-300x201.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/12\/1_janaina-6925369-350x235.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/12\/1_janaina-6925369-550x369.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/12\/1_janaina-6925369-230x154.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 546px) 100vw, 546px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-12985\" class=\"wp-caption-text\">Foto: odia.ig.com<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Muito trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Foi decretado que o representante brasileiro em Nova York, Noruega e Jamaica ser\u00e1 o professor Rodrigo Fernandes More. Ele participar\u00e1, em nome do Brasil, da 3\u00aa Confer\u00eancia Intergovernamental sobre o Direito do Mar, da 74\u00aa Assembleia Geral da ONU, da 6\u00aa Confer\u00eancia Nosso Oceano em Oslo e da 26\u00aa Sess\u00e3o do Conselho da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos. \u00c9 o mais cotado para Juiz do Tribunal Internacional dos Direitos do Mar da ONU.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-14745 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/08\/WhatsApp-Image-2019-08-20-at-21.51.16-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"358\" height=\"535\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/08\/WhatsApp-Image-2019-08-20-at-21.51.16-1.jpeg 856w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/08\/WhatsApp-Image-2019-08-20-at-21.51.16-1-201x300.jpeg 201w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/08\/WhatsApp-Image-2019-08-20-at-21.51.16-1-768x1148.jpeg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/08\/WhatsApp-Image-2019-08-20-at-21.51.16-1-685x1024.jpeg 685w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/08\/WhatsApp-Image-2019-08-20-at-21.51.16-1-234x350.jpeg 234w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/08\/WhatsApp-Image-2019-08-20-at-21.51.16-1-550x822.jpeg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2019\/08\/WhatsApp-Image-2019-08-20-at-21.51.16-1-230x344.jpeg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 358px) 100vw, 358px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>HIST\u00d3RIA DE BRAS\u00cdLIA<\/strong><\/p>\n<p>No almo\u00e7o de s\u00e1bado, na mans\u00e3o do sr. Sebasti\u00e3o Camargo, o dr. Israel Pinheiro ia se retirando e entrou num JK preto. Quando chegou em casa \u00e9 que verificou: haviam pregado uma pe\u00e7a, dando-lhe a chave de um carro chapa branca igualzinho ao seu, mas pertencente \u00e0 Novacap. <strong>(Publicado em 28\/11\/1961)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam) Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil jornalistacircecunha@gmail.com Facebook.com\/vistolidoeouvido Instagram.com\/vistolidoeouvido &nbsp; &nbsp; Nos idos da d\u00e9cada de setenta, havia, na faculdade de Filosofia e Hist\u00f3ria, do ent\u00e3o CEUB, um professor romeno que lecionava hist\u00f3ria econ\u00f4mica, disciplina que mostrava as movimenta\u00e7\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es humanas ao longo dos s\u00e9culos com base nas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":14741,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[993,133,114,1276,1209,1736,982,68,2,69,16],"class_list":["post-14738","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-integra","tag-comunismo","tag-direitaeesquerdanobrasil","tag-historiadebrasilia","tag-ideologia","tag-socialismo","tag-uniaosovietica","tag-venezuela","tag-aricunha","tag-brasilia","tag-circecunha","tag-mamfil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14738"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14738\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14746,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14738\/revisions\/14746"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14741"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}