{"id":11716,"date":"2018-08-05T05:00:27","date_gmt":"2018-08-05T08:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=11716"},"modified":"2018-08-03T19:21:45","modified_gmt":"2018-08-03T22:21:45","slug":"taquari","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/taquari\/","title":{"rendered":"Taquari"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">ARI CUNHA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Visto, lido e ouvido<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde 1960<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">com Circe Cunha e Mamfil;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">colunadoaricunha@gmail.com;<\/p>\n<figure id=\"attachment_11721\" aria-describedby=\"caption-attachment-11721\" style=\"width: 693px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11721\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/trevo-norte-990x556-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"693\" height=\"389\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/trevo-norte-990x556-1-1.jpg 990w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/trevo-norte-990x556-1-1-300x168.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/trevo-norte-990x556-1-1-768x431.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/trevo-norte-990x556-1-1-350x197.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/trevo-norte-990x556-1-1-550x309.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/trevo-norte-990x556-1-1-230x129.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 693px) 100vw, 693px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11721\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Constru\u00e7\u00e3o do Trevo de Triagem Norte (brasiliadefato.com.br).<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Estabelecer hoje parcelamentos de expans\u00e3o urbana em \u00e1reas onde h\u00e1 a presen\u00e7a de importantes aqu\u00edferos, al\u00e9m de discut\u00edvel, coloca o futuro de milh\u00f5es de pessoas sob um s\u00e9rio risco. Sem \u00e1gua, n\u00e3o h\u00e1 vida e muito menos condi\u00e7\u00f5es de fixa\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Construtores, empreendedores e muitos pol\u00edticos n\u00e3o se sensibilizam com quest\u00f5es dessa natureza. Ali\u00e1s, a natureza, na vis\u00e3o dessa gente, tem que oferecer lucros, n\u00e3o importando de que maneira. H\u00e1 um consenso geral que considera ser imposs\u00edvel, hoje em dia, a constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, nos moldes em que foi erguida naquele per\u00edodo. A raz\u00e3o \u00e9 que as imensas movimenta\u00e7\u00f5es de terras para aplainar as grandes \u00e1reas, onde seriam implantados todo o Plano Piloto, ocasionaram o assoreamento e aterramento de muitos c\u00f3rregos e matas ciliares que existiam nessas \u00e1reas, provocando um verdadeiro exterm\u00ednio de plantas, animais e de nascentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Ainda hoje, n\u00e3o se sabe, ao certo, a extens\u00e3o desses estragos. O que se v\u00ea \u00e9 que jazem sob ruas, avenidas e quadras residenciais da cidade, um grande n\u00famero de cursos d\u2019\u00e1gua que cederam lugar ao avan\u00e7o poeirento do progresso. Justificar essa imensa destrui\u00e7\u00e3o da natureza, numa \u00e9poca, em que n\u00e3o se discutiam assuntos dessa ordem, \u00e9 tempo perdido. O fato \u00e9 que os homens parecem n\u00e3o aprender com o passado. A constru\u00e7\u00e3o do Trevo de Triagem Norte (TTN), considerada fundamental para o pesado escoamento vi\u00e1rio daquela regi\u00e3o, aterrou, sem d\u00f3, nem piedade, importante nascente de \u00e1gua que existia de um lado e outro da Ponte do Braguetto, assoreando, de morte tamb\u00e9m, o grande espelho de \u00e1gua que recebe as \u00e1guas do c\u00f3rrego Bananal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Ningu\u00e9m protestou. As construtoras e os empreendedores aplaudiram. Parte da popula\u00e7\u00e3o ficou inerte tendo as reclama\u00e7\u00f5es abafadas pelo barulho das m\u00e1quinas. Segue a passagem das esta\u00e7\u00f5es assinalando amea\u00e7adoramente, para todos, que os per\u00edodos de estiagem v\u00e3o ficando cada vez mais prolongados e os reservat\u00f3rios que abastecem a cidade com \u00edndices de cotas cada vez menores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 O que seria impens\u00e1vel no passado, no caso a utiliza\u00e7\u00e3o das \u00e1guas do Lago Parano\u00e1, que coleta grande parte do esgoto da cidade, para o consumo humano, hoje \u00e9 uma realidade que, ainda por cima, \u00e9 comemorada como trunfo para alguns. Aos poucos, vamos deixando para tr\u00e1s a certeza de que s\u00f3 a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente tornar\u00e1 poss\u00edvel o estabelecimento de pessoas na regi\u00e3o, em troca de um futuro incerto, debitado na conta das gera\u00e7\u00f5es vindouras. Indiferentes a essa realidade que nos amea\u00e7a, prosseguimos erguendo bairros sobre o que restou de natureza, apenas para atender \u00e0 uma demanda criada pelos especuladores e umas poucas autoridades p\u00fablicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Num ciclo que parece n\u00e3o ter fim, a cada ano, os brasilienses de boa \u00edndole assistem, sem meios de agir, ao estabelecimento de novas expans\u00f5es urbanas. Norte, Sul, Leste e Oeste, vamos cercando toda a capital com assentamentos mal planejados, favelas, invas\u00f5es disfar\u00e7adas em condom\u00ednios, com \u00e1reas rurais tendo sua destina\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria mudada ao sabor dos ventos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 O caso em pauta, nesse momento, \u00e9 a expans\u00e3o do Setor Habitacional Taquari, numa regi\u00e3o que abriga os c\u00f3rregos do Urubu e Jeriv\u00e1, considerado importante s\u00edtio de recarga de aqu\u00edfero. Para se ter uma ideia da import\u00e2ncia dessa regi\u00e3o, basta dizer que mais de 50% da \u00e1gua pura, que ainda chega a bacia do Parano\u00e1, prov\u00e9m dessa regi\u00e3o, conhecida como Serrinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 A expans\u00e3o das etapas II e III desse bairro ir\u00e1 afetar, segundo ambientalistas, mais de cinquenta pequenos cursos de \u00e1gua limpa que ainda insistem em correr por essa regi\u00e3o. H\u00e1 inclusive estudos do Prodema que atestam que a dilui\u00e7\u00e3o de esgoto no Lago Parano\u00e1 chegou ao limite. Dejetos de toda a natureza, produzidos por bairros programados para receber milhares de fam\u00edlias, nunca \u00e9 devidamente estipulado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00c9 corrente a constata\u00e7\u00e3o de que a maioria dos projetos de ameniza\u00e7\u00e3o dos impactos ambientais gerados por projeto de assentamento, na sua grande maioria, n\u00e3o s\u00e3o implementados ou, quando o s\u00e3o, ficam muito aqu\u00e9m do necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Vivemos tempos contradit\u00f3rios. Engatinhamos a caminho do desenvolvimento. Ainda n\u00e3o aprendemos a erguer, sem destruir ao mesmo tempo. A quest\u00e3o aqui \u00e9 que, objetivamente, vamos alargando desertos \u00e1ridos em nossa volta. N\u00e3o bastassem os enormes latif\u00fandios de monocultura que derrubam o cerrado para benef\u00edcio apenas dos donos dessas \u00e1reas, vamos tamb\u00e9m destruindo o que ainda resta do verde e da \u00e1gua, contidos nesse pequenino quadril\u00e1tero chamado Distrito Federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>\u201cN\u00e3o se pode fazer voltar a \u00e1gua que passou nem a hora que transcorreu.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ov\u00eddio<\/p>\n<figure id=\"attachment_11719\" aria-describedby=\"caption-attachment-11719\" style=\"width: 601px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-11719\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/aguaaaa.jpg\" alt=\"Charge: NEF. (homolog.jornaldebrasilia.com.br)\" width=\"601\" height=\"397\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/aguaaaa.jpg 696w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/aguaaaa-300x198.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/aguaaaa-350x231.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/aguaaaa-550x364.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/08\/aguaaaa-230x152.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 601px) 100vw, 601px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11719\" class=\"wp-caption-text\">Charge: NEF. (homolog.jornaldebrasilia.com.br)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Dados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 um caso de subnotifica\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a crimes cometidos nas regi\u00f5es onde delegacias est\u00e3o desativadas. As estat\u00edsticas n\u00e3o correspondem com a realidade. Rodrigo Franco, presidente do Sinpol, d\u00e1 o exemplo da \u00e1rea rural do Parano\u00e1, como a comunidade Caf\u00e9 Sem Troco, que fica a 43 quil\u00f4metros do Parano\u00e1.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Queremos linha de \u00f4nibus at\u00e9 a Rodovi\u00e1ria para a Comunidade do Caf\u00e9 Sem Troco\" width=\"1440\" height=\"810\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oAOBhZe_xlg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>HIST\u00d3RIA DE BRAS\u00cdLIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ali\u00e1s, nesse v\u00f4o, os ministros tomam u\u00edsque escoc\u00eas, e os passageiros comuns saboreiam o nacional. <strong>(Publicado em 26.10.1961)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ARI CUNHA Visto, lido e ouvido Desde 1960 com Circe Cunha e Mamfil; colunadoaricunha@gmail.com; \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Estabelecer hoje parcelamentos de expans\u00e3o urbana em \u00e1reas onde h\u00e1 a presen\u00e7a de importantes aqu\u00edferos, al\u00e9m de discut\u00edvel, coloca o futuro de milh\u00f5es de pessoas sob um s\u00e9rio risco. 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