{"id":11673,"date":"2018-07-31T19:05:37","date_gmt":"2018-07-31T22:05:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=11673"},"modified":"2018-07-31T19:05:37","modified_gmt":"2018-07-31T22:05:37","slug":"meu-pai-meu-mestre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/meu-pai-meu-mestre\/","title":{"rendered":"Meu pai, meu mestre"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">ARI CUNHA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Visto, lido e ouvido<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde 1960<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">com Circe Cunha e Mamfil;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">colunadoaricunha@gmail.com;<\/p>\n<figure id=\"attachment_11678\" aria-describedby=\"caption-attachment-11678\" style=\"width: 684px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-11678\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/3.jpg\" alt=\"Fotos: arquivo pessoal\" width=\"684\" height=\"548\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/3.jpg 627w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/3-300x240.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/3-350x280.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/3-550x440.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/3-230x184.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 684px) 100vw, 684px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11678\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Teilhard de Chardin escreveu que \u201ca coisa mais gratificante da vida \u00e9 ser capaz de dar uma grande parte de si mesmo aos outros.\u201d Assim foi meu pai. Todas as pessoas que chegam para nos consolar nesse momento de dor, lembram de um pouco deixado por ele. Como li\u00e7\u00e3o, como carinho, intelig\u00eancia, diplomacia, perseveran\u00e7a e como acolhimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesses anos em que fiquei lado a lado com meu pai, na coluna Visto, lido e ouvido, ao mesmo tempo em que aprendia a manter o rigor do dif\u00edcil of\u00edcio de um editorialista, crescia em mim o temor de que meu mestre e pai me faltaria, deixando-me s\u00f3, como uma n\u00e1ufraga, \u00e0 deriva, perdida no imenso mar. Aquele mesmo mar em que um dia, l\u00e1 no Cear\u00e1, ele me levantava pelos bracinhos a cada vez que vinha uma onda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Durante o tempo em que trabalhamos juntos, aprendi a jamais misturar os assuntos do trabalho com a vida \u00edntima da fam\u00edlia. E a jamais usar a coluna para interesses pessoais. S\u00e3o muitas as li\u00e7\u00f5es deixadas pelo Ari Cunha. Tanto nos momentos de gl\u00f3ria quanto naqueles dias sufocantes das prova\u00e7\u00f5es. Quanta sabedoria nos ensinou com exemplos no dia-a-dia. Assim, prosseguimos nossa jornada. Um desacordo daqui, uma gargalhada de l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em casa, sou a filha ca\u00e7ula, com tudo o que isso importa. Nasci no dia da posse de Jango. L\u00e1 estava meu pai, entre a fam\u00edlia e o jornal, buscando as not\u00edcias dos dois lados. Pequena, queria ter a mesma profiss\u00e3o do meu pai. Falar ao telefone e ler jornal, era o que eu dizia. J\u00e1 formada em jornalismo, fui convidada a partilhar daquele espa\u00e7o. O mesmo que toda a minha fam\u00edlia acompanhou com os primeiros cap\u00edtulos, vivendo a hist\u00f3ria da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 No jornal, sua assistente, sujeita a toda a carga de responsabilidade e cobran\u00e7as que o of\u00edcio exige. Jamais reclamei dessa dualidade. Com isso, aprendi a n\u00e3o misturar as coisas e nesses \u00faltimos vinte anos em que passamos a compartilhar nossas vidas diuturnamente, pude constatar, de perto, a imensa responsabilidade que pesava sobre os ombros do meu pai para comandar o maior jornal da capital, e que tinha, sob sua dire\u00e7\u00e3o, o maior time de jornalistas e editores jamais reunidos em uma reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Al\u00e9m dessa tarefa herc\u00falea, que somente poucos suportam, cabia a ele entregar, todos os dias, a coluna, que durante muitas d\u00e9cadas tem sido a leitura obrigat\u00f3ria n\u00e3o s\u00f3 de todos os brasilienses, mas das autoridades que por aqui cumpriam suas miss\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Tenho um orgulho enorme de saber que meu pai e mestre era do tipo de jornalista \u00e0 antiga. Daqueles que sabiam, com precis\u00e3o, cada of\u00edcio dentro de um jornal. Jornalistas de seu tempo e com sua responsabilidade, sem computadores e internet, sabiam fazer de tudo num jornal, do in\u00edcio ao fim, entrando com as not\u00edcias de um lado, pondo as impressoras para girar de outro, e entregando o produto acabado nas bancas logo pela manh\u00e3. Olha a\u00ea o Correio&#8230; cantavam os jornaleiros logo cedo pelas quadras de Bras\u00edlia. Comprar o p\u00e3o, o leite e o jornal era rotina de muita gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Meu pai nunca foi avesso \u00e0 tecnologia. T\u00e3o logo chegaram os computadores quis um, e um laptop. Gostava de aprender. Queria as novidades. Como ele dizia que os dedos tinham asas, voavam sem receios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Em muitas e variadas m\u00e3os, ali estava o trabalho de meu pai e de toda a equipe do Correio Braziliense. Todos o viam com respeito e admira\u00e7\u00e3o pela simplicidade, comportamento agregador e a rara capacidade de se sentir \u00e0 vontade em qualquer lugar com qualquer pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Houve um tempo em que meu pai era o personagem mais conhecido e respeitado da cidade. Percorrer uma pequena dist\u00e2ncia levava horas. Todos o paravam, contando casos e sugerindo notas. Usava desse prest\u00edgio apenas para defender a cidade que adotou como lar e para ajudar as pessoas que para aqui vinham se estabelecer com bons prop\u00f3sitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com isso, fez uma legi\u00e3o de bons amigos, que tinham nele uma figura magn\u00e2nima. Jamais usou de seu imenso prest\u00edgio em proveito pr\u00f3prio, levando uma vida, \u00e0 medida do poss\u00edvel, longe dos holofotes. Preferia a companhia dos amigos sinceros e de lugares pouco badalados, como o Caf\u00e9 Flor do Abaet\u00e9, na 105 Sul, ou nas feiras populares, onde podia sentir os aromas puros da natureza. Falar apenas de meu pai \u00e9 falar de nossa intimidade familiar e talvez isso n\u00e3o interesse muito. Aqui com os meus pensamentos, sei que somos uma fam\u00edlia rara. Todos os domingos, na grande mesa, filhos, netos e bisnetos juntos, sempre em torno do alimento. Para o corpo e para a alma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vamos sentir muita falta da presen\u00e7a do patriarca da fam\u00edlia. Somos mais uma fam\u00edlia de candangos que para aqui veio quando tudo era p\u00f3 e esperan\u00e7a. Seguimos na terceira gera\u00e7\u00e3o e vamos deixando sob essa terra vermelha nossos antepassados queridos, que deram \u00e0 Bras\u00edlia muito de si.<\/p>\n<figure id=\"attachment_11679\" aria-describedby=\"caption-attachment-11679\" style=\"width: 687px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-11679\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/1.jpg\" alt=\"Fotos: arquivo pessoal\" width=\"687\" height=\"549\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/1.jpg 626w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/1-300x240.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/1-350x280.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/1-550x439.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/1-230x184.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 687px) 100vw, 687px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11679\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_11680\" aria-describedby=\"caption-attachment-11680\" style=\"width: 686px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-11680\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/2.jpg\" alt=\"Fotos: arquivo pessoal\" width=\"686\" height=\"550\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/2.jpg 625w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/2-300x240.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/2-350x281.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/2-550x441.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/2-230x184.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 686px) 100vw, 686px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11680\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_11681\" aria-describedby=\"caption-attachment-11681\" style=\"width: 687px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-11681\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/4.jpg\" alt=\"Fotos: arquivo pessoal\" width=\"687\" height=\"548\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/4.jpg 628w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/4-300x239.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/4-350x279.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/4-550x439.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/07\/4-230x183.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 687px) 100vw, 687px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11681\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ARI CUNHA Visto, lido e ouvido Desde 1960 com Circe Cunha e Mamfil; colunadoaricunha@gmail.com; \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Teilhard de Chardin escreveu que \u201ca coisa mais gratificante da vida \u00e9 ser capaz de dar uma grande parte de si mesmo aos outros.\u201d Assim foi meu pai. 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