{"id":10111,"date":"2018-03-08T21:00:33","date_gmt":"2018-03-09T00:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=10111"},"modified":"2018-03-08T22:17:17","modified_gmt":"2018-03-09T01:17:17","slug":"reforma-trabalhista-pode-acabar-com-o-estado-cartorial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/reforma-trabalhista-pode-acabar-com-o-estado-cartorial\/","title":{"rendered":"Reforma trabalhista pode acabar com o Estado cartorial"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">ARI CUNHA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Visto, lido e ouvido<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde 1960<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">colunadoaricunha@gmail.com;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">com Circe Cunha e Mamfil<\/p>\n<figure id=\"attachment_10114\" aria-describedby=\"caption-attachment-10114\" style=\"width: 486px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-10114\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/ReformaT-400x247.jpeg\" alt=\"Imagem: cqcs.com.br\" width=\"486\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/ReformaT-400x247.jpeg 400w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/ReformaT-400x247-300x185.jpeg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/ReformaT-400x247-350x216.jpeg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/ReformaT-400x247-230x142.jpeg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 486px) 100vw, 486px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-10114\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: cqcs.com.br<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Nada varre, com mais efic\u00e1cia, os restos do passado, do que os ventos fortes e incontidos da modernidade. Com a introdu\u00e7\u00e3o da reforma trabalhista, v\u00e3o caindo por terra, um a um, velhos privil\u00e9gios e v\u00edcios cartoriais que opunham, at\u00e9 de forma insana, trabalhadores contra patr\u00f5es, lan\u00e7ando-os em rinhas desgastantes e in\u00fateis nos ringues da justi\u00e7a trabalhista. Esse era o lugar onde normalmente o juiz da contenda se apressava em sagrar vitorioso, at\u00e9 para cumprir o c\u00e2none da Corte, o pobre do empregado, visto aqui sempre sob um \u00e2ngulo paternalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Em nenhuma parte do mundo o empreendedor foi t\u00e3o perseguido pelo Estado como no Brasil. E a raz\u00e3o estava justamente na estrat\u00e9gia de empurrar para as costas do empres\u00e1rio parte significativa dos deveres que cabiam primordialmente ao pr\u00f3prio Estado. \u00c9 por esse motivo que, ao longo dos v\u00e1rios governos, ficou mais confort\u00e1vel apontar os empreendedores privados como os \u00fanicos respons\u00e1veis pelas mazelas que emperravam as rela\u00e7\u00f5es de trabalho e por conseguinte de produ\u00e7\u00e3o, do que reconhecer os fatos da inoper\u00e2ncia do Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Com a chegada da esquerda, essa fal\u00e1cia ganhou maior vulto ainda com o aparato de toda a m\u00e1quina p\u00fablica sendo usado para refor\u00e7ar os sindicatos e encurralar a livre iniciativa, vista j\u00e1 aqui como uma amea\u00e7a burguesa e, portanto, merecedora de toda a repress\u00e3o estatal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Obviamente que esses discursos eram feitos apenas da boca para fora para plateias cr\u00e9dulas, quando, na verdade, o que ocorriam eram altas negociatas envolvendo o governo e os grandes empres\u00e1rios, chamados a financiar uma tal de nova matriz econ\u00f4mica, que nada mais era do que um modelo de Estado feito sob medida para permitir a perpetua\u00e7\u00e3o desses grupos no poder, \u00e0s custas, \u00e9 claro do capital privado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com o impeachment de Dilma e a descoberta de que a economia h\u00e1 muito nadava sem cal\u00e7as, veio, n\u00e3o s\u00f3 a derrocada dessa estrat\u00e9gia de poder, mas com ela, todas as rela\u00e7\u00f5es trabalhistas que a s\u00e9culos emperravam o desenvolvimento do pa\u00eds. Sabe-se que essa ainda n\u00e3o \u00e9 uma reforma ideal. Nenhuma outra ser\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e com elas alteram-se e aperfei\u00e7oam-se tamb\u00e9m as legisla\u00e7\u00f5es. Essa, pelo menos, tem o cond\u00e3o de ser a derradeira legisla\u00e7\u00e3o que p\u00f5e um fim \u00e0 um longo ciclo em que os empreendedores, apontados como bode expiat\u00f3rio de um Estado cartorialista, ficavam com os \u00f4nus e o governo com os b\u00f4nus. A esse respeito, H\u00e9lio Jaguaribe, j\u00e1 em 1950, assinalava em sua obra Pol\u00edtica Ideol\u00f3gica e Pol\u00edtica de Clientela: \u201cEstado cartorial \u00e9, basicamente, um Estado caracterizado pelo fato de que as fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, embora se apresentando como atividades orientadas para a presta\u00e7\u00e3o de determinados servi\u00e7os \u00e0 coletividade, ou seja, determinados \u201cservi\u00e7os p\u00fablicos\u201d s\u00e3o, na verdade, utilizadas, se n\u00e3o mesmo concebidas, para assegurar empregos e vantagens espec\u00edficas a determinadas pessoas e grupos. O Estado cartorial \u00e9 o resultado t\u00edpico da \u201cpol\u00edtica de clientela\u201d quando esta atinge amplas propor\u00e7\u00f5es e permeia o Estado em seu conjunto\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Para esse cientista pol\u00edtico, o Estado cartorial se op\u00f5e ao estado funcional. Nesse sentido, \u00e9 poss\u00edvel comparar a atividade dos cart\u00f3rios com a atual atividade exercida por uma mir\u00edade de sindicatos apenas pela verifica\u00e7\u00e3o de uma baix\u00edssima, ou mesmo nula, utilidade funcional, frente \u00e0 nova legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Mesmo a Justi\u00e7a Trabalhista, frente \u00e0 modernidade que vai se impondo, vai perdendo parte da raz\u00e3o de existir. Mas entre os maiores perdedores, deixados para tr\u00e1s por um novo Brasil que insiste em nascer, est\u00e3o, al\u00e9m dos sindicatos do tipo puramente ideol\u00f3gico, que operam na base do peleguismo, e nada mais s\u00e3o do que filiais de partidos, centenas de pol\u00edticos, com assento nos Legislativos, que tinham nessas rela\u00e7\u00f5es do passado, sua exist\u00eancia e raz\u00e3o de ser. J\u00e1 v\u00e3o tarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cO estado pro\u00edbe ao indiv\u00edduo a pr\u00e1tica de atos infratores, n\u00e3o porque deseje aboli-los, mas sim porque quer monopoliz\u00e1-los.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sigmund Freud<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>In\u00edcio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um gerente do Banco do Brasil recebeu uma correspond\u00eancia cheia de argumentos. Ao realizar os pagamentos do m\u00eas, um aviso sobreveio na tela do computador. Havia saldo suficiente, mas o limite para pagamentos foi extrapolado.<\/p>\n<figure id=\"attachment_10117\" aria-describedby=\"caption-attachment-10117\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10117\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/banco-do-brasil-charge.jpg\" alt=\"Charge: tribunadainternet.com.br\" width=\"480\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/banco-do-brasil-charge.jpg 480w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/banco-do-brasil-charge-300x213.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/banco-do-brasil-charge-350x249.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/banco-do-brasil-charge-230x163.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-10117\" class=\"wp-caption-text\">Charge: tribunadainternet.com.br<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Meio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Revoltado com o abuso do Banco, de dispor do dinheiro alheio dessa forma, a resposta do gerente n\u00e3o convenceu. Disse que era por quest\u00e3o de seguran\u00e7a. 1\u00ba Que ladr\u00e3o invadiria uma conta para efetuar pagamentos? 2\u00ba Se o cliente tem dinheiro, que direito tem o Banco do Brasil de impedir que o use com liberdade? 3\u00ba O BB faturou R$11,1 bilh\u00f5es em 2017, porque n\u00e3o protege seus clientes investindo em seguran\u00e7a no lugar de impedir o dono do dinheiro de moviment\u00e1-lo? Por que os pr\u00f3prios clientes n\u00e3o optam pelos limites de seguran\u00e7a?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Fim<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quem d\u00e1 golpes em hospitais ou telefonemas sobre falsos sequestros sempre indica uma conta banc\u00e1ria para as v\u00edtimas depositarem para os estelionat\u00e1rios. Nesses casos, o que os bancos fazem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>HIST\u00d3RIA DE BRAS\u00cdLIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">J\u00e1 que estamos para o lado da Prefeitura, \u00e9 preciso lembrar o abandono em que se encontra a Ermida D. Bosco. O lugar \u00e9 pitoresco, todos os turistas v\u00e3o visitar, e n\u00e3o h\u00e1 estradas, n\u00e3o h\u00e1 conserva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 nada que fa\u00e7a o turista gostar ou se entreter. <strong>(Publicado em 17.10.1961)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ARI CUNHA Visto, lido e ouvido Desde 1960 colunadoaricunha@gmail.com; com Circe Cunha e Mamfil \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Nada varre, com mais efic\u00e1cia, os restos do passado, do que os ventos fortes e incontidos da modernidade. 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