{"id":10069,"date":"2018-03-03T21:00:59","date_gmt":"2018-03-04T00:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/?p=10069"},"modified":"2018-03-02T19:36:36","modified_gmt":"2018-03-02T22:36:36","slug":"universidades-publicas-brasileiras-perderam-razao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/universidades-publicas-brasileiras-perderam-razao\/","title":{"rendered":"Universidades p\u00fablicas brasileiras perderam a raz\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">ARI CUNHA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Visto, lido e ouvido<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde 1960<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">colunadoaricunha@gmail.com;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">com Circe Cunha e Mamfil<\/p>\n<figure id=\"attachment_10071\" aria-describedby=\"caption-attachment-10071\" style=\"width: 753px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10071\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/USP.jpg\" alt=\"Foto: revistaamalgama.com.br\" width=\"753\" height=\"424\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/USP.jpg 753w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/USP-300x169.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/USP-350x197.jpg 350w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/USP-550x310.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/USP-230x130.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 753px) 100vw, 753px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-10071\" class=\"wp-caption-text\">Foto: revistaamalgama.com.br<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Marilena Chau\u00ed, a musa intelectual das esquerdas, a mesma que afirma odiar a classe pelo seu vi\u00e9s terrorista e conservador, avalia, a seu modo, que a crise nas universidades p\u00fablicas \u00e9 resultado do avan\u00e7o neoliberal e da entrada da iniciativa privada internacional no mercado brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Trata-se aqui de uma vis\u00e3o muito particular da crise que assola as universidades do pa\u00eds, mas que, observada de perto, com vagar, est\u00e1 muito longe da realidade. Afirmar que o papel das universidades \u00e9 ser parte da luta de classes coloca apenas uma pedra sobre o problema e lan\u00e7a essas institui\u00e7\u00f5es na rinha de galo dos partidos, como se elas fossem extens\u00e3o das disputas de legenda por nacos do poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0O problema fica maior ainda quando a elite do pensamento dentro das pr\u00f3prias universidades, ao se recusar enxergar o \u00f3bvio, lan\u00e7a mais gasolina na fogueira, querendo, a todo o custo, reerguer o Muro de Berlim, ou retornar mais longe ainda, a maio de 1968, \u00e9poca em que os estudantes franceses, ao protestarem contra a reforma de ensino proposta pelo governo Charles De Gaulle, conseguiram paralisar todo o pa\u00eds e parte da Europa, numa greve geral que reuniu mais de 9 milh\u00f5es de pessoas. A quest\u00e3o, como muitos tentam justificar, n\u00e3o \u00e9 a falta de recursos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0O Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais gasta com ensino superior p\u00fablico. Estudos mostram que o custo do estudante da faculdade p\u00fablica brasileira est\u00e1 entre os mais altos do mundo. O problema maior \u00e9 justamente com a gest\u00e3o desses recursos. Nessas institui\u00e7\u00f5es de ensino, os recursos p\u00fablicos s\u00e3o absorvidos integralmente pela folha salarial, restando absolutamente nada para outras \u00e1reas. O rombo nas contas das universidades tem sido uma constante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Em 2016, a universidade de Bras\u00edlia (UnB) apresentava um d\u00e9ficit de mais de R$ 100 milh\u00f5es. O rombo nas maiores universidades do pa\u00eds ultrapassa hoje os R$ 400 milh\u00f5es e sem perspectivas de solu\u00e7\u00e3o. Na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), por muito tempo a melhor em todos os quesitos, a folha de pagamentos ultrapassa os 105% dos recursos. Todo o dinheiro \u00e9 gasto com pagamento de pessoal da ativa e de aposentados. O or\u00e7amento furado das universidades, contudo, n\u00e3o \u00e9 o maior problema dessas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0A universaliza\u00e7\u00e3o do ensino superior \u00e9 uma fal\u00e1cia. De fato, as universidades p\u00fablicas do pa\u00eds t\u00eam perpetuado o modelo excludente presente em outras esferas do Estado. Em seus quadros, com as exce\u00e7\u00f5es de regra, est\u00e3o as elites, quer ensinando ou aprendendo e que, das agruras de lutas de classes, conhecem apenas o que est\u00e1 escrito em livros de hist\u00f3ria ou sociologia. Se voltam contra o Estado opressor e em favor dos oprimidos, mas se indignam quando t\u00eam que se abaixar para apanhar um papel no ch\u00e3o ou dar o lugar para um idoso dentro do \u00f4nibus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o possuem, de fato, uma \u201cvida acad\u00eamica\u201d, permanecendo na academia apenas o tempo necess\u00e1rio para cumprir tarefas. N\u00e3o participam de atividades extraclasses e n\u00e3o prestam servi\u00e7os gratuitos \u00e0 comunidade, o que seria o m\u00ednimo como contrapartida pelos estudos sem \u00f4nus, bancados pela sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Alunos e professores se sentem no Olimpo, dotados de uma \u00e1urea especial e, portanto, se sentem desobrigados a meter a m\u00e3o na massa e construir um ambiente de harmonia dentro e fora das universidades. A partir dos anos 2000, essa situa\u00e7\u00e3o passou a adquirir um aspecto mais sinistro ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A frase que foi pronunciada:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201c Hoje em dia, a universidade \u00e9 o local onde a ignor\u00e2ncia \u00e9 levada \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mill\u00f4r Fernandes<\/p>\n<figure id=\"attachment_10073\" aria-describedby=\"caption-attachment-10073\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-10073\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/7024794711_40aca1b386.jpg\" alt=\"Caricatura: lo-bueno-si-breve.blogspot.com.br\" width=\"390\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/7024794711_40aca1b386.jpg 390w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/7024794711_40aca1b386-234x300.jpg 234w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/7024794711_40aca1b386-273x350.jpg 273w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/aricunha\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2018\/03\/7024794711_40aca1b386-230x295.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-10073\" class=\"wp-caption-text\">Caricatura: lo-bueno-si-breve.blogspot.com.br<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Alta tens\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Novamente a C\u00e2mara Legislativa pode prestar um desservi\u00e7o \u00e0 comunidade. Ter\u00e7a\u2013feira, o Projeto da Lei do Sil\u00eancio, do deputado Ricardo Vale, ter\u00e1 algumas altera\u00e7\u00f5es discutidas. De um lado, moradores em busca de sossego. De outro, polui\u00e7\u00e3o sonora que rouba a paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>HIST\u00d3RIA DE BRAS\u00cdLIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O lament\u00e1vel disto \u00e9 que seja uma reparti\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a infratora, e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que o Delegado do Iapfesp em Bras\u00edlia alegue ignor\u00e2ncia deste fato. <strong>(Publicado em 17.10.1961)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ARI CUNHA Visto, lido e ouvido Desde 1960 colunadoaricunha@gmail.com; com Circe Cunha e Mamfil \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Marilena Chau\u00ed, a musa intelectual das esquerdas, a mesma que afirma odiar a classe pelo seu vi\u00e9s terrorista e conservador, avalia, a seu modo, que a crise nas universidades p\u00fablicas \u00e9 resultado do avan\u00e7o neoliberal e da entrada da iniciativa privada internacional no mercado brasileiro. 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