VISTO, LIDO E OUVIDO
*Criada por Ari Cunha DESDE 1960
hoje
Com Circe Cunha e MAMFIL Manoel de Andrade
jornalistacircecunha@gmail.com
Há muito se sabe que a liberdade e a dignidade humana só se realizam plenamente em sociedades enraizadas e sustentadas por laços históricos e afetivos. A tradição conservadora nasce no seio da família e nos laços de amor entre seus membros. Da mesma forma que o antropocentrismo levou o homem ao paradoxo de figura mais importante em relação a toda a criação, o socialismo diluiu o indivíduo num amálgama disforme e sem personalidade e dignidade própria à mercê de forças que, ao fim e ao cabo destroem sua existência ou a reduz à uma espécie de formigueiro despersonalizado e sem propósito. É tempo de as escolas voltarem a um modelo de ensino que combata a fragmentação cultural e o relativismo moral, tão presentes em nossos dias. No entanto, para essa lição nada moderna, será preciso antes, revitalizar a tradição conservadora mirando objetivamente na defesa dos valores e na centralidade das heranças culturais do ocidente, da religião e da estética, todos tomados como pilares da vida social. O tecido social necessita de uma certa dose de auto sacrifício e se constrói sempre de baixo para cima, ao contrário do que fazem governos do tipo centralizados e ditatoriais que destroem a responsabilidade individual e buscam miseravelmente trazer o inferno à Terra, o que tem levado historicamente a construção de verdadeiros purgatórios terrenos.
É preciso ensinar os jovens que a sociedade só se regula por meio de obrigações mútuas e que devemos ‘ser contrários ao individualismo mesquinho e niilista que transforma tudo em ruínas. O mundo moderno, nessa escola que volta a tradição vive hoje uma crise espiritual séria, com a perda progressiva da consciência do sagrado e dos limites humanos. É preciso alertar aos mais jovens para o perigo e a ilusão de que a realidade se faz concreta por meio da vontade ou do desejo. Ao contrário dos chamados progressistas, que nada mais são do que niilistas empedernidos e iconoclastas, o conservadorismo necessita de uma certa disposição e um certo vínculo afetivo com aquilo que herdamos e nos dá identidade como a língua, os costumes, as instituições, o ambiente natural, a arte e a religião.
Observe o seguinte trecho apresentado na tese de um conservador ilustre como Roger Scruton, “as coisas admiráveis são facilmente destruídas, mas não são facilmente criadas”. Veja o caso de um indivíduo que comete um atentado contra o quadro ou uma escultura clássica. Fácil danificá-la, impossível a esse vândalo será criar uma obra de igual valor artístico. Temos que fazer com que nossas crianças e jovens temam e evitem o que se observa ao redor como por exemplo o esvaziamento do sentido, a banalização estética, a corrosão da autoridade e o colapso da crença em valores objetivos.
Num ambiente normal, a escola deveria ensinar que a verdade, o bem e o belo não são apenas convenções sociais, mas sim uma realidade objetiva que só se revela quando existe uma educação voltada para a consciência da importância do amor a tradição, a responsabilidade moral com a comunidade. A liberdade, já diziam os antigos, está sempre a uma geração. O que equivale a dizer que há cada nova geração há que lutar para preservá-la. O acúmulo de saber deve ser preservado e levado adiante e cabe as escolas mantê-lo vivo e vibrante. Nesse ponto é preciso destacar que nesse modelo que temos que regressar sempre que a coisa desanda, como vemos agora no Brasil, deveria ser grande a responsabilidade política para isto aconteça de fato.
Em nosso caso particular, o ensino não deve seguir o caminho fácil das abstrações utópicas e se concentrar na herança e na complexidade histórica a nos deixada pelas gerações passadas. As escolas num país justo, deveriam ensinar a importância do direito de propriedade e do ver com os menos afortunados. Ensinar coisas simples como o valor inegociável do amor, do sexo, da beleza e tudo o que não deve ser colocado à venda como é o caso da dignidade e dos valores morais e éticos. Ensinar as novas gerações sobre a importância de observar com cautela o aumento do poder estatal e da política ideológica, sobre o que realmente importa que é vida e os laços humanos, livres e saudáveis. Ensinar que a beleza, faz par com a verdade e que essa é uma necessitada básica e metafísica, capaz de trazer paz e harmonia. A ordem do mundo deve estar em equilíbrio com a ordem interior.
Ensinar que o tesouro a ser buscado por cada um não está num baú ou em trintas moedas de prata e sim, na cultura, no saber e na felicidade de entender o mundo com clareza justa. Ensinar aos nossos alunos que a infelicidade está sendo fermentada no caldeirão dos radicalismos e da indiferença pós-moderna e na banalização da estética, entendendo que a política, como erroneamente praticada entre nós, só nos tem conduzido a ilusão de onipotência. Para tanto é preciso despertar nos alunos a prudência máxima em relação a propaganda política e as receitas fáceis de um céu. A Venezuela, com seu socialismo do século 21, pode servir como exemplo dessa construção de uma Torre de Babel moderna, que destruiu completamente aquele país, outrora próspero e cheio de oportunidades.
A frase que foi pronunciada:
“A educação é a passagem das trevas para a luz.”
Allan Bloom
História de Brasília
Assim, Mazzola e Sormani, considerados italianos pelas leis do país amigo e integrando a seleção peninsular no Campeonato do Mundo, da qual não poderão participar a não ser como cidadãos italianos, preferiram outra nacionalidade, adquiriram outra nacionalidade por “naturalização voluntária”, pois essa expressão, como se viu, abrange a ligação posterior, voluntária, qualquer que seja, a outro Estado. (Publicada em 25.05.1962)
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