{"id":1290,"date":"2020-07-10T15:42:33","date_gmt":"2020-07-10T18:42:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/4elementos\/?p=1290"},"modified":"2020-07-11T23:34:05","modified_gmt":"2020-07-12T02:34:05","slug":"desmatamento-na-amazonia-dispara-em-11-meses-aumento-de-64","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/4elementos\/2020\/07\/10\/desmatamento-na-amazonia-dispara-em-11-meses-aumento-de-64\/","title":{"rendered":"Desmatamento na Amaz\u00f4nia dispara: em 11 meses aumento de 64%"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por mais que o governo diga aos gestores internacionais e presidentes de grandes empresas de que est\u00e1 preservando o meio ambiente, os n\u00fameros n\u00e3o mentem. O desmatamento continua em disparada. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta sexta-feira (10\/7), apontam que a degrada\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia Legal aumentou 64% de agosto de 2019 a junho de 2020. Foram 7.540 km\u00b2 de desmatamento ante 4.589 km\u00b2 entre agosto de 2018 e junho de 2019.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A\u00a0 estimativa \u00e9 que taxa oficial de desmatamento, sempre medida de agosto de um ano a julho do ano seguinte, seja ainda maior que a registrada no per\u00edodo encerrado em 2019, que foi recorde em 11 anos. Isso porque, faltando apenas um m\u00eas para o fechamento do per\u00edodo de apura\u00e7\u00e3o, o crescimento j\u00e1 bate 64%.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dados do sistema Deter mostram que, apenas em junho, houve alertas de desmatamento em uma \u00e1rea de 1.034 km\u00b2, aumento de 11% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas do ano passado (935 km\u00b2). Foi o pior m\u00eas desde 2007. No ano, de 1\u00ba de janeiro a 30 de junho deste ano, 3.070 km\u00b2 de floresta foram desmatados, 26% a mais do que o mesmo per\u00edodo do ano passado. Os n\u00fameros referem-se aos 11.822 alertas de desmatamento nos primeiros seis meses do ano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Enquanto o Amaz\u00f4nia se desfaz a olhos vistos, o governo brasileiro segue sem adotar um plano concreto para impedir o desmatamento e as queimadas. Com isso, s\u00f3 aumenta a vulnerabilidade econ\u00f4mica do Brasil. Pa\u00edses europeus est\u00e3o cada vez mais relutantes em fazer acordos comerciais com o Brasil. Investidores estrangeiros, gestores de fundos internacionais e presidente de grandes empresas mostram preocupa\u00e7\u00e3o com a flexibiliza\u00e7\u00e3o da fiscaliza\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia Legal e amea\u00e7am, em cartas enviadas ao governo brasileiro, parar de investir no pa\u00eds, caso n\u00e3o sejam adotadas a\u00e7\u00f5es concretas para a defesa da maior floresta tropical do planeta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMesmo que n\u00e3o se queime nenhum metro quadrado na atual temporada de fogo que vai at\u00e9 setembro &#8212; como espera o vice-presidente da Rep\u00fablica, Hamilton Mour\u00e3o, ao propor novamente a morat\u00f3ria das queimadas na Amaz\u00f4nia Legal este ano &#8211;, o maior estrago j\u00e1 foi feito\u201d, diz o diretor de Conserva\u00e7\u00e3o e Restaura\u00e7\u00e3o do WWF-Brasil, Edegar Rosa. Se toda a vegeta\u00e7\u00e3o cortada vai se tornar cinzas, piorando com a fuma\u00e7a a polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e agravando os problemas respirat\u00f3rios da popula\u00e7\u00e3o no auge da pandemia de covid-19, depende de como ser\u00e1 a rea\u00e7\u00e3o no campo. \u201cO fato \u00e9 que uma imensa parcela da floresta amaz\u00f4nica j\u00e1 est\u00e1 no ch\u00e3o\u201d, afirma Rosa.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para os especialistas, a rea\u00e7\u00e3o do governo \u00e0s press\u00f5es \u00e9 esconder o problema atr\u00e1s de uma cortina feita de campanha publicit\u00e1ria, viagens e a\u00e7\u00f5es de fachada. \u201cMitigar e reverter os danos causados por esta pol\u00edtica anti-ambiental \u00e0\u00a0 floresta\u00a0 e \u00e0\u00a0 imagem do pa\u00eds exigir\u00e1 muito mais: \u00a0 precisamos de resultados concretos, e para isso ser\u00e1 necess\u00e1rio um plano robusto para conter tamanha destrui\u00e7\u00e3o &#8212; a come\u00e7ar por a\u00e7\u00f5es de comando e controle em car\u00e1ter permanente e executadas por \u00f3rg\u00e3os competentes e bem aparelhados. Este \u00e9 um caminho, j\u00e1 conhecido, que este governo insiste em ignorar\u201d, afirma Cristiane Mazzetti, da campanha de Amaz\u00f4nia do Greenpeace. \u201cOs n\u00fameros crescentes estampam a verdade, se enganam aqueles que aceitarem o que foi apresentado pelo governo at\u00e9 ent\u00e3o como uma garantia de mudan\u00e7a de cen\u00e1rio\u201d, completa.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_1291\" aria-describedby=\"caption-attachment-1291\" style=\"width: 625px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1291 size-full\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/4elementos\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/07\/unnamed.jpg\" alt=\"\" width=\"625\" height=\"416\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1291\" class=\"wp-caption-text\">\u00c1rea desmatada de 1.022 ha na APA Triunfo do Xingu (PA) \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n<h2><b>Destrui\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A destrui\u00e7\u00e3o avan\u00e7a com velocidade assustadora at\u00e9 mesmo em \u00e1reas protegidas, como unidades de conserva\u00e7\u00e3o (UC) e terras ind\u00edgenas. Cerca de 67% do garimpo realizado na Amaz\u00f4nia no m\u00eas de junho ocorreu dentro dessas \u00e1reas. Foram desmatados 387 hectares para realiza\u00e7\u00e3o de garimpo em terras ind\u00edgenas e 1.021 hectares em UCs somente no m\u00eas de junho. \u201cEm meio a pior pandemia do s\u00e9culo, nem mesmo o desastre ambiental de 2019 e a repercuss\u00e3o internacional do descaso do governo brasileiro com seu maior patrim\u00f4nio natural e com os povos ind\u00edgenas, parecem ser o bastante para fazer com que medidas concretas e inteligentes sejam tomadas para combater o crime na floresta\u201d, avalia Cristiane.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Deter aponta a tend\u00eancia da taxa oficial de desmatamento (Prodes), mesmo sem o \u00faltimo m\u00eas do chamado \u201cano fiscal do desmatamento\u201d, medido entre os meses de agosto e julho, a \u00e1rea com alertas j\u00e1 soma 7.540km\u00b2 e \u00e9 o maior acumulado para o per\u00edodo fiscal desde 2008. Portanto, a taxa oficial do desmatamento, que ultrapassou os 10 mil km\u00b2 em 2019, tende a bater novo recorde em 2020. \u201dN\u00e3o temos mais tempo a perder, os dados est\u00e3o evidenciando o rastro do fogo, \u00e9 urgente a ado\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es verdadeiramente eficazes para garantir a integridade da floresta e a vida daqueles que nela residem\u201d, completa Cristiane.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b>Desmatamento regional<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O desmatamento ocorreu em toda a Amaz\u00f4nia Legal, mas foi pior no Par\u00e1 (1.212 km\u00b2), Mato Grosso (715 km\u00b2) e Amazonas (539 km\u00b2). Os munic\u00edpios campe\u00f5es do desmatamento foram os paraenses Altamira (351 km\u00b2) e S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu (201 km\u00b2), seguidos por Apu\u00ed (155 km\u00b2), no sul do Amazonas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cOs alertas do Inpe foram registrados em propriedades privadas e terras p\u00fablicas, mas o espantoso \u00e9 que o desmatamento tamb\u00e9m ocorreu em Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, nas quais deveria haver mais controle e rigor\u201d, diz Mariana Napolitano, gerente do WWF-Brasil para Ci\u00eancias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As unidades de conserva\u00e7\u00e3o mais desmatadas foram a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim e a de Altamira, e a \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) do Tapaj\u00f3s, a Reserva Biol\u00f3gica Nascentes da Serra do Cachimbo, todas no Par\u00e1. O Inpe j\u00e1 vinha indicando alta de desmatamento nessas \u00e1reas. Mesmo assim, a fiscaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegou a tempo de evitar o desastre, embora o governo tenha acesso antecipado aos dados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o \u00e0 toa, houve forte rea\u00e7\u00e3o ao descontrole do desmatamento na Amaz\u00f4nia de investidores e empres\u00e1rios. Esta semana, l\u00edderes de 38 grandes empresas e quatro entidades setoriais que atuam no pa\u00eds pediram, em carta, ao coordenador do Conselho da Amaz\u00f4nia, o vice-presidente Hamilton Mour\u00e3o, provid\u00eancias contra o desmate, entre outras medidas que incluem descarboniza\u00e7\u00e3o da economia e apoio a povos e comunidades tradicionais. Na quinta-feira (9\/7), Mour\u00e3o foi se explicar aos investidores durante videoconfer\u00eancia. Mas o governo preferiu dizer aos gestores de fundos que movimentam trilh\u00f5es de d\u00f3lares que houve \u201cdistor\u00e7\u00e3o no entendimento\u201d, do que apresentar planos concretos.<\/span><\/p>\n<h2><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><b>GLO<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma das d\u00favidas dos especialistas \u00e9 quanto \u00e0 efic\u00e1cia da a\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas na Amaz\u00f4nia por meio de uma opera\u00e7\u00e3o de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no \u00e2mbito da opera\u00e7\u00e3o Brasil Verde-2, uma reprise do ano passado. A a\u00e7\u00e3o coloca o Ibama, \u00f3rg\u00e3o com autoridade para autuar, multar e apreender materiais usados em crimes ambientais, como coadjuvante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo o governo tendo anunciado R$ 60 milh\u00f5es como \u201caporte inicial\u201d para tocar a opera\u00e7\u00e3o, o desempenho \u00e9 visto com desconfian\u00e7a. O Minist\u00e9rio P\u00fablico chegou a pedir ao Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) abertura de um processo para investigar a execu\u00e7\u00e3o financeira da opera\u00e7\u00e3o. Os procuradores querem saber se o dinheiro est\u00e1 sendo gasto \u201cde modo a atender interesses p\u00fablicos, com efici\u00eancia e responsabilidade\u201d.<\/span><\/p>\n<h2><b>Pior momento<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEnquanto o Planalto se esfor\u00e7a para tentar enganar o mundo de que preserva a Amaz\u00f4nia, a realidade dos n\u00fameros revela que o governo Bolsonaro est\u00e1 colaborando na destrui\u00e7\u00e3o da maior floresta tropical do planeta\u201d, afirma Marcio Astrini, secret\u00e1rio-executivo do Observat\u00f3rio do Clima. \u201cSob Bolsonaro, vivemos o pior momento da agenda ambiental de nosso pa\u00eds.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A \u00e1rea de alertas de desmatamento em 2020, um m\u00eas antes do fim do per\u00edodo de apura\u00e7\u00e3o dos dados, j\u00e1 \u00e9 10% maior do que em todo o ano de 2019. S\u00e3o 7.566 km\u00b2 em 11 meses, contra 6.844 km\u00b2 nos 12 meses do per\u00edodo anterior (o desmatamento \u00e9 medido de agosto de um ano a julho do ano seguinte). Caso os alertas em julho se mantenham na m\u00e9dia dos \u00faltimos quatro anos, a \u00e1rea total em 2020 ser\u00e1 maior que 8.500 km\u00b2.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os alertas n\u00e3o s\u00e3o a taxa oficial de desmatamento; s\u00e3o sempre uma subestimativa da real \u00e1rea desmatada, j\u00e1 que o sistema Deter, criado para orientar a fiscaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 \u201cm\u00edope\u201d e n\u00e3o enxerga derrubadas pequenas. Isso significa que a taxa real de desmatamento tende a ser bem maior \u2014 em m\u00e9dia, 50% maior, mas essa propor\u00e7\u00e3o varia muito de ano a ano \u2014 do que o visto nos alertas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No ano passado, os alertas de 6.844 km\u00b2 implicaram uma taxa de desmatamento de 10.129 km\u00b2, a maior desde 2008. Caso as motosserras sigam em ritmo intenso em julho, a taxa de desmatamento pode ultrapassar os 12 mil km\u00b2. Isso \u00e9 tr\u00eas vezes mais do que o Brasil se comprometeu a atingir em 2020 na Pol\u00edtica Nacional de Mudan\u00e7a do Clima (PNMC), a lei clim\u00e1tica nacional.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em seu comunicado ao governo nesta quinta-feira (9\/7), os mais de 30 investidores globais, que det\u00eam ativos de mais de R$ 20 trilh\u00f5es, disseram ao governo que um dos indicadores que eles avaliariam no comportamento ambiental do Brasil seria o cumprimento da meta de desmatamento da PNMC.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por mais que o governo diga aos gestores internacionais e presidentes de grandes empresas de que est\u00e1 preservando o meio ambiente, os n\u00fameros n\u00e3o mentem. O desmatamento continua em disparada. 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