{"id":1159,"date":"2020-06-12T14:58:48","date_gmt":"2020-06-12T17:58:48","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/4elementos\/?p=1159"},"modified":"2020-06-12T14:58:48","modified_gmt":"2020-06-12T17:58:48","slug":"amazonia-tem-maior-devastacao-ja-registrada-em-cinco-meses-de-um-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/4elementos\/2020\/06\/12\/amazonia-tem-maior-devastacao-ja-registrada-em-cinco-meses-de-um-ano\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia tem maior devasta\u00e7\u00e3o j\u00e1 registrada em cinco meses de um ano"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">O Brasil vive a maior devasta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria durante o atual governo. Em uma rede social,\u00a0 o presidente Jair Bolsonaro publicou, na semana passada, por ocasi\u00e3o do Dia Mundial do Meio Ambiente, que \u201csomos o pa\u00eds que mais preserva o meio ambiente do mundo\u201d, em mais uma demonstra\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de desinforma\u00e7\u00e3o que marca sua gest\u00e3o. A verdade \u00e9 que o desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal bate recorde atr\u00e1s de recorde desde que assumiu, em janeiro de 2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), houve alertas de desmatamento para 2.032 quil\u00f4metros quadrados (km\u00b2) de janeiro a maio, a maior \u00e1rea para o per\u00edodo desde 2015, quando teve in\u00edcio a s\u00e9rie hist\u00f3rica do sistema Deter-B. Entre 1\u00ba de janeiro e 31 de maio, houve alertas de desmatamento para 2.032 km\u00b2 no bioma. A \u00e1rea devastada \u00e9 34% maior que a do mesmo per\u00edodo no ano passado (1.512 km\u00b2) e 49% acima da m\u00e9dia dos quatro anos anteriores (2016 a 2019), que foi de 1.363 km\u00b2.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-1108 \" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/4elementos\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/06\/quimada3-1-124x300.jpg\" alt=\"\" width=\"220\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/4elementos\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/06\/quimada3-1-124x300.jpg 124w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/4elementos\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/06\/quimada3-1.jpg 311w\" sizes=\"auto, (max-width: 220px) 100vw, 220px\" \/>O cen\u00e1rio de aumento da devasta\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 ainda pior quando considerado o per\u00edodo que se estende de agosto a maio e que corresponde aos primeiros 10 meses do calend\u00e1rio de monitoramento do desmatamento do sistema Projeto de Estimativa do Desflorestamento da Amaz\u00f4nia (Prodes) do Inpe.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entre agosto de 2019 e maio de 2020, o desmatamento foi de 6.499 km\u00b2, um aumento de 78% em compara\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior (agosto de 2018 a maio de 2019), quando foram desmatados 3.653 km\u00b2.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os quase 6,5 mil km\u00b2 desmatados nesses \u00faltimos 10 meses contrastam com a m\u00e9dia de 3,6 mil km\u00b2 registrada no mesmo per\u00edodo desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica. Al\u00e9m disso, o per\u00edodo n\u00e3o inclui junho e julho, quando o desmatamento \u00e9 historicamente mais alto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A \u00e1rea sob alertas de desmatamento em maio de 2020 foi de 829 km\u00b2, a maior dos \u00faltimos cinco anos e 12% acima da registrada em maio de 2019. No m\u00eas anterior, 407 km\u00b2 haviam sido devastados, o que significa que a \u00e1rea desmatada dobrou entre abril e maio deste ano.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Chama a aten\u00e7\u00e3o a devasta\u00e7\u00e3o registrada em maio no Par\u00e1, de 344 km\u00b2 dos 829 km2, no Amazonas (182 km\u00b2) e no Mato Grosso (177 km\u00b2). As Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UC) com maior desmatamento no per\u00edodo de janeiro a maio foram a Floresta Nacional do Jamanxim (21 km\u00b2), a \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do Tapaj\u00f3s (9 km\u00b2) e a Floresta Nacional de Altamira (8 km\u00b2) &#8212; todas elas no Par\u00e1.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: left\"><b>Cat\u00e1strofe<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O crescimento do desmatamento na Amaz\u00f4nia j\u00e1 havia sido expressivo na \u00faltima temporada. Os dados consolidados do Prodes\/Inpe indicam que a \u00e1rea devastada em 2019 foi de 10,1 mil km\u00b2. O valor corresponde ao desmatamento realizado entre agosto de 2018 e julho de 2019 &#8212; um aumento de 34% em compara\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo anterior (7.536 km\u00b2).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A situa\u00e7\u00e3o torna-se ainda mais preocupante quando se leva em conta a evolu\u00e7\u00e3o da pandemia de covid-19 no Brasil, particularmente na Amaz\u00f4nia. De acordo com nota t\u00e9cnica\u00a0 publicada no dia 8 de junho pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam), a vegeta\u00e7\u00e3o derrubada e n\u00e3o queimada desde o ano passado &#8212; em uma \u00e1rea que pode superar 4,5 mil km\u00b2 &#8212; dever\u00e1 produzir queimadas intensas a partir deste m\u00eas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo o Ipam, isso aumentaria os riscos de um aumento expressivo das interna\u00e7\u00f5es por problemas respirat\u00f3rios, pressionando ainda mais o sistema de sa\u00fade da regi\u00e3o, que j\u00e1 est\u00e1 fortemente impactado pela covid-19.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cOs dados de maio preocupam e indicam uma tend\u00eancia crescente de desmatamento no per\u00edodo, com n\u00edveis ainda maiores do que 2019 &#8212; um ano j\u00e1 excepcionalmente alto. Estamos diante de um cen\u00e1rio de total cat\u00e1strofe para a Amaz\u00f4nia, com a expectativa de mais \u00e1reas abertas, invas\u00f5es e queimadas somadas ao triste cen\u00e1rio do alastramento da pandemia pelo bioma\u201d, alerta Mariana Ferreira, gerente de Ci\u00eancias do WWF-Brasil.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Sem resposta<\/strong><\/h2>\n<p>Mais uma vez procurado, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA) preferiu n\u00e3o responder ao Blog, como vem ocorrendo sistematicamente, a despeito de a pasta ser um \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico que deve satisfa\u00e7\u00f5es \u00e0 sociedade sobre sua atua\u00e7\u00e3o para a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Talvez n\u00e3o tenha nada a dizer.<\/p>\n<p>Como h\u00e1, em curso, uma opera\u00e7\u00e3o de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) na Amaz\u00f4nia, promovida pelo Minist\u00e9rio da Defesa, a pasta tamb\u00e9m foi procurada. Segue a resposta da Defesa:<\/p>\n<p>&#8220;A Opera\u00e7\u00e3o Verde Brasil \u00e9 coordenada pelo Minist\u00e9rio da Defesa. Est\u00e1 no escopo do Conselho Nacional da Amaz\u00f4nia (CNA), conselho regulado pela Vice-Presid\u00eancia da Rep\u00fablica em apoio aos \u00f3rg\u00e3os de controle ambiental e de seguran\u00e7a p\u00fablica.\u00a0Em sua primeira fase, realizada de 2019, conteve 1.800 focos de inc\u00eandio, apreendeu 18,4 mil metros c\u00fabicos de madeira extra\u00edda ilegalmente, confiscou mais de 200 ve\u00edculos e efetuou 120 pris\u00f5es.<\/p>\n<p>Este ano, a partir do monitoramento realizado pelo SIPAM e a an\u00e1lise dados de desmatamento do INPE, verificou-se uma necessidade de implementa\u00e7\u00e3o de uma nova GLO. Nesse contexto, em 11 de maio de 2020, teve in\u00edcio a Opera\u00e7\u00e3o Verde Brasil 2.<\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o Verde Brasil 2 termina o primeiro m\u00eas com resultados expressivos. Em 30 dias, apreendeu 14.472m\u00b3 de madeira, 31 motosserras, 95 caminh\u00f5es, 50 tratores, 31 ve\u00edculos e 113 embarca\u00e7\u00f5es. Efetuou 124 pris\u00f5es, inspe\u00e7\u00e3o em 28 madeireiras, apreens\u00e3o de 218 kg de pasta base de coca e 139 kg de maconha; aplica\u00e7\u00e3o de 288 termos de infra\u00e7\u00e3o (R$ 103.776.525,45 em multas); 4.850 vistorias em ve\u00edculos e 2.273 inspe\u00e7\u00f5es navais. Inutiliza\u00e7\u00f5es de 104 ve\u00edculos, motores de garimpo, balsas, tratores, escavadeiras e m\u00e1quinas agr\u00edcolas. Os fiscais, apoiados pelos militares, ainda apreenderam perto de 1,5 tonelada de produtos do extrativismo, de ca\u00e7a e de pesca obtidos ilegalmente.<\/p>\n<p>Para isso, foi empregado efetivo de cerca de 2.730 homens e mulheres, sendo 2.527 militares das For\u00e7as Armadas, 188 ve\u00edculos, 3 navios, 7 embarca\u00e7\u00f5es e 11 aeronaves. Nesta quinta-feira (11), foi prorrogado at\u00e9 10 de julho, por meio do decreto 10.394, o emprego de militares para combater focos de inc\u00eandio e desmatamento ilegal na chamada Amaz\u00f4nia Legal.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas foi determinante para a estabiliza\u00e7\u00e3o do \u00edndice de crescimento observado no \u00faltimo ano. Isso pode ser comprovado quando observamos que os meses com menores taxas foram alcan\u00e7adas em outubro de 2019 (5,09%) e maio de 2020 (12%), per\u00edodo de atua\u00e7\u00e3o dos militares. Em 10 de junho, o Presidente Jair Bolsonaro autorizou a atua\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas at\u00e9 10 de julho.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil vive a maior devasta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria durante o atual governo. 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